Keep it a Secret
18 iNew Friend
Notas iniciais
PDV — Sam
É incrível como o 'perigo' chama o meu nome para alguma enrascada. Esta noite não foi diferente.
Fui parar num dos corredores do Bushwell, após receber várias ligações/ameaças da Sra. Freak-Benson — a velha pode até ter enlouquecido mas, certamente, não teria coragem de me chamar de "delinquente-de-meia-tigela" na minha cara, pessoalmente.
Mas aí...
– O que está fazendo na porta da minha casa!? — perguntou Fredwars.
Enrascada da vez: Socar o Sr. Pateta e fugir em seguida, vitoriosa, ou também elaborar uma mentira qualquer... Foi a única solução.
Mesmo assim não consegui fazer nenhuma dessas ações acima. Apenas fiquei parada, encarando o Freddie e suas perguntas exageradas:
– Você ainda fala!? Ou só usa a boca para comer bacon e outras porcarias?
A primeira ação da enrascada estava prestes a acontecer, então decidi manter as minhas mãos nos bolsos da calça, só para prevenir.
– Olha aqui... — resolvi falar.
E então o portão do 8○D é escancarado, bruscamente.
– Que barulho é esse!? — questionou a Sra Benson, nos pegando de surpresa. Ela logo fixou um olhar sombrio para mim: — Oh, eu estava mesmo querendo falar com você.
– O quê!? — exclamou o Freddie, confuso. — O que a senhora quer falar com ela?
– Freddie, já para o seu quarto! — ordenou ela, mantendo o próprio filho longe de mim. — Se esqueceu que ainda está de castigo?
T-Bo se aproximou. Por incrível que pareça, ele ainda trajava o antigo terno. Talvez seja apenas mais uma frescura dos Benson's.
– Vem comigo... — T-Bo o levou para um outro canto do apartamento.
Com a saída dos dois, pudemos dialogar civilizadamente... pelo menos tentei.
– Espero que esteja feliz, Samantha — odeio ser chamada dessa maneira. — Por sua causa o Freddie e a Molly estão namorando.
"Eles estão namorando"? — fingi não me importar.
Claro, o mané do Benson nunca iria me contar esses detalhes bobos, talvez para o Gibby, que é pervertido.
– Você deve me contar todos os podres daquela pilantra-de-filhos!
Até que eu poderia contar o segredo da Molly e deixar a Sra Benson incriminar ou distorcer a história para fazer o próprio filho odiá-la, mas em troco de quê?
A Sra. Benson sempre foi contra o nosso relacionamento e sempre será. Se eu contasse tudo o que eu sabia não iria fazer a menor diferença.
– Então, Samantha?
Encarei-a mais uma vez antes de dar a minha resposta:
– Não, eu não vou fazer nada.
– Nada?
Exatamente.
Mas isso não significa que irei desistir do Freddward, por mais que ele não mereça a minha 'humilde humilhação'. A partir de agora farei as coisas do meu jeito. Sujo, mas claro.
– Okay. — Marissa mexeu nos cabelos. Era uma forma estranha de conter os seus nervos. Embora não tenha resolvido muita coisa: — Essa batalha não acabou, Puckett!
Por fim, fechou a porta na minha 'cara'.
~Uma semana depois~
Realmente não acabou.
A chata da Sra. Benson não largava do meu pé para tentar saber o tal segredo da Molly. Nem o coitado do Brad se safou dessa bagunça.
Como se não bastasse essa insistência absurda, o meu professor de Física encheu o saco para fazer um trabalho envolvendo robôs de última geração. E advinha. O Benson aceitou fazer o trabalho comigo — Eu até estranhei o fato dele estar mais calmo no dia em que foi sugerido a atividade.
Porém fomos irresponsáveis em deixar o trabalho de lado. Então decidimos por a mão na massa — somente dois dias antes de entregar o projeto.
Marquei de encontrá-lo no Vitamina da Hora, mas o idiota não apareceu, então fui até o apartamento dele para tirar satisfações.
– Oi, Sam...
Não foi bem o Freddie que atendeu a porta.
– Molly? — Ao menos não foi a maluca da Marissa. — O que faz aqui?
– Ah, só passando uns dias no apartamento dos Bensons. O meu amigo teve que fazer uma cirurgia importante e eu não queria passar esses dias sozinha em casa.
– Ah... Que ótimo — fingi mais uma vez estar animada.
Imagino as reações da Sra. Benson em ter que conviver com essa garota.
– Espera, se você está aqui, então, quem está cuidando do bebê? — sussurrei para que ninguém mais escutasse.
Molly olhou para os lados.
– Consegui deixar com uma vizinha minha... — sussurrou ela, de forma natural, como se um bebê fosse uma vasilha ou panela emprestada. -Muito obrigada por não ter contado ao Freddie.
– De nada...
Freddie se aproximou para saber com quem a "namorada" estava conversando.
– Sam? — perguntou ele. — O que houve?
– Nada de mais. — falei, trocando olhares com a Molly. — Só vim chamar você para o nosso projeto da escola. Pelo visto, alguém se esqueceu do nosso combinado.
Ele concordou com a cabeça.
– Claro! Eu esqueci totalmente. — Ele virou para a outra. — Ei, "Mol"! Por que não vem conosco? Iremos dar uma passada no Vitamina da Hora.
Odiei a ideia.
E era ridículo a forma que o Freddiota chamava a nova namorada... "Mol"?
Pelo que eu sei, na química — quase nada -, Mol representava uma unidade de medida.
– Acho melhor não. Se eu atrapalhar o trabalho de vocês...
– Não, não — fingi estar entusiasmada com a ideia. — Você não atrapalha em nada.
(***)
Após incentivarmos bastante, a Molly aceitou o nosso pedido. Logo pegamos uma mesa próxima ao caixa do T-Bo.
Normalmente, falávamos mais sobre uns assuntos banais do que o próprio trabalho escolar:
– Eu vou pirar! — desabafei. — E é tudo culpa do Shet e aquele delicioso porco. É uma tentação ver aquele animal lamber o seu pé toda manhã e sussurrar no meu ouvido: "Sou suculento".
O Freddie parecia bem entediado com os assuntos, só queria terminar a tarefinha de casa e voltar para o tedioso cotidiano, chamado Lar dos Benson's.
– Aquele porco falou com você? — perguntou ele, cético.
– Juro! — falei, exaltada. Molly exibiu um sorriso. — Não estou ficando maluca!
Ele olhou sorridente para a 'namoradinha' e fez um pequeno deboche sobre a minha última auto-análise.
Então questionei:
– O que você acha, nerd?
– Eu?
– Sim, você é homem... — Ele levantou uma das sobrancelhas, surpreso. E é por esses motivos que eu não posso dar tanto moral para ele. — ... ou quase isso.
– Bem, Sam... Eu acho que o seu 'colega' de quarto tem os motivos dele... — disse o Benson. — Ah, sei lá... Por que não voltamos ao trabalho?
– Não sei por que ainda dou ouvidos para você e... Não! — sobre a pergunta anterior.
Queria debater um pouco mais sobre esse assunto, mas a nossa mesa ficou silenciosa. Até que...
– Bom... — Molly decidiu se intrometer na conversa. Rapidamente demos atenção. — Eu acho que esse seu amigo, Sam, precisa fazer novas amizades. Em relação ao porco, vocês poderiam chegar a um acordo ou fazer uma terapia para adotar um outro animal menos comestível... Embora ele deva ter os motivos dele.
– É, pode ser.
Freddie arregalou os olhos.
– O quê? — O Benson bateu na mesa. — Como assim? Eu acabei de dizer a mesma coisa!
– Não disse, não. — Molly e eu falamos em sincronia.
Levei até um susto por ela ter dito no mesmo momento que eu e, de certa forma, ter deixado o Freddie abalado.
– É, eu nunca vou entender o que passa na cabeça de vocês.
Molly se levantou da cadeira e anunciou:
– Vou ali no banheiro.
E lá foi ela, nos deixando sozinhos naquela mesa larga e tediosa.
– Qual é a sua dessa vez?
– Como assim?
– Ah, vamos lá, Sam. Você nunca foi legal com as pessoas e quando é, não passa de uma armação.
Suspiro.
– Por que toda vez que eu faço coisas anormais, as pessoas acham que eu vou armar alguma coisa contra elas?
– Porque você é assim! Sempre pregando peças!
Balanço a cabeça, discordando. Aproveito esse tempinho para terminar a minha vitamina de morango.
– Apenas quando tenho oportunidade. — Mordo o canudinho da vitamina.
Ele voltou a me olhar de forma estranha.
– Vamos voltar ao trabalho! — ordenei, fazendo-o parar.
– Ok.
~Na tarde seguinte~
Estive disposta a ter uma conversa com o Shet sobre o Roger, porco. Só que ocorreu um belo de um imprevisto e acabei passando a tarde com o animal — foi uma grande tortura.
Bem no momento em que disponibilizei a ração especial para o Roger, pude ouvir a campainha irritante tocar.
Dei uma rápida espiada no olho mágica e obsevei um patetão carregando vários equipamentos tecnológicos, além da antiga mochila azul.
Abri a porta...
– Vim terminar o nosso projeto — dizia ele, já invadindo a minha casa, como de costume. -, mas teremos que ser rápidos, pois vou me encontrar com a Molly no...
– É, eu sei... — interrompi. — "Tô" indo agora pro shopping para me encontrar com a Molly.
– O quê?!
– Isso mesmo que você ouviu.
Pego minha mochila vermelha na poltrona.
– Não, temos um projeto para terminar!
– Errado! Você tem um projeto para terminar. Só falta a sua parte "nerdolesca", porque eu já terminei de 'escrever' o nosso relatório. — quero dizer copiar & colar. — Mas pelo que estou vendo aqui, tá rolando uma espécie rara de inveja e ciúmes bobo pela namorada.
Ele sorriu, cruzando os braços.
– Não é inveja! Muito menos ciúmes! — disse ele. — É só... Só... — Ele desfez-se do sorriso. — só...- Agora ele fechou a cara. — Para de sair com a minha namorada!
Não pude conter as minhas gargalhadas malignas.
– Isso te irrita?
– Bastante! — admitiu ele, de imediato.
– Interessante... — falei, sorridente.
Realmente foi muito interessante saber que o Benson não gostava nem um pouco da minha aproximação com a "Mol".
Nunca pensei que fosse fazer amizade com aquela garota sem-sal nem açúcar (muito menos pimenta). Mas finalmente percebi como ela parecia ser uma pessoa legal, de vez em quando.
– E o nosso projeto?
Reparei que ele se atrevia a seguir os meus passos até o jardim da minha mãe.
– Ah, me manda por e-mail.
– Fala sério, Sam! — Agora ele se jogara na frente da minha moto.
"Quanto drama!" — pensei. — "Eu amo isso!"
– Você não pode simplesmente...
Ignorei.
Montei na moto, coloquei o capacete e acenei levemente para o Sr. Bobão.
– Sam! — gritou novamente, antes que eu pudesse dar partida.
(***)
Dias depois, fui até o apartamento dos Benson' s para fazer um novo convite à Molly.
– Cadê ela? — perguntei, bem no momento em que o Freddie abriu a porta.
– Quem? A Molly? — perguntou, sorridente. — Bem, ela voltou para a casa do amigo dela, hoje pela manhã.
Ele mesmo estava feliz com a notícia — que grande palerma. Afinal que mané ficaria animado em saber que a atual namorada está longe?
Isso só demonstrava o quanto era feliz em me deixar frustrada com alguma coisa.
– Quando ela volta!?
Ele revirou os olhos.
– Não sei, Sam. — disse, impaciente. — Talvez na próxima semana.
– É... Eu espero.
Dei meia volta.
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