Keep Holding On
20 Mika's Plan
O Plano de Mika
AO OLHAR PRO moreno à sua frente, Juvia percebeu que sua face havia tornado-se séria.
— A Mika voltou? – havia rispidez na entonação de sua voz.
— Sim, sua mãe voltou. – Lyon enfatizou o termo "mãe". – Ela parece preocupada, Gray. Ela quer te ver. – se virou pra azulada. – Até você, Juvia.
— Eu? O que ela quer comigo?
— Aí eu já não sei. – riu e olhou pro seu amigo, que parecia estar com certa irritação.
— Eu não sei pra quê isso agora. – disse. – Eu realmente não quero vê-la depois de todo esse tempo. Você me entende? – seus olhos se encontraram com o de Lyon.
— Sim, eu sei. Mas se passou muito tempo desde que vocês se viram. Ela saiu do meio de uma reunião pra estar aqui, parece estar preocupada. Você devia dar uma chance pra ela pelo menos ver se você está bem.
— Eu acho melhor ir embora. – falou Juvia. Sentia-se deslocada na conversa, então fez menção de se levantar, mas então percebeu que esse tempo todo estava de mãos dadas com o Fullbuster.
— Fica, por favor. – suplicou. – Escuta, Lyon, diz pra Mika que ela pode entrar. Mas independente do que ela vai dizer, ela também terá que me escutar.
O albino assentiu e saiu do quarto.
— Eu vou esperar lá fora, Gray. Eu não acho que ficar aqui é o certo pra vocês dois. É algo pessoal entre você e sua mãe. – seu tom era sério.
Gray suspirou. Por uns instantes, pareceu um menino perdido na visão da azulada.
— Mika não ocupa bem o posto de mãe.
— Por que você continua chamando-a pelo nome? É a sua mãe.
— Ela deixou de ser há tempos. Desde que Erza e eu éramos crianças, ela nunca parou em casa. Sempre em viagens e mais viagens sem se importar se realmente estávamos bem.
— Gray...
— Ela sempre preferiu o trabalho do que nossa família, ela mesma disse. Nunca me deu um parabéns no meu aniversário, nunca me deu um abraço, ou sequer perguntou como eu estava. Droga, eu dominei a droga da escola inteira e fiz bullying com centenas de alunos e ela nem ligou. – cada traço de sua voz continha ressentimento. – Ela tentou até fazer um casamento arranjado pra Erza. Minha irmã foi embora, com raiva e eu fiquei só nessa casa enorme, sem ninguém, e ela nunca veio aqui saber se eu sequer estava vivo.
— Eu sei que ela fez essas coisas horríveis, mas estar aqui significa que ela pode, sei lá, ter mudado? Vocês precisam conversar, Gray. Não pode adiar isso pra sempre.
— Eu sei. – respirou fundo. – Então, por favor, fica aqui. Você não precisa falar nada, só fica aqui. – entrelaçou os dedos da azulada nos seus.
— Você tá com medo? – Gray fez que sim. – Tudo bem. Eu fico, ok? – beijou as mãos dele.
— Obrigado. – sem soltar Lockser, beijou a testa da garota. – Muito obrigado por estar aqui mesmo eu não merecendo.
— Talvez você mereça que eu desperdice um pouco do meu tempo. – sorriu e encostou seus lábios no do rapaz. – Mas só talvez.
O líder do F4 abriu um sorrisinho.
A porta foi aberta e uma mulher entrou. Ela parecia bastante jovem. Tinha cabelos ruivos com os de Erza e parecia ter pouco mais de 40 anos. Seu olhar era caloroso, tinha o mesmo sorriso de Gray no rosto e vestia-se como uma mulher de negócios.
— Gray, meu filho, como você está?
— Você não precisa continuar essa encenação e me chamar de filho. – disse rudemente.
— Filho, eu...
— Só diz logo o que você quer. – interrompeu a mulher.
— Eu queria te ver, meu filho.
O moreno levantou-se bruscamente, ainda que com certa dificuldade.
— Já me viu. Não é o suficiente? Não acha que já é hora de ir em mais uma viagem de negócios? Achei que fosse mais importante que eu!
— Gray, você pode estar com raiva mas eu sou sua mãe, me respeite. – ditou seriamente, ainda que seus olhos parecessem tristes.
— Ah, agora você quer respeito? Onde estava o respeito pela minha irmã anos atrás? – elevou a voz. Sentiu a mão de Juvia sobre seu ombro.
— Deixe-a falar, Gray. – pediu.
— Mas... tudo bem. – disse e direcionou seu olhar a sua mãe.
— Eu quero pedir desculpas a você, Gray. Por ter sido uma mãe péssima em todos esses anos. Eu fui um ser humano horrível, coloquei meus objetivos acima de você e sua irmã. Eu sei que não mereço seu perdão depois de todo esse tempo, mas por favor, me perdoe.
— Você disse certo. – o Fullbuster mais novo cruzou os braços. – Você não merece meu perdão. Agora sai logo do meu quarto. Eu preciso descansar. Ficar no mesmo ambiente que você não vai me fazer bem.
— Tudo bem, eu entendo. – a ruiva disse cabisbaixa e saiu do local.
Juvia e Gray passaram alguns segundos em total silêncio.
— Juvia... você pode me deixar só por um momento? Eu preciso pensar.
— Eu entendo. – disse vendo que o moreno parecia estar querendo chorar. – Eu vou estar lá embaixo, qualquer coisa você me chama. – caminhou até a porta mas Gray lhe segurou. Ele depositou um beijo nos lábios da garota. No meio do ósculo, a azulada não conseguiu evitar abrir um sorriso. Não sabia o que estava acontecendo consigo mesma. Quer dizer, há poucos dias Gray era apenas um bom amigo, nada a mais. Agora ela estava no meio de mais um beijo trocado com o moreno e nem sabia o que pensar ou o que sentir. Cada contato com o moreno era diferente. Causava-lhe arrepios, suspiros e borboletas no estômago. Nem seu coração estava cooperando mais, estava mais acelerado que um carro de Fórmula 1. D
Depois que se separou do moreno, ela depositou mais um selinhos antes de sorrir pra ele e sair. Enquanto caminhava pelo corredor, sentia suas próprias pernas bambas.
— O que está acontecendo comigo? Por que fiz isso? – tocou seu próprio rosto e percebeu que estava quente. Ela sentia-se diferente. Sentia-se... apaixonada? Não. Não podia ser. Não estava apaixonada por ninguém, o que estava pensando?
Balançou a cabeça para afastar seus pensamentos (estes que apenas se concentravam nos lábios de Gray Fullbuster), e avistou uma sala no final do corredor, onde ouvia um choro.
— Mika-san? – se deparou com a mãe de Gray sentada numa poltrona. A mulher debulhava-se em lágrimas. A azulada a abraçou e as duas ficaram assim por um tempo. Após minutos, a ruiva se afastou.
— Me desculpe, eu lhe molhei toda...
— Está tudo bem. – sorriu.
— Ora, vamos, sente-se. Não gosto de conversar com ninguém em pé. – fez sinal pra que a Lockser se sentasse numa poltrona na sua frente.
— Ah, ok.
— Então... você é a namorada do meu filho?
Juvia se engasgou com a própria saliva e começou a tossir.
— Eu? Não. Por que acha isso? – as imagens do moreno dormindo abraçado consigo surgiram em sua mente e a garota tratava de tentar espantá-las de sua cabeça.
— Eu vi o jeito que vocês se olharam.
— C-Como?
— Com amor, minha querida.
Juvia engoliu em seco.
— É verdade que Gray é um cara muito legal, mas... eu não sei o que eu sinto.
— Hum... interessante. – a feição de Mika tornou-se rígida. – Então, quanto você quer?
— Me desculpe? – a azulada não estava entendendo.
— Quanto você quer pra deixar meu filho em paz. Sabe, vazar da vida dele, lavadeira. É isso que você é, não é? Uma lavadeirazinha.
— Mas que porra?
— Não consegue entender? Falarei na sua língua. Eu te dou trezentos milhões pra sair de nossas vidas pra sempre. Soube que você e sua família passam dificuldades. Isso seria ótimo não é?
Juvia levantou-se rapidamente, com raiva.
— Você não muda, não é mesmo? – ditou, fervilhando de ódio. – Antes de você chegar, Gray me contou o que você fez. Eu lhe encorajei a te escutar porque achei que você tinha mudado. Eu errei. Você continua o mesmo lixo que vendeu a própria filha e está tentando fazer o mesmo com o seu filho. Essas lágrimas que presenciei agora foram lágrimas de falsidade. Você é uma pessoa horrível, espero que você melhore um dia. – virou-se de costas mas antes de ir, Mika lhe chamou.
— Juvia!
— O que é? – virou-se, irritadíssima.
A mulher abriu um sorriso.
— Eu apoio.
— O quê, mulher? Está louca?
— Não. Você e meu filho. – sorriu. – Eu estava lhe testando.
— O quê?
— Quem você acha que te deu a vaga na Fairy Tail?
— Então foi mesmo você? – Juvia ainda estava confusa.
— Sim. – sorriu. – Você é uma garota muito sincera, nossa. Vou confessar que eu adorei você assim que te vi naquele vídeo. Pow Blue Girl! – deu um gargalhada. – Eu simplesmente amei tudo desde o início. Achei que você era a pessoa perfeita.
— Perfeita para o quê? – Lockser sentou-se de volta na poltrona, ainda sem entender muito o que Mika falava.
— Há cerca de um ano, eu quase tive um AVC. Eu estava sem comer ou dormir para focar no trabalho. Quando o doutor me falou, a ficha finalmente caiu. Passei os últimos 20 anos da minha vida deixando de dar atenção às pessoas que me amavam. Meu marido, minha filha, meu filho. Eu quase fiz minha própria filha casar com alguém contra sua vontade só para fazer um acordo entre empresas. Eu percebi que era um egoísta idiota e estraguei a vida de todos à minha volta. Descobri que Gray tinha criado algo chamado Cartão Fairy Fire ou sei lá o quê. Ele não me obedeceria, eu precisava arranjar um jeito de colocar a vida dele nos trilhos de novo, mas não sabia como. Então eu vi você.
— Você me colocou na Fairy Tail com a esperança de que eu fosse arrumar tudo?
— E não foi o que aconteceu? Querida, eu vejo em você muito potencial. Eu sabia que se meu filho te irritasse, você iria lhe dar uns bons tapas.
— Foi o que aconteceu. – Juvia riu um pouco. – Mas por que não apareceu antes?
— Eu tinha medo de que isso que aconteceu hoje fosse ocorrer. Eu sei que mereço a rejeição, mas ela dói demais.
Juvia suspirou.
— Você precisa chegar aos poucos. Dar tempo a ele de se acostumar. Ele vai lhe perdoar, eu sei. – sorriu.
— Eu vejo por que meu filho se apaixonou por você. – o sorriso de Mika lembrava o de Gray, por isso a azulada sacudiu um pouco a cabeça.
— Ele não é apaixonado por mim.
— Ele com certeza é, mas e você?
— Eu? Eu acho que é melhor mudarmos de assunto.
— Escute. Há alguns anos atrás, na época que eu ainda voltava pra casa, Gray se apaixonou por uma garota de sua série. Ela foi sua primeira e única namorada. Poucos dias de seu aniversário de três meses de namoro, ela terminou com ele pra namorar com outro cara. Ela dizia amar o meu filho, dizia que ele era a coisa mais importante pra ela, mas no final partiu seu coração como se não fosse nada. – olhava seriamente pra azulada. – Se você não tiver certeza, não faça nada. Meu filho já sofreu demais, não quero que ele se machuque outra vez. Entendeu?
— Sim. – Juvia assentiu. Passou mais uns minutos conversando com a mulher e viu que já era hora de ir para casa. Resolveu passar no quarto de Gray pra se despedir, mas se surpreendeu ao ver que Lyon e o moreno conversavam.
— Você não vai contar a ela? – o albino dizia. – Isso é idiota.
— Eu sei mas... eu tenho medo. Além do mais, o que eu vou dizer? "Hey, Juvia, você não sabe mas eu sou apaixonado por você há meses e não consigo pensar em outra coisa a não ser você durante a maior parte do dia"? Eu não posso chegar sem mais nem menos e revelar o quanto eu amo essa garota!
— Você precisa, Gray. Ela precisa saber.
Juvia congelou no lugar.
Gray estava mesmo apaixonado por ela?
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