Katherine
7 Cliente Calormano.
Notas iniciais
–Quem liga para cupcakes?
Sorrimos e beijamo-nos outra vez. E outra, e outra, já sabendo como tudo aquilo terminaria.
Fechei o computador, acabara de enviar o projeto pronto para meu chefe. Fui até a cozinha e preparei um chá, peguei um livro e sentei no sofá pousando a xícara sobre a mesa de centro, mas de súbito parei ainda com o livro fechado em mãos, descobrindo a gigantesca falta de vontade de ler.
Abandonei o livro, recostei-me no sofá bebendo o chá e saquei o celular. Ampliei com zoom a foto que tirara de Suana hoje de manhã enquanto ela dormia. Nada comprometedor, não se preocupe, eu jamais faria isso com ela, é apenas uma foto de rosto.
Sorri, lembrando de hoje cedo e da noite anterior.
Acordei durante o amanhecer. O sol que entrava pela janela, atravessando as cortinas finas, dava destaque às cores claras que prevaleciam ali, incluindo a cama e nós dois, cobertos pelo edredom bege, ainda abraçados, deitados de lado, do mesmo modo como adormecemos na noite anterior. Ela ainda estava dormindo, ressonando suavemente. Não queria acordá-la, então não me movi de imediato.
Fechei os olhos e respirei fundo, sentindo seu perfume suave e sua pele macia contra a minha nem tão delicada assim. A ponta de meu nariz roçou a pele nua de seu ombro dando-lhe leves beijos. Tentei ver seu rosto, mas não consegui então, tomando cuidado para não acordá-la, consegui esticar-me e pegar o celular sobre o criado-mudo, tirando a foto para ver seu rosto.
Pouco tempo depois eu a acordei por causa da hora, mas ainda tinha tempo e acabamos namorando um pouco mais e nos amando outra vez. Tomamos café da manhã juntos, fiz questão de levá-la ao trabalho e então voltei para meu apartamento para concluir meu projeto.
E aqui estou eu, mas esperando a hora de vê-la de novo. Sorri bobo tomando um gole do chá, deixando minha mente lembrar e relembrar-me de como eu tinha sido feliz naquela noite.
[…]
À tarde, recebi um e-mail de Andrew, meu chefe, dizendo que ele adorara meu projeto, pouco depois Pedro apareceu por ali de surpresa.
–Você não trabalha, não? — perguntei quando ele entrou.
–Olha quem fala – debochou ele, ligando a TV.
–Para sua informação, já trabalhei muito hoje. — falei, levando duas latas de refrigerante para a sala.
–E a noite inteira também, pelo visto.
–Como assim?
–Liguei para cá ontem a noite e ninguém atendeu. Então decidi ligar mais tarde por que você com certeza tinha saído com a Su. Nada. Liguei de novo no início da manhã. Nada. — tomou um gole. — Além disso, está escrito na sua testa. A última vez que vi você com essa cara de bobo foi quando conheceu a Su.
Joguei uma almofada contra ele.
–Rá! Acertei, não foi?!
–Foi, mas não diga nada a ela, Susana pode não se sentir à vontade com você se intrometendo desse jeito.
–Minha boca é um túmulo. — garantiu ele.
–Sei... Por isso nunca mais beijou ninguém – provoquei.
–hey, hey, estou solteiro por opção.
–Aham.
–Não mude de assunto – falou ele – E aí, como foi o encontro de vocês e... enfim...
–Não vou contar – falei como se fosse óbvio. Pedro largou sua lata de refrigerante sobre a mesa e ergueu as mãos como se estivesse se rendendo.
–Oh, tudo bem, Caspian! Tudo bem se nossa amizade não significa nada para você, sabe, eu posso superar isso!
Rolei os olhos, não acreditando que ele iria começar com aquilo.
[…]
Saí com Susana nas noites seguintes, fomos jantar, fomos ao cinema e etc. Momentos como o daquela noite se repetiram algumas vezes. Não precisou de muito tempo para realmente assumirmos um relacionamento, não para nossa família ou amigos, mas para nós mesmos. Tudo começou tão naturalmente que nem nos demos conta de que já namorávamos desde o primeiro encontro, na excursão de Cair Parável.
Parecia que essas poucas semanas foram anos, Susana me conhece mais do que eu mesmo e vice-versa. Estava tudo perfeito, nossa relação era sincera, honesta e, realmente, uma ligação de almas. Estávamos muito felizes juntos e sequer tivemos uma discussão (a não ser sobre cup cakes)
Nada poderia estragar nosso namoro. Até eu receber uma ligação.
–Alô?
–Caspian, tem algo planejado para hoje à noite?! — perguntou a voz animada de Andrew do outro lado da linha.
–Hm... Eu tenho, na verdade. — falei quando Susana voltou da cozinha trazendo petiscos para Pedro e eu, e suco para ela.
–Então desmarque! — disse Andrew, com a maior naturalidade. — Mandei seu projeto para nosso cliente calormano, ele veio passar uns dias na cidade à negócios e simplesmente adorou seu trabalho!
–Que bom, mas é sábado a noite e eu estou com a minha...
–Ora, por favor! Tenho certeza de que ela vai entender! Você não pode perder uma oportunidade dessas, Caspian! Tenho que desligar agora, nos encontre no Green Dress em uma hora. — e desligou.
–Algum problema, Caspian? — perguntou Pedro ao mesmo tempo em que Susana sentava ao meu lado.
Realmente não era uma oportunidade que aparecia sempre, não era um cliente, era O cliente da Calormânia. É um dos mais exigentes e importantes. A equação é simples: Pojeto + Cliente da Calormânia feliz = Promoçao.
Mas para hoje meus planos resumiam-se animadamente para um jogo de pôquer com Susana, Pedro e mais alguns amigos nossos. No fim das contas, o pôquer podia esperar, outros sábados viriam, não?
–Er... Bom, eu vou precisar sair, o cliente calormano está na cidade e parece interessado no meu projeto, não posso perder essa oportunidade. — falei descontraidamente.
–Mas eu tirei folga hoje para estar aqui... — disse Susana.
–É. E no sábado a noite? Não tem hora mais inconveniente?
–Ele é um cliente importante, Pedro. — falei, vestindo o casaco. — Os outros estão quase chegando, aqui estão as chaves. Divirtam-se. — dei um beijo em Susana entregando-lhe o molho de chaves, indo dali para a porta e direto para o Green Dress.
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