Mãe goísta egoísta egoísta egoísta egoísta egoísta

– Foi uma tentativa de roubo. – disse o policial ali, na cena do crime. — O medalhão do seu pai, senhorita Aosora. Ela se recusou a dar e o ladrão atirou. Mas pode ficar tranquila, pegamos esse gatuno.

Assumi estava cheia de raiva, ódio, nojo. Um jorro de sentimentos ruins acertou-a bem no coração, enegrecendo este órgão vital. Mordia com força o interior de sua bochecha e logo um gosto amargo banhou suas papilas gustativas. Porém, por mais que causasse dor em si mesma, nada aplacava esses sentimentos enegrecedor e mais abandonada se sentia. Mãe egoísta egoísta egoísta

“Como ela pode me abandonar? Que direitos achava que tinha? Prefere nos deixar em vez de, simplesmente, entregar uma droga de medalhão?” pensava, apertando as mãos. “Egoísta. Ela é igual ao papai e ao meu irmão, egoístas nojentos… abandonam quem amam.”

– Senhorita Aosora? Quer uma carona para casa? – perguntou o policial, tentando chamar a atenção da garota novamente.

– Não. – respondeu friamente. – Quero ir à delegacia, ver esse malfeitor.

– Contudo, com qual finalidade? Ele já está preso. É o certo.

– Sem perguntas, policial. Nada de bom pode sair da boca de uma pessoa em choque.

O homem o fez, claro. Quem podia dizer a um integrante de uma das famílias miraianas mais importantes o que fazer? O policial Araki-san seria o último que poderia conquistar tal feito.

A Sra. Matsumura, mãe da Misaki, amiga de Aosora Assumi, logo se prontificou a levar os primos da garota para casa. E Utiyama Tairo, depois de algum tempo ter percebido que grande parte dos miraianos sabia do futuro noivado entre as famílias, acompanhou Assumi até a delegacia.

Tairo a observou atentamente durante todo o trajeto da viatura, que demorou muito. Ele achava estranho o fato da garota não ter derrubado nem uma lágrima pela mãe, embora também não tivesse feito pelo pai no passado. Mas, tendo seus pais mortos, ele achou que finalmente ela derramaria todo o mar de tristeza que segurava dentro de si. Contudo, o rapaz estava redondamente enganado. Assumi estava triste – sim, todavia, ficou mais forte com o passar do tempo. Seus braços não tremiam, suas mãos não estavam mais em punho e frias. Algo estava sobre o seu vestido, uma espécie de colar, mas o pingente não estava à vista. De qualquer modo, Assumi o segurava com força e murmurava algo que não pode entender.

Depois de tudo, Tairo sentia que podia tocar nela – afinal, já conheciam mais um ao outro e logo seriam casados. O casamento não era algo que ansiava, contudo, era um fato inegável e inevitável. Tento tudo isso em mente, o rapaz pegou a mão livre da garota.

Assumi, mesmo percebendo o toque, não desviou os olhos da janela.

– Se gosta de ter dedos, sugiro que recolha-se a sua insignificância. – alertou ela ao rapaz, que tentou não rir.

– E você? Gostaria que o seu futuro marido não tivesse dedos?

Ela lançou-lhe um olhar mortífero.

– O que? Sem argumentos? – ele disse, sorrindo com deboche.

Assumi não respondeu e virou seus olhos novamente para a janela, mas não soltou a mão do rapaz.

No banco da frente, Araki-san ria em segredo.

– Chegamos, crianças… digo, senhores. – anunciou o policial. – Entrem, entrem.

Os dois saem dos bancos de trás da viatura, ainda inconscientemente de mãos dadas.

Ou talvez não tão inconscientemente assim…

– Logo irei, Araki-san. – disse Assumi, acenando para ele. – Preciso de alguns segundos.

– Tudo bem, senhorita.

E o policial entrou na delegacia.

Tairo coçou o pescoço, confuso. Para ele, ela estava bem determinada ver o ladrão e assassino de sua mãe, contudo, agora toda a força parecia deveras desaparecida.

– O que houve? Não vai entrar?

– Não. É você que não irá entrar, Utiyama Tairo.

– Como assim?

– Prefiro que fique aqui fora.

– Por quê?

– Não importa. Só fique aqui.

– Me dê uma boa razão.

A garota pensou por um momento, contudo, o porquê já estava formulado em sua mente antes mesmo de ter entrado na viatura.

– Se o seu avô ainda insistir em unir as famílias… não que eu me importe com você, claro. – disse ela, bufando. – Mas quero ainda ver esse mesmo olhar para mim depois que tudo isso passar, quando estivermos… bem… casados.

– E, depois de dizer tudo isso, você ainda fala que não se importa comigo?

Ela riu, já se afastando.

– Não. – e entrou na delegacia.

As mãos que, outrora unidas, tornou-se mais fria com a distância.

Assumi, assim que encontrou a cela onde o ladrão estava preso, nada realmente importava. Os sentimentos ruins novamente afloraram e com toda a fúria de um dragão.

Egoísta… mãe egoísta… pais egoístas…

“Por tê-la ajudado a se render ao seu egoísmo, o farei pagar.”

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.