Keep moving slow
26 Nosso amor está sendo tragado?
Notas iniciais
"For success, attitude is equally as important as ability." — Walter Scott
— Seu aniversário está chegando, já pensou no que quer fazer? – Nino perguntou ao colega de quarto. Ambos arrumavam as malas para mais um final de semana fora da academia.
— Com a competição prestes a começar, eu não pensei muito nisso. – O loiro respondeu. – Recebi hoje um aviso sobre o nosso dia nas eliminatórias. A Mari e eu menos de uma semana para ensaiar, então não estou pensando muito nisso.
— Mas tínhamos que aprontar alguma coisa. Não é sempre que se faz 18 anos. – Nino comentou alegre.
— Claro... E 17 eu comemorei uma duas vezes já. – Respondeu sarcástico.
— Cómico. – Lá vinham às doses de ironia entre s dois amigos. – Mas é sério, se você não fizer algo, sabe que a Alya vai fazer, não sabe...
— Alya não, por favor. – Olhou para o moreno. – As ideias dela sempre acabam mal para mim... – O loiro suspirou. – Ainda não superei a surpresa do ano passado. – Um arrepio lhe percorreu a espinha.
— Ninguém mandou beber... Mas foi engraçado ver Chat Noir correndo peladão pelo Clube. – O amigo riu.
— Isso por que não foi com você... Não sei ainda porque não dei o troco em vocês no seu aniversário. – Chacoalhou a cabeça. – Estava tão bêbado que mal parava em pé.
— Isso por que você é um bom amigo. – Deu de ombros.
— Realmente eu devo ser...
Os dois sorriram. Bolsas arrumadas, os dois rumaram para fora do quarto, em direção a recepção a espera das meninas. Mais um fim de semana na casa da Alya. Não demorou muito para que as meninas aparecessem, mochila nas costas e um sorriso no rosto.
Todos seguiram para a estação de metro com uma conversa animada.
— Ainda estou tentando entender por que a gente sempre tem que ir para a minha casa... – Alya questionou enquanto todos entravam em um vagão.
— Por que sua mãe cozinha bem? – Nino respondeu.
— Meu pai não iria nos deixar em paz. – Adrien se justificava.
— Minha casa fica a quatro horas d viajem. – A mestiça se inocentou e Alya suspirou.
— Vou começar a cobrar aluguel de vocês... – A avermelhada suspirou. – E só para deixar claro: — Olhou para o moreno. – Minha mãe não estará em casa, ou seja, a cozinha vai ficar por sua conta.
— Minha? Porque?
— Foi você quem falou que ia para lá só por causa da comida. – Retrucou.
— Mas foi brincadeira. – Fez bico e os amigos riram. – Não riam, vou arrastar você comigo, Adrien.
— Mas eu não sei cozinhar... – Respondeu com a voz miúda.
Poucos minutos depois, os quatro chegaram a estação onde desceriam. Desembarcaram da do vagão, saindo da estação, seguindo pela rua cercada por grandes casas. O sol já estava se ponto no horizonte, quando chegaram a casa da avermelhada naquela sexta-feira.
— Para onde a seus pais foram, alias? – Marinette perguntou enquanto os quatro adentravam a casa.
— Meu pai está viajando, sabe-se lá para onde, e minha mãe está trabalhando em um hotel na Itália. – Respondeu simplesmente. – Um evento especial, segundo ela. – Deu de ombros. Assim como os amigos, a avermelhada já estava acostumada com a ausência de seus pais.
— Sei bem como é... – Nino suspirou e se jogou no sofá da sala. – Enfim, vamos falar de coisas boas. – Sorriu. – Qual vai ser a boa do fim de semana?
— Boa? Achei que fossemos para o clube. – O loiro respondeu sem entender direito a pergunta do amigo.
— Claro... Mas fora o clube. O lugar só abre anoite afinal.
— Entendi. – O loiro se juntou ao amigo no sofá. – Não sei. O que você quer fazer Mari? – Sorriu para a namorada, estendendo a mão para ela juntar-se a si.
— Eu? Não sei. O que decidirem está bom. – Sorriu.
— Podíamos começar a planejar algo para seu aniversário, não é, Adrien. – Alya juntou-se a eles no móvel.
— Seu aniversário? – Marinette encarou o loiro.
Mas que tipo de namorada era ela, que não sabia a data do aniversário do loiro?
— Alya... Não, por favor! – Adrien choramingou.
— Você nunca me disse quando era seu aniversário. – A mestiça falou um pouco triste.
— Semana que vem. – O loiro suspirou. A não ser pelos amigos, o loiro não gostava muito de comemorar seu aniversário. O fazia, porque os amigos insistiam. – Próximo sábado, para ser mais exato.
— Viu, temos que fazer algo... Não dá para deixar seus 18 anos passaram em branco. – Alya falava animada. Tudo por uma festa.
— Eu não quero nenhuma festa, Alya. – Adrien suspirou. – A competição começa na próxima semana. Já temos coisas o suficiente para nos preocuparmos.
— Adrien, tem certeza que não quer fazer nada? – Marinette chamou sua atenção. – Só nós quatro, o que acha?
— Não, Mari. – Sorriu compassivo. – Só ficar com vocês já está ótimo. Uma pizza talvez...
— E uma bebida? – A avermelhada perguntou marota.
— Nada de bebidas! – O loiro a encarou sério. – Ainda lembro da ultima vez...
— O que aconteceu na ultima vez? – Mari perguntou.
— Nada... – O loiro falou baixo.
— Ele saiu correndo pelado pelo clube. – Nino respondeu entre risos.
— Foi bem engraçado para falar a verdade. – Alya complementou. – Ninguém conseguia segurar ele e o fazer vestir as calças.
— Obrigado pessoal. – Reclamou com as bochechas coradas.
Os três riram.
— Está explicado por que você não quis beber no aniversário do Nino. – A mestiça sorria divertida.
— Ok, já chega de tirar com a minha cara. – Falou emburrado. O que fez com que o grupo risse ainda mais.
As conversas e risada continuaram até que a lua se colocasse totalmente exposta no céu parisiense.
— Já está na hora de eu ir para o clube. – Adrien levantava do sofá. – Se quiserem, nos encontramos lá mais tarde. Só não deixem o Nino se atrasar...
— Claro, claro...
— Eu vou com você. – Marinette também se levantou.
— Mas está cedo, Mari... – Alya comentou.
— Se eu ficar, vou acabando ficando de vela. – Riu baixo. – Alías, acho que vou acabar virando o castiçal inteiro.
— Engraçadinha. – A avermelhada lhe mostrou a língua, brincalhona.
— Te encontro aqui embaixo depois, está bem. – Sorriu para o namorado e subiu para se trocar.
O loiro não tardou e subiu logo atrás da mestiça. A garota já havia entrado no quarto de hospedes e fechado a porta atrás de si. O loiro esperou alguns instantes e logo abriu a porta silenciosamente, pegando a namorada em meio a troca de roupa. Vestindo somente uma camiseta e a calcinha.
— Sabia que você fica uma graça vestida assim? – Sorriu bobo, enquanto fechava a porta atrás de si.
— E você está ficando muito atrevido, sabia? – Retrucou sorrindo.
— O que posso fazer? Eu sou um gato curioso. – deu de ombros enquanto sorria travesso. Marinette riu e pegou as típicas roupas de LB, se trocando na frente do loiro. – Isso é para me tentar? – Se aproximou dela calmamente.
— Não... – Virou-se para o loiro. – Isso é para você se apressar. Quem é sempre o primeiro a chegar é você... – Lhe apontou o dedo.
— Ok, ok entendi. – Levantou as mãos em rendição. Mas deixou o riso lhe escapar pelos lábios.
Adrien se trocou tão rápido quanto a azulada, para logo passar a tinta preta sobre o rosto, sem muito cuidado.
Do lado de fora, o vento fazia as janelas do quarto tremerem. O frio chegando de mansinho a cidade.
O loiro buscou em sua bolsa um moletom já conhecido por si, o jogando rapidamente para a mestiça, que foi pega de surpresa pela roupa lhe cobrindo a cabeça.
— Para que isso? – O olhou confusa.
— Já está frio lá fora. É melhor vestir isso antes de nós sairmos. – Aproximou-se dela, fazendo a garota passar a cabeça pela gola da roupa. A vestindo como uma criança. Assim que terminou, puxou a toca sobre sua cabeça. – Uma gata. – Sorriu.
A mestiça se aproximou da parede e riu da pessoa que encarou no espelho.
— Sério mesmo? – Riu. Aquela peça de roupas também tinha orelhas de gato. – Não sabia que Chat Noir tinha uma coleção de inverno...
— Sou um gato preparado, já te falei isso.
O loiro aproximou-se dela, a rodeando a cintura com os braços e buscando seus lábios em um beijo casto. Um roçar de lábios delicados, somente para sentirem a respiração um do outro.
— Vamos? – Afastou o rosto do dela.
— Vamos.
Adrien tinha razão quando disse que naquela noite esfriaria. O vento judiava de si, lhe cortando os lábios e espalhando os cabelos pelo rosto. Estava praticamente batendo os dentes, quando finalmente chegaram ao clube.
— Eu não esperava que fosse esfriar assim tão rápido. – A joaninha estava abraçada a si mesmas, tentando se aquecer, enquanto os dois entravam pela porta lateral do galpão.
— Eu bem que te avisei. – O loiro sorriu, fechando a porta atrás de sí, deixando o vento gelado do lado de fora. – Vamos descendo, eu tenho algumas cobertas na minha sala.
— Cobertas? Porque você tem cobertas aqui? – A mestiça perguntou enquanto os dois desciam as escadas em direção ao cômodo principal, para logo seguirem para a sala privada do loiro.
— Eu já passei algumas noites aqui, quando eu não queria voltar para casa. – Respondeu simplesmente. – Achei que seria bom, ter algumas coisas reservas aqui.
O gato abriu a porta da sala, buscando pelo interruptor, acendendo a luz do local. A azulada sentou-se no sofá enquanto o loiro buscava em armário embutido na parede, a coberta que prometera.
Tirou do móvel uma manta de cor homogenia e escura. Voltou para o sofá, estendendo a coberta sobre a azulada.
— Assim vai ficar melhor. – Sorriu para ela, sentando-se ao seu lado, a abraçando, mantando os dois aquecidos e em silencio.
Batidas vieram da porta, que logo foi aberta sem cerimonias.
— Mas que folga toda é essa? – Uma voz risonha vinha da fresta aberta.
— Plagg. – O loiro olhou em direção a porta, sorrindo para o amigo. – Entre logo.
O homem entrou seguido pela esposa, Teodora.
— Olá Chat. – Sorriu a mulher. – A quanto tempo Ladybug.
— Realmente, já faz tempo... – A joaninha retribuiu o sorriso. – Como vocês vão?
— Muito bem e com novidades. – Mas foi o moreno quem respondeu a pergunta.
O casal logo sentando no sofá livre.
— Espero que boas notícias. – Falou o loiro.
— Sim, são boas... – O casal riu. – Mas primeiro quero agradecer os dois pela participação na competição, ficamos muito felizes em saber que estão fazendo tudo isso pelo Miraculous. – Tikki falou.
— Agradeça a LB, sem ela eu não teria como participar sozinho. – A apertou mais sobre as cobertas, fazendo com que ela risse.
— Exagerado...
— Bom... Mesmo assim, ficamos muito contentes, estaremos torcendo muito por vocês e daremos todo o suporte que precisarem. – Plagg sorriu. – Mas vamos as noticias que interessam...Bom, ficamos sabendo recentemente que a nossa família vai aumentar...
— O que? É serio isso? – O gato exclamou surpreso. O casal riu da reação.
— Sim... – Tikki riu delicada. – Estou gravida de dois meses. – As mão foram a barriga.
— Meus parabéns. – A mestiça sorria verdadeiramente feliz. Não conseguia imaginar como os dois estavam se sentindo, só sabia que deveriam estar muito contentes.
— Obrigada.
— O bebe deve nascer somente ano que vem, mas quando isso acontecer, eu vou querer me afastar um pouco do clube. Ficar com a minha família...
— Entendo... – O loiro suspirou. – Isso quer dizer que o Miraculous vai fechar?
— Não moleque, não é bem assim. – O homem riu. – Te conheço desde criança pirralho, sei o quanto você gosta desse lugar... Bom não só você. Então, eu tenho uma proposta a te fazer.
— Proposta? – O loiro arqueou a sobrancelha, confuso. – Que tipo de proposta?
— Uma bem simples. – Sorriu. – Se conseguirem salvar o clube, assim que meu filho nascer, eu passo o Miraculous para o seu nome.
— QUE? – O gato e a joaninha exclamaram juntos, surpresos.
— É sério isso? – O loiro não estava acreditando no que acabara de escutar.
— E eu ia brincar com isso garoto?
— Mas... Eu...É que... – Chat estava perdido entre tantas informações que lhe preenchiam a cabeça. – Como é que eu vou tomar conta desse lugar?
— Como você já vem fazendo nos últimos tempos. – Plagg sorriu. – Eu te conheço bem, sei que vai se sair bem. Logo mais vai fazer 18 anos e já vai poder tomar decisões por sí próprio.
— Eu nem sei direito o que falar... – O gato estava aéreo com tantas informações. Sentia-se tonto.
— Fique calmo, Adrien. – O homem falou tranquilo e o loiro o encarou.
— Fácil falar... – O loiro resmungou e o moreno riu.
— Achei que ficaria feliz...
— Eu estou feliz, sério... É só que... Nunca pensei nessa possibilidade. Ficar e administrar o clube...
— Ei moleque. – O homem se levantou e se pois em frente ao loiro, ajoelhado no carpete. – Você é meu afilhado, eu confio em você, e sei que vai cuidar desse lugar melhor do que ninguém. Vai saber lidar com os patrocinadores daqui tão bem quanto nós, e vai tornar esse lugar ainda melhor... Confie em si mesmo assim como nós dois... Nós três... – Sorriu. – Confiamos em você.
— Não sei nem o que falar direito. – A mão foi a nuca, amaçando os cabelos, constrangido. O casal riu.
— Fique tranquilo garoto. – Plagg sorriu. – Tem algum tempo ainda até lá... – O homem se levantou. – Vem, vamos abrir o lugar, eu te ajudo.
O loiro concordou, fazendo um sinal positivo com a cabeça. Os dois encaminharam-se para a porta da sala.
— LB, poderia tomar conta de Teodora para mim, um instante, por favor? – O homem perguntou.
— Sem problemas. – Concordou.
Os dois deixaram o local, deixando as duas sozinhas.
Muitas coisas estavam passando pela cabeça da joaninha naquele momento.
Estava feliz pelas noticias. Feliz pelo loiro, que agora seria dono do lugar que mais amava naquela cidade. Mas estava preocupada, também. E a academia? O ballet? Tudo pelo qual havia se esforçado até agora...
Ele simplesmente largaria tudo?
Outra coisa a incomodava. Eles o conheciam como Adrien. O moreno o havia chamado de afilhado.
— Esta muito quieta... – Tikki falou tranquila, com um doce sorriso nos lábios.
— Eu só... Estou pensando em algumas coisas. – Suspirou. – Posso perguntar uma coisa?
— Claro.
— Vocês sabem do Adrien. – Aquilo não foi uma pergunta. – Como? Achei que o grande ponto desse lugar fosse o anonimato.
— Bom, eu era amiga muito amiga da mãe dele. – Sorriu tranquila. – Acompanhei toda a gravidez dela. Na época eu ainda não era casada... – Riu fraco. – Mas, nós estudávamos juntas... Plagg e eu formos convidados a sermos padrinhos dele quando nasceu.
— Ele nunca me falou da mãe dele... – Falou baixo.
— Ela morreu quando ele era pequeno. – Suspirou entristecida. – E bom, Gabriel nunca foi uma pessoa muito carinhosa. Ele ama o filho, mas da maneira dele... Mas nunca é a mesma coisa não é?
— Ele me pareceu um pouco distante e exigente. Digo o pai dele...
— Sempre queremos o melhor para nossos filhos. Mas o modo talvez não tenha sido o melhor. – Suspirou. – Gabriel espera que o Adrien tenha sucesso. Mas nunca perguntou se era isso que o garoto queria...
— E ai entra o clube... – Chutou.
— Quase... – Sorriu. – Adrien já gostava de dançar quando pequeno. Nós já tínhamos o clube, mas na época, o público era outro... Um dia, acabamos encontrando ele e um amigo aqui.
“É claro que eu e Plagg ficamos assustados e bravos também, diga-se de passagem. – Riu. – O que aquele garoto estava fazendo fora da academia? – Chacoalhou a cabeça. – Mas ele parecia tão feliz que não falamos nada. Pensando bem, ao menos aqui, sabemos como e onde ele está...”.
— Entendo... – Baixou um pouco a cabeça. – Mas o Senhor Agreste não vai ficar bravo quando souber do filho dele aqui, e ainda mais administrando o lugar?
— É bem provável que fique. – Riu. – Mas Gabriel já é um homem adulto, vai superar... No fundo, eu sei que ele ficaria orgulhoso do filho. Afinal, sem ele, o clube não seria nem metade do que é hoje... Os negócios também estão no sangue da família.
A azulada concordou com a cabeça. Esperava que tudo ficasse bem para o loiro. Torcia por isso.
— E você? – A mulher levantou-se do sofá que estava, somente para sentar-se ao lado da mestiça.
— Eu? – Perguntou confusa.
— Sim. Já decidiu o que vai querer fazer? No futuro, digo.
Futuro. Que palavra mais complicada.
Antes, tudo em sua vida já estava claramente planejado. Se tornaria uma grande bailarina. Iria para uma boa companhia e faria o que mais gostava no mundo. Dançar.
Mas e agora?
Ainda era isso o que queria? Estava confusa. Gostava daquele lugar. Mas lutara tanto para chegar onde estava hoje. Foram tantas fores, ensaios, noites mal dormidas... Não se larga isso do nada.
— Eu... Não sei direito... – Suspirou. – Antes, tudo já estava certo na minha vida. Sempre soube o que queria fazer, mas agora, não sei direito... Gosto daqui, mas não quero largar tudo pelo qual lutei.
— Eu entendo... – Sorriu compreensiva. – Eu mesma, se tivessem me contado que hoje eu seria casada, gravida e com um filho... – Riu. – Eu provavelmente teria chamado a pessoa de louca...
— O que você queria fazer?
— Bom, tudo o que eu queria fazer era viajar, conhecer o mundo.
— E não fez isso? – Perguntou. Ela tinha desistido de tudo mesmo, tinha ficado?
—Já conheci 17 países e no fim do ano visito mais um. – Sorriu animada. – O universo tem seu jeitinho de fazer as coisas acontecerem...
A joaninha sorriu.
A porta se abriu. O loiro e o moreno entraram por ela.
— Tudo bem aqui? – Plagg perguntou.
— Tudo sim, querido. – Tikki levantou-se.
— Vamos então? A barulheira vai começar e eu não quero que nosso filho fique incomodado... – Segurou a mão da esposa.
— Ele ainda não pode escutar. – Riu a mulher. – E como você sabe que não é uma menina?
— Sabendo...
— Concordo com ele... – Falou o loiro. – Vai ser um menino.
— O que é isso? – A mulher arqueou a sobrancelha. – Complô?
— Pois eu acho que vai ser uma menina. – A joaninha se colocou ao lado da mulher, sorrindo divertida.
— Ei, de que lado você esta? – O loiro perguntou indignado e as duas mulheres riram. – Você é minha namorada, deveria ficar do meu lado...
— Quem disse? – A mestiça riu ainda mais.
Ao final daquela noite, mais do que emocionante. Os quatro amigos se encontravam esparramados nos sofás da sala privada do clube.
O céu lá fora, já indicava o inicio do amanhecer, mas nenhum deles tinha forçar para se levantar daquele lugar. Cansados, exaustos demais.
Informações demais para serem digeridas em uma só noite.
— Quer dizer que você será o novo dono do clube então... – Nino comentou.
— Por assim dizer. – O loiro estava deitado nas pernas da namorada, praticamente ronronando com o cafuné que recebia em seus cabelos. – Eu poderia dormir aqui sem problema algum. – Sorriu calmo.
— Nada disso, temos que ir embora. – A mestiça advertiu. – Eu quero dormir em uma cama e não em um sofá...
— Já dormimos em um sofá antes. Não vejo problema nisso...
— Chat... – Olhou séria e o gatuno riu.
— Ok, ok. – Sentou-se e se espreguiçou. Colocando-se em pé logo em seguida. – Vamos então, logo vai ficar claro de mais para se ficar andando pelas ruas...
— Alguém me carregue, por favor. – Alya falou manhosa. – Minhas pernas doem.
— Pode esquecer... – Nino exclamou.
— Malvado... – Resmungou se colocando em pé. – Ok, vamos embora.
Os quatro deixaram a sala, a trancando na saída, assim como a porta principal do galpão.
Seguiram caminhando ate a casa da avermelhada, cortando caminho por algumas ruas menos movimentadas. O sol já iluminava as ruas da cidade, mas ainda não haviam pessoas circulando pelo local. Tudo calmo.
Pulando o muro lateral e entrando pela garagem. A casa estava toda escura, cortinas e janelas fechadas, luzes apagadas.
— Minha cama... – Resmunou Alya.
— Concordo com você. – O moreno bocejou.
— Tudo o que eu quero é um banho, por favor. – Marinette já havia tirado os tênis, caminhando descalça pela casa. Seus pés e pernas doíam.
Subiu as escadas praticamente rastejando. Foi ao quaro de visitas a procura de uma muda de roupa para dormir e uma toalha. Seguiu para o banheiro do outro lado do corredor sem falar uma palavra.
Estava terrivelmente cansada. Todo o que queria naquele momento era uma boa noite de sono.
Seguiu para o banheiro, tirando a roupa pelo caminho, ligando o chuveiro e colocando o corpo embaixo da água morna.
Se tinha uma coisa para admitir, era que as noites, depois de voltar do clube, era as que melhor dormia. Estava cansada o suficiente para a cabeça e o corpo simplesmente se desligarem.
Respirava profundamente, deixando a água massagear seus ombros, depois escorrendo pelo corpo.
— Sabe, eu queria muito poder entrar ai com você...
— Realmente, você não toma jeito mesmo. – Ela suspirou. – Essa sua mania de invadir o banheiro está passando um pouco dos limites.
— Foi você quem deixou a porta destrancada. – Sorriu. O garoto estava encostado na pia, olhando para baixo. Cansado também. Muita informação para uma só noite.
Ela desligou o chuveiro.
— Pode passar a minha toalha? – Estendeu a mão para fora do box de vidro fosco.
O garoto sorriu levemente e estendeu o tecido macio. Marinette enrolou-se no tecido saindo do box com os cabelos úmidos.
— Sua vez. – Deixou a porta de vidro aberta para o loiro entrar.
— Me ajuda? – Ele a olhou fixamente nos olhos azuis. Estendendo os braços para cima, como um pedido para ela retirar a peça de roupa de si.
— Está ficando muito mal acostumado sabia? – Ela riu fraco, aproximando-se do loiro. As mãos agarrando a barra da camiseta preta, a puxando para fora do corpo do garoto. – Vamos, entrando... – Ela o emburrava para dentro do chuveiro enquanto ele se desfazia das calças e cueca.
Terminado de colocar o garoto para dentro, fechou a porta do box. O chuveiro foi ligado e ela passou a se trocar. Uma camiseta qualquer e uma calça de moletom surrada. O mais confortável que poderia ter naquele momento.
— Vou deixar sua toalha em cima da pia.
— Ok, obrigado. – Respondeu o loiro. – Já estou indo para o quarto.
Ela saiu do banheiro, o deixando só. Absorvendo os acontecimentos do dia.
Marinette seguiu para a cama de casal, livrando-se de algumas almofadas e colocando-se em baixo das cobertas quentes, sobre o colchão macio. Lá fora, o sol já acordava os moradores da cidade. O comércio começava a abrir as portas, enquanto eles estavam se preparando para dormir.
Seus olhos estavam quase se fechando, tentava se manter-se acordada, mas seu corpo estava cansado de mais. As cobertas se mexeram atrás de si e um braço lhe rodeou a cintura, a puxando.
— Bom dia. – Falou o loiro em meio a um bocejo. Ela riu.
— Bom dia.
Deixaram-se levar pelo cansaço e pelo sono.
A semana na academia estava passando extremamente rápido, isso para dizer o mínimo. Nos próximos dias sairiam os nomes dos participantes do espetáculo de fim de ano. Toda a academia estava alvoroçada.
Não somente os alunos de dança tinham uma participação. Os melhores estudantes de música seriam escalados para a orquestra, a escola de artes ficaria responsável pelos cenários e roupas.
Tudo deveria estar perfeito para o grande evento do ano.
Mas naquela semana ainda havia algo mais. Não apenas uma coisa, mas duas.
Sábado iniciariam as etapas eliminatórias da competição da Nike. Assim como seria o aniversário do loiro. Por mais que Adrien não quisesse fazer nada para comemorar, a mestiça não queria deixar o dia passar em branco. Era uma data especial...
— Esta quieta de mais, no que está pensando? – Alya perguntou para a amiga enquanto as duas estavam se alongando depois da aula. Hoje seriam somente as garotas e a professora Rossi. Maravilha.
— Eu queria fazer alguma coisa para o Adrien, no aniversário dele, sabe? – Respondeu a azulada. – Não deveríamos deixar passar em branco. Eu sei que ele está preocupado com a competição. Nós estamos ensaiando depois das aulas... Mas mesmo assim. Depois da eliminatória, nós devíamos fazer alguma coisa.
— Uma noite especial, o que acha? – Sugeriu a avermelhada.
— Como?
— É... Uma noite, só vocês dois. Um momento especial... Coisas de casal, se é que me entende... – Sorriu maliciosa. A azulada corou. – Ou o sexo está tão rotineiro que já cansaram?
Alya riu da vermelhidão da amiga. Era muito fácil deixa-la constrangida.
— N-Na verdade, faz tempo q-que nós não, dormimos juntos... – Falou baixo. Era constrangedor falar daquilo. – Desde o incidente no banheiro e toda essa história da competição, nós não temos feito muitas coisas...
— Viu. – Exclamou alegre. – É perfeito então...
— Ok, mas para onde iriamos? – Questionou. – Eu não posso simplesmente aparecer na casa dele ou algo do tipo...
— Bom, deixa isso comigo. Eu vou pensar em algo... Vai ser o meu presente. – Sorriu animada e as duas riram baixo.
— Muito bem, meninas. – A professora falou, chamando a atenção de todas. – No fim da semana iremos anunciar os nomes dos estudantes escolhidos para participarem do espetáculo de final de ano, assim como o tema. Mas até lá, ainda estarão sendo avaliadas. Então continuem se esforçando.
— Sim professora. – Respondeu o grupo.
— Nem acredito que já estão escolhendo os alunos. – Marinette levantou-se, ajudando a amiga a fazer o mesmo. – Essa ansiedade dá até um frio na barriga... – Sorriu nervosa.
— Nem me fale, amiga. – Alya juntou-se a ela. Ambas recolhendo seus pertences, rumando para fora da sala.
— Marinette, espere um instante. – A azulada olhou para trás. A professora estava a chamando. – Sente-se preparada para a apresentação final?
— Estou ensaiando para isso... Então, assim espero que sim.
— Entendo... E Adrien? – Foi direta.
— O que tem ele? – Questionou na defensiva.
— Acha que vai participar?
— Ele é o melhor aqui, é esforçado... Mas não sou eu quem decide quem vai participar. E sim você e os outros professores. – Marinette frisou bem a palavra professores. O coletivo.
— É claro... – Sorriu a mulher.
— Se era só isso, eu vou indo. – Virou-se, mas a mão da mulher lhe segurou o ombro.
— Só mais um coisa. – Falou com um leve sorriso lhe delineando os lábios. – O aniversário do Adrien é semana que vem não é? – A mestiça não respondeu. Não gostava dela falando sobre o loiro. – Eu sei que é... Se quer uma dica, ele adora uma boca, se é que me entende...
— Como? – A mestiça não estava acreditando no que acabara de escutar. Era isso mesmo?
— Não entendeu? – O sorriso se abriu. – Um bom boquete... Ou ainda não foi esperta o suficiente para o levar para a cama? – Perguntou com o rosto próximo ao da azulada. Sussurrando acida.
O sangue lhe subiu o corpo. Mas não de vergonha. Sim de raiva. Como ela tinha coragem de falar aquilo? Ficar se intrometendo na vida dos dois.
— Nossa relação vai além do sexo, se quer saber... Vamos muito bem, obrigada. – respondeu seca. Sua mão estava fechada em punho.
Alya a esperava do lado de fora da sala. Se a amiga estivesse ali, com toda certeza já teria voado no pescoço daquela mulher.
— É claro que vão bem... Afinal, eu ensinei tudo o que ele sabe na cama... – Sorriu maliciosa. – Ou acha que ele aprendeu todos aqueles truques com língua sozinho? – Soltou uma risada debochada.
Aquela mulher só podia estar de brincadeira.
Sem falar mais nenhuma palavra e com o sangue fervendo nas veias. Marinette soltou-se das mãos da mulher, retirando-se da sala, pisando firme no chão.
Ela nunca foi uma pessoa violenta. Mas como queria arrancar fio a fio o cabelo daquela garota. Como ela podia falar aquilo. Mas que raiva.
Saiu às pressas da sala, ignorando até mesmo Alya.
— Ei, Mari. Que pressa toda é essa? – Gritou a garota, andando as pressas atrás da mestiça. Até que alcançou no meio do corredor até o os dormitórios. – Ei, o que aconteceu?
— Aquela... – Marinette sentia o sangue fervendo de raiva. – Aquela vaca!
— Opa! Você xingando? Isso é novidade – Alya encarou a amiga assustada. – Vamos para o quarto e lá você me conta o que foi que aconteceu.
As duas seguiram para o quarto. Marinette logo se jogou em sua cama, bufando.
— Lila. Ela aconteceu. – Sentou-se e encarou a amiga. – Veio puxando conversa até que resolveu atacar.
— O que ela te falou?
— Vai se vangloriar, dizendo que ensinou ao Adrien, tudo o que ele sabe na cama... – Esperneou. – O pior foi que ela colocou a imagem na minha cabeça. Como que quero bater nela. – Jogou-se na cama novamente.
— Eu bem que sabia que ela iria colocar as garras para forma. – Sentou-se ao lado da amiga.
— O pior é: Como eu vou olhar para o Adrien agora? Se tudo o que vem na minha cabeça é a imagem dos dois juntos? – Choramingou. – Eu sinto como se estivesse sendo traída. E antes que você venha me dar bronca por causa disso. Sim, eu sei, que tudo foi antes de nos conhecer... Mas mesmo assim. A imagem é terrível.
Seu peito apertava involuntariamente. Mas que droga.
Estava sentindo-se traída por um acontecimento de quase quatro anos atrás. Mas que droga de sentimento era aquele?
— Calma, Mari. É exatamente isso o que ela quer... Deixar você brava com ele, ver os dois discutindo. – Alya tentava ser a mais racional ali.
— Eu sei, Alya. O pior é que eu sei... Mas a imagem vem sozinha e meu peito dói... – Estava quase chorado.
Na verdade, já estava soluçando sem nem mesmo perceber.
— Mari... Não. – Alya a abraçou.
A avermelhada permaneceu em silencio, abraçava fortemente a mestiça, esperando que ela se acalmasse. Lila estava ultrapassando todos os limites. O que ela queria com tudo aquilo?
Já havia acabado com o loiro no passado, deixando-o dependente dela e depois o abandonando. O que queria agora? Adrien estava feliz junto a Marinette. Mas a mulher parecia querer acabar com tudo aquilo.
A avermelhada só não estava entendendo o porque de tudo aquilo.
Os minutos foram se passando e a respiração da azulada começou a se normalizar. Seus olhos ardiam, a cabeça pesava e o rosto estava inchado pelo choro. Mas o peito estava mais leve.
Levantou-se do colo da amiga, sentando-se na cama.
— Desculpa por isso... – Respirou fundo e apontou para a roupa molhada da amiga.
— Sem problemas. – Sorriu. – Amigas são para isso... Agora acho melhor você tomar um banho e colocar a cabeça no lugar, esta bem?
Marinette concordou com a cabeça. Realmente precisava de um banho agora. Lavar o rosto e a alma.
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