Keep Holding On

22 Don't Stop Me Now


Então não me pare agora, não me pare

Porque eu estou me divertindo

(Don’t Stop Me Now – Queen)

Pela primeira vez na minha vida, eu não estava ligando para a opinião de ninguém. Eu estava bêbada demais para isso.

Não sabia mais que horas eram ou mesmo onde eu estava. Parecia um bar, mas era em Nova York ou Miami? Não tinha como saber, tudo estava girando muito. Não conseguia nem me lembrar minha idade.

Sabia que tinha uma razão para estar ali, algo relacionado a um erro no meu trabalho. Trabalho. Parecia mais um conto de terror do que um trabalho. A pior parte era o quão ingratas a maioria das pessoas eram.

Não sabia porque fazia o que fazia, exceto por me sentir bem quando acabava.

– Olá, linda – falou um cara moreno. Acho que eu não o conhecia.

– Olá – sorri. Normalmente, não responderia a isso porque não gostava de caras assim, mas não tinha mais nada a perder. Nunca encontraria um príncipe encantado como eu queria.

Ele falou algo, enquanto se aproximava ainda mais, e eu fingia que tinha ouvido, mesmo sem conseguir escutar nada.

– Quer ir para outro lugar? – perguntou com um sorriso malicioso.

Eu tinha um sentimento engraçado que eu ia me arrepender disso depois, mas respondi mesmo assim.

–Quero.

Ele sorriu mais ainda e eu sorri junto. Se ele sorria devia ser algo bom.

Colocou a mão nas minhas costas, perigosamente baixo, e me puxou para a saída.

– Mary – um homem loiro parou na nossa frente.

Estranho. Eu achava que o conhecia de algum lugar.

– Você não vai sair com ele – ele ameaçou.

– Não? – perguntei confusa. Eu queria sair, não queria?

– Ela vai – respondeu o moreno.

O outro o encarou ameaçadoramente.

– Mary não vai sair daqui com você – e se virou para mim – Sou eu, Tim.

Tim. Esse nome era bom. Acho que eu gostava dele. Devia ser um amigo meu.

– Oi, Tim – sorri.

Vi o moreno fechar a cara. Ele estava triste?

– Ela quer ir para casa comigo.

– Eu não vou deixar – o loiro respondeu.

Devia sentir excluída porque os dois fingiam que eu não estava ali, mas não sabia quem eu gostava mais. Na verdade, não sabia direito nem quem eles eram.

O moreno se irritou e deu um golpe em Tim, que se desviou como se fizesse isso sempre. Ah. Acho que ele trabalha junto comigo. Estranho. Não achei que teriam outros loucos feito eu.

Ri com o barulho engraçado que saiu quando o loiro tocou o nariz do moreno. Era um gesto de carinho? Mas porque estava saindo um líquido vermelho?

O moreno tocou o nariz e saiu dali irritado.

Eu tinha feito algo errado?

– Vamos – falou Tim e me puxou pelo braço.

Não reclamei enquanto eu saia do bar que eu estava antes. Talvez ele tivesse algo legal para me mostrar.

– Você vai ter que me agradecer muito amanhã – resmungou.

Não entendi o que ele quis dizer.

Chegamos a um local com uma decoração tão sem graça. Acho que era um hotel.

– Você vai ter que dormir no meu quarto hoje, porque eu não sei você colocou a chave do seu – avisou.

Não entendi tudo, mas assenti porque eu não queria ficar sozinha. Tinha a sensação de que eu não era muito boa sozinha.

Ele foi ao banheiro e eu me deitei na cama dura e peguei o controle, mudando de canal sem parar.

– Um vampiro não é assim – ri sozinha. Que idiota. O que eram para ser presas eram ridículos.

Tim voltou ao quarto, me viu rindo sozinha e simplesmente suspirou e saiu.

Não o vi mais naquela noite.

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.

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– Bom dia flor do dia – falou uma voz sarcástica.

Abri os olhos e os fechei de novo imediatamente. Minha cabeça doía e a claridade só piorava.

– Que horas são? – gemi.

– 8 horas já – falou.

Xinguei-me mentalmente. Estávamos completamente atrasados por culpa minha. Culpa da minha bebida.

– O que aconteceu? – perguntei e Tim começou a falar.

Algumas lembranças de ontem voltaram e outras foram necessárias Tim me contar.

Corava de vergonha enquanto ouvia as coisas e que eu tinha feito e falado, inclusive sobre o meu trabalho e percebi que eu estaria perdida se Tim não estivesse lá. Se ele não tivesse se preocupado e ficado do meu lado.

– Obrigada por me salvar – sussurrei grata.

– Sempre – ele sorriu e eu sorri também. Sabia que uma grande amizade nasceria dali.

Comecei a rir quando percebi uma coisa.

– O que foi? – ele perguntou.

– Suas habilidades de lutas até que foram úteis, mesmo bêbado – e ele começou a rir comigo.

– Eu não estava tão bêbado quanto você – falou.

– Ainda bem – agradeci.

Foi por causa disso que eu descobrira que eu podia confiar em Tim, porque ele era uma pessoa muito boa. Ele podia ter ignorado o que eu estava fazendo. Não era obrigação de ele ser a minha babá, mas ele sabia que do jeito que eu era, eu nunca saíra com um estranho que conheci no bar se estivesse sóbria. Ele não me devia nada e mesmo assim me ajudou, podendo se machucar no processo. Ele era um dos caçadores que realmente caçavam para ajudar as pessoas e não somente para liberar a raiva. Ele era como eu.