Kaze ni Naru
2 Capítulo 2 – Dúvidas
Notas iniciais
Kimi ga iru itsu no hi mo
Hoshizora ni kagayaiteru namida yureru ashita mo
Está sempre por perto a qualquer hora
Debaixo do céu estrelado ou quando uma lágrima está a escorrer no amanhã
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Mimi estava a observar as estrelas daquele céu escuro. Estava pensativa, na conseguia dormir. Por algum motivo, as lembranças de sua infância voltaram a atormentá-la, sempre mostrando a imagem de Yuki sorridente, estendendo-lhe a mão. Aquilo de certa forma a incomodava. Queria reencontrar o amigo, mas não naquelas circunstâncias. Nunca imaginou que ele iria se desviar de seu caminho. Enquanto relembrava a infância, uma pequena lágrima caiu de seu olho direito. Iria começar a chorar novamente. Aquilo a incomodava demais, mas não teria problema, já que ninguém estava olhando. Pensando assim, começou a derramar uma corrente de lágrimas silenciosas, não percebendo a presença de alguém.
– Mimi? O que está fazendo aqui fora uma hora dessas? – A voz conhecida questionou. O dono da voz sentou-se ao lado dela.
– C-Citron? Não é nada. Eu é que perguntou o que está fazendo aqui? – Mimi logo retrucou, tentando esconder que estava chorando.
– Perdi o sono... Por algum motivo, hoje não consigo dormir. – O garoto respondeu, olhando para o céu estrelado.
– Também não consigo... Vim olhar o céu, ele está lindo hoje... – Mimi respondeu, tentando não começar uma nova discussão. Não estava afim.
– Posso te perguntar uma coisa? – O loiro questionou, virando-se para ela.
– Acabou de perguntar. – A garota respondeu brincalhona. Mesmo com vontade de chorar, ela disfarçava bem.
– Engraçadinha... Então... Por que estava chorando? – Citron perguntou mesmo assim, voltando a encarar o céu.
– Não estava chorando. – Mimi respondeu olhando para o chão.
– Hm... Tudo bem se não quiser falar... – O loiro falou sorrindo para ela.
– Ei... Por que você... Tem o poder de aparecer na hora certa, quando eu mais preciso...? – Mimi questionou, com a cabeça apoiada nos joelhos. Algumas lágrimas ainda caiam.
– Como assim? Não entendi sua pergunta... Eu sempre apareço para “te irritar”, não é? – Citron perguntou, dando ênfase no “irritar”.
– Você sabe que não é verdade. Eu só faço pirraça pra ter assunto com você. – A garota falou, enquanto suas bochechas eram tingidas de um vermelho fraco.
– Assunto...? Você pode conversar comigo sobre qualquer assunto... Não precisamos discutir para conversarmos... – O loiro respondeu, pousando uma mão na cabeça dela.
– Não sei que assunto puxar com você. – Ela imediatamente respondeu.
– Que tal desabafar? O que está te afligindo? – Citron perguntou preocupado, ouvindo vários soluços da garota.
Mimi resolveu ceder. Não aguentava mais carregar aquelas memórias só para si. Contou tudo. Sua amizade, seu amor de infância, o caminho que o amigo havia tomado. Citron ouvia atentamente, com certa dor no coração. Então quer dizer que o coração dela já tinha dono, não é? Mesmo assim não a interrompeu. Continuou ouvindo pacientemente. Até ela chegar nos dias de hoje, na jornada em que estava embarcada.
– Aí chega você e muda tudo... Não entendo mais nada... Não sei mais o que estou sentindo... – A menina desabafou.
– Eu? O que eu fiz? – Citron questionou preocupado.
– Você sempre discutiu comigo, mesmo não querendo. Também me ajuda quando estou nessa situação. O que você pretende com isso? Confundir-me? – Mimi perguntou, escondendo seu rosto no ombro do garoto.
– Olha eu... Ahn... – Citron não sabia o que responder. Estava envergonhado com a situação.
– Não precisa responder... Só queria saber... O que está acontecendo comigo...? Você do nada aparece e causa esse furacão de sentimentos em mim... – Mimi falava. A cada palavra dita, suas bochechas ficavam mais vermelhas.
– Mas nós só discutimos até agora... Como pode mudar assim tão de repente? E outra... Você mesma disse que gosta do seu melhor amigo. – O loiro falou, pousando sua mão novamente na cabeça da menina.
– Eu gosto dele. Mas agora, não sei se é o gostar de antigamente. Por que... Sinto o mesmo por você. Não estou entendendo mais nada. – Mimi respondeu em tom confuso.
– Sente o mesmo por mim? Acho que está equivocada Mimi... Talvez se encontrarmos seu amigo, isso se esclareça para você... E para mim também. – Citron respondeu, acariciando a cabeça de Mimi.
– Talvez sim... Sabe... Espero que algo tenha mudado quando o encontrarmos... Porque de repente, você se tornou meu porto seguro. – A garota dos cabelos castanhos falou.
– Sabe... Também espero que algo tenha mudado. Pois não sei se meus dias seriam os mesmos, sem ter você para discutir comigo. – O loiro falou, sorrindo para o céu estrelado.
No fundo, Mimi queria que algo tivesse mudado. Queria que seu sentimento em relação à Yuki fosse somente uma forte amizade. Se isso acontecesse, poderia falar sobre o que sente à Citron, o garoto que, desde o começo da jornada, sempre estivera ao seu lado. Mais do que nunca, Mimi desejava que algo tivesse mudado.
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