Keep moving slow
23 Existem ossos no meu armário
Notas iniciais
"If your heart is a volcano, how shall you expect flowers to bloom?" — Khalil Gibran
Quinta-feira, 8h15 da manhã.
O diretor avisou aos envolvidos no acidente que Sabrina foi expulsa da academia, e seria encaminhada pelos pais para uma clínica especializada em problemas psiquiátricos, onde passaria por um tratamento adequado.
Por mais que o que ela fez tenha sido uma tentativa de assassinato, ninguém queria ver a garota na cadeia.
Os pais de Marinette também foram alertados do acontecimento, o que deixou ambos extremamente preocupados com a segurança da filha dentro da instituição, ponderando até mesmo tira-la daquele lugar. Mas a mestiça os acalmou, dizendo que estava tudo bem agora.
Por ameaça maior, de nome Agreste, o diretor nada fez aos quatro amigos. Devendo até mesmo desculpas a azulada.
Quatro dias depois do incidente, as coisas estavam dentro do normal. Ou o mais próximo disso.
A mestiça estava mais quieta do que o normal. Ela ainda conversava, ria das brincadeiras dos amigos, mas parecia estar no automático. Nem mesmo com o loiro ela estava se soltando direito. Estava indo das aulas para o quarto, e vice versa. O que estava deixando Adrien agoniado.
Era mais uma manhã normal, onde os amigos estavam aproveitando o café-da- manhã, Nino e Alya tentavam manter uma conversa, mas o clima estava terrível. Desanimando até mesmo os dois.
— Sabe, podíamos fazer alguma coisa nesse final de semana... – Alya olhava para a amiga que comia em silêncio.
— Hum. – Foi o resmungo que recebeu em resposta. A avermelhada suspirou.
— Até mesmo podíamos assaltar um banco não é?
— Claro.
— Uma orgia então...
— Sim.
— Mas que droga, Mari.- Exclamou furiosa. – Eu quero a minha amiga de volta sabia!
— Desculpa,Alya. – A azulada a olhou. – Não estou com a cabeça aqui ultimamente.
— Sério? Não diga... – Ironizou. – Você sabe que estamos aqui para te escutar, não sabe? Então reaja, por favor! Grite, esperneie, bata em alguém... Mas faça alguma coisa. Te ver assim me deixa mal.
— Desculpa... – Falou baixo.
— Chega de pedir desculpas... – Olhou para as mãos sobre a mesa. Os garotos observavam a discussão das duas em silêncio.
O resto do tempo se passou em silêncio.
As meninas seguiram para a aula e Nino também, deixando o loiro sozinho.
Eram tantas coisas para resolver em tão pouco tempo. Mas o fato de Marinette ter permanecido na academia o deixava mais aliviado. Nunca gostou de usar da influência de sua família para tornar as coisas a seu favor, mas quando a vida da azulada ficou no meio desse jogo, não pensou duas vezes.
No mais delicado modo de dizer, deixou seus pontos de vista expostos para o diretor. E o mesmo não teve outra opção se não ceder. É claro que as ameaças do pai de Chloè também contribuíram um pouco com a situação. Mas dentro do mundo das artes, quem seria louco o suficiente para enfrentar um Agreste?
O loiro estava livre das suas aulas da manhã. O professor estava de licença, graças a uma gripe que pegou ao retornar ao país. Adrien passou toda a manhã no jardim do terraço, aproveitando o final do verão parisiense.
Ficou lá até a hora do almoço. Ou até o que achou que fosse a hora do almoço, quando seu corpo começou a reclamar pela falta de alimento.
Sentou-se no banco do jardim e ficou observando a vista. A bela Paris nunca lhe pareceu tão cinzenta.
Seu celular tocou. Quem poderia ser àquela hora?
— Alô? – Somente colocou o aparelho contra o ouvido.
— Como vai moleque? – Respondeu a voz do outro lado da linha.
— Plagg... – Suspirou. – Mais problemas?
— Acha que eu só te ligo para isso? – Perguntou indignado.
— A fama faz o ladrão... – Respondeu e o homem do outro lado da linha suspirou.
— Como é que as coisas estão? Fiquei sabendo dos acontecimentos com a sua namorada.
— Sinceramente eu não sei. – Suspirou derrotado. – Ela está meio distante.
— Ela só precisa de um tempo.
— Tempo é tudo o que eu não tenho, sabe disso. – Levantou-se do bando, passando a andar de um lado para o outro. – Queria que ela participasse da competição comigo. Sem ela eu não consigo. Mas eu sei o quanto a academia é importante para ela, e isso tudo a deixaria divida. É complicado dedicar-se a duas coisas ao mesmo tempo. No começo pode parecer fácil, mas com o tempo você tem quem escolher um lado.
— Se eu mexer uns palitinhos aqui você acha que ajuda? – Perguntou preocupado. – Eu conheço algumas pessoas que estão organizando o concurso. Se eu garantir que o nome de vocês não vai aparecer na lista e só os apelidos, isso ajudaria?
— Talvez. Mas isso não garante que ela toparia.
— Fale com ela. Diga o que eu te falei... Nós damos um jeito de segurar as pontas aqui até o fim dessa confusão toda.
— Vou falar. Obrigado.
— Foi nada, garoto. Precisar me ligue. – Desligou.
O loiro voltou a se sentar no banco, suspirando pesadamente. Perdera até mesmo a fome. Voltou a se deitar no banco, ficando de olhos fechados.
As nuvens começaram a se colocar no céu, acinzentadas, turbulentas, junto ao vento forte. Até que os primeiros pingos de chuva começaram a cair do céu, uma garoa fina e gelada.
“Ótimo”. Adrien suspirou, mas permaneceu no lugar, deixando-se molhar.
— Achei você. — A voz veio acima de si. Adrien abriu os olhos. – Saia logo dessa chuva, vai acabar doente.
— Eu não me importo...
— Adrien... Pare com isso, vamos. – Ela agarrou sua mão o puxando. Os dois molhados agora.
— Não, Mari. – Respondeu firme. Era a primeira vez que ele erguia a voz para ela. A mestiça o olhou surpresa. – Desculpa. – Suspirou e baixou a cabeça, deixando a chuva lhe escorrer pelo cabelo e rosto, encharcando a camiseta.
Ela se mantinha em pé a frente dele. A mestiça ficou preocupada por não vê-lo durante o almoço. Queria falar com ele.
— As coisas parecem estranhas entre nós. Eu não gosto disso. – Ela falou baixo. Ela a olhou, e buscou suas mãos, as segundo entre as suas, geladas.
— Eu também não gosto. Ficar longe de você me incomoda. – Levou a mão dele até a altura de sua boca e beijou sua palma. A chuva fria deixava seus lábios quentes. – E eu sei que sou egoísta por pedir que me ajude. Mas eu tenho que tentar mesmo assim.
— Adrien, sabe que as coisas não são simples assim... Eu tenho me dedicado a isso por anos-
— Eu sei que não é simples. – Interrompeu. – E é por isso que eu me sinto mal. Não é como se eu quisesse te deixar em uma encruzilhada... – Levou a mão dela seu rosto.
— Então por que está fazendo?
— Por que eu não consigo sem você. – Olhou para ela, fitando profundamente aquele par de olhos azuis. Seus cabelos já estavam completamente encharcados por causa da chuva, roupas molhadas e coladas ao corpo, bochechas coradas devido à chuva fria. – Sabe que não consigo...
— Não me chantageie assim. – Ela mordia o lábio inferior. Detestava quando ele a olhava assim, os olhos verdes brilhantes, como um gatinho perdido. – Eu não posso ser pega fora daqui. Vou ser expulsa.
— Não vai. Eu te garanto disso. – Levantou-se, se aproximando de mancinho, mas sem desgrudar os olhos. – Nada vai te acontecer, eu prometo. Vou tomar de tudo...
— Você não pode carregar o mundo, sabe disso, não é?
— Eu sei... Mas posso tentar. E é o que eu vou fazer. – A abraçou forte, os corpos fervendo contra a água gelada. – Por favor, Mari...
— A-Adrien.
— Me ajuda. – Implorou baixinho contra seu ouvido. — Por favor.
A chuva engrossava em tempestade devastadora, se tornando o único barulho presente entre eles.
— Mas que droga. – Ela xingou. – Você é um gato idiota, metido e chantagista.
— É, eu sei... – A apertou mais contra si. Suspirou aliviado.
A chuva enfraquecia, mas os pingos inda podiam ser escutados contra as janelas e telhados da academia. A azulada tremia de frio enquanto descia as escadas. Precisava tomar um banho antes que ficasse doente. Suas roupas estavam coladas ao corpo, completamente encharcadas, assim como seus cabelos.
Por sorte não havia ninguém nos corredores, todos muito ocupados com suas aulas. Desceu as escadas em rumo aos dormitórios. Correu para seu quarto, onde pegou uma muda de roupas limpas e quentes, juntamente com uma toalha quentinha.
Adrien havia indo fazer o mesmo. Despedindo-se dela no segundo andar.
Correu para o banheiro, ligando o chuveiro na temperatura mais quente possível. Seu corpo tremia e a pele gelada queimava contra a água fervente. Tentava aquecer seu corpo ao máximo, mas os tremores não cessavam.
Estava de costas para a porta do Box, que foi aberta silenciosamente. Somente notou a presença de alguém junto a ela, quando um par de braços a rederam pela cintura. Prendeu a respiração devido o susto.
— Estamos sem água quente lá em cima. – Os braços apertavam-se ao redor dela.
— Ficou maluco, Adrien? – A mestiça falou baixo. Se alguém pegasse os dois ali no banheiro, expulsão seria seu menor problema. Ela virou-se nos braços dele, ficando de frente para o garoto. Ele estava nu. – Você está pelado!
— É claro que estou... Quem é que toma banho de roupa? – Resmungou baixo, colando ainda mais seus corpos, os colocando em baixo da água quente. – Isso queima.
— É claro que queima. Você está congelando.
— Então me esquenta. – Inclinou o corpo, buscando pela boca dela, pressionados lábios frios contra os dela, já quentes, lhe roubando um beijo, quente e molhado.
A água quente, que inundava o banheiro com uma nevoa grossa, embaçando os vidros e espelhos, também escorrias por seus corpos ferventes. O contato entre os corpos se tornava mais necessário conforme os beijos ficavam mais afoitos.
As mãos dele lhe percorriam silhueta, lhe dedilhava as costas, indo até os ombros. A mestiça apoiava as mãos em seus ombros, em busca de apoio. O loiro prendia-lhe o lábio inferior entre os dentes, puxando de leve, depois o soltando. Só para poder repetir o processo, até que ficassem inchados.
Buscou-lhe língua, afoito.
Precisava dela. Sua paz, tranqüilidade. Um ponto seguro na sua vida.
Os beijos desceram em busca do pescoço avermelhado pela água quente. Beijava, lambia, marcava. Quem ligava para aquilo no momento?
Com toda certeza, não ele.
Marinette mantinha os olhos fechados e os lábios fortemente pressionados.
“Deus”. Quem ninguém os escutasse.
Desceu os braços, agarrando ambas as coxas dela e com um impulso rápido a levantou, fazendo com que ela prendesse as pernas ao redor de sua cintura, enquanto suas costas colavam-se contra o azulejo gelado da parede, o choque de temperatura lhe arrepiava a pele.
Agora ela estava mais alta que ele.
As mãos dela lhe subiram pelos ombros, nuca e se prenderam aos fios molhados e dourados, que estavam colados a testa do rapaz.
A boca dele lhe trilhava o pescoço, indo até o colo, finalmente encontrando os seios, onde se ateve. Beijava-lhe o mamilo irisado, colocando entre os lábios, sugando levemente, fazendo com que a mestiça jogasse a cabeça para trás e pressionasse os lábios com força.
— Te quero. Quero muito. – As palavras saiam sussurradas pelos lábios dele. Ela puxou os fios de cabelo entre os dedos.
O loiro fez com que a altura entre seus quadris diminuísse, ao abaixar um pouco os braços que lhe davam apoio nas pernas. As pernas delas ainda se abraçavam a cintura dele, porém os quadris já estavam colados.
Se posicionando melhor entre as pernas dela e pressionado o corpo dela contra a parede, Adrien soltou uma de suas mãos das pernas dela, e posicionou seu membro na entrada dela, expostas.
Esfregava a glande contra seus lábios maiores e menores, umedecendo tudo ao redor. Ela mordia os lábios em expectativa. Sua razão fora parar longe naquela altura do campeonato.
Nunca sentiu o membro dele tão diretamente, sempre havia uma barreira, uma proteção.
A sensação era diferente. Formigava-lhe a pele.
— Não fique brincando comigo. – Ela resmungou brava. Seu corpo ficava tenso com a espera.
Ele riu.
— Não vou. – Se quer tinha forças para brincar com ela. Não agora. Quem sabe outro dia.
Encaixou a cabeça de seu membro na entrada dela, entrando levemente. Voltou à mão contra a coxa dela, segurando com firmeza, enquanto ela prendia os braços ao redor do seu pescoço.
Desceu o quadril dela, enquanto jogava o próprio no mesmo sentido, fazendo-os se chocar.
Oh céus. Como era bom estar dentro dela.
Marinette surpreendeu a si mesma ao notar como, mesmo sem a ajuda do loiro, jogava a pelve contra a dele. Deixando-se preencher.
Encostava a testa contra o ombro dele, respirando fundo pela boca, o deixando entrar e sair de si livremente. Quando os movimentos tornaram-se mais intensos, ela lhe mordeu o ombro com força, tentando evitar os gritos que lhe inundavam a garganta.
É claro que aquilo doía. Mas ele não reclamava.
Quanto mais acelerava o ritmo, mais ela o apertava. E mais perigosa a situação ficava para si. Bela hora que inventou de entrar no chuveiro com ela. Ele estava quase gozando e ela não parecia estar perto disso.
Pouco antes de se liberar, saiu de dentro dela, que reclamou. Despejou-se contra a parede e o chão, os sujando. Sua respiração estava totalmente descompassada, e suas pernas fracas.
Ela entendeu o porquê dele ter parado, mas ainda assim estava frustrada.
Ele fora o único que chegou ao final.
Desceu, ficando de joelhos contra o chão do chuveiro. Levou uma das mãos a perna dela, a puxando e a fazendo apoiá-la em seu ombro.
— Se apoie em mim. – Falou e ela entendeu o que ele iria fazer, colocando, então, ambas as mãos apoiadas nos ombros dele.
Adrien levou a boca ao clitóris dela, lambendo, enquanto as mãos lhe abriam os lábios maiores, lhe proporcionando um maio contato. As unhas dela lhe fincavam a pele dos ombros, tornando a perto mais forte toda vez que ele resolvia fazer uma sucção sobre o ponto.
Uniu dois dedos e os deslizou gentilmente para dentro dela, entrando e saindo lentamente, enquanto mantinha o movimento de sucção em seu clitóris.
Marinette lhe arranhava os ombros com força, deixando caminhos avermelhados deixados pelas unhas médias. Céus. Ficaria sem pele daquele jeito. Aumentouas investidas de seus dedos. A garota levou uma das mãos a boca, como forma de conter os gemidos altos. Estava difícil manter algum controle.
O corpo dela lhe apertava os dedos de forma cada vez mais forte e constante.
“Isso”. Comemorou o loiro.
— A-Adrien... Eu. – Ela mal estava conseguindo se manter em pé. Uma perna equilibrada pelo corpo dele e a outra no chão. Tremendo.
— Eu sei... Calma, vou te dar o que quer. – Desgrudou a boca por um momento, mas voltou em seguida, colocando mais pressão e agilidade nos movimentos.
Até que ela finalmente gozou. Ali nos dedos dele, com a boca colada ao corpo e a água quente lhes escorrendo o corpo como cachoeira.
Os dois respiravam com dificuldade, corações acelerados, pernas fracas. Ela ainda se mantinha apoiada nele, sem forças para se mover. Céus, quanta loucura para um dia só. Uma semana só. Não sobreviveria muito desse jeito.
Quando sentia que já podia se manter em pé sozinha, tirou a perna do ombro dele, colocando o pé no chão. Mal havia tomado banho e já precisava de outro.
O loiro a encarava admirado, o corpo nu, molhado, corado e agora relaxado graças ao orgasmo.
— Preciso de outro banho agora. Sua culpa. – Ela o encarou. Ainda ajoelhado no chão. Ele sorriu.
— Eu posso te dar um banho se quiser. – Colocou-se de pé, ficando novamente mais alto do que ela.
— Nem pensar. – Ela estremeceu. Não era possível, ela mal conseguia ficar em pé e ele já estava a tentando para outra rodada. – Você é um pervertido. – Concluiu.
— Eu falei banho. Foi você que maliciou... – Ele riu. – Depois eu que sou o pervertido?
— Fora. – Ela lhe apontou a porta.
— Não... – Aproximou-se dela, que recuou até as costas irem contra a parede. – Quem vai lavar as minhas costas assim?
— Adrien...
— Só banho. Eu prometo. – Levantou as mãos para o alto, como em rendição. Mas o sorriso não lhe desgrudava do rosto. – Você está ficando terrível...
— Idiota. – Ela resmungou com um bico formado nos lábios. Ele riu.
Já estava na hora do jantar quando os quatro amigos se encontraram novamente. O sorriso colado no rosto do loiro e a vermelhidão no rosto da garota evidenciavam o momento que tiveram juntos, mas só Alya e Nino conseguiam notar aquilo, levando em conta o quão bem entendidos do assunto eles eram.
— Quanta felicidade... – Nino provocou assim que o casal se aproximou da mesa. Marinette ficou ainda mais corada.
— Estou feliz sim. E não é você que vai estragar isso. – O loiro rebate, sentou-se na mesa com a mestiça ao seu lado.
— Bom, vamos buscar o jantar? – A azulada queria fugir do assunto.
— Vamos nós duas primeiro. – Alya se colocava de pé.
— Mas por quê?
— Porque sim. – A avermelhada frisou, retirando-se da mesa junto à amiga, indo buscar o jantar. Os meninos olharam elas se distanciarem e Adrien olhou para o moreno.
— Ela topou... – Estava sorridente. – Vai participar da competição comigo.
— Isso é ótimo.
— Só tem um porém. Nada de mostrar nossas identidades. – Olhou sério. – Preciso que você faça a nossa inscrição, mas para isso você vai precisar da ajuda do Plagg.
— Plagg? – Arqueou a sobrancelha. – Só vi o cara uma ou duas vezes na vida.
— Eu te passo o contato dele. Mas você precisa ser rápido, as inscrições acabam amanhã.
— Claro, claro. To sabendo. – Os dois continuaram a conversar até que as garotas voltaram e eles foram se servir.
Deixando as amigas comendo a mesa.
— Então Mari... Vai me contar onde esteve a tarde toda?
— Eu estava conversando com o Adrien. – Levava o jantar a boca.
— Só... Conversando? – Sorriu marotamente.
— O que você está insinuando?
— Não estou insinuando nada... Estou afirmando. – Lhe apontou o dedo. – Essa sua carinha te denuncia sabia...
— A-Alya! – O gaguejo piorou ainda mais a situação.
— Não acredito nisso. – Exclamou chocada. – Você nunca mais pode reclamar de mim e do Nino...
— Pode para... O que vocês fizeram no nosso quarto foi totalmente desnecessário, eu durmo lá também. Além do mais foi ele que invadiu o banheiro. – Desatou a falar, parando só quando percebeu que deu informações demais.
— Banheiro? – Alya arregalou os olhos. – Eu não acredito. Você transaram no banheiro!
— E-Eu nunca f-falei que a gente t-transou. – Mais gaguejos.
— Nem precisa não é? – Bufou. – Você mesmo se denuncia.
Marinette não sabia onde enfiar a cara. Como desejava que um buraco se abrisse sobre seus pés. Ficara vermelha como nunca antes. Os garotos voltaram, reparando que as duas conversavam baixo. Confidentes.
— Sobre o que estão conversando? – Nino sentou-se ao lado da namorada.
— Coisas de mulher. – Alya sorriu para ele, mas piscou para a azulada que baixou o olhar para sua bandeja.
Na primeira manhã de sexta-feira, depois do retorno as aulas, seria a primeira aula mista das turmas de ballet. Nino havia seguido para suas aulas na área do conservatório de música, enquanto os outros três amigos foram para o estúdio maior.
O lugar estava cheio de alunos, antigos e as novas adições do segundo semestre. Todos conversando animados, fortalecendo ou fazendo novas amizades.
— Será que já a Sra. Bustier já está com os nomes dos alunos que vão participar da apresentação final? – Marinette sentia-se ansiosa.
— Acho que ainda é um pouco cedo para isso. – Adrien segurava sua mão a acalmando.
— Relaxa, Mari. – Alya sorriu.
Os três se mantinham em um canto da sala, esperando a professora chegar. O que não demorou muito.
A mulher era sempre pontual.
— Bom dia, alunos. – Cumprimentou com a voz alta e clara, recebendo a retórica coletiva. – Tenho um anúncio muito importante para fazer hoje.
— Não falei... – Marinette sussurrou. Suas pernas tremiam e apertava a mão do namorado, que retribuía o aperto.
— Durante as férias eu recebia a notícia de que estou grávida de poucos meses. – Falou calma. O comunicado fez com que burburinhos e parabenizações fossem proferidas pelos estudantes. – Agradeço o carinho de todos. Mas não é só sobre isso que quero falar com vocês...
“Minha gravidez é delicada, e por esse motivo, não posso me estressar ou fazer força. Seguindo ordens médicas, eu devo me ausentar até o nascimento do bebê. – A mulher varreu os olhos pela sala. – Mas não se preocupem, as aulas continuaram. Estou deixando vocês em boas mãos. E é nesse ponto que eu quero chegar hoje. Quero que todos recebam muito bem a nova professora de vocês. Ela é uma ex-aluna, muito talentosa, que passou os últimos anos em uma das melhores companhias de ballet da França”.
Uma mulher, alta e magra, e não muito mais velha do que a mestiça, entrava pela porta do estúdio. Ela se posicionou ao lado da Sra. Bustir, virando-se para a turma com um sorriso nos lábios avermelhados.
Aquela figura. Adrien estava com os olhos arregalados, suas mãos suavam, seu corpo criava pequenos espasmos de tremor. Só podia ser brincadeira.
Uma brincadeira de muito mau gosto.
— Quero que todos dêem as boas vindas à senhorita Lila Rossi. – Indicou a bela mulher. – A nova professora de ballet de vocês.
— Bom dia a todos. – Lila passou os olhos pela sala, visualizando cada rosto. Deparando-se com um em específico e abrindo ainda mais o sorriso. – É um grande prazer estar de volta. Espero que todos nós possamos nos dar muito bem.
“Especialmente você, meu loirinho”. Pensou maliciosa.
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