Keep moving slow

22 Eu nunca quis começar um incêndio


Notas iniciais
Olá pessoinhas, tudo certo? Cá estou eu, nessa domingo... quase 1h da madrugada. Mas eu sei que vocês estão acordados... Afinal é sábado né? HAHAHAHA Um capitulo maior para compensar o anterior, hehe Um agradecimento especial nesse capitulo para DaniNovello! Muito Obrigada pela recomendação, por acreditar nessa história, por esse voto de confiança. Afinal, só recomendamos o que gostamos. Aproveitem...

"Gray skies are just clouds passing over." — Duke Ellington

Quatro semanas.

Vinte e oito dias.

Seiscentas e setenta e duas horas.

Tempo esse que parecia angustiar cada vez mais o loiro. Com o final das férias na praia, todos tiveram que voltar para a cidade. Inclusive Marinette, que aproveitou o tempo para matar as saudades de seus pais, retornando para sua cidade natal. O que deixou o loiro completamente sozinho na capital.

Bom, não completamente sonho. Seus amigos ainda estavam lá, mas não era a mesma coisa.

Sem ela ali, não era a mesma coisa.

Adrien sentia-se sozinho em casa, seu pai passava o dia trabalhando, cuidando dos negócios da companhia que era sócio. Mas isso não o impediu de lotar o dia do loiro de atividades. Ou de ensaios melhor dizendo.

Gabriel Agreste contratara um dos melhores professores de ballet de Paris, para se encarregar das aulas do filho durante as férias.

“Se para por um momento, vai acabar ficando até dos outros”. Era o que ele dizia.

Para piorar a situação, o Miraculous permaneceu fechado durante esse tempo. Malditos reparos. Benditos problemas.

Mas tudo na vida tem um fim. E assim, já era tempo de retornar para a academia, com suas aulas puxadas, ensaios exaustivos, dias longos. Mas com seus amigos e com a sua Marinette.

É claro que conversou com ela durante as férias. Que tipo de namorado era ele afinal?

Mas não era a mesma coisa. Tudo o que sabia era que ela estava bem, aproveitava a companhia dos pais e dos velhos amigos, curtia a sua cidadezinha e o calor do verão. E principalmente, que estava com saudades.

As aulas retornariam na segunda-feira, mas no sábado mesmo, Adrien já estava decidido a voltar para o dormitório. Não ficaria mais um dia se quer em casa. Durante a tarde juntou seus pertences e pediu para que o motorista lhe deixasse na academia.

O lugar ainda estava vazio. Afinal, quem seria louco de voltar antes do tempo?

Ele, com toda certeza.

— Já cheguei aqui. Espero que esteja tudo em ordem. – O loiro falava ao telefone com o amigo.

— Cara, eu só volto amanhã mesmo. – Nino suspira. – Meus pais resolveram voltar de viajem hoje e querem jantar comigo. O que adianta? Depois de terem ficado o mês todo fora?

— Que barra, cara. – Adrien concordou. – Meu pai me fez ensaiar as férias inteiras, eu não via à hora de voltar para cá.

— Irônico.

— Nem me fale.

— Bom, vou indo então. – Avisou. – Minha mãe já está dando um chilique aqui. Ela quer sair para almoçar.

— Boa sorte.

— Obrigado, vou precisar.

Com uma mochila nas costas e o celular em mãos, o loiro atravessou o pátio coberto, indo em direção ao dormitório masculino no segundo andar. Aquele lugar vazio era assombroso.

Ou quase vazio.

— Larga isso agora, Alya. – O grito veio do primeiro andar. Corredor dos dormitórios femininos.

“Alya está ai?” Pensou.

Seguiu pelo corredor do primeiro andar até uma porta parcialmente aberta, se escorando na beirada, buscando enxergar algo.

— Eu não acredito que você tem esse tipo de coisa. – A avermelhada ria e corria pelo quarto, subindo na própria cama, e esticando a mão no alto com um tecido vermelho em mãos.

— Foi um presente. – Respondeu a amiga.

“Mari”. Adrien sorriu alegre e abriu a porta lentamente.

— Presente? Só se for teu para ele, não é? – Alya não deixava a mestiça a alcançar.

Adrien abriu a porta completamente, se deparando com uma cena um tanto quanto hilária: Alya em pé na cama, segurando uma calcinha rendada e vermelha em mãos, enquanto Marinette dava pequenos pulos tentando pegar a peça das garras da amiga. Ele encostou-se à soleira da porta e ficou admirando a cena com um sorriso preso aos lábios.

— Falando no diabo. – Apontou a avermelhada ao visualizar a figura na porta, fazendo com que a azulada também se virasse em direção a entrada do quarto.

—A-Adrien. – A mestiça exclamou surpresa, mas logo tratando de sorrir e indo apresada em direção ao loiro, jogando-se nos braços dele em um abraço, apertando os braços ao redor do pescoço do garoto. – Estava com saudades.

— Eu também, Bugaboo. – Ele retribuiu o aperto, mas logo a afastando um pouco, inclinando o corpo e a cabeça em busca dos lábios dela. Como estava com saudades.

Ela entrelaçou os fios loiros entre os dedos e aprofundou o beijo, lhe puxando o lábio inferior entre os seus, para logo em seguida busca a língua pela boca.

Tinha mais pessoas no quarto?

Tinha.

Eles ligavam para isso?

Com toda a certeza que não!

Ele lhe apertava a cintura e a beijava com anciã. A saudades dela era grande. Seu cheiro, o doce de sua boca, a maciez de sua pele, tudo nela lhe fazia falta.

— Ah, com licença. – Alya os chamou alto. – Será que dá para vocês irem para um quarto?

— Se você não percebeu, nós já estamos em um quarto. – Loiro respondeu, mas sem desgrudar os lábios dos dela.

— Pelo amor de Deus! – Alya brigou. – Foi só um mês longe!

— Ok, ok. – Marinette se separou do loiro com um último selinho. – Quanto mal humor.

— Não é mal humor. – Resmungou. – É educação... Não é nada legal vocês ficarem se pegando aqui.

— Eu realmente ouvi isso? – O loiro perguntou chocado. – A senhorita Alya Césaire dando lição de moral?

— Sem essa loiro de farmácia. Eu não fico me pegando com o Nino na frente de vocês.

— Só na parede ao lado, não é mesmo? – O loiro respondeu com um sorriso malicioso nos lábios, fazendo com que a avermelhada corasse de vergonha e ele e Marinette caíssem na risada.

— Porque não em contou que voltaria hoje? – Adrien perguntou a namorada.

— Surpresa?

— Surpresa... Sei. – Ele riu fraco.

Marinette o puxou pela mão, o fazendo se sentar em sua cama.

— Deve ser surpresa mesmo. Por que essa calcinha... – Alya chacoalhou a peça de roupa sobre o rosto do loiro, que logo a pegou das mãos da avermelhada, analisando-a entre os dedos.

— Que gracinha. – Sorriu maroto.

— Me devolve isso. – Marinette tentou pegar a peça vermelha, mas ele era mais rápido e a afastou da mestiça. – Adrien!

— O que foi? – Ele sorriu inocente e aproximou a boca do ouvido dela. – Vai usar para mim?

Que comentário atrevido. Marinette sentiu seu corpo escaldar, ficando vermelhada até as orelhas com o comentário do loiro.

— A-Adrien! – Ele somente riu da garoto que lhe desferia tapas no ombro.

— Ta bom, eu não falo mais...

— Idiota.

— Já estava com saudades de você me chamando assim. – Ele lhe beijou a bochecha avermelhada. – Bom, por mais que eu esteja morrendo de saudades, e acredite, eu estou. Tenho que ir para me quarto e ajeitar minhas coisas. – Levantou-se da cama indo em direção a porta.

— Por que não vai junto, Mari? – Alya provocou.

— Não posso entrar nos dormitórios masculinos.

— Não tem ninguém na academia ainda. – Alya empurrou a azulada para fora do quarto. – Leva ela de uma vez, Adrien.

— Com todo prazer. – Ele riu e segurou a pequena mão, entrelaçando seus dedos. – Até mais.

— Alya... Adrien... – A mestiça era arrastada pelo namorado para o andar superior.

Com a mão atada a dela, ambos subiram até o quarto do loiro.

O local estava arrumado, cobertores ao pé da cama e a luz penetrando o cômodo pela janela. Os dois entraram e Adrien fechou a porta até de si, e depositando a mochila em cima da escrivaninha.

— Achava que estaria bagunçado. – A mestiça comentou.

— Hey, eu sou organizado. – Se fez de ofendido, mas logo riu. – Eu e o Nino arrumamos antes de sair de férias.

— Está explicado. – Ela riu e passou a observar melhor o local. Era praticamente um espelho do seu quarto.

O loiro se sentou em sua cama e a chamou, estendendo a mão para ela, que logo aceitou, o fazendo puxá-la para sentar-se em seu colo. Lhe afastou o cabelo azulado do pescoço e passou a desferir beijos molhados no local, enquanto os dedos lhe apalpavam a cintura sobre o tecido da camiseta, somente sentindo seus contornos.

— Estava morrendo de saudades de você sabia. – Falava entre os beijos. A respiração dela pesava.

— Você já falou isso... – A voz vinha fraca. Ele sabia dois seus pontos fracos. Ah como sabia. Suspira. E como adorava abusar deles.

Ajeitou os corpos, os inclinado, fazendo ela se deitar em sua cama, com a cabeça sobre os travesseiros. O corpo do loiro sobre o dela, realizando uma trilha de beijos indo do pescoço até a boca. As mãos subindo pelo corpo dela, por baixo do tecido da camiseta, sentindo a pele macia de seu abdômen sobre suas mãos, enquanto enroscava a língua a dela, até o ar se tornar escasso.

— Você sabe que n-não podemos fazer isso aqui. – Ela o advertiu, assim que as bocas se separaram.

— Eu não vejo o por que não. – Sorriu de canto. Malicioso.

— Adrien, estamos na academia, e no seu quarto acima de tudo.

— Mas eu só queria ficar com você. – falou manhoso, enquanto enterrava o rosto entre os cabelos dela, inspirando fundo, sentindo o perfume do shampoo.

— E eu vou ficar com você. Só que sem segundas intenções. – Ela riu do suspiro frustrado que ele soltou. Ele saiu de cima dela e deitou-se ao seu lado, a abraçando e colando suas testas. – Você é terrível, sabia disso?

— A culpa é sua...

— Minha?

— Sim... Sua. Você me provoca. – Roçou o nariz no dela.

— Mas eu não fiz nada. – Defendeu-se.

— E quem disse que precisa fazer alguma coisa. Você naturalmente é tentadora, sabia disso? – Sorriu para ela.

— Idiota. – Reclamou já corada. Ele riu.

— Preparada para voltar a rotina? – Perguntou casualmente.

— Nem um pouco e você?

— Idem. – Suspirou. – Queria ter conseguido descansar mais durante as férias.

— Seu pai não te deu folga, não é?

— Um dia sequer... Mas acho que no fundo, eu já esperava por isso.

— Sinto muito, gatinho. – Ela acariciou seus cabelos.

— Tudo bem. O importante é que estou aqui agora, e você está comigo.

O fato de poder simplesmente se abrir para ela, era uma das coisas que mais amava. Podia falar do seu dia, das coisas boas e ruins, e ela o escutava com carinho e paciência. O ajudando a enfrentar os desafios do dia a dia. O apoiando, assim como ela a ela.

Parceiros.

Cumplices.

Amantes.

Vivendo um momento de paz. Um momento. O celular do loiro toca, tirando o casal do clima de paz que pairava no ressinto. Adrien suspirou frustrado, soltou-se da namorada e se arrastou até a beirada da cama, pegando no chão, dentro de sua mochila, o celular.

Olhou o número no visor e sentou na cama.

— Oi Plagg.

— Como vai moleque? – O homem o respondeu do outro lado da linha. – Aproveitou bem as férias?

— Até onde deu. – O garoto tinha uma expressão séria no rosto. Marinette o observava atentamente. – Mas aposto que você não me ligou para saber sobre isso...

— Queria poder dizer que sim. – O suspiro pesado veio do outro lado da linha. – Problemas...

— Que surpresa. – O loiro respondeu irônico. – Desembucha.

— A conta subiu. Os problemas com a tubulação do banheiro eram maiores do que o esperado. – Iniciou. – Teodora e eu conseguimos cobrir alguns dos gastos até agora, mas a situação está complicando garoto.

— Droga. – Adrien praguejou.

— Eu já te falei, podia falar com o sei pai...

— Não vou envolver ele nisso. – Falou ríspido. – Além do mais ele não entenderia...

— Como você pode ter tanta certeza?

— Conhecendo meu pai, é capaz dele mesmo mandar fechar o lugar com antecedência. – Passou a mão pelos cabelos, judiando dos fios. – Eu dou um jeito...

— Se você está dizendo... Mas ainda acho que não deveria julga-lo tão cedo assim. – Respondeu Plagg. – Mas enfim, é seu pai. Não vou me intrometer entre vocês.

— Obrigado por tomar conta das coisas.

— Não se preocupe garoto. Cada um faz o que pode. – Sorriu fraco. – Enfim, precisamos agilizar as coisas. Se eu tiver alguma novidade, eu te ligo. Só queria te deixar ciente da situação.

— Eu sei disso. Obrigado. – Desligou, suspirando forte, encostando a cabeça contra a parede de olhos fechados.

— Adrien... – A mestiça o chamou, mantendo a voz calma. – O que aconteceu?

— Problemas. Mais problemas. – Ela sentou-se na cama e ele se jogou contra seu colo, apoiando a cabeça em suas pernas. A garota passou a acariciar os fios dourados. – Os problemas com o encanamento do clube aumentaram o nosso débito com o dono do galpão. Ou seja: A conta subiu e nós não temos dinheiro.

— Sinto muito. – Ela suspirou. Sabia o quanto o loiro se preocupava com o local, e como ele se sentia péssimo em não poder fazer nada que realmente ajudasse. – Eu queria poder ajudar...

— Eu sei... Eu sei...

O mundo não é um mar de rosas, assim como não é uma completa tormenta. Uma grande balança rege os acontecimentos, e ela não pode ficar pendendo para um mesmo lado para sempre. Uma hora as coisas precisarão voltar a ter equilíbrio, mesmo isso acarretando coisas boas ou ruins.

Com as aulas retornado e o verão se despedindo, a academia voltara a ficar cheia, velhos e novos alunos enchiam os corredores de vozes, risos e música. Alya, Adrien e Marinette estavam sentados a mesa tomando o café-da-manhã calmamente, quando Nino apareceu correndo em direção deles, mal conseguindo retomar o folego para falar.

— Vocês não... Vão acreditar... No que e-eu... – Realmente. Mal conseguia falar.

— Cara, se acalma primeiro. – Adrien o olhou assustado. – Senta ai e bebe isso. – O garoto obedeceu. Sentando-se ao lado do loiro e bebendo o suco que ele lhe estendeu. Bebeu em um gole e largou o copo na mesa, respirando fundo. – Melhor agora?

— Vocês não vão acreditar no que eu tenho para mostrar. – O moreno começou.

— Então não enrola. Desembucha de uma vez. – Alya estava impaciente.

— Saca só isso. – Colocou um panfleto colorido sobre a mesa. Os três se olharam e Adrien pegou o papel.

— É sério isso? – Arregalou os olhos.

— Mas que droga, fala logo sobre o que é. – A avermelhada estava irritada já com tamanho o suspense.

— A Nike França vai realizar uma competição de dança aqui em Paris. Pelo que diz o panfleto, eles estão procurando pessoas para fazer a divulgação da nova linha. – Adrien esclareceu para as meninas.

— E o melhor de tudo... – Nino complementou. – Os ganhadores fecham um contrato com a empresa e ainda recebem um premio em dinheiro. Ta ai a solução dos nossos problemas. – Exclamou animado.

— Pera ai... Você está dizendo para nós-

— Nós não. – Nino interrompeu a avermelhada. – O clube está sem dinheiro. Se ganharmos a competição vai dar para quitar as contas e comprar o galpão. E nisso entram Ladybug e Chat Noir.

— Como é que é? – Marinette interrompe. – Você quer que eu e Adrien, entremos nessa competição? Ficou maluco?

— Pensa comigo Mari. – O moreno a olhou. – Se você e o loiro aqui ganharem, nossos problemas estão resolvidos. Fora o contrato com a Nike.

— Nino, eu entrei aqui para ser chamada para uma companhia de ballet. É o que eu venho fazendo a minha vida toda. – Esclareceu. – Não posso simplesmente jogar tudo para alto e o Adrien também. As coisas não funcionam assim.

O loiro permanecia em silencio.

— As inscrições acabam na sexta-feira. – O moreno avisou. – Se mudarem de ideia me avisem. – Sorriu triste. A mestiça suspirou.

— Tudo bem. – Ela suspirou. – Tenho que ir para aula agora. Encontro com vocês no almoço. – A azulada se despediu, saindo da mesa, deixando os três amigos sozinhos.

— Você não está pensando em entrar nessa sozinho, não é? – Nino notou o comportamento silencioso do amigo. Aquilo não era bom. Principalmente quando ele resolvia juntar as dores do mundo para si e resolver tudo por conta.

— Eu não quero. Mas se precisar eu vou. – Respondeu sem deixar de encarar o papel em suas mãos. O loiro se levantou da mesa. – Vou indo. Até depois.

Adrien saiu do refeitório deixando o casal a sós na mesa.

— Eu espero que ele não faça bobagens. – Nino estava preocupado.

— Marinette poderia ir com ele. Mas essa é uma decisão que ela deve tomar. – Alya chacoalha a cabeça. – Não é fácil abandonar um sonho. Ainda mais sendo ela.

— Eu sei disso. – Os dois suspiraram tristes. Permanecendo sentados a mesa.

— Problemas no paraíso? – Uma voz feminina surgiu atrás de Alya. A garota se virou assustada, encarando Chloè Bourgoies atrás de si.

— Ainda é só o primeiro dia de aula. O que você quer loira? – Alya perguntou mal humorada.

— Nada de mais. – Deu de ombros. – Só curtindo o fim do breve relacionamento daquela bolsista com o meu Adrien.

— Realmente cobras devem ser cegas mesmo. – A avermelhada respondeu secamente. – Eles estão ótimos se você não percebeu.

— Não foi o que me pareceu. – Sorriu malvada e se afastou da mesa com Sabrina logo atrás de si.

— Alguém me explica, porque eu ainda não dei uma boa surra nessa loira de farmácia?

— Por que você provavelmente seria expulsa na melhor hipótese. Na pior: Deportada. – Nino comentou.

— Essa garota é uma cobra em forma de gente. Sempre sorrateira. – Alya suspirou e uma ideia lhe retornou a cabeça. – Nino.

— O que foi?

— Lembra quando eu te falei, que acho que a culpada pelo acidente da Mari foi a loira?

— Difícil esquecer. Você falou sobre isso por dias.

— Pois então... Acho que está na hora de comprovar a minha teoria. – Sorriu geniosa.

— O que você está pensando em aprontar?

— Você não só vai ver, como também vai me ajudar.

— Alya... – A advertiu, mas era tarde. Quando ela colocava uma ideia na cabeça, ninguém conseguia tirar.

Marinette estava com a cabeça longe durante a aula. É claro que ela queria ajudar Adrien. Mas não poderia simplesmente largar tudo pelo qual lutou até agora. Ela dançava desde que se dera por gente, fazia aulas de ballet desde os sete anos de idade. Tudo começou por causa de uma apresentação que ela assistiu com os pais, em uma das visitas que fizeram a capital. Ela ficara encantada, e implorara a Sabine e Tom para a colocarem em um curso de ballet.

A mestiça tinha talento, e muito. Sabia disso. Escutava isso de sua professora desde os dez anos. Alias, fora a própria professora que falou para ela sobre a academia Françoise-Dupont, e de que estando ali dentro, estaria um passo mais perto de entrar para uma ótima companhia e se tornar um grande bailarina.

Então... Como largar tudo isso?

Como abandonar dez anos de dedicação?

A aula acabou perto da hora do almoço. Alya não havia aparecido, o que deixou a mestiça um pouco incomodada. Será que a amiga ficou chateada com ela? Afinal o Miraculous era importante para ela também.

A azulada não teria aulas durante a tarde. Alguns professores ainda não haviam retornado das férias, o que a deixava com a grade de horário um pouco vaga naquela semana.

Foi para o dormitório pegar uma muda de roupas e depois para o banheiro, relaxar os músculos e clarear a cabeça.

Voltou para o quarto, mas nada da amiga aparecer por lá. Resolveu ir para o refeitório, mas nada de nenhum dos amigos ali também. Nem mesmo Adrien. Suspirou. Resolveu que talvez fosse bom para ela ir para o jardim no terraço. Conseguiria pensar melhor lá.

Seguiu pelos corredores e subiu tranquilamente as escadas, com exceção de Adrien, ninguém mais visitava aquele lugar, era praticamente esquecido pela academia.

Abriu a porta que dava acesso ao local, deixando que a luz penetrasse pelo corredor atrás de si. Encostou a posta e foi em direção ao banco. Deitou-se nele, fechando os olhos, se deixando aquecer pelo sol da tarde. Um pouco de vitamina D a faria bem.

Respirava fundo, tentando colocar os pensamentos em ordem.

Queria ajudar Adrien. Realmente queria.

Mas como escolher?

Na verdade, não queria escolher. Era egoísta por isso.

Somente o vento e alguns pássaros faziam barulho ali, o que não a deixou notar outra presença no local, se aproximando dela. Quando uma sombra se fez presente a cima da sua cabeça, ela pensou que fosse alguma nuvem, mas quando abriu os olhos pode notar que estava errada.

— Fugindo da aula? – O loiro perguntou.

— Na verdade não tenho aula agora, e você? Fugindo?

— Talvez. – Deu de ombros.

Marinette se ajeitou no bando, sentando-se e dando espaço para o loiro fazer o mesmo. O loiro mantinha a cabeça baixa, olhava para as mãos, onde apertava os próprios dedos.

— Eu quero que você participe da competição comigo. – Foi direto.

— Adrien... – Ela suspirou. – Sabe que não é simples assim. Eu tenho a academia. Alias, nós temos a academia. Não dá para simplesmente largar tudo.

— Eu sei disso Mari. E não estou te pedindo para abandonar isso aqui. – Chacoalhou a cabeça, espalhando os fios loiros pelo rosto. – Mas você é a única que pode me ajuda com isso. Nós dois podemos salvar o clube. – Virou-se para ela, segurando o marejar dos olhos.

— Eu quero te ajudar, sabe que sim. – Ela o olha nos olhos. – Mas eu lutei minha vida toda para estar aqui. Não posso arriscar se expulsa.

— Não vai. Eu vou me certificar disso. – Adrien segurou as mãos dela. – Você é minha parceira. Me ajude agora, por favor.

Seus olhos suplicavam, brilhavam esverdeados.

— Eu preciso pensar sobre isso está bem? – Ela chacoalhou a cabeça. – Só me deixe pensar...

Ele concordou com a cabeça.

Odiava momentos assim. Quando a situação ficava tensa entre os dois.

O celular do loiro tocou. Nino.

— O que foi, cara? – Adrien perguntou, com o aparelho colado ao ouvido. – Sim, ela está comigo. – Marinette o olhou curiosa. – Ok, estamos indo.

— O que Nino queria?

— Disse para nós encontrarmos ele e a Alya no corredor que leva a diretoria.

— Diretoria? Aconteceu alguma coisa? – Ficou preocupada.

— Ele não falou. Só disse para irmos rápido.

Assim como pedido, os dois desceram as escadas, atravessando a academia em direção a diretoria, indo encontrar os amigos.

Ao chegarem lá, encontraram os amigos encostados na parede, próximo a porta do diretor. Notando a presença do loiro e da mestiça os dois se endireitaram.

— Finalmente vocês chegaram. Vamos de presa. – Alya puxou Marinette pela mão. Nino abriu a porta da sala do diretor.

Tudo vazio.

— Estão loucos? – Marinette olhou para a amiga aflita.

— Fale baixo, Mari. – Os quatro entraram e fecharam a porta atrás de si. – Rápido Nino, para o computador.

— O que vocês estão aprontando? – Foi a vez de Adrien de perguntar.

— Estamos atrás das gravações das câmeras de segurança da academia. – Alya foi para o lado do namorado no computador. – Eu te falei que tinha algo estranho no seu acidente. Conseguimos ver algumas cenas pela manhã, antes do diretor voltar, e adivinha... A loira de farmácia e a seguidora fiel deixaram o teatro logo depois de você.

— Pera... Tudo isso é para provar que a Chloè me derrubou da escada? – Marinette não estava acreditando no que escutara. – Alya, isso é loucura. Eu não lembro me de nada.

— E ai está o ponto. Você não lembra. – A olhou séria. – Mas você poderia ter morrido, sabia disso?

— Eu sei. – Falou baixo. Não gostava nem de lembrar do tempo que passou no hospital. – Mas acusar alguém é algo sério.

— Não estou acusando ninguém. Não ainda!

— Achei. – Nino cortou a conversa, chamando a atenção de todos na sala.

Os quatro se espremeram tentando enxergar o que aparecia na tela do computador. A tela estava dividida em quatro partes, cada uma com a imagem de uma das câmeras, todas datas do dia do acidente. Uma mostrava a posta do teatro, outra o pátio interno, as escadas que levavam aos dormitórios, e a ultima o corredor lateral.

Nino apertou o play, deixando com que as imagens passassem.

Marinette viu a si mesma no dia da apresentação, roupa e cabelo ajeitados para o dia. Seguiu a si mesma até a outra câmera, onde atravessava o corredor com pressa, segundo pelo pátio até subir as escadas, para depois sumir no corredor dos dormitórios.

Logo atrás dela pode ver o que Alya lhe descrevera. Chloè e Sabrina deixando o teatro e segundo pelo corredor.

— Nós vimos até ai. – Alya apontou para as duas na tela. E todos assistiam atentos as imagens a seguir.

As duas seguiram pelo corredor, pátio, até escadas, segundo também para os dormitórios. As imagens seguiram vazias, deixando o tempo transcorrer em silencio, até que Marinette voltou a aparecer no canto da escada. Todos seguraram a respiração.

Um par de mãos lhe atingiu as costas, fazendo a garota rolar pelas escadas.

A porta se abriu em um estrondo. Todos olharam para cima

— Eu avisei que eles estavam aqui Mr. Damocles. – Na porta, três figuras se encontravam paradas e encarando os quatro amigos. O diretor acompanhado por Chloè e Sabirna.

— O que pensam que estão fazendo aqui? – Era furioso o tom de voz que vinha do homem.

— Foi mesmo, não é sua cobra? – Alya dava a volta na mesa, partindo em direção a loira. – Como você pode fazer isso, sua loira de farmácia? Empurra-la da escada!

— Do que você está falando sua louca? – Chloè olhava furiosa para a avermelhada.

— Não se faça de idiota. – A segurou pelo braço com força. – Você nunca gostou da Marinette, e para que ela não se apresentasse com o Adrien, você a empurrou da escada. Quase a matou!– os olhos dela faiscavam, estava a pouco de bater na loira.

— Você é idiota, por acaso? – A loira gritou tentando soltar o braço do aperto que Alya exercia. – É claro que eu não vou com a cara dela. – Ela se solta e emburra Alya para longe de si. – Mas tentar matar ela é baixo de mais até para mim! – Gritou furiosa.

— Parem com isso agora mesmo meninas! – O diretor falou firme, fazendo com que as duas ficassem em silencio, mas se encarando de modo mortal.

— Alya... – Nino a chamou. – Não foi a Chloè.

A avermelhada olhou para trás, onde os três estavam com cara de espanto. Marinette pálida como um fantasma, enquanto Adrien se mantinha a frente dela, como forma de proteção.

— O que pensam que estão fazendo no meu computador? — Mr. Damocles encarava os três.

— Vendo as filmagens das câmeras de segurança. – Adrien respondeu firme.

— E com que direito fazem isso? – Passou os olhos pelos rostos de cada um, parando sobre a mestiça. – Isso vai custar a sua bolsa senhorita.

— Não vai não. – Adrien ficou na frente dela, a escondo do homem.

— Eu escutei direito, senhor Agreste? – O homem se colocou de frente para o loiro.

— Fico pensando o que meu acharia dessa academia, se soubesse que o diretor deixa passar em branco o acidente de um de seus estudantes. – Ameaçou. – Ou melhor, o que os jornais achariam disso.

A expressão do homem se fechou ainda mais. Olhou para Nino e com um gesto fez com que ele saísse de sua cadeira.

Mr. Damocles sentou-se na cadeira e passou a assistir as imagens finais da filmagem. Vendo Marinette sendo emburrada, rolando pelos degraus da escada, onde bateu com a cabeça, até ficar esticada sobre o piso do térreo.

Descendo lentamente a escada, logo atrás da mestiça, uma cabeleira arruivada se fez nas filmagens. O homem arregalou os olhos.

— Senhorita Raincomprix!

— Sabrina? – Chloè a olhou espantada, dando um passo para longe da garota que olhava temerosa para todos.

— Chloè... Eu- A garota tremia, mal conseguia falar. Todos olhavam espantados para ela.

— Por que fez isso? Ficou maluca e vez? – O tom de voz da loira variava entra a repulsa e o temor. Ela dava um passo para trás a cada passo que a ruiva dava em sua direção. Seria ela a próxima?

— Eu fiz por você. Não está orgulhosa? – Ela sorria, mal piscava. A cena se tornava cada vez mais amedrontadora.

— Fique longe, Sabrina. – Gritou.

— Mas Chloè. É por você... Assim você gostaria mais de mim, ficaria comigo. Sabe que faço tudo por você e só por você não é? – A garota ia se aproximando até que a loira não tinha mais para onde fugir.

— Pra trás!

— Chloè... É por você. Assim prestaria atenção em mim, ficaria comigo. – Continuava a se aproximar. – Eu e você para sempre não é?

A situação estava quase se tornando um filme de terror. Nino e Adrien foram interferir.

Por mais que fosse uma pessoa horrível, a cara de pavor da loira e as falas desconexas de Sabrina, estavam deixando todo mundo naquela sala com calafrios.

— Adrikis me salva dessa louca. – A loira se grudava a ele, enquanto Nino afastava Sabrina.

A palavra “tensão” era apelido para o que realmente estava acontecendo naquele recinto.

O diretor se levantou da cadeira e olhou para todos.

— Quero que todos saiam da sala imediatamente, com exceção d senhorita Sabrina Raincomprix. – A voz do homem era firme. Ninguém ousaria dizer o contrário. E assim foi feito.

Marinette queria ficar o mais longe possível daquela sala. Seu corpo se arrepiava só de lembrar-se das cenas das filmagens.

— Por que a Sabrina? – Alya não compreendia. Tinha certeza que havia sido a loira.

— Não acredito que passei todos esses anos ao lado de uma psicopata. – A expressão de repulsa na face da loira era clara.

— Não deveria chama-la assim. – Adrien interveio.

— Vou chamar como? Louca? Maluca? – Um arrepio lhe ocorreu. – Vou ligar para meu pai imediatamente. – A garota saiu andando as pressas, já discando o número do pai no celular.

Ninguém ali sabia o que falar. O diretor teria que dar explicações. Com toda certeza terá.

— Mari... – Alya chamou pela amiga. – Você está bem?

— Estou... Eu só... Não acredito que ela fez isso. – Seu olhar estava distante. – Porque? – A pergunta era mais para si do que para os outros.

— É melhor você sair daqui agora. – Adrien se aproximou dela, segurando sua mão. – Vamos te levar para longe. Depois resolvemos isso.

Sem pensar muito, ela simplesmente foi. Deixando que o loiro a guiasse para longe de toda aquela bagunça.

Adrien a levou para o jardim dos fundos, por onde um dia tinham escapado. Ficou com a mestiça lá, abraçado a ela. Por mais que ela parecesse calma, o loiro a conhecia bem o suficiente para saber que ela estava em choque.

De fato, aquilo foi quase uma tentativa de assassinato.

E o loiro não deixaria passar em branco.

Pela primeira vez na vida ficou feliz por seu sobrenome ser Agreste.

Pois a influência que tinha, seria o suficiente para proteger a azulada e manter a ruiva longe dela. O que era o principal.

O pai de Sabrina até poderia ser o Chefe de Policia de Paris. Mas ele não tinha os contados que a família do loiro tinha. E agora era o momento de usar toda a persuasão de sua família ao seu favor.

Marinette ficaria segura. E ficaria na academia.

Garantiria isso.

Notas finais
NÃO JOGEM PEDRAS POR FAVOR! EU TENHO UMA BOA EXPLICAÇÃO! Seguinte, de inicio seria a Chloè mesmo, mas estava obvio de mais! Tipo muito mesmo. Além do mais a Sabrina sempre teve uma carinha de louca na minha opinião. Dai veio a ideia de virar a cena de ponta cabeça. E não, a cobra- digo a loira- não ficou boazinha por causa disso. Uma vez bruxa, sempre bruxa. Isso não vai mudar. Esqueçam esse papo de redenção e afim. Sorry. Esse meio que fechou o primeiro arco de "mistérios" da fic, já encaminhando para o segundo. Que é quando a coisa vai pegar fogo de vez. A raposa está chegado... Música do capitulo: Jaymes Young - I'll Be Good - https://www.youtube.com/watch?v=scd-uNNxgrU Pois então... Me digam ai o que acharam. Sem violência, por favor. HAHAHAH XO A Beta voltou. Mas se acharem erros avisem. Algo sempre acaba passando despercebido!