Katherine

1 Nenhum Anel.


Notas iniciais
Divirtam-se!

Cair Parável, 1999


O salão não era grande, na verdade, era um jardim. Um grande jardim com arbustos poldados em diversas formas, os caminhos que serpenteavam pela grama eram pavimentados de pedra lembrando ruas antigas de bairros históricos. Postes antigos iluminavam o local, eram semelhantes ao Lampião do Ermo, dando uma luminosidade amarelada e elegante ao lugar.

O céu estava estrelado exibindo a bela lua de Narnia. Haviam diversas pessoas presentes, todas com traje de gala; os homens, a maioria com mais de 50 anos de idade, usavam smoking enquanto as mulheres vestiam longos. Não havia muita gente de minha idade ali, se bobear só havia Pedro e eu com menos de 30 anos, embora ele tenha me garantido que não haveríamos só nós dois. Ele queria me apresentar uma pessoa e disse que ela estaria presente no aniversário do seu pai.

–Não estou vendo-a... Acho que ainda não chegou. — disse olhando em volta. Um dos garçons nos trouxe taças de champanhe.

–Talvez nem venha... — falei. — Pedro, como você consegue usar isso? — questionei, incomodado com o smoking que ele me obrigara a vestir.

–Questão de costume. — ele deu de ombros.

–Nunca me acostumo com isso. — resmunguei com meus botões.

–Ah, ali está ela! — ele me cutucou quando eu levava a taça aos lábios quase me fazendo derramar a bebida. — Vamos Caspian.

Eu o segui pelo meio das pessoas sem me preocupar com quem ele estava indo falar. Estava mais preocupado com minha bebida.

–Achei que não viria mais! — disse ele, abraçando a pessoa. Saboreei o primeiro gole da bebida.

–Só me atrasei um pouco. — respondeu uma voz de mulher.

–Deixe-me apresentá-los. — disse Pedro. — Susana, este é Caspian; Caspian, esta é a Susana de quem lhe falei.

Só então olhei para a tal garota. Foi um choque enorme. Sua pele era alva, os lábios pintados de vermelho – embora eu acreditasse que essa era sua cor original -, os cabelos escuros estavam soltos e brilhantes, e ela usava um vestido que valorizava e muito seu corpo...

–Muito prazer, Caspian, Pedro me falou muito de você. — ela me tirou de meu transe, estendendo-me a mão alva e delicada.

–O prazer é todo meu. — segurei sua mão levando-a até meus lábios e beijando-a. Relutei brevemente em soltar sua mão macia.

–Bem, apresentações feitas, chega de tanta formalidade. — Pedro brincou. — Aceita uma bebida, Su?

–Claro.

Ele a acompanhou e eu os segui sem tirar os olhos dela, a bebida completamente posta de lado. Pouco depois, alguém chamou Pedro, e Susana e eu ficamos sozinhos, a princípio em silêncio. Distraído, olhei para o horizonte, observando a silhueta escura do castelo de Cair Parável, lá longe. Susana olhou na direção em que eu olhava.

–Já esteve no castelo? — perguntou ela, puxando assunto.

–Não. — respondi baixinho já esperando o olhar pasmo que todo mundo me dirigia quando eu falava isso. Se bobear eu era o único cidadão de toda Narnia que ainda não fizera uma excursão dentro do castelo nem em passeios escolares...

Mas ela não me dirigiu o olhar assustado, muito pelo contrário, ela riu.

–Achei que poderia me dizer como é lá.

Olhei-a surpreso.

–Você ainda não foi lá?

–Não. — respondeu ela.

–E eu achando que era o único dessa cidade que nunca entrou no castelo.

Nós rimos.

–Meus amigos me acusam disso. — contou ela.

–Sei bem como é.

De repente, eu estava completamente a vontade perto dela, como se nos conhecêssemos há anos.

–Você mora perto daqui? — perguntou ela, mudando de assunto.

–Bem... Não é muito longe. E você?

–Moro um pouco longe, próximo ao Beruna, na Revolution Street.

–Ah, sei, meu restaurante preferido fica nessa rua. — falei.

–O meu também! — disse ela. — Toda sexta estou jantando no Manjar.

–Não brinca! Eu adoro a comida do Manjar!

Nós rimos.

–Você trabalha com o que? — perguntou, após a risada.

–Trabalho com publicidade para várias empresas tanto aqui em Narnia quanto na Arquelândia e Calormânia, o que ocasiona muitas viagens. — contei. — E você?

–Bem, eu trabalho no hospital Clarêncio. — respondeu.

–Enfermeira...? — chutei.

–Não – ela sorriu fazendo meu coração pular. — Sou médica. Pediatra, mais especificamente.

–Parece legal. — disse eu. — Sempre admirei o ramo da medicina, meus pais queriam que eu fosse médico, mas com o passar do tempo eu percebi que esse não era um ramo para mim. — falei.

–Bom, quando criança, eu sonhava em ser modelo. — confessou. — Meus pais queriam que eu fosse professora e meus avós queriam que eu fosse freira.

–Não brinca?!

Ela riu.

–Verdade! Mas no fim das contas não segui nenhuma dessas profissões, não que eu as despreze, muito pelo contrario, admiro muito quem as realiza, mas percebi que não eram para mim...

Comemorei silenciosamente por ela não ser freira. Tomei um pouco do champanhe dando um breve olhar para sua mão esquerda com a qual ela segurava a taça.

–Vejo que não usa anel. — comentei, olhando sua mão. Ela deu um sorriso leve.

–Me acostumei a não usar por que incomoda quando coloco as luvas no trabalho. — respondeu. — Mas não sou comprometida, se é o que quer saber... — deu um sorrisinho.

–Sendo assim, posso ter esperanças? — sorri de volta.

–Talvez sim. — deu mais um sorrisinho, levando sua taça aos lábios de forma elegante. Sorri também, fazendo o mesmo.


[…]

Ao final da festa, lá pelas 3 horas da manhã, depois de deixarmos Pedro de lado e passarmos o tempo todo conversando, descobrindo afinidades e nos comportando como se nos conhecêssemos há anos, ofereci-me para levar Susana para casa.

Nos despedimos de Pedro, dos pais dele e seguimos para fora da casa enorme, rumo a noite fria. Susana pegou seu casaco com a empregada e seguimos até meu carro, depois dobramos em esquinas e paramos em sinais das ruas desertas de Cair Parável. De um jeito incrível e envolvente, nossa conversa nunca morria, era sempre renovada, assunto puxando assunto, uma risada atrás da outra. Não demorou muito para eu ter certeza de que Susana era linda por dentro e por fora, e que algo muito forte já me atraía para ela.

O único momento em que houve silêncio, foi quando estacionei em frente ao prédio na Revolution Street. Depois de alguns segundos, nós descemos e eu a acompanhei até a porta do lugar.

–Amanhã o castelo está aberto para visitas. — falei sugestivamente.

–Eu adoraria ir. — ela sorriu de volta.

–Pego você de manhã? — perguntei.

–Claro... Foi um prazer conhecer você, Caspian.

–Também foi um prazer conhecer você. — olhei em seus olhos. Não respondi que fora um prazer só por que era de praxe retribuir a educação, mas falei com extrema sinceridade.

–Até daqui há algumas horas. — ela riu.

–Até lá.

Eu a vi adentrar o prédio e voltei para o carro. Sorrindo, liguei o motor e segui caminho até chegar em meu apartamento na esquina da Kings Avenue com a Telmarine.

Acendi as luzes, joguei as chaves sobre a mesa. Eu estava intensamente cansado e essa sensação me atingiu em cheio assim que entrei em casa já que não teve espaço para se manisfestar enquanto eu estava na agradável e doce companhia de Susana.

Fui tirando as roupas a caminho de minha cama, até me jogar no móvel e pegar no sono embalado pelas lembranças daquela noite e mal esperando para vê-la novamente.

Notas finais
A fanfic merece continuar?

Beijokas!!