Katekyo Gangue Reborn
7 Treinamento ao Extremo!
Notas iniciais
Os quarto retornam ao saguão e dão as noticias ao grupo que esperava. Os membros da Vongola começam a fazer barulho novamente até que acabam expulsos do hospital.
“Então, Sawada.” Chama Ryohei. “O que me diz de treinar um pouco ao estilo dos campeões?” Diz dando alguns socos no ar.
“Eu vou apanhar até a morte”. Tsuna pensa com uma careta. “Er... claro, mas... Isso não é... perigoso, é?” Pergunta com receio de chegar em casa com o olho roxo.
“Um homem de verdade não teme o perigo!” Diz ardendo.
“Eu só temo pela minha vida...” Pensa não afetado por aquelas palavras.
“Senpai sabe o que faz.” Diz Yamamoto. “Ele vem treinando alguns dos nossos a algum tempo.”
“H-hai”. Tsuna concorda ainda meio receoso.
“Como hoje é sábado, o colégio está fora dos limites...” Diz Ryohei com uma mão sobre o queixo. “É uma pena, o equipamento lá seria mais útil. Bom, nesse caso vamos para minha casa. Não é tão bom quanto o do clube, mas o equipamento lá é de qualidade.”
Mesmo que Tsuna tivesse concordado em treinar com Ryohei, ainda não conseguia evitar os pensamentos ruins, como “Tudo aquilo era impossível”, “não tem como derrotar Rokudo Mukuro”.
Tsuna pára e olha para trás, vendo o hospital, e exatamente por aquilo ele não poderia desistir, enquanto Mukuro continuasse a machucar as pessoas daquela forma e também como Chrome parecia solitária.
“Muito obrigado”. Ele agradece sentindo-se mais aliviado.
“Não diga nada. É sempre um prazer treinar um novo boxeador. Vamos nessa!” E segue para sua casa, já começando seu treinamento, correndo e ocasionalmente socando o ar, ou desviando e bloqueando algum golpe imaginário.
Poucos minutos depois, os dois chegam ao seu destino. Ryohei abre a porta e chama Tsuna para dentro.
“Antes de começarmos, eu preciso pegar algumas coisas lá em cima.” Ele explica. “Pode se fazer confortável.”
“Certo”. Tsuna olha para os lados, observando o cômodo.
“Onii-chan?” Kyoko pergunta parando na porta da sala. “Tsuna-kun?” Ela olha surpresa para o garoto com quem começara a falar e agora estava em sua sala.
“Ky-kyoko-chan!?” Tsuna basicamente salta para trás, caindo sentado no sofá.
“Você está bem?” Ela estende a mão e o puxa.
“S-sim, obrigado”. Ele coça a nuca, meio sem graça.
“Fiquei surpresa quando te vi aqui”. Ela diz com um sorriso agradável. “Mas já faz algum tempo que você é amigo do onii-chan”.
“H-Hai”. Tsuna concorda, ainda que não fosse uma pergunta.
“Espero que ele não esteja te forçando a aprender boxe”. Ela diz reprimindo o riso.
“N-não, eu vim aqui pra—pra--” E abre um sorriso completamente amarelo.
O Dame-Tsuna era um péssimo mentiroso.
“Para?” Kyoko repete pendendo a cabeça ligeiramente para o lado.
“Tudo pronto, podemos ir agora.” Chama Ryohei aparecendo na sala. “Ah, Kyoko.”
“Onii-chan, vocês vão pra algum lugar?” Ela pergunta amavelmente.
Tsuna solta todo o ar que estava segurando e respira aliviado por Ryohei ter aparecido.
“Não. Vamos ficar ali mesmo.” Diz indicando a direção da garagem com o polegar.
Ryohei segurava sua bolsa de material esportivo.
“Onii-chan” Kyoko começou num tom mais sério. “Você não está forçando o Tsuna-kun a entrar para o clube de boxe, ne?”
“N-não”. Tsuna rapidamente se interfere. “Eu que pedi pra... pra...” Ele da um sorriso sem graça sem saber como continuar.
“S-Sawada entrou para um torneio de sumo! Isso, sumo.” Ryohei diz a primeira bobagem que aparece em sua cabeça.
“Eh!?” Tsuna quase caiu duro, ele olhou para Kyoko sem saber o que dizer. É claro que ela não acreditaria numa mentira tão grande, talvez tivesse sido melhor se ele mesmo tivesse pensando em algo.
“Sumo?” Kyoko repetiu com um sorriso. “Tsuna-kun”. Ela se virou completamente para o garoto. “Por favor, se esforce no campeonato!”
“H-hai” Ele olhou para os dois irmãos e ficou perguntando se de fato ela acreditara na história, mas como parecia não haver um sequer sinal de preocupação, ele achou melhor acreditar que tudo estava, ao menos, temporariamente bem.
“Então Sawada, vamos nos preparar. AO EXTREMO!” Chamas envolviam Ryohei.
E Tsuna não sabia dizer se parte do alivio que sentia havia roubado parte de suas energias para o treinamento, ou se era somente do fato de Ryohei estar empolgado ao extremo.
Ryohei guia Tsuna até a garagem. O lugar parecia mais uma versão miniatura do clube de boxe. Era desnecessário dizer que a família Sasagawa não possui nenhum veiculo.
Equipamentos diversos estavam espalhados de forma organizada. Não havia nenhum ringue, mas uma marcação feita com tinta amarela parecia indicar os limites. Havia também sacos de treino, luvas, toalhas, proteções diversas, um kit de primeiro socorros a fácil alcance... Era fácil ver que boxe era algo muito serio para Ryohei.
Tsuna observou tudo segurando a respiração. E ao mesmo tempo uma grande aflição começou a tomar conta de seus pensamentos.
“Nee Ryohei”. Ele não conseguia mais ficar quieto. “Você acha que nós vamos conseguir derrotar o Mukuro?” Tsuna perguntou com a voz baixa, com medo de que Kyoko ouvisse e também com medo de que dizendo aquilo alto o bastante, ele mudasse de idéia e saísse correndo de lá.
“Sabe de uma coisa, Sawada.” Ryohei avança até o grande saco de areia. Ele o segura com ambas as mãos. “No boxe sempre existe alguém mais forte do que você. Alguém mais veloz do que você. Alguém com mais técnica do que você. Alguém com mais experiência do que você. Eu já enfrentei esses tipos de adversários.”
Tsuna sabia que Ryohei, Yamamoto e Gokudera eram fortes, por acreditar nisso, achava que era impossível que eles perdessem.
“Onii-san...”
“E sabe de uma coisa...” Ele se vira para Tsuna. “Eu derrotei todos eles.” Ele diz com um largo sorriso.
Tsuna automaticamente abre um sorriso, ele concorda com um movimento de cabeça.
“Sawada!” Ryohei se vira e cruza os braços, assumindo a pose de um professor de educação física durão. “Qual a primeira ação que leva um boxeador a derrota?!”
“Nocaute?” Tsuna responde meio incerto.
“Errado! É a imagem, imagem! 3 voltas na quadra!”
“Imagem?” Tsuna tenta entender, mas antes que sequer conseguisse, Ryohei estava gritando em sua cabeça e ele viu necessidade de fazer o que era mandado e assim começou a correr.
“Ah, espera um pouco, aqui não é o colégio... esquece essa ultima parte.” Diz com uma mão no queixo.
“O que?” Tsuna para automaticamente no meio da garagem.
“Desculpa, eu me empolguei um pouco...” Ryohei da um pigarro. “Ser o capitão do clube de boxe tem certas responsabilidades... enfim, você entendeu o que eu disse, Sawada?”
“S-sim, eu entendi”. Tsuna apenas continuou concordando.
“Então você sabe que esse tipo de pensamento é proibido. Você nunca deve duvidar de você mesmo. Lembre-se, na sua cabeça, você sempre pode derrotar seu oponente.”
“Sempre posso derrotar o oponente”. Ele quis tentar fixar essas palavras na cabeça, e acabou por se lembrar de Reborn e da Shinu ki Dan. E isso o fez ter alguma esperança.
“O ideal seria ter alguma noção de como seu adversário luta, mas até agora todos estão inconscientes... hmmm, esse cara é bom.” Ryohei da algumas voltas pela garagem com uma mão no queixo em pensamento. “Bom, se não sabemos de nada é inútil ficar quebrando a cabeça. Vamos a próxima etapa.”
Ryohei se vira para Tsuna e o encara por alguns segundos.
“Sawada, eu vou ser direto. O que você entende sobre lutas?”
Tsuna abriu a boca, mas não teve coragem de dizer coisa alguma. Ele que sempre criticou os métodos de Reborn que o colocavam na linha de frente e o fazia tomar controle de tudo como se soubesse o que fazia.
E agora ele tinha que admitir que não sabia nada? Que nem o Queijão ele conseguira, fora apenas sorte.
“Eu...” Tsuna abaixou a cabeça envergonhado. Ele gostava de reclamar com Reborn, mas a verdade é que ele também não se preocupara em dar explicações. É claro que dizer “Não é isso” parecia apenas modéstia.
Mas era fato que ele vinha se aproveitando de tudo, porque daquela forma ele conseguira amigos, mas tê-los conseguido porque acreditaram que ele era capaz de fazer coisas que na verdade nem em sonhos conseguiria, não era muito pior?
“Tem algo que eu preciso dizer...” Disse erguendo a cabeça.
Ryohei apenas assente.
“...Na verdade eu não sei lutar, e-eu não sei nem mesmo socar”. Disse com um sorriso nervoso, a ansiedade crescendo.
“Hm. Bem dito.” Diz Ryohei assentindo novamente, se virando e se afastando.
“Me desculpe!” Diz fazendo uma profunda reverência. “De verdade, eu não quis enganar ninguém!”
“Não, não. Fez bem em dizer isso.” Ele abre um dos armários e começa a procurar por alguma coisa dentro dele. “Somente um homem de verdade é capaz de admitir seus defeitos. Pega.” Ele atira uma proteção de cabeça na direção de Tsuna.
Tsuna pega a proteção e fica alguns segundos encarando Ryohei.
“T-tudo bem? Você ainda vai me treinar?” Questiona meio abestalhado.
“Pra dizer a verdade eu já desconfiava. Ta certo que o Lambo queria perder de qualquer jeito, mas você fez um trabalho bem original naquela briga.” Ryohei sorri.
“Hehe... original?” Tsuna da um sorriso sem graça.
Ryohei se aproxima de Tsuna e quando chega a distancia suficiente, ele da um soco no rosto do garoto. Seu punho para a poucos milímetros do nariz de Tsuna. Tsuna apenas fechara os olhos, sem tempo o bastante para se proteger com as mãos.
“Hmm... vamos ter que trabalhar nisso.” E ele se afasta um pouco. “Vamos começar com a defesa. Digamos que eu queira te atacar, como você reage?”
“E-eu...” Ele pensa em alguma resposta, não poderia dar a resposta que estava na ponta da língua, pois seria uma prova ainda maior de seu fracasso. “Er... Vou tentar me defender... certo?” Ele repete a defesa porca que havia usado na luta contra Lambo.
Ryohei ergue uma sobrancelha e da um suspiro. Era o que ele temia, Tsuna não sabia o básico do básico. Provavelmente ele nunca venceu uma briga antes... não, talvez ele nunca tivesse brigado antes.
Para alguém como Ryohei, que preferia fazer tudo na prática e odiava explicações teóricas era extremamente difícil ensinar algo apenas com palavras. E ele tinha que ensinar alguém que nunca brigou antes a vencer uma luta extremamente difícil.
Para Ryohei só havia um jeito de fazer isso.
“Escute bem Sawada. Eu não vou te acertar, mas vou te atacar com todo meu espírito. Você vai se defender como se sua vida dependesse disso.”
Tsuna automaticamente pensa em quando Reborn apontou uma arma para sua cabeça e ele realmente havia pensando que aquele seria seu fim, ele decidiu usar aquela lembrança para ajudá-lo.
“C-certo”. Diz tentando entrar no espírito da coisa.
Ryohei se vira e respira fundo. Mesmo estando de costas, era possível ver chamas envolvendo seu corpo.
“Defender, defender.” Tsuna repete mentalmente.
“EXTREMO!”
Ryohei se vira e subitamente desfere um golpe. Mesmo ele tendo dito que não iria atacar, havia uma aura ao seu redor que dizia claramente o contrário. Ele estava feroz e brutal. Tsuna que tentava se concentrar em fazer algum acerto é pego de surpresa pela aura assassina de Ryohei que nada tinha a ver com a lembrança de Reborn que ele até então tentava usar de base.
“Iiiih!” Tsuna da um salto pra trás e se agacha no chão, protegendo a cabeça com as mãos. “É impossível, completamente impossível!”
“Levante-se, Sawada! Mostre-me seu espírito de luta!” Ryohei grita ardentemente.
Tsuna se levanta, embora as pernas estivessem completamente bambas o deixando com uma péssima postura, os pés estavam virados para dentro e ainda que as mãos estivessem fechadas, elas tremiam tanto que era patético.
“Que postura fracassada é essa?! Assim eu nem preciso encostar em você pra te derrubar!”
Ryohei bate com o pé no chão, mas não foi um gesto simples. A força do impacto foi tão grande que a casa toda estava tremendo. Ele poderia até ter feito um buraco no chão.
Não, a força do golpe foi tão grande que definitivamente havia um buraco no chão. E ele crescia rapidamente, ameaçando engolir Tsuna e toda a garagem junto.
Tsuna olha para o chão como se quisesse se certificar de que não havia nada de errado com a estrutura do lugar, ele cai sentado no chão uma vez que as pernas estavam tão fracas que não o sustentavam mais.
Naturalmente não havia nenhum dano à estrutura da casa.
“O que você achou, Sawada? Do meu ‘espírito de luta’?” Pergunta Ryohei, de volta ao normal.
“A-assustador...” Ele diz meio encolhido no chão.
“Se tem uma coisa em que eu nunca fui superado, foi no espírito de luta.” Ele diz com orgulho.
Esse tipo de coisa é bem freqüente em jogos e mangás. Por exemplo, uma situação onde um personagem consegue desviar de um ataque por trás apenas sentindo a ‘intenção assassina’ do adversário.
Funcionava de forma semelhante com Ryohei, mas nesse caso, sua força vinha de sua prontidão, confiança e seu amor ao esporte.
A única forma de encarar alguém como Ryohei era ter uma vontade tão forte quanto a dele.
“Mesmo que você diga isso...” Tsuna da um longo suspiro.
Tsuna não tinha espírito de lutar, ele não gostava e não sabia lutar, ao mesmo tempo em que queria perguntar se não havia um jeito mais simples de resolver isso tudo, ele queria ao menos provar que estava se esforçando, uma vez que fora ele que decidira que a Vongola enfrentaria Mukuro sem nem conversar.
“No que eu estava pensando?” Pensa entrando em desespero.
“Vamos lá Sawada!” Eu despertarei em você o verdadeiro espírito de luta de um homem!”
Ryohei estava mais uma vez coberto pelas chamas.
“H-hai!” Ele concorda gritando como se falasse com um instrutor.
As horas se passaram e o progresso que haviam feito era quase nulo, Tsuna ficava sempre assustado com as mudanças de espírito de Ryohei e se via incapaz de fazer qualquer coisa.
“Tsuna-kun”. Kyoko o chama antes que ele alcançasse o portão.
“Kyoko-chan” Ele se vira surpreso e da um sorriso ao vê-la. Era um pensamento estúpido, mas ele estava feliz por vê-la e por ter estado na casa dela, ainda que o motivo para estar lá fosse algo meio perturbador.
“Você vai se sair bem”. Ela disse encorajadoramente.
Tsuna arregalou os olhos, mas rapidamente se lembrou que ela não sabia que eles estavam planejando lutar contra Mukuro.
“Sim, eu espero que sim”. Ele sorriu meio deprimido, sabia que não havia progredido. De alguma forma em sua cabeça ele imaginara que pelo excesso de balas que Reborn havia atirado em sua cabeça o fizesse talvez pegar o jeito da coisa.
No entanto, ele ainda era o Dame-Tsuna, incapaz de aprender qualquer coisa, muito menos sobre pressão.
“Boa noite Kyoko-chan”. Ele murmurou cansado e abriu o portão, mas antes de colocar o pé na calçada ele vira o rosto ao sentir o braço ser segurado. “Kyoko-chan?”
“Ah... eu...” Ela o solta, parecendo estar tão surpresa quanto ele. “Tsuna-kun, você tem que acreditar em si mesmo”. Ela disse com o rosto corado. “Tsuna-kun vai se sair bem, eu tenho certeza que sim”.
“Obrigado”. Ele agradeceu contente pelas palavras dela, tentando não pensar em Mukuro e nem no que ainda estava por vir.
Kyoko ficou parada no portão enquanto via Tsuna sumir pela rua.
Ainda era bem cedo, o sol nem havia aparecido por completo, mas Lambo já estava de pé. Ele não era o tipo de pessoa que acordava cedo, mas era capaz se fosse realmente necessário.
E era realmente necessário.
Quando ele e seus colegas resolveram brincar de gangue, não tinham como imaginar que as coisas ficariam daquele jeito. Vários deles estavam hospitalizados por culpa de um agressor maluco que pelo visto queria varrer qualquer um que tivesse a mais ínfima relação com as gangues.
Mesmo tendo se rendido a Tsuna, Lambo ainda se via como responsável por seus colegas. Era seu dever protegê-los e pra isso ele teria que lutar.
Embora isso não fosse um problema para ele, seu adversário era perigoso. Alguém que espancou Gokudera ao ponto de deixá-lo inconsciente não seria um oponente fácil.
No dia anterior ele se decidiu. Iria ficar mais forte, mas precisaria de ajuda. Felizmente ele conhecia a pessoa certa para isso. Ainda na noite anterior ele havia ligado para I-pin e feito ela cancelar quaisquer compromissos pelos próximos dias sem dar uma razão.
Ao contrario dele, I-pin era uma pessoa matinal. Se Lambo pretendia aprender algo com ela, precisaria contar com o humor da garota, e fazê-la esperar seria um péssimo primeiro passo.
Ele segue a pé o caminho que conhecia bem. Volta e meia Lambo aparecia na casa de I-pin quando precisava de ajuda com alguma matéria no colégio. Quase sempre sem avisar, o que a deixava irritada.
Lambo toca a campainha, ligeiramente nervoso. Depois de ouvir um pedido irracional sem um motivo, ela certamente iria questioná-lo sobre seus motivos. Lambo não gostava de mentir para sua amiga de infância.
Na verdade esse foi o motivo pelo qual não havia ido a casa dela no dia anterior. Estava pensando em uma desculpa conveniente, mas sua cabeça estava tão cheia com os últimos acontecimentos que não conseguiu nada. Nem um fiapo de idéia.
O jeito seria improvisar na hora.
“Lambo”. Ela abre a porta e sorri. Estava obviamente feliz por vê-lo e aguardava uma boa explicação sobre o pedido tão repentino que havia a feito pedir uma folga do trabalho e ela só pudera dizer que tinha que ajudar um amigo sem dar muitas explicações, porque nem ela sabia o que ele queria.
E Lambo não guardava segredos, não dela. I-pin sempre conseguia saber o que se passava e ajudá-lo antes que se metesse numa confusão muito grande, mas é claro que o tempo havia passado e o colegial fazia algo cruel com os velhos amigos.
Eles ficam ocupados.
I-pin podia reconhecer que estava ocupada, sempre estudando e no trabalho, ela mal tinha tempo pra passar com Lambo, mas eles se encontravam no colégio e eram da mesma turma.
Ela acreditava que Lambo a culpava pela falta de tempo e atenção, pois nem estudando juntos ela conseguia tempo para passar com ele. Eles não conversavam durante as aulas, pois nenhum deles era esse tipo de pessoa, eles não estavam mais lanchando juntos porque I-pin gostava de revisar a matéria para não ter que fazer isso em casa e Lambo parecia sempre muito despreocupado com os estudos.
E mesmo que ele estivesse a culpando, ela não poderia aceitar aquilo e aliviar para o lado dele. Pois ela se considerava uma pessoa observadora, seu Mestre havia a ensinado a enxergar o ambiente e as pessoas.
E ela era obrigada a ver Lambo com uma expressão preocupada e até com machucados que ele achava que podia esconder com o uniforme, mas I-pin sabia que não era somente “cair da escada”.
Ela não era idiota e esperava que Lambo não tentasse fazê-la uma.
“Yo, tudo bem?” Ele cumprimenta tentando empurrar o nervosismo para longe.
“Não tente me enrolar Lambo”. Ela cruzou os braços e ficou parada esperando.
Lambo suspira. Ele já imaginava que isso fosse acontecer, mas ainda assim tentava se enganar dizendo para si mesmo que ela o deixaria escapar sem questioná-lo.
“Eu vou ser direto.” Ele respira fundo. Não havia como I-pin deixar isso passar em branco. “Eu preciso que você me treine.”
“O que?” Ela pergunta como se realmente não tivesse o ouvido. “O que?” Ela repete agora incrédula. Certamente tinha o ouvido, só não estava processando a informação direito.
“É...” Ele diz incerto. “Eu preciso ficar mais forte... preciso aprender a lutar...” Suas mãos tremiam e seu olhar não encontrava o de I-pin.
“Lutar?” Como se a palavra treino já não fosse ruim o bastante, a palavra luta vindo de Lambo soava ruim, I-pin encara Lambo se perguntando se aquele rapaz na porta de sua casa era mesmo seu amigo.
“É... No que eu estou pensando? Eu disse que iria protegê-los, certo? Eu sou responsável por eles. Eu os meti nessa bagunça. Eu sou responsável por eles estarem naquelas camas... I-pin.” Suas mãos se fecham em punhos. Sua voz se torna firme mais uma vez. Seu olhar volta a encarar a garota a sua frente nos olhos. “Todas as vezes que eu precisei da sua ajuda, nenhuma foi como essa. Eu não tenho ninguém a quem recorrer... não tenho quem possa me ajudar. Você é a única que pode me ajudar.”
Se aquilo fosse um pedido do Lambo quando criança, ela poderia, talvez ter entendido, pela quantidade de confusões em que ele se metia. O pedido repentino a fez cortar a linha de raciocínio e encarar Lambo que havia decido passar a olhá-la.
E quem abaixou o olhar foi ela. Era injusto. Lambo estava sendo injusto.
Ela não poderia recusar um pedido daqueles e mesmo assim ele ainda não dizia com que propósitos queria aprender a lutar. Lambo sempre fora egoísta.
E ela não seria inocente de acreditar que ele simplesmente decidira aprender alguma coisa. Ele estava se metendo em mais uma confusão e dessa vez ela nem sabia quando havia começado e nem que proporção a coisa estava tomando.
A certeza que ela tinha era de que aquilo estava indo mal. A ponto de Lambo vir egoisticamente até ela.
E ela o odiou por isso.
I-pin respirou fundo e balançou a cabeça negativamente.
Lambo da uma risadinha seca. É claro, ele havia considerado essa opção. E era algo que ele realmente não tinha nenhuma arma contra. Agora sim, sem nenhum improviso, ele teria que ser sincero.
“I-pin, se eu tivesse qualquer outra alternativa eu não teria vindo aqui te incomodar com isso. Por favor.”
Ela encolheu os ombros e segurou a respiração. Como assim se tivesse qualquer outra alternativa? Ela nem ficaria sabendo? Incomodar? Sim, ele estava a incomodando falando todas aquelas asneiras.
Mas quando ela o ouviu dizer “por favor”, ela se irritou de verdade. Inconveniente, Estúpido e Egoísta.
Ela se aproxima ainda olhando para o chão. E solta a respiração devagar. Rapidamente move os pés, fixando uma base, com um movimento igualmente rápido, ela acerta com a mão aberta o peito de Lambo o mandando a alguns metros de distância e direto para o chão.
“Seu grande idiota mentiroso!” Ela gritou antes de secar as lágrimas com as costas das mãos.
Lambo tosse no chão. O ar deixou seus pulmões tão rápido que ele não teve nem tempo de se sentir mal.
“O que... que droga é essa?” Lambo se levanta de forma desajeitada. Agora era a vez dele se zangar.
Ele precisava da ajuda de I-pin para salvar seus colegas, e ela se recusava a cooperar e ainda o atacava.
“É assim que você responde um amigo em necessidade?” Ele grita, completamente alheio aos pensamentos de I-pin.
Se ela não estivesse tão brava com ela, talvez ela pudesse pensar melhor nas palavras, pois ela havia o visto, chateado e de cabeça baixa, pedindo “por favor”, mesmo sabendo que ele era uma pessoa orgulhosa.
Mas aquilo não era o suficiente. Não pra ela que era melhor amiga dele.
“Que necessidade? Você está apenas correndo de um lado para o outro sem me dizer nada!” Ela grita com raiva de si mesma por ter derramado algumas lágrimas por aquele ser que sequer conseguia entendê-la.
“Você quer a verdade?! Ótimo, eu vou te dar a verdade! Meus amigos estão em perigo por minha culpa, e eu preciso ajudá-los de qualquer forma! Se eu puder dar um murro no babaca responsável, ótimo! Se não...”
Sua cabeça se enche das imagens de seus colegas quando eles foram atacados no galpão que haviam tomado. De seus colegas hospitalizados e do que poderia acontecer com os que ainda estavam bem.
Lambo se força a se acalmar. Ele estava preocupado. Desesperado. Gritar com I-pin não ajudaria a situação.
Sua respiração estava descompassada. Ele cobre sues olhos com uma mão. Estava com vergonha de si mesmo. Vergonha por permitir seus colegas ficarem expostos ao perigo. Vergonha por não ter forças para encarar o inimigo. Vergonha por gritar com sua amiga de infância e por mantê-la no escuro por tanto tempo.
“Por favor, I-pin... eu não...”
“Eu vou ajudá-lo!” Ela gritou antes que ele continuasse. E antes que se sentisse culpada pois sabia que ele precisava da ajuda dela.
Mas aquilo era contra seus princípios. Ela estaria treinando Lambo para que ele fosse direto se meter em confusão, brigar por causa dos amigos. Ainda que ele se sentisse na obrigação de protegê-los ou qualquer coisa que fosse, ela não concorda com aquilo.
Não era aquilo que seu Mestre havia a ensinado.
Finalmente ela da passagem para que ele entrasse na casa.
“Nós vamos começar o treinamento agora, espero que você não tenha nenhuma reclamação”. Ela disse cruzando os braços e esperando que ele a seguisse para a sala de treinamento que ficava nos fundos.
Isso também era algo que ele havia previsto. E nesse caso ele sabia, não haveria concessões.
“Estou pronto, sensei.” Ele diz em tom sério, apesar do sorriso divertido em seu rosto.
Ela concorda com um aceno de cabeça e segue com um sorriso para a sala. Aquele estava mais próximo do Lambo que ela conhecia.
Continua...
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