Keep Holding On
1 Keep holding on, because you know...
Notas iniciais
— Hora da morte: 10h41 A.M.
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John está morto; ele vendeu a alma pelo filho. Dean está perdido por motivos absurdamente óbvios. Sam está assustado com essa nova dependência que tem, por desejar ficar ao lado do irmão. Mas eles precisam superar. Afinal, são os irmãos Winchester, não são? Imbatíveis. Agora, inseparáveis. E talvez... Apenas talvez... Exista uma luz para ambos, no fim daquela caminhada. Talvez eles possam acordar, e descobrir que tudo não passou de um sonho ruim.
Era nisso que o loiro pensava, os olhos cravados na figura em chamas, perguntando-se por que ele, por que seu herói. John não foi apenas seu pai; foi seu companheiro, foi seu porto seguro, foi seu ídolo. Dean usava as mesmas roupas, ouvia as mesmas músicas, tentava ser minimamente igual ao homem, apenas por admirá-lo tanto. Ele queria ser melhor. Ele queria ser como aquele cara que conhecera quando tinha quatro anos: carinhoso, apaixonado, casca-grossa. Ele queria... Simplesmente ser. Sem meios termos, sem dúvidas, sem perder a capacidade, sem perder o controle. Desejava ser igual ao pai, e se perguntava por que não ele em seu lugar. Afinal, Dean não precisava viver, certo? Sam e John podiam se virar sozinhos; mesmo que estivessem sempre em pé de guerra. Sam já estava bem grandinho, e, como o moreno fazia questão de frisar sempre, podia facilmente se livrar dos problemas, sem necessitar da ajuda do loiro. E John... Bem... Sobre ele, Dean nada tinha a declarar.
Porque ele se lembrava de todas as noites nas quais acordara após ter algum pesadelo, mesmo depois de alcançar a maioridade. Se lembrava de todas as vezes nas quais queria que alguém o abraçasse e o confortasse. Mesmo que indiretamente, John estava ali, e Dean sabia. Ele sabia, porque, quando ainda era bem jovem, entre os quatro e os seis anos, o pai o abraçava de vez em quando, em algumas de suas raras demonstrações de afeto, e o ninava até que ele dormisse novamente; embarcando num sono sem sonhos. E, depois, Dean aprendeu a fazer a mesma coisa com seu irmãozinho. Ou, pelo menos... Quando Sam precisava dele.
John aguentou firme, mesmo após a morte da esposa. Ele continuou acreditando, mesmo quando seu filho mais novo foi para Stanford. Ele deixou Dean para trás, porque era o melhor a se fazer. Ele deixou Sam sob a proteção de seu primogênito, seu menino de ouro, porque sabia que o loiro era capaz. Dean podia não ter plena consciência disso, mas no fundo... Bem no fundo...
— Nós precisamos ir.
Dean voltou os olhos para o irmão, forçando um sorriso, mas não respondeu, enquanto se afastavam lentamente do corpo ainda em chamas. Eles continuariam aguentando. Eles precisavam.
Não desistiria de seu irmão, porque algo lhe dizia que não deveria. E talvez fossem todos aqueles anos de superproteção, culminando numa atitude praticamente irracional de sua parte. Mas, mesmo que John tivesse dito que deveria matar o caçula caso ele se tornasse... Algo que não podia controlar... Talvez, bem no fundo, o pai dos Winchester soubesse que ele não seria capaz de fazê-lo.
Nunca.
Porque era o certo.
E Dean continuaria aguentando, mesmo quando suas forças acabassem.
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