Keep moving slow

25 A sete meses atrás


Notas iniciais
Olá pessoas linda e maravilhas dessa minha internet. Tudo certo? Cá estou eu, nesse domingão, fim de tarde... Não almocei ainda. ~Socorro~ Resolvi fazer um capitulo um pouco diferente hoje. Para quem se perguntava como foi que o Adrien descobriu que a LB era a Mari... Ta ai.... Aproveitem!

"No bird soars too high if he soars with his own wings." — William Blake

A sete meses atrás, Adrien Agreste não imaginava que sua vida pudesse virar de ponta cabeça. Na verdade, achava que nada mudaria sua vida nunca.

Filho do grande ex-bailarino, Gabriel Agreste, o loiro sabia desde pequeno os deveres e prazeres que: carregar aquele sobrenome lhe pesava nas costas. Por esse motivo, sempre estudou em casa, onde seu pai poderia ver de perto, como andava o desenvolvimento do filho.

Além das aulas comuns, como: Frances, matemática, história, ciências... O loiro enfrentava durante os dias, longos ensaios de ballet. Seu pai queria que ele fosse o melhor. Como ele deveria ter sido, mas por um acidente, o destino impediu de acontecer.

Quando completou 14 anos de idade, passou a estudar na renomada Françoise-Dupont Art Académie, a maior e melhor academia de artes de toda a França. Só os melhores se formavam lá, e quando isso acontecia, eram chamados para grandes companhias de dança do mundo todo.

Desde seu nascimento, tudo em sua vida já estava planejado. E pelos desejos de Gabriel Agreste, assim seria.

Então, o que poderia surpreendê-lo naquele ano?

Era só mais um ano como todos os outros.

Domingo, no fim do dia, o carro da família Agreste estacionou em frente da escadaria da famosa academia de artes de Paris. Sem presa, o loiro desceu do carro sem falar uma palavra. Fechou a porta e se encaminhou para o local que conhecia tão bem, quanto a palma de sua mão.

Assim como ele, muitos alunos retornavam para a academia naquele horário, voltando para a Françoise-Dupont, depois de alguns meses de férias passados com suas famílias e amigos.

Seguiu pelos corredores já conhecidos, cumprimentando algumas pessoas no caminho, indo em direção a área dos dormitórios masculinos. Para seu quarto, uns dos últimos do corredor.

Notou que a porta estava aberta, enquanto se aproximava. Escorou-se no beiral da porta e observou a bagunça em que se encontrava no local, onde um moreno revirava a bolsa, espalhando peças de roupas para todos os lados.

— Sério isso Nino? – Exclamou o loiro. – Não faz nem 5 minutos que eu cheguei e você já deixou esse lugar uma zona...

— E ai cara. – O moreno sorriu e levantou-se para cumprimentar o amigo. – Não acho meu fone em lugar algum.

— E para isso, precisa fazer isso? – Apontou para as peças de roupas jogadas pelo chão.

— Isso? – Riu sem graça. – Eu já dou um jeito. – Deu de ombros. – Mas enfim, vai ficar ai encostado na porta para sempre?

— Olha... Se eu entrar, tenho medo de ser engolido pelas suas coisas. – Riu, mas entrou no recinto, indo em direção a sua cama. Por sorte, essa havia sobrevivido a fúria do amigo.

Nino continuava a espalhas as peças de roupa e objetos pelo local.

— Achei! – Exclamou feliz, colocando o fone ao redor do pescoço. Sentia-se nú, sem o objeto junto a si.

— Bom para você... Agora de um jeito nisso aqui. – O loiro sorria divertido. – Se não, seu fone, não será a única coisa que vamos perder aqui.

— Claro, claro... – Começou a juntar a bagunça do chão.

— Chegou faz tempo? – O loiro perguntou casualmente, enquanto se esticava na cama.

— Uns 10 minutos antes de você aparecer. – Respondeu. – Estava louco para sair de casa. Meus pais estavam em mais umas daquelas discussões...

Os dois suspiraram.

Pais...

— Bom, o meu pai, deu o ar da graça nessa ultima semana. – Adrien sentou-se na cama. – Mas foi só para supervisionar maus ensaios.

— O cara não te da uma folga mesmo, não é?

— Folga? – Arqueou a sobrancelha. – Acho que ele nem sabe que essa palavra existe. Passei as férias inteiras com uma nova professora: Nathalie. A mulher é tão séria que chega a dar arrepios. – Um arrepio lhe percorreu a espinha. – Voltar para a academia é como uma folga para mim. – Riu sem humor.

Nino sorriu compreensivo.

— Voltemos a realidade...

Deixou-se dormir mais um pouco naquela manhã de segunda-feira. Pegaria uma fruta qualquer no refeitório antes de seguir para a aula. Pela manhã, a seria aula mista, e durante a tarde, faria os ensaios solos e exercícios na academia. Como sempre, tudo em sua vida era muito bem planejado.

Adrien não gostava muito das aulas mistas, lhe traziam lembrança nada agradáveis. Memorias que ele preferia manter trancadas a sete chaves. Mas o que ele poderia fazer, a não ser aturar aqueles momentos.

Chegaria no estúdio, sorria, algumas garotas viriam atrás dele, sorrindo e jogando charme. Torcendo para formarem dupla com ele, naquele ano.

No último ano, sua dupla das aulas mistas, havia sido Chloè Borgeois, a filha do prefeito. Ela era uma garota talentosa, mas lhe faltava dedicação. Além do fato dela ficar a aula toda grudada em seu pescoço.

Por mais irritante que isso fosse, tentava manter um sorriso no rosto.

O sempre simpático e bem educado, Adrien Agreste.

Ao chegar ao estúdio maior, sorria e cumprimentava algumas pessoas, procurando um lugar para se aquecer nas barras.

— Adrikins! – Um par de braço se fez ao redor do seu pescoço.

— Olá Chloè. – Sorriu simpático. Como sempre.

— Onde esteve as férias todas? Queria tanto que tivéssemos saído... – A loira mantinha-se agarrada a ele, fazendo muxoxo enquanto falava.

— Sinto muito, Chloè. Passei as férias todas ensaiando.

— Não é a toa que você é o melhor, Adreikins. – Ela sorria. – Sempre ensaiando... Mas talentoso como é, acho que nem precisava disso.

— Só talento não basta... – Suspirou cansado. Era isso que não gostava nela.

— Para mim basta. – Falou presunçosa. – Sou ótima em tudo que faço.

A loira se manteve junto ao loiro até que a professora chegou.

— Bom jour, étudiants. Sejam bem-vindos a mais um ano. – A mulher sorriu e correu os olhos pela sala. — Para os novos alunos, eu sou a Sra. Bustier, professora de ballet de vocês e não espero nada menos que muito esforço de todos. Agora, todos para as barras.

Como o ordenado, Adrien desgrudou os braços da garota de si, e fez o ordenado.

Ao fundo da sala, o piano tocava calmamente, enquanto a Sra. Bustier continuava a dar instruções aos alunos. Todos movimentavam-se em sincronia.

O loiro já estava tão acostumado com as dores dos aquecimentos, que aprendeu a ignorar o latejar dos músculos de seu corpo. O truque: Era focar em qualquer outra coisa. E para ele, isso significava, as noites parisienses. E no que encontraria lá, depois que o toque de recolher fosse dado.

Sua recompensa.

— Vou formar duplas, — A professora chamou a atenção de todos com o anuncio. – E ficando vocês felizes ou não, serão suas duplas até o final do ano letivo.

“Ótimo”. Pensou irônico. “Mais um ano com uma garota grudada no meu pescoço”.

Por mais que fosse uma turma mista, haviam mais garotas do que garotos. O que deixava a sala, em grande parte, com muitas duplas femininas.

— Alya Césaire. – Chamou a Sra. Bustier. – E Rose Genre.

Do outro lado da sala, vou a amiga de infância se juntar a sua dupla. Sorriu para ela brevemente, que retribuiu. Ainda não tinha tido oportunidade de conversar com Alya desde que voltara.

— Agora vejamos... Marinette Dupain-Cheng e Adrien Agreste. – o loiro escutou seu nome ser chamado.

“Marinette. Essa é nova”. Literalmente.

Eram poucas as pessoas que entravam semestralmente na academia. Poucos podiam pagar a alta mensalidade do lugar. E todos os anos era ofertado somente uma bolsa de estudos, que era extremamente concorrida.

Discorreu os olhos verdes pelo local, atrás da sua dupla. Seria fácil acha-la, já que conhecia a maioria dos alunos daquela sala.

E lá estava ela, no canto da sala, com o olhar perdido e assustado. Uma garota de cabelos azulados, vestindo o típico uniforme de ballet, com a saia rosada. A passos tranquilos, o loiro foi se aproximando dela.

— Você é a Marinette não é? – Sorriu para a garota que somente assentiu com a cabeça. — Sou Adrien, prazer. – Estendeu a mão enquanto mantinha um sorriso leve no rosto. Ela demorou um pouco para retribuir o cumprimento.

— Sou Marinette. – Respondeu com a voz baixa e as bochechas coradas.

— É, eu sei. – Riu por de baixo do sorriso, deixando a garota ainda mais constrangida. Que combinação peculiar, ele tinha que admitir. Uma mestiça de olhos claros. Um tanto quanto peculiar.

— NÃO É JUSTO, PROFESSORA. EU SOU O PAR DO ADRIEN.

“Chloè...”

E lá estava ela e a professora discutindo. Suspirou cansado. Depois da bronca, a loira estava completamente furiosa, e a passos duros se aproximou do loiro e da mestiça.

— Não vai se acostumando garota. – Chloè a olhava fumegante. – Adrien não trabalha com nada menos do que uma profissional. E logo eu volto a ser a dupla dele, estamos entendidas, bolsista? – E saiu de perto deles, voltando para seu lugar no outro lado do estúdio.

— Sinto muito pelo que a Choè falou. – Adrien se desculpava constrangido, mantendo os braços atrás da cabeça. – Ela não mede esforços quando quer algo. Mesmo que isso machuque os outros.

— Está tudo bem, — Respondeu a azulada. Ela continuava a encarar o chão. – Eu já tinha a conhecido mais cedo.

— Sinto muito, mesmo. – Ele mordeu o lábio pensativo. Não queria aquele clima chato com a garota que seria sua nova parceira. – Então, quer dizer que você é a bolsista do curso de dança? – Ele perguntou e ela se encolheu ainda mais.

— Sou...

— Bem, então você deve ser muito talentosa. – Sorriu para a garota que lhe encarava surpresa. – Quer dizer, é uma bolsa bem concorrida. Se você foi à ganhadora, quer dizer que merece estar aqui.

Ela se manteve muda.

— Muito bem alunos, formem suas duplas e vamos começar os alongamentos em pares. – Ordenou a professora.

O loiro continuou a sorrir para ela, mas ambos agora prestando atenção nas instruções da professora.

E quem adivinharia, que a partir dali, sua vida mudaria?

Não ele. Com toda certeza.

Para o loiro, ele havia ganhado uma nova amiga. E aquele falo lhe deixava contente.

Tinha poucos amigos. Amigos mesmo.

Dentro daquela academia, podia contar apenas com Nino e Alya. Bons amigos que ele tinha desde a infância. Por eles sim, colocaria a mão no fogo, mas agora a mestiça também estava ganhando espaço. O loiro via nela uma companhia agradável, divertida, que lhe fazia bem.

— Por que está tão quieto? – Nino perguntou. Ambos estavam no quarto, se preparando para dormir.

— Nada de mais, só estou sem sono. – Sentou-se na cama. – Mas isso me faz lembrar que tenho uma novidade para você...

— Para mim?

— Falei com o Plagg nesses últimos dias e escuta essa... – Parou fazendo suspense. – Estão precisando de um novo Dj lá no clube... E ai, o que acha da ideia?

— Pera ai... – O moreno também sentou-se na cama, surpreso. – Eu. – apontou para si. – Dj da Miraculous... É sério isso?

— E eu sou de brincar com essas coisas? – Sorriu.

— Cara... Só posso estar sonhando. É claro que eu topo!

— Ótimo! – Levantou-se da cama. – Vou avisar o Plagg.

— Agora?

— Mas é claro. Queremos voltar a ativa o quanto antes. – Pegou o celular e a sapatilha. – Vou falar com ele e aproveitar para ensaiar um pouco...

— Você quem sabe... Mas, obrigado cara. – Nino sorriu e voltou a deitar-se na cama.

— Nada. – O loiro saiu do quarto. Enquanto caminhava para um estúdio vazio, manda uma mensagem para o dono do clube, avisando da novidade.

As coisas estavam indo bem. Sorria contente, enquanto caminhava pelos corredores escuros da academia. Se ensaiasse um pouco, talvez se cansasse o suficiente para conseguir dormir. Seguiu para o estúdio menor. Tudo escuro. Ou assim pensava.

Escutava batidas contra o assoalho de madeira. Batidas ritmadas.

Tinha alguém ali?

Escorreu os dedos pela parede, em busca do interruptor. Acendendo as luzes do local.

“Marinette?”. Adrien olhava surpreso para a garota na sala.

— Ahh, desculpe. Eu não sabia que tinha gente aqui. – O loiro tentava se desculpar o mais de pressa possível.

— Adrien! – A garota o encarava tão surpresa quanto ele. – Ah-h, sem problemas, a culpa foi minha. Eu que deixei a luz apagada. Não tinha como saber.

— Não deveria estar na cama? – Perguntou o loiro, já entrando na sala e encostando a porta atrás de si. Não esperava encontrar mais ninguém, além dele, pelos corredores aquela hora.

— Bem, acho que sim. Estava sem sono. – Admitiu ela. – Mas e você, também não deveria estar na cama?

— Touche! – Ele riu. Pego pela própria pergunta. – Sem sono também, estava pensando em ensaiar mais um pouco. E parece que minha dupla teve a mesma ideia. – Ele apontou o dedo para a garota, que trajava uma roupa confortável, junto com as sapatilhas de ballet.

— Estava tentando melhorar meu tempo nos giros. Ainda estou com um pouco de dificuldade nisso.

— Então seus problemas acabaram. Adrien Agreste as suas ordens. – Adrien fez uma breve reverencia, mantendo um sorriso nos lábios e os olhos colocados nela.

— Fico feliz em saber que dispõem de tanto tempo livre, Sr. Agrete. – O sorriso dele se abriu ainda mais ao notar que ele entrara no jogo também.

— Infelizmente não possuo tanto quanto gostaria, mas abro uma exceção no seu caso, senhorita Dupain-Cheng. – Se aproximava dela lentamente. Deixando seu outro lado aparecer mesmo longe do clube. Longe de casa.

— Me sinto honrada. – A garota também se curvou e os dois riram.

As sensações que lhe atingiram depois disso eram engraçadas...

Engraçadas não... Para falar a verdade, não sabia identificar. Só sabia que eram boas, sensações muito boas. Gostou de dançar com a ela a ponto de não querer que a música terminasse.

O modo como seu corpo se movia, acarretava em reações em seu corpo também. Lhe inundavam o corpo com sentimentos desconhecidos. Mas desses, reconhecia a calmaria, a paz, a beleza de se dançar por que gostava de dançar.

O fazia lembrar o porque ele gostava de dançar.

Juntos, não precisavam conversar para se entenderem, para saber o que tinham que fazer. Seus corpos já sabiam o que deveria ser feito, como imãs, eles se moviam em sincronia, um reagindo ao outro. Como se o natural fosse aquilo.

Natural os dois juntos.

Por esse motivo, gostava de provoca-la quando estavam perto. Gostava das reações que causava, não somente nela, mas em si também. Como seus corpos respondiam a tudo aquilo.

Adrien e Marinette combinaram de ensaiar naquela semana. A apresentação aconteceria no final do mês, e os dois queriam estar preparados para aqui.

O loiro seguiu para o estúdio menos depois do almoço.

E qual não foi sua surpresa ao já encontrar a garota lá. Dançando.

Mas aquilo não era ballet.

Ela estava com fones no ouvido, dançando distraidamente, com um pequeno sorriso brotando nos lábios, olhos fechados. Completamente imersa.

Os movimentos eram mais flexíveis e relaxados. Ela se deixava expor, sendo conduzida pela batida ritmada da música.

Adrien sorriu, parando para admirar a cena da porta. Gostava do que via, do modo como ela se movia. Livre.

Só de vê-la dançar, jurava poder sentir, tudo o que ela sentia. Toda a paz, a liberdade, a alegria. Não conseguia tirar os olhos dela. Sentia-se preso.

Ou melhor: acorrentado. Mas que garota era aquela?

Continuou a sorrir, enquanto se aproximava da garota, colocando uma mão sobre seu ombro.

— A-andrien? – Ela gaguejava. – E-eu não s-sabia que v-você estava a-ai...

— Desculpa te assustar. – Ele buscava segurar o sorriso involuntário de qualquer maneira.

— T-tudo b-bem, eu é q-que estava d-d-distraída. – Ela estava com o rosto baixo e extremamente vermelho. – Você c-chegou agora?

— Cheguei sim, vi a luz acesa e imaginei que você já poderia estar aqui.

— Entendi...

— Aliás, belos passos. Não sabia que dançava outras coisas além do ballet. – Não conteve o sorriso e muito menos o comentário.

— Eu n-não danço... Só estava na música errada. – A gagueira continuava, assim como o rosto vermelho.

— Bom, deveria. Você é boa nisso. – Falou sincero.

— O-obrigada. – Ela respondeu baixo.

Adrien se afastou e foi vestir suas sapatilhas. Quando terminou, encarou a garota ainda estática a sua frente.

— Vamos começar? – Ela somente concordou com a cabeça.

Com o final de semana se aproximando o humor do loiro melhorava da água para o vinho. Suas saídas para o clube seriam mais fáceis. Não que a academia lhe impedisse de sair.

Não.

Ele conhecia cada canto, cada câmera, porta e janela daquele lugar. Sair de lá não era se quer um desafio para ele.

Mas em casa, a preocupação com a hora de retorno era mínima. Seu pai não ficava em casa e poucos empregados ficavam responsáveis pelo local.

Ninguém sentiria sua falta durante a noite.

Pulou o muro de casa, já trajando a típica roupa de Chat Noir, com a tinta negra lhe cobrindo o rosto. Sorria alegremente enquanto percorrias as ruas e becos de Paris. O que poderia fazer? No fundo era um gato vira-lata. Não tinha casa e as ruas eram seu mundo, livre para seguir para onde desejasse.

Ao menos até o amanhecer.

Ele era sempre o primeiro a chegar e o ultimo a ir embora. Deveres como gerente do local. Ou “rei” como era melhor conhecido. Mas o título acarretava responsabilidades, como qualquer outro...

Entrou pela porta do galpão e desceu as escadas até a sala principal, onde o espetáculo acontecia. Só haviam mais duas pessoas no local, um era o garçom e o outro o Dj, Bulleur.

— Chegou cedo, cara. – O gato sorria para o amigo.

— É um final de semana especial. – O moreno respondeu sorrindo.

— Posso saber o porque? – Arqueou a sobrancelha.

— Convenci uma amiga a voltar...

— Amiga é? – Riu debochado. – Pela sua felicidade, parece que não é bem só uma amiga.

— Cale a boca. – Respondeu e o loiro riu. Se afastando logo depois, indo em direção a sua sala privada. Gostava de ficar um pouco só antes da bagunça começar. O que não demoraria muito em visto da hora.

As paredes eram a prova de som, mas pela brecha da porta, o garoto conseguia escutar o barulho vindo do cômodo maior. Conversas, risos, a música.

Alguém abriu a porta, deixando que o barulho inundasse a pequena sala.

— Está na hora. – Era o moreno.

— Já estou indo. – O loiro se ajeitava, apagava a luz e rumava para o palco.

“Hora do Show”. Sorriu travesso.

— Galera, um minuto de sua atenção aqui. – Era Bulleur na cabine com um microfone nas mãos. – Todo mundo se divertindo? – Como resposta um grito coletivo. – É assim que eu gosto... Mas galerinha, eu tenho o prazer de chamar aqui no palco o rei da Miraculous, com vocês Chat Noir!

Todo mundo gritou, e Bulleur lhe entregou o microfone. O loiro se aproximava sorrindo da beirada do palco.

— E aí, galera! – O garoto falou no microfone recebendo gritos alegres em resposta. – É muito bom estar mais uma noite aqui com vocês. Quero ver todo mundo dançando... Mas para as princesas que não souberem, eu terei o maior prazer em ensinar.

Ah. O tipo charme de gato. A sedução e selvageria escancarada.

Quem acreditaria que por trás de Adrien Agreste, existia um gato terrivelmente sedutor?

O loiro deixou o microfone de lado e desceu do palco, juntando-se a todos na pista de dança, sobre as luzes brilhantes e a música alta. Aquele lugar sim era a sua casa, onde conhecia cada rosto, cada alma do local.

Ou quase...

No canto, o gatuno observou uma figura diferente. Um ponto vermelho vibrante sobre os holofotes. Dançando, movendo-se, hipnotizante.

Um sorriso lhe brotou nos lábios.

Com passos leves, foi se aproximando, reconhecendo a figura que estava junto ao seu objeto de atenção. Interessante.

— Wi-fi... – cumprimentou o loiro. – A recepção do sinal está boa aqui?

— Há-Há. Hilário. – Respondeu a garota. – Já sei com quem Bulleur andou tendo aulas de aspirante a comediante...

— Quanto mau-humor. – Provocou. – Mas enfim... Não vai apresentar sua amiga?

— Está é Ladybug. – Indicou a amiga. – LB, esse é Chat Noir. Mas com certeza deve ter percebido isso na discreta apresentação dele...

— A seus serviço My Lady... – Inclinou-se fazendo uma reverencia comum sorriso charmoso nos lábios. Sua atenção estava toda voltada a garota de vermelho a sua frente.

Lhe observava as curvas do corpo, sobre a calça larga e o top colado ao busto. Os cabelos escuros, os contornos asiáticos emoldurando os olhos... Azuis?

— Que eu soubesse, as majestades costumam ser muito ocupados. Não deveriam ficar oferecendo seus “serviços” a todas as damas do local.

— E eu não ofereço... – O garoto tinha um sorriso travesso. — Mas se isso significa que gostaria de dividir o trabalho de majestade comigo, eu adoraria te fazer minha rainha. – Seu rosto estava extremamente próximo ao dela.

“Esses traços. Esse olhos.” Sorriu. “Coincidência”.

— Vai sonhando gatinho. – Ela o afastou empurrando um dedo contra seu nariz e um leve sorriso nos lábios.

— Vou com toda certeza... – Ele sorriu e piscou para ela e depois se afastou.

“Quem é você, Ladybug?”. Achara a garota fascinante.

De longe, continuou a observar a garota. Analisando cada movimento dela. O modo como movia os braços, delicados, as mãos lhe escorrendo o corpo, o balançar do quadril, acompanhado da cintura.

Com a amiga se afastando, o loiro viu a oportunidade perfeita para se aproximar.

Sorrateiramente, se colocou atrás da garota, colando ambas as mãos no contorno de sua cintura.

— Parece que precisa de ajuda. – Colou a boca no ouvido dela.

— Ajuda com o que exatamente? – A garota virou e encarou aquele par de olhos verdes brilhantes.

— Para se soltar. – O garoto rodeou um dos braços em volta da cintura desnuda dela, a prendendo a ele, enquanto a outra mão pegava a dela e a guiava até o próprio ombro e a depositando ali. – Você ainda está muito travada...

— E você pretende me ensinar não é mesmo? – Perguntou irônica.

— Já que insiste... – Sorriu travesso. — Que gato mal eu seria se recusasse essa oferta.

Colou o corpo ao dela, uma perna entre as delas. Junto seus corpos. Movendo-os em sincronia, deixando-se guiar pela batida da música.

Aquele magnetismo entre seus corpos. Podia jurar que já sentira algo assim antes.

Mas que droga, isso mexia com a sua cabeça.

Uma das mãos dela se depositou em sua nuca, a boca dela, aproximando-se de si.

Uma batida de seu coração falhou.

— Então é melhor você fazer seu tempo valer a pena. – Soprou as palavras em seu ouvido e o loiro estremeceu de leve.

— Sou todo seu My Lady. – E o garoto passou a ditar o ritmo de seus quadris e a garota o acompanhava.

Os dedos dela lhe acariciavam os fios de cabelo da nuca por dentro da toca. Um ronronar se prendia em sua garganta, buscava colar ainda mais seus corpos. A ponto que não percebeu o perigo da situação.

Perigo para ele, é claro.

Ela colada a si, a perna lhe roçando o membro por cima da roupa. Provocando-lhe.

“Espertinha... Mas eu também sei jogar.” Pensou.

— Você realmente sabe como se mexer. – Falou ao pé do ouvido da garota. – E particularmente eu adoraria continuar essa brincadeira... Só que em um lugar mais reservado. – Ele olhou fundo para os olhos azuis da garota. – E a sós.

— Não sonhe muito alto Chat. – A garota riu e foi se afastando de vagar do loiro.

— Espero que você saiba que gatos são excelentes caçadores... Principalmente quando se trata de coisas vermelhas e pequenas. – O garoto tinha um grande sorriso de canto estampado no rosto, enquanto pegava a mão da joaninha e depositava um beijo na mesma, para depois se afastar.

Agora ele tinha um pequeno problema se formando no meio das suas pernas.

Sentia que sua noite tinha terminado ali.

E sua sanidade também.

Só tinha duas opções depois dali. Ou se acalmar ou se aliviar.

Infelizmente não a encontrou mais naquela noite.

Na tarde seguinte, Nino e ele haviam saído com as garotas. E novamente, aqueles olhos o perseguindo.

Existiam coincidências no mundo?

O mesmo magnetismo existindo em duas garotas diferentes. O universo só poderia estar de brincadeira com sua cara.

Com a noite voltando, ele poderia voltar a encontra-la.

E o fato não tardou a acontecer.

Lá estava ela, dançando livremente, fazendo seus olhos se prenderem a cada movimento dela. Magnética.

Assim como na noite anterior, se aproximou dela, a abraçando por trás de surpresa.

— Fico feliz em saber que voltou. – Soprou em seu ouvido.

— Você esta ficando muito mal acostumado, Chat. – A garota permaneceu de costas para ele.

— Não tenho culpa se a minha senhora me deixou abandonado. – Acomodou a cabeça no ombro dela. – Eu sou um gato um pouco carente... – Miou.

— Pobre gatinho. – Ela fala ironicamente e depois ri. – Nenhuma das suas garotas quis te dar atenção?

— A única que importava não estava aqui. – Ele aconchegou a boca próxima ao pescoço dela. – Até agora... Sabe Ladybug, a situação não ficou muito legal para mim ontem... – Ele encostou a boca na orelha dela. – Nada legal mesmo...

— E...

— E que não é nada bom deixar um gato carente... E excitado. – Mordeu a orelha dela de surpresa. A garota deu um pequeno pulo e Chat aproveitou a oportunidade para virá-la de frente para si. – Quero que dance comigo.

— E j-já não estamos fazendo isso? –Gaguejou.

— Você entendeu o que eu quis dizer... Dance como ontem. – Seus olhos estavam grudados um no outro. – Que te ver solta.

“Quero saber quem você é lá no fundo. Saber se é como eu”.

Dançar colado a ela, levava sua sanidade ao limite. Mas que diabos de influencia aquela garota tinha sobre si?

Eles já tinham iniciado o show, e o gatuno faria questão de finaliza-lo com chave de ouro.

O loiro espalmou uma mão sobre a cocha dela e passou o outro braço pelas costas dela, para logo em seguida inclinar ambos para baixo.

— Parabéns, você ganhou. – Um pequeno sorriso brotava nos lábios do garoto. – Agora, seu prêmio.

Aproximou o rosto do dela e a beijou. Um leve tocar de lábios sobre as luzes fortes dos holofotes e dos aplausos. Sentia macies dos lábios firmes dela sobre os seus. Por mais que não quisesse, separou-se dela, voltando os corpos para cima. Passava a língua pelos lábios, sentindo o gosto do suor junto ao dela.

Seu coração estava totalmente descompassado.

Quem é você? Me diga. Por favor.

No meio da multidão animada, a perdeu de vista. Só a encontrando, já longe demais, fugindo em uma moto.

Mas que droga.

Os dias foram se passando e ela não apareceu mais. Deixando o gato agoniado.

As apresentações estavam chegando e o loiro mal conseguia se concentrar. Sentia-se confuso e frustrado.

Ensaiava com Marinette durante as aulas e sentia nela a mesma essência que lhe enlouquecera dias atrás. Mas ainda faltava algo.

Ainda não era ela. Mas a sentia tão perto. Tinha que por sua teoria a prova. Não poderia existir tantos pontos iguais e não existir uma ligação ali...

Talvez só lhe faltasse o incentivo certo. E assim ele poderia saber. Poderia acabar com a agonia que lhe marcava o peito.

Já estava no estúdio de dança quando ela o encontrou se aquecendo. A pesar do papo furado, tinha que ir direto ao ponto.

— Pensei que a gente podia tentar algo diferente hoje, só para relaxar sabe... – Colocou uma das mãos atrás da cabeça, envergonhado. Sua sanidade sendo colocada a prova.

— Di-diferente?

— Tudo bem se não estiver afim... Fo-foi só uma ideia, para melhor o sincronismo, s-sabe. – Ele gaguejou.

“Mas que droga. Controle Adrien.”

— Tudo bem, s-sem problemas...

— Sério? – Ele sorriu.

— Cla-ro.

Adrien foi até o aparelho de som e conectou o celular, logo selecionando a música. Algo calmo, com a letra suave. Aproximou-se dela e estendeu a mão.

— O que eu devo fazer? – Ela perguntou enquanto colocava a mão sobre a dele.

— Só me acompanhe. – Sorriu para ela e colocou a outra mão em sua cintura. Ele movimentou os dois de inicio como em uma valsa.

Esperava a sentir solta.

“Que eu esteja certo”. Por favor.

Adrien tirou a mão da cintura da mestiça e a girou uma vez, segurando a outra mão da garota em seguida e erguendo os braços para cima, enquanto se balançavam de leve para os lados.

Ela riu. Soltando-se.

Chegou onde queria. Ela solta. Rindo. Aquele mesmo magnetismo.

O loiro continuou a guiar os movimentos, escorregando uma das mãos até a cintura dela, enquanto a outra entrelaçou os dedos aos dela e foi descendo levemente.

“É você não é?”

Ela sorria inconsciente desse fato. Tateando os dedos pelos ombros dele, próximo aos fios dourados ao final do pescoço.

Um arrepio lhe percorreu a espinha.

Aquele mesmo jeito de se mover. De me prender.

“É você”.

Notas finais
Só tenho uma coisa a dizer... Nunca mais na minha vida eu refaço POV! Ok, a história é em terceira pessoa, eu sei... Mas mesmo assim. Foi mais trabalhoso do que se eu tivesse feito algo do zero. Sério! Mesmo! Se algumas informações saíram desconexas, peço desculpas desde já. Mas é que mesmo eu relendo alguns capítulos, eu não me lembro de tudo que eu já escrevi. (Bom até lembro... Mas o ordem nem tanto!) Dai pode acabar tendo alguns furos... Música do capitulo: Oh Wonder - Technicolour Beat - https://www.youtube.com/watch?v=j9FfYWp_d5w Agora vamos a nossa conversa... Feriadão chegando... Ao menos aqui em Curitiba sim, já que dia 8 é feriado aqui. Motivo: Padroeira de Curitiba. Enfim. Quero ver se finalizo a historia nesse feriado. (Quando eu digo finalizar, eu falo em OFF. Sem correção, nem nada.) Para que dai eu possa voltar a postar nos dias certos aqui. Depois do dia 15, minha vida vai ficar ainda mais corrida. Mal estou conseguindo escrever por agora, quem lá dirá mais para frente. Então se eu não conseguir escrever tudo nesses dias (Próxima semana) As postagens vão diminuir para uma vez na semana, mas eu não vou parar, só vou ter que diminuir o ritmo. Enquanto isso, eu já vou começar a escrever minha outra fic. Meio que sem compromisso mesmo. Para me ajudar a quebrar o bloqueio criativo da KMS. Conforme essa daqui for chegando ao fim, eu inicio a outra. Mas me desejem sorte! XO Ps: Sem correção. A beta estava demorando muito.