Keep it a Secret
32 iProm Night - Parte II
Notas iniciais
PDV — Sam
Acordei bem cedo nesse Sábado, justamente para os preparativos do meu churrasco e fiquei feliz por não ser a única a se levantar tão cedo.
– Você acha que toda essa carne vai dar para o churrasco? — perguntou Shet para mim.
Abri um longo sorriso.
– Claro que vai, sr. McFly! — falei, enquanto puxava a churrasqueira para o meu quintal. — Não sei se você sabe, mas esta noite teremos a presença ilustre da minha mãe, Pam Puckett. — posicionei a churrasqueira em frente ao jardim. — Tenho total certeza de que não irá sobrar mais nada...
Shet e eu ainda arrumamos um tempinho para limpar o quintal quando, de repente, um carteiro mal-humorado surge no meu quintal e me entrega uma carta:
– Para Samantha Puckett — diz ele, meio fanho.
– Sou eu! — grito, largando a vassoura, olhando discretamente para Shet.
O carteiro entregou a carta e foi embora, me deixando com uma grande dúvida na cabeça.
– Quem mandou essa carta? — perguntou Shet, curioso.
– Não sei... — verifiquei com muito cuidado a carta, mas optei por não abrir. — Não diz de quem me mandou, apenas o meu nome e o meu endereço.
– Que estranho... Quem é que manda cartas nos dias de hoje? — disse Shet, agora segurando o porco. — Por que você não abre?
– Depois! — falei, guardando a carta no bolso e voltando ao meu serviço.
(***)
Depois de muito tempo, decidi abrir aquela estúpida carta, mas em um lugar particular, longe de qualquer pessoa. Então, me tranquei no banheiro e comecei a abrir.
Antes de ler, pensei em mil coisas... Talvez seja da minha mãe: 'me dizendo que não viria para o churrasco', ou da Cat: 'me dizendo que irá ficar mais dois meses na prisão', ou coisas piores.
– Ah, não pode ser tão ruim assim! — refletir, antes de ler a primeira linha.
"Desculpa... Você tinha toda razão... Se é isso que quer realmente saber, Sam.
Depois que li a sua 'carta amorosa', que estava quase mofando de baixo da minha cama, eu passei a te entender melhor. Sinto muito a sua falta, Sam e estou disposto a nos acertamos essa noite de Sábado, no nosso último baile...
(...)
Estarei na porta do Ridgeway te esperando "gata do meu mar", às 20h em ponto para nos acertamos de vez essa nossa relação...
(...)
Assinado, Freddie Benson"
– O quê!? — gritei, espantada, quando terminei de ler. — Freddie me mandando cartas!?
Tive que ler novamente até engolir aquela situação constrangedora. Para mim, aquela história não tem o menor sentido, apesar da assinatura e da letra ser realmente idêntica ao do nerd.
– Esse pateta quer me deixar maluca! — falei, amassando a carta e jogando na privada. — Isso é o que você merece, Benson! — gritei, agora fechando a tampa e dando descarga.
Quando sai do banheiro, notei olhares assustados do Shet e da minha mãe, que acabara de chegar com as malas.
– Aí está você, Sam! — disse ela, com um corte de cabelo novo. — Vem aqui me dar um abraço, minha filha!
Segurei-me ao máximo para não sorrir com a presença dela, mas não consegui manter essa minha postura de valentona e fui abraçá-la, meio que lentamente.
(***)
Eram seis horas da tarde, eu não parava de olhar para o meu relógio do Pear Phone, enquanto o churrasco com a minha mãe rolava. Ela não parava de jogar papo fora com o Shet, já eu estava assando as carnes na chapa, mas ainda assim, pensando na vida.
– Não foi mesmo, Sam!? — perguntou ela, entre gargalhadas. — Sam!?
Ela me catucou com um palito para pegar as carnes do churrasco.
– Ah, oi... — falei, com um sorriso falso. — Eu não estava prestando atenção.
Pam revirou os olhos.
– Claro que não. — disse ela. — Você não para de olhar para esse celular... Acho até que queimou parte das carnes... — ela apontou para a churrasqueira, local onde eu deveria estar de olho. — Você tá bem, menina?
Coloquei as mãos na cabeça, meio culpada por ter queimado aquelas deliciosas carnes... Tudo por culpa do Benson!
– Estava falando da vez em que o meu sutiã roxo saiu voando para fora do supermercado e você reclamou que não deu tempo para comprar o seu presunto! — disse ela, voltando a sorrir ao lado do Shet, embora eu não tenha achado a menor graça.
Cruzei os braços.
– É, eu estou lembrada desse dia... — falei, olhando mais uma vez para o meu Pear Phone, verificando a hora e se havia alguma mensagem do nerd. — Melanie e eu passamos fome!
Pam estreitou os olhos para mim.
– Sam — disse ela, se levantando da cadeira de praia, posta no quintal — Posso falar com você em particular?
– Não, eu preciso tomar conta da carne...
Mas Pam já estava me puxando para dentro de casa.
– Ei, garoto! — gritou ela para o Shet. — Toma conta da churrasqueira!
(***)
Pam e eu fomos para o quarto dela, jurei nunca mais ter que entrar naquele local, depois das coisas assustadoras que encontrei lá.
– Sente-se! — pediu ela, enquanto se sentava na velha cama.
Bufei, antes de fazer o que ela me pediu.
– O que está acontecendo com você? — perguntou ela. — Não estou mais a reconhecendo... Desde que eu cheguei, você anda estranha. — mirei o chão empoeirado, enquanto ela fazia a linha "mãe-conselheira". — O problema é comigo?
– Não — falei, chateada. -, mas podia ser... Faz tempo que não nos discutimos.
Ela sorriu, confirmando.
– É que eu estou com uns problemas aí — falei, escondendo as mãos no bolso da calça jeans. — Tenho uma super prova na próxima semana, sabe...
Ela se aproximou de mim.
– Ah, fala a verdade, Samantha! — parei de mirar o chão e comecei a encará-la. — Fiquei sabendo que terá um baile no Ridgeway essa noite. É por isso que você está tão pensativa?
Levantei-me da cama, exaltada.
– Quem te contou!?
– O T-Bo — disse ela, normalmente.
– O T-Bo!? — repetir, assustada. — Não sabia que você ainda tinha contato com ele.
Pam deu uma gargalhada bizarra.
– Enfim — disse ela, voltando ao assunto principal. — Quer me dizer o porquê dessa agitação?
Revirei os olhos.
– Lembra do Freddie? — perguntei e ela confirmou com a cabeça. — Então... — hesitei em dizer, mas ela fez um sinal para que eu prosseguisse. — Ele me mandou uma carta bem esquisita, pedindo desculpas e me pedindo também para que eu fosse com ele ao baile...
– Numa carta?
– Sim... — confirmei. — Sendo que eu não me dou muito bem com ele. Brigamos muito, muito... Já brigávamos no passado, mas agora a nossa situação piorou... — contei os últimos acontecimentos. — Eu meio que salvei a vida dele e, no dia seguinte, não falei mais com ele.
Pam alisou o queixo.
– É, me parece que você gosta mesmo dele.
Cruzei os braços, sentando na cama, novamente.
– De que adianta isso!? Não demos certo no passado, por que iria dar certo agora? — questionei. — Por essa razão, não vou ao encontro dele!
– Ah, Sam — ela agora alisava os meus ombros. — Não seja tão orgulhosa, porque... está na cara que você quer ir a esse baile.
E estava mesmo.
– Depois não venha se arrepender de coisas que você teve vontade de ter feito. — disse minha mãe. Nunca a vi tão conselheira comigo, talvez por eu nunca ter dado ouvidos a ela. — Na sua idade, eu sempre pensei que iria acompanhar um cara super legal, mas no final, eu sempre quebrava a cara...
Sorri.
– Mas um motivo para eu não ir. — ergui as mãos.
– Não, esse garoto parece ser realmente bom para você. Ele está disposto a te pedir desculpas, né? — afirmei, desanimada.
Pam se levantou da cama e começou a revirar o guarda-roupa de cabeça para baixo à procura de alguma coisa.
– Aqui está! — disse ela, retirando um vestido preto dos anos 80. — Usei esse vestido em todos os bailes que eu fui.
Dei uma grande gargalhada.
– Sem chances! — falei, enquanto olhava o vestido. — Não vou usar isso nunca!
– Bom, a escolha é sua... — Ela deixou o vestido comigo e saiu do quarto.
Continua...
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