Keep moving slow
17 Então baby, me puxe para perto
Notas iniciais
"Stay hungry, stay foolish." — Steve Jobs
Doce ilusão para aqueles que acharam que a semana seria tranquila.
Muito pelo contrario.
Parecia que o próprio diabo havia desembarcado naquela academia nos últimos dias. Era uma correria para todos os lados. Professores desesperados e alunos mais desesperados ainda. Sorte daqueles que sobrevivessem aquilo.
A semana passou de pressa. Todos estavam ocupados o tempo todo.
Adrien sentia-se um tanto quanto desamparado nos últimos dias. O clube estava fechado, aguardando os reparos; Nino de olho nele, o impedindo de sair durante a noite, o que foi frustrante.
Mas o pior, foi não ter conseguido ficar com Marinette.
A garota passara a semana toda ensaiando com as amigas. Só se viram durante algumas poucas refeições juntos. Mas ele a sentia longe de si ali dentro.
Desde que voltaram no domingo, não havia conseguido abraça-la, beija-la... Sequer passar um tempo a sós com ela. Suspirou frustrado. Será que ela mudou de ideia com relação a ele? Não gostava dele?
Saber que ele era Chat Noir havia a deixado decepcionada?
Não sabia o que pensar.
Ele já havia fala diversas vezes o que senta por ela. Que gostava dela. Mas e ela?
Nunca parou para pensar nessa possibilidade. Sabia que o corpo dela reagia ao seu. Mas o coração?
Suspirou mais uma vez.
Ele estava sentado em um dos bancos do jardim do terraço. Aproveitava calor do sol de verão, queimando a sua pele, e a brisa fresca que bagunçava seus cabelos.
— Se escondendo?
A voz ecoou atrás de si e o loiro levantou as presas do banco. Assustou-se pensando que poderia ser algum professor. Mas por sorte, era a pessoa que mais queria ver naquele momento.
— Mari. – O sorriso que se formou em seu rosto era encantador. O “efeito Marinette” sobre ele.
— Tem espaço para mim ai? – Ela apontou para o banco.
— Sempre. – Voltou a sentar-se e a mestiça se colocou a seu lado. Ambos aproveitando o calor. Ela apoiou a cabeça no ombro dele, permanecendo de olhos fechados. Ela ainda sentia-se um pouco envergonhada perto dele. Ela assimilava aos poucos a dupla personalidade do garoto. Mas hoje, enxergava o gato nele com muito mais facilidade.
— Desculpa ter te deixado sozinho nesses últimos dias, gatinho. – Sem a mascara lhe cobrindo o rosto, o loiro sempre corava quando ela o chamava assim. Mas esse havia se tornado o jeito deles de se comunicarem ultimamente.
— Tudo bem. Está todo mundo correndo contra o tempo nessa semana. – Respondeu um pouco cabisbaixo. Ela percebeu e afastou a cabeça do ombro dele, o encarando.
— Eu sei que você entende, assim como eu sei que você está chateado, preocupado e varias outras coisas... Mas não se preocupe, as coisas vão melhorar. – Ela queria consola-lo. Para ela, o loiro estava assim principalmente por causa do clube. Ela sabia o quanto ele se importava com aquele lugar.
— Eu realmente espero que melhorem... – Suspirou. – Mas sabe... Eu não sei como as coisas estão entre nós. Eu sinto que você está meio distante desde que a gente voltou... – O loiro encarava o chão. – Eu tenho um pouco de medo em saber, se você cansou de mim. Se ficou decepcionada com tudo o que aconteceu... Por eu ser o Chat...
Marinette levantou do banco e parou na frente dele, colocou as mãos ao redor do rosto dele e o fez a encarar.
— De onde você tirou essas ideias, Adrien? – Ela falava séria, encarando profundamente aquele par de olhos verdes. Eles eram como verdes como as folhas que surgiam no verão. Brilhantes e vivos. – Eu estou ocupada isso é verdade, e me desculpa por ter deixado você tão preocupado e neurótico. – Ela riu baixinho, como uma piada interna. – Mas eu nunca estaria decepcionada... Jamais.
Ele sorriu levemente e passou os braços ao redor dela, a puxando para sentar em seu colo, colocando uma perna de cada lado do corpo dele. Seu corpo pesava de modo delicado sobre o dele, era uma sensação gostosa. O calor dela sobre o seu corpo.
Marinette passou os braços ao redor do pescoço do loiro e afundou os dedos nos fios loiros em uma caricia suave, colocando a testa na dele. O loiro poderia ronronar naquele momento. Sentia-se relaxado quando estava junto a ela.
— Eu gosto muito de você gatinho. Não se atreva a pensar o contrario. – Ela sussurrou suave para que ele a ouvisse.
E minha nossa.
Foi como se uma bomba de pura felicidade tivesse estourado dentro de si. O coração batia forte e descompassado. Não tinha palavras para explicar como estava feliz em escutar aquelas palavras. O loiro sorria bobo. Apertou os braços ao redor dela e buscou pela sua boca macia com pressa e euforia.
Sentia-se como uma criança na noite de natal.
Mas aquilo era melhor. Muito melhor.
A azulada movia a boca lentamente, buscava aproveitar ao máximo a textura e o gosto dos lábios do loiro. Trançava os dedos pelos cabelos dele, bagunçava os fios com gosto, sem se incomodar em como ficariam depois.
Buscava a língua dele com a sua, queria o gosto dele na sua boca. Como queria. As mãos dele lhe apertavam o corpo, revezando-se em apertar a cintura e percorrer as pontas dos dedos pelas pernas dela, lhe causando arrepios.
Ele espalmou uma mão em sua coxa e a apertava com veemência, com o outro braço, apertou-lhe mais a cintura, grudando seu peito ao dela. Queria extinguir qualquer espaço possível entre eles.
Uma das mãos da mestiça permaneceu em seus cabelos, enquanto a outra desceu-lhe o peito dedilhando os dedos. As caricias trocadas eram boas, e a falta de já estava se fazendo presente.
Não querendo se afastar da azulada, Adrien desceu os beijos em direção ao pescoço. O corpo dela se arrepiava com os toques dele. Os beijos eram molhados, deixando seu corpo escaldante, a mestiça sentia suas bochechas queimarem fortemente.
Aqueles toques entre os dois era novidade, principalmente para ela. Sentia-se envergonhada, mas estava gostando de mais da situação para fazer qualquer tipo de reclamação. Ela movia-se inquieta no colo dele, seu corpo agia por conta própria, como consequência as reações que ele lhe causava.
Adrien sentia ela se movimentar, gostava de saber que causava esse tipo reação nela. Mas o contrário também se aplicava. Seu membro, protegido pelas camadas de tecido, começava a reagir inquieto, forçando as barreiras a criar um monte sobre a roupa. Quanto mais ela se movia, mais o montante crescia. Até o ponto em que não ficou nada discreto.
Ele apertava sua cintura com firmeza, enquanto as pernas delas lhe abraçavam o corpo. O estado de Adrien já era claramente visível, a azulada sentia um volume incomum sendo pressionado contra a sua virilha, e a sensação lhe causava fortes arrepios.
Marinette não era idiota, sabia muito bem o que era aquilo que estava encostado e pulsava, colado na parte mais sensível de seu corpo. O loiro estava excitado e ela conseguia sentir claramente. Mas saber disso não minimizou a vergonha que se apoderava de seu corpo. Muito pelo contrário, seu rosto estava escaldante.
O corpo dela reagia ao dele também. Sentia suas pernas fracas e o umedecer se formando no meio das pernas. O coração palpitava, a respiração falhava. O loiro continuava a distribuir beijos molhados por toda extensão do pescoço dela, deixando que arrepios lhe subissem a espinha.
— A-Adrien. – O chamar do nome dele saiu como um gemido pelos lábios dela. O gatuno suspirou pesado, seu corpo todo se arrepiou com o chamar de sua senhora.
Foi tracejando beijos até colar novamente a boca a dela, O toque era mais furioso, ansioso e instintivo. Mordiscava e puxava o lábio inferior da azulada, o prendendo entre os dentes e os chupando.
Sua consciência resolvera passear naquela hora...
Marinette queria se deixar levar pelos beijos e caricia do loiro que tanto mexia consigo. Mas sua cabeça já começara a ligar o sino de alerta.
Ela queria muito continuar, porem o medo atingiu seu ser. Não estava preparada para dar aquele passo, não ainda ao menos.
E muito menos naquele lugar.
A mestiça espalmou ambas as mãos contra o peito dele e o afastou de si, desgrudando os lábios com um estralo, buscando trazer o ar novamente para seus pulmões com desespero.
Seus lábios estavam inchados e avermelhados, as respirações descompassadas e os corpos quentes. Ela permanecia sentada no colo dele, sentia suas pernas fracas, tremendo, não conseguiria se colocar de pé.
— Tudo bem, Mari? – Adrien buscou pelos olhos azuis dela, encontrando uma tempestade de emoções em seu interior.
— T-tudo. Eu s-só... – Ela ainda não conseguia raciocinar direito. Seu corpo ainda estava sobre os efeitos da falta recente de ar. – Acho m-melhor irmos com c-calma. – Esclareceu corada.
Adrien entendeu o que ela quis dizer.
— Você tem razão. Desculpe. – Uma das mãos foi a própria nuca, casando-a constrangido.
— Não p-precisa se desculpar. – A mestiça, agora, um pouco mais recuperada, levantou-se do colo do loiro e sentou ao seu lado. – É só que eu não quero apresar as coisas. No momento tem muitas coisas acontecendo já.
A mestiça estava extremamente envergonhada com a situação.
— Eu a-acho que já vou descendo. – Ela levantou-se e esperou que ele também o fizesse.
— Pode indo, eu vou ficar aqui mais um pouco e já encontro com você lá em baixo. – Ela concordou e foi em direção a porta, logo em seguida descendo as escadas.
O loiro permaneceu sentado no banco, com uma situação nada confortável nas mãos. Ainda estava excitado, e o aperto dentro das calças era extremamente incomodo. A pergunta era: Como faria para sair daquela situação agora?
Balançou a cabeça inconformado.
Teria que dar um jeito de se acalmar...
O sábado chegou a todo vapor. As apresentações iniciariam naquela tarde e todos os alunos estavam extasiados e ansiosos. Havia correria pelos corredores desde a manhã. Os alunos estavam ansiosos para saber quem seriam os convidados para as apresentações.
As apostas varavam entre grandes companhias e artistas famosos. Mas só saberiam quando chegasse a hora.
Marinette estava junto às amigas fazendo os últimos ajustes do figurino. Collant branco com uma saia armada ao redor da cintura, todos os cabelos presos em um coque alto com uma delicada tiara de penas ao redor da cabeça.
As apresentações seriam realizadas quase como em um Show de Talentos. As turmas seriam separadas em grupos, categorias e gênero. As quatro amigas estavam no grupo dois, na categoria de grupos. Sua apresentação seria no fim da tarde. O que a deixava ainda mais ansiosa.
Quem já tivesse se apresentado, estaria mais do que convidado a permanecer no teatro, onde aconteceria o espetáculo, para assistir as outras performances.
Alunos de outras turmas, como a de música, haviam sido selecionados para contribuírem com as apresentações, ficando responsáveis pelas músicas ao vivo.
A azulada mal conseguia comer naquele dia, seu estomago embrulhava devido à ansiedade. Ela estava na sala de espera, junto a outros alunos, sentada no sofá, movendo as pernas impacientemente.
— Pare com isso... Está me deixando ainda mais nervosa. – Alya reclamou ao seu lado.
— Desculpa. Não consigo evitar. – Ela levantou e começou a andar pelo local.
— Piorou agora. Te ver andando de um lado para o outro, vai me deixar ainda pior. – A avermelhada bufou brava.
— Calma meninas, sei que todas nós estamos ansiosas, mas brigar também não vai resolver. – Rose interviu. Marrinette sentia inveja da calma e segurança que ela e Juleka pareciam transparecer naquele momento.
O primeiro grupo já estava se apresentando. Havia uma televisão na sala para que todos pudessem acompanhar. Ao todo seriam 15 apresentações. Já haviam se passado cinco. Duas apresentações em grupo, duas em dupla e um solo.
Adrien também se apresentaria. Seria o sétimo.
Ele já estava posicionado próximo à entrada da coxia do palco. Tentava enxergar através de uma brecha na cortina, quem eram os convidados que estavam sentados na plateia. Imaginou por um momento que seu pai pudesse estar entre os convidados. Fazia tempo que não o via. Não sabia se ficava feliz ou preocupado com a expectativa.
Já estava adequadamente vestido, a maquiagem havia tradado de esconder os resquícios do olho roxo e das outras marcas em seu corpo.
O próximo a se apresentar entrou no palco, e logo em seguida seria ele.
Marinette sabia que logo seria a vez de Adrien. Encarava a o aparelho de televisão ainda mais impaciente. Torcia profundamente pelo loiro. Alya e ela haviam o ajudo a se livrar das marcas dos machucados, a contragosto do garoto, se deixou ser maquiado.
O sexto a se apresentar estava quase acabando e logo seria a vez de Adrien. Marinette quicava impacientemente na cadeira.
— Pare com isso, pelo amor de Deus! – Alya a repreendeu novamente.
— Não tem como. Já está quase na vez do Adrien. – Apontou para a televisão. – Espero que ele vá bem. – Juntou as mãos em uma prece silenciosa.
— É claro que ele vai bem... Afinal ele tem talento. – Uma voz se fez presente do outro lado da sala.
— A conversa ainda não chegou ao serpentário, Chloè. – Alya retrucou.
— Você deve estar querendo se apresentar com uma marquinha nova no rosto? – A loira levantou a mão mostrando as unhas recém-pintadas.
— Tente...
A troca de olhares entre elas poderia carbonizar aquele lugar. Se o ar já estava tenso antes, agora parecia sólido e palpável.
— Alya... – A mestiça colocou uma mão sobre o ombro da amiga e negou com a cabeça. Não valia a pena gastar energia se estressando naquele momento. Tinham que se manter calmas e concentradas.
— Olhe, o Adrien subiu ao palco. – Alertou Juleka. Fazendo com que todos da sala mirassem o aparelho, procurando ver o que estava acontecendo.
Pela tela da televisão, Marinette observava o loiro se posicionar no centro do palco. A roupa escura, colada em seu corpo, lhe acentuava ainda mais a pele clara e os cabelos loiros. Ele ficava bem de preto. Alias, fica bem de qualquer jeito, pensava Marinette.
A mestiça levou a mão com os dedos entrelaçados para o peito sob o coração. Torcia por ele, por mais que soubesse que ele conseguiria. Ainda assim, torcia.
O pianista tomou as primeiras notas e o loiro colocou-se em posição. Os pés moviam-se agilmente pelo piso de madeira. As luzes o seguiam conforme se movia pelo palco, evidenciando cada movimento do rapaz.
O coração da azulada palpitava. Se não fosse Alya lhe segurando sentada no sofá, já estaria com o rosto colado na tela da tv.
“Muito bem, Adrien.” Ela sorria, observando os movimentos praticamente perfeitos e ágeis do garoto.
Passando o olhar pela plateia, o garoto só enxergava sombras. As luzes fortes contra si atrapalhavam a sua visão. Não saberia se seu pai estava lá, até que terminasse de se apresentar.
Saltou largo pelo palco, sentindo o chão lhe recebendo na queda. Os músculos fortes das coxas se mostravam a cada movimento que lhe exigisse força e equilíbrio. Tinha que se manter concentrado.
Já estava quase acabando.
As notas finais da música eram mais forte, o que lhe exigia mais precisão nos passos, por serem uma sequencia mais complicada. O suor já lhe grudava os fios na testa e criava um aspecto brilhoso sobre sua pele.
Ao final do ultimo passo, endireitou-se do centro do palco e fez uma reverencia leve, colocando a mão sobre a barriga e inclinado a cabeça para baixo, fazendo com que algumas gostas de suor lhe escorressem a testa e caíssem no chão, o molhando.
Aplausos eram escutados, vindos de alunos e professores.
Voltou-se a endireitar-se e saiu do palco pelo mesmo lado que todos os grupos anteriores.
Fora dali, conseguiu finalmente respirar tranquilo.
Passaria no banheiro para molhar o rosto e depois iria se juntar a plateia a espera da apresentação da azulada.
Marinette suspirava aliviada. Esteve tensa durante toda apresentação do loiro. Sorriu quando ele terminou a apresentação com maestria. Ainda bem.
Logo seria a vez dela.
Ela sentou-se novamente no sofá, segurando a mão de Alya no processo. Elas seriam décimo grupo a se apresentar.
Quando o nono grupo se apresentou ao palco, as quatro amigas se dispuseram na coxia do teatro.
As quatro deram as mãos, em apoio uma a outra, logo seriam elas ainda. E parecendo notar o fato, o tempo passou voando, e agora as quatro se encaminhavam para o palco.
Colocaram-se uma ao lado da outra, todas tinham alturas próximas, cruzaram os braços, dando as mãos umas as outras. As cabeças viraram em sincronia para a direita e aguardaram a música iniciar.
Um, dois, três... A primeira nota do piano foi pressionada e elas moveram-se para em sincronia. A cada nota mais alta, um dos pés erguia-se do chão, sendo substituído pelo outro.
O encanto da apresentação das quatro eram os quatro pares de pernas se movendo em sincronia, abrindo espaço e cruzando em si. Quem observava de longe parecia enxergar um único corpo em movimento, tamanha era a sincronia de movimentos trabalhada pelas garotas.
A cabeça repetia os movimentos que os braços atados não poderiam realizar. Olhavam para direita, baixo, esquerda, cima e por fim novamente para a frente, movimentos sincronizados com o abrir e fechar de pernas que acontecia por baixo das saias estufadas.
Os movimentos entre colocar-se nas pontas dos pés e voltar a posição base eram realizados rapidamente, a música era rápida, seus passos também deveriam ser.
Ao final das últimas notas, desataram o nó de braços e separadamente se aproximavam da beirada do palco. Braços se colocaram para cima, logo em seguida para baixo, realizando uma reverencia, com um joelho apoiado no chão.
Por fim, os aplausos vieram. Poderia respirar aliviada agora.
A luz impedia a azulada de enxergar a plateia. Mas ela sabia que ele estava lá, a observando. Torcendo por ela, assim como ela havia feito.
Voltou a postura reta e em fila, saíram do palco.
Se pudesse gritar e pular de alegria o faria naquele momento. Infelizmente o silencio era exigido. O que fez foi se jogar sobre as amigas em um abraço apertado. As quatro sorriam alegres. Deu todo certo, foram ótimas.
Pegou uma pequena toalha em sua bolsa e enxugou o suor do rosto. Por mais que quisesse assistir as outras apresentações, sentia em seu corpo que precisava de um pouco de ar.
Despediu-se de Rose e Juleka, que se dirigiam para o teatro, enquanto ela e Alya se encaminharam para o pátio interno. Sentaram-se em um banco qualquer e ali finalmente puderam gritar, pular e comemorar sua vitória.
— Finalmente... Eu nem acredito nisso. – Alya e ela se abraçavam mais uma vez.
— É isso ai garota. Agora é oficial: A praia nos espera... – A avermelhada comemorava. As duas riram.
— Estou começando a achar que essa sua mania de fugir é pessoal. – De trás das garotas surgiu um loiro com a voz animada.
As duas olharam para trás e se deparam com Adrien sorrindo para a mestiça com um buque de rosas nas mãos.
Ele se aproximou da garota, que estava estática. O loiro lhe estendeu o buque com um sorriso. Ela piscou atônica algumas vezes antes de aceitar o presente.
— E-Eu...- Ela estava sem reação diante daquilo. Esperava qualquer coisa. Menos aquilo.
— É tradição se receber um buque de rosas depois de uma grande apresentação. – Sorriu ainda mais e depositou um beijo casto em sua testa.
— To vendo que sobrei aqui. – Alya era como uma vela no meio daqueles dois.
— Não exatamente não é... – O loiro riu enquanto abraçava a mestiça por trás e com a cabeça indicava algo atrás da avermelhada.
Alya olhou para trás e encontrou Nino com um sorriso envergonhado no rosto, carregando também um grande buque em seus braços. Aproximou-se da avermelhada e lhe estendeu as flores.
— Estava achando que tinha esquecido de mim... – Provocou ela.
— Na verdade eu tinha... – Coçou a nuca.
— Antonino Lahiffe. – O tom de voz dela advertia.
— Estou brincando. – O moreno riu e a abraçou assim como o amigo havia feito com a mestiça.
Os quatro amigos permaneceram no pátio conversando até que todas as apresentações acabaram e as pessoas começaram a sair do teatro.
— Mas o que significa isso? – A voz erra irritada. Olharam para trás e deram de cara com uma cabeleira loira presa por um rabo-de-cavalo. – O que você estava fazendo abraçado com essa coisinha, Adrien?
— Essa “coisinha” como você disse, é minha namorada. – Ele apertou os braços ainda mais ao redor dela. – E eu não quero que você a chame assim...
— Mas Adrien, ela é uma bolsista... É de um nível inferior. – Chloè tentava argumentar. Ela não estava aceitando bem aquela informação. Como é que seu loiro, seu Adrien poderia estar namorando aquela vagabunda?
Não tolerava aquilo. Com certeza não.
— Ela é maravilhosa, e o fato dela de ela ser bolsista não fazem diferença alguma para mim... – O tom de voz dele era sério, rígido. A azulada nunca o escutara falar daquela maneira.
A loira bufou alto e bateu os pés no chão, saindo daquele lugar pisando duro.
— Como eu queria ter gravado isso... Vocês não fazer ideia. – Alya comentou depois que a loira já estava longe o suficiente.
— E parece que agora é oficial né? – Comentou Nino. – Você acabou de afirmar isso na frente de toda a academia.
— Para mim sempre foi oficial. – O loiro deu de ombros.
— E eu não deveria saber disso? – A azulada comentou, virando a cabeça para olha-lo.
— Você saber era só um pequeno detalhe... – Riu baixo, afundando o rosto no pescoço dela, depositando um beijo ali. – Namora comigo? – A beijou novamente no final da espinha dela, lhe causando um arrepio.
— Vou pensar no seu caso, gatinho. – Ela riu e se arrepiou novamente com um beijo mais forte que ele lhe deu, a fazendo soltar um suspiro profundo. Ele enxergava os braços dela arrepiados e passou a mão sobre eles.
— Vou considerar isso um “sim”...
Ele sorriu faceiro e roubou-lhe um selinho, deixando a mestiça corada.
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