Keep moving slow
5 E todos saúdam o Rei...
Notas iniciais
"The truth is more important than the facts." — Frank Lloyd Wright
Marinette não lembrava quando foi que topou aquela ideia maluca, mas lá estava ela, no metrô com a Alya, indo em direção à casa da mesma. Durante a noite iriam a um clube secreto, lugar para onde a avermelha fugia nas madrugadas. Seus pais a colocariam de castigo pelo resto da vida se soubessem o que ela estava prestes a aprontar.
— Descemos na próxima estação. – Alya anunciou. A garota morava no distrito norte da cidade. Não ficava muito longe, apenas dois bairros de distância. Os pais de Alya viajavam bastante, sua mãe era uma grande chefe de cozinha e seu pai advogado, então a garota raramente voltava casa aos finais de semana.
Os alunos que tinham família na cidade possuíam o privilégio de voltar para casa aos fins de semana. Mas infelizmente, Marinette não tinha esta sorte. Sua família estava a horas de distância.
— Vamos Mari, é nosso ponto. – As duas amigas desceram na estação e subiram as escadas da estação de metro até saírem para a rua cercada de grandes prédios. As garotas seguiram a pé por um tempo, até chegarem a uma rua repleta de mansões. Seguiram andando passando por algumas casas até que pararam em frente a uma grande e clara com um jardim extenso.
— Então... é aqui. – Ela apontou para a casa e o queixo da azulada veio chão. O lugar era gigantesco, sua antiga escola cabia inteira naquele lugar. A família da amiga realmente era bem rica. – Alya abriu o portão e as duas seguiram pela estradinha até a porta da casa. Antes mesmo de chegarem à porta, uma mulher sorridente a abril.
— Amorzinho, que saudades de você! – A mulher agarrou Alya a abraçando.
— Oi mãe...Saudades também. – A garota era sufocada pela mais velha.
— E você, deve ser a Marinette não é? – A Sra.Césaire largou a filha que estava sendo sufocada em seu abraço e partiu abraçar a mestiça, lascando um beijo em cada lado de seu rosto.
— É um prazer conhecê-la Sra.Césaire. – Respondeu Marinette quando a mulher a largou.
— Ai que fofa. Venham meninas, devem estar com fome. – A mãe de Alya arrastava as duas para dentro.
A Sra.Césaire era extremamente parecida com a filha, ou melhor, a filha era parecida com ela. As poucas diferenças se davam nos cabelos da mais velha, que eram curtos, e na ausência da pinta acima das sobrancelhas que Alya tinha.
Adentrando na casa da avermelhada notou o quanto o lugar parecia ainda maior por dentro. Os cômodos eram extensos e as paredes possuíam tons claros. As duas amigas passaram pela sala de estar e foram guiadas pela anfitriã até a cozinha.
— Sentem-se meninas. – A Césaire mais velha indicou os bancos a frente do balcão da cozinha. As duas garotas obedeceram. – Preparei um lanchinho para vocês. Espero que goste de Suflê, Marinette. É a comida favorita da Alya, desde que ela estava na minha barriga, o desejo era tanto que achei que ela nasceria com a carinha de um. – A mulher soltou um risinho.
— Mãe!
— O que foi meu docinho?
O quarto de Alya era bem diferente do que Marinette imaginava. Ela pensava em paredes cor de rosa, uma cama grande e a decoração de uma princesa. Afinal, como a garota descrevia a forma que os pais a criaram, como uma princesa, não imaginava algo diferente.
Mas as coisas não eram assim, a cama grande existia, de fato, mas nada de quarto de princesa. O quarto tinha diversos tons de roxo espalhados, muitos livros, um computador e uma coleção de CD`s fenomenal.
Alya estava enfiada dentro de seu closet desde que as duas amigas subiram pra o quarto da mesma. A avermelhada havia espalhado roupas por todo o chão, nem a bolsa de Marinette, com as suas roupas havia sobrevivido a fúria da garota.
— Finalmente! – Alya exclamou alegre. – Vai ficar ótimo em você, Mari.
— O que? Do que está falando Alya? – A mestiça não estava mais entendendo as loucuras da amiga. Alya saiu do closet com as mãos nas costas, chegou bem à frente da azulada e lhe estendeu a peça vermelha e pequena. Uma blusinha? Não, era colado demais? – O que é isso?
— Sua roupa. Ou melhor, parte dela. – Esclareceu a avermelhada. – Você não achou que poderia ir assim não é? – Marinette não compreendia, mas resolveu não discutir. Alya pegou mais algumas peças na bolsa da azulada e a entregou o conjunto. – O banheiro é ali, se troque de pressa. Assim que minha mãe dormir, nós saímos.
Marinette trocou-se e voltou para o quarto, usava uma calça de moletons, um All Star vermelho e aquele bendito top vermelho com bolinhas pretas. Sua barriga estava exposta, ela não estava acostumada com aquilo. Que vergonha.
— Não disse, ficou ótimo. Agora espere aqui que eu vou me trocar e pegar mais umas coisinhas. – Alya partiu para o banheiro com uma trouxa de roupas nas mãos, voltando pouco tempo depois com dois potes pequenos nas mãos. – Aqui está o toque final.
— Alya, sua mãe não vai notar que nós sumimos?
—Ela? Não, mesmo. – Falou calmamente. – Já são quase onze da noite, ela deve estar quase apagada.
Em frente ao espelho, Alya pegava o conteúdo do pote e passava sobre os olhos utilizando os dedos. Ela esfumava uma tinta preta, formando uma mascara.
— Sua vez. – Alya estendeu o outro pote para Marinette. – Passe pelos olhos, a ideia é que não te reconheçam lá.
A mestiça pegou o pote, retirando a tampa e viu o conteúdo vermelho dentro. Juntou-se a amiga em frente ao espelho. Colocou dois dedos no pote e os levou até o rosto, espalhando a tinta pelo rosto. O vermelho contrastava com os olhos da garota, deixando o tom azul dos olhos dela hipnotizantes. A tinta ia sendo espalhada por cima de seus olhos, em um pedaço do nariz e até a testa. Em algumas partes o líquido havia escorrido antes de secar.
— Acha que está bom assim? – Virou-se para Alya.
— Ficou perfeito! – Exclamou a amiga. – Como está se sentindo?
— Uma palhaça?
—Engraçadinha... Estou falando sério.
— Não sei, um pouco nervosa eu acho. – Suspirou. – Ainda estou tentando lembrar quando foi que topei essa sua ideia.
— Ai ai, sem drama. – Alya colocou as mãos nos ombros da amiga. – Se estiver pronta, vamos!
Sair da casa foi a parte fácil, Alya desativou os alarmes da lateral do jardim que davam até a rua. Elas teriam que percorrer cerca de oito quarteirões até chegarem ao local, que segunda a avermelhada ficava em um dos distritos centrais da cidade. Como elas chegariam lá rápido o suficiente? Simples, Alya tinha uma Scooter na garagem, presente de seu pai.
As duas tiraram a moto em silêncio da garagem até a rua. Alya entregou um capacete para Marinette, que mais do que de pressa o colocou e subiu na moto onde a amiga já estava na direção. A mestiça sentia seu coração bater a mil, ela nunca havia feito nada do tipo. Sempre foi uma garota obediente, ajudava os pais, respeitava os professores, dormia na hora certa, enfim.
Aquilo que estava fazendo agora era outro nível, Marinette sentia seu corpo todo tremer. O vento passava com presa pelo seu corpo, deixando seus braços arrepiados. Alya dirigia rápido pelas ruas da cidade do amor. As duas passaram por vários Pubs e baladas, com suas fachadas luminosas, música alta e pessoas fazendo fila para entrar.
Alya estacionou em frente a um grande galpão. O lugar parecia deserto e silencioso por fora, nem os fantasmas pareciam querer passar por lá. As amigas desceram da moto e Marinette seguiu Alya até a lateral do lugar.
— Alya, tem certeza que não errou de galpão? – A mestiça sentia suas pernas tremerem. Confiava na amiga, mas aquele lugar estava lhe dando medo.
— Claro que não. – Alya segurou o braço da azulada e a arrastou até uma porta na lateral do prédio. Bateu na porta duas vezes com força. Uma pequena portinhola se abril e uma voz masculina perguntou.
— Senha?
— Sou eu Stoneheart, abre a porta. – Alya falou sem muita paciência.
— Eu quem? – Falou o homem do outro lado da porta e risos foram ouvidos.
— Se não abrir essa merda de porta AGORA, juro que vou colar ela na sua cara. – A avermelhada estava ficando irritada. Mais risos foram escutados e a porta foi aberta. – Tinha que ser você mesmo, Bulleur.
— Que bom que chegou Wi-Fi, eu estava me sentindo desconectado sem você aqui.
— Nossa. – Alya olhou para o garoto da mascara azul e boné vermelho. – Você pensou nessa sozinho ou precisou de ajuda?
— Delicada como sempre. – Os dois riram e o garoto, Bulleur, como havia sido chamado, notou a mestiça logo atrás da amiga. – E você quem é?
— Ah é... E-eu sou... – A azulada estava meio apavorada. Alya havia lhe alertado sobre os nomes reais serem proibidos.
— Essa é Ladybug, uma amiga. – Lady Wi-fi se adiantou, salvando a amiga. – Ela queria muito conhecer o lugar.
— Pois bem Ladybug, seja bem vinda ao Miraculous. Mas antes deve passar pela iniciação... – Bulleur falou deixando a garota assustada.
— O que?
— Brincadeira. – Ele riu vendo o desespero da garota. – Venham, já está cheio lá em baixo.
As duas garotas seguiram o rapaz até as escadas que levavam ao andar de baixo. Conforme iam descendo, a recém-nomeada Ladybug, conseguia sentir as batidas da música através das paredes. Ao final dos degraus, as luzes brilhantes e a música alta inundou os sentindo da garota. Aquele lugar estava cheio, haviam pessoas mascaradas para todos os lados que olhasse.
O lugar era ainda maior por dentro, havia sofás nos cantos, um pequeno bar, um palco com os equipamentos do DJ e em sua frente muitas pessoas dançavam sobe as luzes coloridas. Era muita coisa para olhar, muita informação para assimilar. A joaninha se certificou de ficar junto a amiga, se não se perderia naquele lugar inundado de gente.
— Bom meninas... – Bulleur gritou. Assim era o único modo de se fazer ouvir naquele lugar. – Vou deixar as duas se divertindo e vou voltar ao trabalho. – O garoto se despediu indo até a cabine do DJ e assumindo os controles.
— Venha Ladybug... – Wi-Fi riu com da expressão engraçada da amiga, que mantinha uma sobrancelha levantada. – Vamos dançar. – E arrastou a garota para o meio da pista de dança.
A música alta era quase hipnotizante, Lady Wi-Fi já se encontrava imersa nas batidas e arrastava a joaninha para junto dela. O lugar transbordava todo tipo emoções, mas a felicidade era o que reinava. Ladybug não notou, mas já estava se afogando naquele lugar, se deixando levar pelo mar de gente que dançava, pulava e gritava junto a música.
Ela dançava livremente, deixou os braços, pernas e quadril se mexerem conforme as batidas. As amigas riam, dançavam e cantavam junto, deixando se levar pelo pensamento coletivo. A joaninha não se lembrava quando foi que se divertira tanto quanto naquele momento. Naquele momento não existia mais a Marinette, a estudante de ballet dedicada e responsável; estava se formando uma nova pessoa em seu interior, alguém que se deixava levar pela música e gostava da liberdade que aquilo lhe proporcionava.
— Galera, um minuto de sua atenção aqui. – Era Bulleur na cabine com um microfone nas mãos. O volume da música havia sido diminuído. – Todo mundo se divertindo? – E como resposta um grito coletivo foi ouvido. – É assim que eu gosto... Mas galerinha, eu tenho o prazer de chamar aqui no palco o rei da Miraculous, com vocês Chat Noir!
Todo mundo gritou em cumprimento ao garoto que subia ao palco e se colocava ao lado de Bulleur e pegando o microfone.
— E aí, galera! – O garoto falou no microfone recebendo gritos alegres em resposta. – É muito bom estar mais uma noite aqui com vocês. Quero ver todo mundo dançando... – Um sorriso malicioso se formou em seus lábios. – Mas para as princesas que não souberem, eu terei o maior prazer em ensinar.
Gritos histéricos foram ouvidos. O gato presente no palco era um garoto loiro coberto por uma mascara de tinta preta borrada, vestido de preto da cabeça aos pés, com direito a um par de orelhas de gato costuradas a toca do casaco que lhe cobria a cabeça. O fetiche pelo animal deveria ser tanto, que até mesmo um sino dourado no pescoço era utilizado.
“Metido”. Pensou a joaninha.
O som alto voltou a se fazer presente e o proclamado “Rei” juntou-se a seus súditos, fazendo a alegria das muitas “princesas” ali presentes. Chat Noir conhecia dos os presentes naquele lugar, obrigação de uma das suas muitas funções como rei. Então quando notou uma garota nova vestida de preto e vermelho, dançando na pista, sua curiosidade felina tomou conta.
Ela se movia sem preocupações, com um sorriso sincero em seu rosto. Dava para ver que ela já havia ignorado tudo e a todos a sua volta. Expirava liberdade. Aquela aura que ela expelia fez o gato se sentir hipnotizado.
Foi se movimentando entre as pessoas e cumprimentando alguns durante o percurso, que o gato foi se aproximando sorrateiramente do alvo da sua atenção e da sua companhia já conhecida pelo garoto.
— Wi-fi... – cumprimentou. – A recepção do sinal está boa aqui?
— Há-Há. Hilário. – Respondeu a garota. – Já sei com quem Bulleur andou tendo aulas de aspirante a comediante...
— Quanto mau-humor. – Provocou. – Mas enfim... não vai apresentar sua amiga? – Jogou verde.
— Está é Ladybug. – Indicou a amiga. – LB, esse é Chat Noir. Mas com certeza deve ter percebido isso na discreta apresentação dele...
— A seus serviço My Lady... – Ele se inclinou fazendo uma reverencia comum sorriso charmoso nos lábios. Sua atenção estava toda voltada a joaninha.
— Que eu soubesse, as majestades costumam ser muito ocupados. Não deveriam ficar oferecendo seus “serviços” a todas as damas do local. – A joaninha provocou. Ela admitia que ele era charmoso. Mas não se deixaria cair nas garras do felino. Na opinião dela, todo aquele encanto dele era só curiosidade.
— E eu não ofereço... – O garoto tinha um sorriso travesso. — Mas se isso significa que gostaria de dividir o trabalho de majestade comigo, eu adoraria te fazer minha rainha. – Seu rosto estava extremamente próximo ao dela.
— Vai sonhando gatinho. – Ela o afastou empurrando um dedo contra seu nariz e um leve sorriso nos lábios.
— Vou com toda certeza... – Ele sorriu e piscou para ela e depois se afastou, voltando para junto das garotas que tanto aclamavam pela sua atenção.
— Que gato mais metido. – A joaninha falou virando-se para a amiga. As duas riram e voltaram a curtir a música, não notando que do outro lado do salão o felino não tirava os olhos dela.
— Esqueça isso... Vamos aproveitar. – Wi-fi puxava a garota para o centro da pista.
Tinha que admitir, aquele lugar mexia com ela, fazia ela querer perder até o ultimo fio da sua sanidade e se deixar levar pela música. Seu quadril já se movimentava por conta própria, sua cabeça já se encontrava em outro lugar. A sensação erra maravilhosa.
A azulada pulava junto com a amiga e as duas aproveitavam tanto quanto podiam, estavam pouco ligando se seus pés doeriam depois, o que importava era aquele momento, onde seus braços apontavam para o céu e seu pulmão poderia explodir.
— Vou pegar algo para beber, quer? – Wi-Fi gritou e sinalizou para a amiga.
— Quero. – Teve que gritar de volta. Para se conversas naquele lugar teria que entrar em uma batalha contra a música alta.
A garota foi até o bar, enquanto Ladybug permaneceu na pista dançando. Sorrateiramente um par de mãos se dispôs na sua cintura e uma voz miou baixo em seu ouvido.
— Parece que precisa de ajuda. – Aquele gato novamente.
— Ajuda com o que exatamente? – A garota virou e encarou aquele par de olhos verdes brilhantes.
— Para se soltar. – O garoto rodeou um dos braços em volta da cintura desnuda dela, a prendendo a ele, enquanto a outra mão pegava a dela e a guiava até o próprio ombro e a depositando ali. – Você ainda está muito travada...
— E você pretende me ensinar não é mesmo? – Questionou irônica.
— Já que insiste... – Ele sorriu travesso. — Que gato mal eu seria se recusasse essa oferta.
Ele colocou uma de suas pernas entre as delas e colou seus quadris. A mão dela que ele havia posto em seu próprio ombro, já havia escorrido e agora estava espalmada sobre o peito dele, enquanto a outra se encontrava solta ao lado do corpo.
Ela congelou por um instante, aquela aproximação era muito para ela. Marinette era tímida, reservada e toda aquela sensualidade que aquele gato exalava a estava deixando fora do ar. E ela não era assim, corajosa, selvagem, que agia com o coração.
Mas então se lembrou. Ali, naquele lugar, Marinette não existia.
Ali e agora, ela era outra coisa, outra pessoa. Ladybug como a amiga havia a nomeado. E agora ela poderia ser alguém totalmente diferente com a mascara sobre o rosto, poderia se deixar agir pelo instinto. E se tornar tão selvagem quanto aquele gato.
Se ele queria provocar. Ela também o faria.
Ela levou a mão que estava solta ao lado do corpo até a nuca do gato e aproximou a boca da orelha dele.
— Então é melhor você fazer seu tempo valer a pena. – Soprou as palavras em seu ouvido e o loiro estremeceu de leve.
— Sou todo seu My Lady. – E o garoto começou a ditar o ritmo de seus quadris e a garota o acompanhava.
Ela passou a mão que estava no peito do loiro para a nuca dele, passando por dentro da toca com as orelhas de gato, agarrando os dedos nos fios loiros com delicadeza. Os dois estavam grudados e a situação poderia até mesmo se julgar perigosa para o garoto.
A outra mão de Chat Noir também se voltou a cintura dela, colocando-se sob a pele macia da joaninha, para depois ir escorregando os dedos lentamente pela espinha a cima e parar em seus cabelos negros azulados.
Ela sentia que ele a queria provocar.
“Se é assim... Vamos ver como vai se sair dessa”. Pensou a joaninha e a garota fez algo que nunca aconteceria se Marinette estivesse ali.
Ela grudou o peito contra o dele e passou a ditar o movimento do quadril. A perna dela estava próximo a um lugar, que de carto modo era perigoso. Ela tinha consciência disso?
Talvez.
Bem provável. Mas continuou.
O Gato começou a entender aonde aquela situação o levaria, por um momento preferiu ignorar. Mas a situação estava começando a sair do controle e ele não poderia passar a noite no clube daquela maneira pouco confortável.
— Você realmente sabe como se mexer. – Falou ao pé do ouvido da garota. – E particularmente eu adoraria continuar essa brincadeira... Só que em um lugar mais reservado. – Ele olhou fundo para os olhos azuis da garota. – E a sós.
— Não sonhe muito alto Chat. – A garota riu e foi se afastando de vagar do loiro, mas sem perder o ritmo da música.
— Espero que você saiba que gatos são excelentes caçadores... Principalmente quando se trata de coisas vermelhas e pequenas. – O garoto tinha um grande sorriso de canto estampado no rosto, enquanto pegava a mão da joaninha e depositava um beijo na mesma, para depois se afastar.
O garoto saiu de perto da azulada. O sorriso ainda permanecia em seu rosto, ele olhou para baixo e suspirou.
“Parece que temos um problema aqui”. Pensou ele. “Espertinha”.
O dia estava amanhecendo em Paris, quando duas garotas finalmente se jogaram na cama, exaustas. A noite havia sido a mais emocionante da vida da mestiça. Dançara como nunca antes e jurava que ainda podia escutar as batidas da música em seus ouvidos.
Nunca esteve tão cansada, mas igualmente feliz.
As garotas já haviam tomado um banho e estavam vestindo seus pijamas. Cada uma estava deitada de um lado da cama, mas o sono foi mais forte do que a vontade de se criar um diálogo entre as amigas naquele momento. O sono veio sem cerimônias, levando as duas para não muito longe dali, para de volta das luzes e da música.
Pena que a felicidade dura pouco.
— Bom dia meninas! – As cortinas eram abertas sem dó. Marinette cobria o rosto com a coberta, tentando bloquear a claridade.
— Ah mãe, fecha isso pelo amor de Deus! – Alya resmungou.
— Nada disso... – A Sra. Césaire foi até a ponta da cama e puxou a coberta com força, deixando as duas dorminhocas sem proteção. – O dia está lindo e se pensam que eu vou deixar vocês duas passem o dia dormindo estão muito enganadas.
— Tenha dó mãe, é sábado! – Alya escondia a cabeça em baixo do travesseiro e se encolhia.
— Nada disso, vamos levantando meninas! – Terminou de falar e saiu do quarto.
Marinette pegou o seu celular e viu o horário. Havia dormido menos de quatro horas, estava acabada. Sem ter como recorrer as duas levantaram, fizeram sua higiene básica, se trocaram e desceram para o café da manhã, com um par de olheiras profundas de acompanhamento.
A mãe de Alya havia preparado o café-da-manhã e Marinette nunca agradeceu tanto por um café forte. O sono era tanto que jurava que dormiria em cima da comida. O estado de sua amiga não era muito diferente do seu.
— Eu avisei para não dormirem tarde. – Advertiu s Sra. Césaire.
— Nos perdemos a hora conversando...
— Ai vocês jovens. – Suspirou a mais velha. – Já sabem o que irão fazer hoje?
— Dormir? – Respondeu Alya.
— Tente... – O olhar da mulher era desafiador e Alya suspirou.
— Passear pelo centro eu acho, ficar de bobeira no parque.
— Ótimo, assim é melhor. Vocês precisam pegar um sol, faz bem para a saúde.
As duas garotas terminaram de se alimentar e voltaram para o quarto de Alya para pegar algumas coisas antes de saírem, como óculos de sol, bem escuros de preferência. Avisaram a mãe de Alya que almoçariam na rua e que voltariam no final do dia.
Foram para a garagem e pegaram novamente a Scooter da avermelhada. A mestiça subiu de carona atrás da amiga e as duas partiram em direção ao parque da Torre Eiffel. O lugar deveria estar lotado de turistas, afinal aquele lugar era uma das sete maravilhas do mundo.
Chegaram ao parque e deram de cara com o óbvio, lotação e suspiraram. Desceram da moto e procuraram um lugar mais afastado para ficar.
— Então... – Começou a avermelhada. – O que achou?
— Sobre?
— Mari, não se faça de desentendida, você sabe.
— Está bem. – Se rendeu. – Eu não esperava nada daquilo, aquele lugar é incrível. Quase mágico, não vejo a hora de voltar. – Admitiu.
— IHH. – Alya deu um gritinho de alegria. – Sabia que ia gostar. E tenho certeza que você não é a única que quer voltar logo. Chat pareceu interessado em você...
— O que? Aquele gato metido... – Soltou o ar pela boco em desgosto. – Eu sou só novidade, logo a curiosidade dele passa...
— Você acha?
— Claro. Logo ele acha alguma pobre coitada que caia na conversa dele... – A azulada riu. Para Marinette o gato preto não passava de um galanteador a procura de uma nova conquista e do qual ela se certificaria em ficar longe.
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