Kasanoda e o primeiro Romance!
1 Oneshot
Por favor, não me xinguem por essa fic... Foi só um desafio que fiz a mim mesmo e tentei cumprir... Será que vai ficar boa? XD
---------------------------------------------------------------
- Será que você pode parar com essa idéia? Eu já disse que não quero mais tentar parecer bonzinho! — seus cabelos revoltos de vermelho vivo parecem sacudir no ar, como se enfatizassem o \"não\" que estava expresso em sua frase.
- Mas... Você não tentou todas as possibilidades ainda! Quem sabe se tentarmos colocar você com o irmão do Mitsukuni no ombro? Ou com um sósia para atuar como irmão gêmeo? Ah, talvez, se usarmos uma roupa especial e transformarmos seu jeito de Chefe da Yakuza para algo como um chefe de uma empresa médica cheio de conhecimento em vendas? Ou então...
- HÃÃÃÃÃÃÃÃÃN?
No mesmo instante em que se vez ouvir essa interrogação bestial, as falas de Tamaki pararam, como se o demônio em pessoa tivesse rugido em suas orelhas. Obviamente que no segundo seguinte o Rei do Host Club estava escondido nas costas de Kyoya. Este, após arrumar seus óculos, volta-se para as clientes do clube: devido ao repentino \"HÃN\" proferido por Kasanoda, todas as meninas estavam olhando para ele com ar de medo, o que, no olhar do agente financeiro do clube, era ruim para os negócios.
- Kasanoda, me desculpe, mas acho que já fizemos tudo o que podíamos pelo senhor... Eu gostaria de pedir que o senhor se retirasse, uma vez que nossas clientes estão com medo de seus modos. Poderemos tentar ajudá-lo assim que o clube fechar, o que acha? — Kyoya mantinha a seriedade, mas ainda estava com o pé atrás. Vai saber o que aquele cara poderia fazer... Também, com aquele ar de assassino serial...
-Hunf, está bem, eu sempre soube que eu era um caso sem salvação mesmo... — após dizer isso, ele sai andando calmamente na direção da porta de saída do host club, mas não sai sem antes dar uma ultima olhada para Mori, bem no fundo de seus olhos, como se estivesse decepcionado consigo mesmo por não ser como ele.
Seus passos pesados ecoam pelo corredor, se dirigindo para as escadarias do colégio ouran. Sua aula já havia acabado, e ele poderia voltar para casa quando bem entendesse. No entanto, não era esse seu desejo: ele queria ser como os outros, ter amigos que gostassem dele, e não subordinados acuados pelo temor. Ele queria alguém com quem conversar, e não em quem mandar. Ele queria alguém para amar, e não odiar...
- Para de pensar nisso... Você nem sabe o que é amor... Você só sabe o que é o medo e o temor dos outros... Realmente, eu acho que só sirvo pra fechar contratos deixando os outros com medo de mim... Hunf...
Enquanto caminhava distraído em sua auto recriminação, Kasanoda não reparou em sua frente um pequeno gato, ainda filhote, cruzando seu caminho. No dado instante que se ouviu o miado do animal, um \"HÃN\"?, que mais parecia a voz do demônio em frustração, ressoou nos jardins do colégio. Desnecessário dizer que o gato perdeu 6 de suas 7 vidas com o susto e ainda fugiu correndo em disparada sabe-se lá para onde.
- Mas que droga! Por que todo mundo tem medo de mim? Até os animais fogem de mim como se eu fosse um predador! — seus olhos se fecharam por um segundo, começando a lacrimejar. Fazia tempo que ele não chorava. A ultima vez provavelmente fora quando nascera, se bem que isso não vinha ao caso.
Seu sorriso já inexistente estava querendo sumir de vez. Ele não tinha motivo para ser bonzinho com as pessoas; afinal, pra que ser bonzinho quando seu fã clube só te respeita por te temer?
Em meio a seus pensamentos de autocrítica, autoflagelação e autofaltadesegundaopnião, Kasanoda deixou-se sentar no chão de granito, em meio a um quadrado de arbustos bem podados. Ele sempre ficava nesse lugar quando precisava pensar, o que não estava sendo raro nos últimos dias.
- Acho que não tem jeito... Deve ser o karma, o cosmo, o destino... Ah, sei lá, pode ser só a minha cara também... Eu não sei o que pensar...
Imerso em seus pensamentos como um submarino sem radar, ele não percebera os dois pares de olhos o observando de uma diminuta janela, localizada apenas alguns metros acima dos arbustos que lhe protegiam de olhos indiscretos. Os olhos o observavam calmamente, como se aquela fosse uma cena bonita de se ver e que agradava a ambos. O par menor parecia ter um formato triangular em seus olhos, tipicamente presente nos predadores. O par maior estava mais oculto nas sombras, como se o seu cérebro viajasse calculando inúmeras probabilidades.
- Então você na realidade é assim meu ruivinho... Cheio de duvidas e medos contidos... Huhuhu... Que acha dele como um par para mim? Seria aceitável? — disse a figura de olhos maiores, sorrindo com dentes branquíssimos a mostra.
A segunda figura não respondeu de imediato: pareceu ponderar por um instante. Após alguns segundos que pareceram séculos, ela assentiu, meneando a cabeça afirmativamente.
- Então esta decidido! Kasanoda-kun, você vai ser MEU! — e em seguida uma gargalhada vinda das profundezas de sua garganta se fez ouvir, seguida de uma tosse. Parecia que, quem quer que fosse, não estava acostumado a rir daquela maneira.
Kasanoda se levantou imediatamente e, seguindo seus instintos, virou-se para a janela somente a tempo de ver ambos os olhos sumindo na escuridão...
---------------------------------------------------------------
O sol já estava de pé á algumas horas. O horário de intervalo era um dos poucos em que todos ficavam juntos, menos uma pessoa: Kasanoda estava como sempre sozinho, sentado em uma mesa que podiam caber 8 pessoas confortavelmente. Parecia que sua aura de pessoa cruel transpirava para todos os outros sete lugares a sua volta, colocando sombras negras sentadas em cada um deles, como se fossem sombras sinistras do outro mundo.
Àquele dia, contudo, algo de diferente acontecera: um rapaz loiro, trajando um uniforme impecável e com ares de velho continente estava se aproximando da mesa do cruel (falsamente, é claro) ruído do colégio Ouran.
Quem primeiro atentou para a aproximação foi Hikaru, seguido menos de meio segundo depois pelo olhar de Kaoru.
- Você vê o que eu vejo Kaoru?
- Hikaru, se você esta falando daquele ser desprovido de medo, sim, eu estou...
Essas duas frases foram o estopim para que a mesa inteira se voltasse para observar a cena. com exceção de Hani, que estava mais atento no bolo, e Mori, que estava mais atento em Hani, todos acompanhavam o que poderia ser o triste fim do rapaz.
- Hikaru, eu aposto que no primeiro HÃN? ele vai sair correndo...
- Ah Kaoru, assim não tem graça, até o Mori sairia correndo com aquela expressão do Bossanova-kun...
- Contanto que não venham a me causar problemas como o nosso Rei, não me importo... — Com esta frase de Kyoya, Tamaki foi jogado ao chão como se estivesse sendo pisado por um pé gigante da senhora Direta.
- Kyoya... Isso... Isso... Isso foi cruel ! — Tamaki se sentou na cadeira, abraçando os joelhos contra o peito. — Haruhi minha filha, olha a sua mãe dizendo mentiras do papai...
No mesmo instante que Tamaki terminava a frase, Haruhi já estava concordando com Kyoya sobre o Rei do Host Club precisar ser deposto, o que fez surgir uma nuvem de chuva sobre a cabeça de Tamaki.
- Até tu, minha filha? — seus olhos mareados indicavam a entrada dele no mundo de \"Todo mundo odeia o Tamaki!\", com o extra de que todos estavam nesse mundo o tempo todo, menos ele.
O olhar dos gêmeos não se afastavam da mesa do alvo. Estavam completamente concentrados naquele momento. O que iria acontecer? Bossanova iria gritar e assustar o garoto? Iria enchê-lo de porrada? Iria enfiar o prato de cereais em sua cara?
- Bom dia, Kasanoda-san... Será que eu poderia desfrutar de sua companhia neste pequeno desjejum? — a voz do rapaz era leve, mas tinha certo tom de mistério.
Os irmãos Hitachiin olhavam a cena como um gênio da musica quando coloca um disco escolhido para tocar. Apreciavam a cena a esperavam pela reação de seu alvo, observando-o como se aquilo fosse ser a coisa mais engraçada do mundo.
- Hunf, senta ai... — Kasanoda estava surpreso, mas não queria dizer não para a pessoa que teve coragem de sentar ao seu lado em vários anos (sem ser coagido a tal ato, é claro).
Em um instante, a reação de todos mudou: Kasanoda fazendo um amigo? Tamaki parou de chorar, virando-se instantaneamente para a cena. Kyoya simplesmente arrumou seus óculos. Os gêmeos se abraçaram, como se tivessem visto uma assombração. Hani mordeu a colher distraidamente, pensando no próximo bolo que pediria, sem nem ligar para a cena. E o Mori... Bem, preciso dizer que estava preocupado com as caries do Mitsukuni?
O novo amigo de Kasanoda sentou ao seu lado calmamente e começou a comer pão preto com geléia e chá. Muito destoante da dieta de criança do rapaz metido a Yakuza, que se resumia a um cereal e um iogurte. Aparentemente tentando puxar assunto, o rapaz loiro começou:
- Por que estava comendo aqui sozinho Kasanoda-san?
- HÃN? Ah, bem, é que as pessoas não vão com a minha cara feia e eu acabo sempre sozinho em tudo que faço... A menos que eu ameace alguém para ficar comigo, mas... Aliás de onde você sabe meu nome? Quem é você? — somente agora ele notava que não tinha a menor noção de que estava ao seu lado.
- Ah, bem, er... Você pode me chamar de Belhito, ok? — diz, tentando forçar um sorriso de orelha a orelha que, diga-se de passagem, mal passava das abas do nariz.
- Belhito? E isso é nome de homem? Mas enfim, prazer em conhecê-lo... Be... Be... BELHITO?
A voz de trovão de Kasanoda se fez ecoar no mesmo instante que o rosto do loiro estava a menos de um palmo do seu, encarando seus olhos como se estivesse com fome. Obviamente, metade das pessoas que estava comendo engasgou, enquanto que o rapaz que atendia pelo nome de Belhito voou com cadeira e tudo no chão, manchando o uniforme de chá e geléia.
- Oh droga... Desculpe-me Belhito, eu só me assustei... Bem, deixe para lá, me da à mão aqui que te ajudo a se levan... HÃÃÃÃÃN? — no momento em que terminava a frase, Kasanoda foi envolvido por um abraço que o prendeu peito a peito com o rapaz loiro. Seus olhos se esbugalharam e seus cabelos só não arrepiaram mais porque se não virariam arame farpado.
- Oh, obrigado pela ajuda, Kasanoda-kun! Você é um verdadeiro homem! — seu abraço não afrouxava um milímetro, parecia um coala grudado em uma arvore. Vendo aquela cena, havia duas pessoas que não poderiam ficar quietas... E eles não ficaram mesmo.
- Ya... — Disse Kaoru, segurando a mão do irmão.
- ...Oi? — Hikaru completa, segurando a mão de Kaoru enquanto ambos fazem beicinho.
Tamaki rapidamente acorda de sua posição e observa a cena: um abraço entre dois homens, um deles bastante bonito e afeminado e o outro rude e forte... Seria aquela mais uma cena que até hoje era protagonizada pelos irmão Hitachiin falsamente (ou assim se pensa... Eles não negam, e nem se entregam se são um casal homo ou não...) somente para agradar o publico?
Nenhum deles teve tempo de pensar. No exato instante que seus cérebros assimilaram a cena, Belhito estava de olhos vidrados olhando para Kasanoda.
- Kasanoda-kun, eu te amo... Fique comigo... — dizia ele, faltando sair corações da cabeça.
- HÃÃÃÃÃÃÃN? — Kasanoda não entendia o que estava acontecendo. Um homem estava dizendo que o amava?
- Nós seremos felizes juntos Kasanoda-kun... Prometo que cuidarei de você com muito amor e carinho... Poderemos fazer tudo que você nunca fez meu ruivinho... — Belhito começa a fazer com que seu dedo direito faça movimentos circulares ao redor do mamilo direito de Kasanoda.
- HÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃN? — A ênfase dessa vez era ainda maior, e os cochichos começaram a tomar forma de uma única palavra em todo o refeitório: YAOI! (também poderia ser MOEEEE! mas isso deixa pra outro dia...)
- Venha Kasanoda-kun... Deixe-me beijar seu lábios e mostrar o quanto eu te amo! — Belhito começa a forçar uma aproximação, enquanto Kasanoda o empurra com todos os membros que possui.
- Sai de cima de mim! — dizendo isso, Kasanoda joga Belhito para o lado. Algo que estava no bolso dele, que de inicio se assemelha a um lenço, vem parar nos pés do ruivo. — Mas o que diabos é isso aqui? — ao pega-lo na mão, ele rapidamente reconhece a cara de capetinha e a forma de deviruchi mal formado. -HÃÃÃÃÃÃÃN? Belzenef? Então você só pode ser o... O...
Kasanoda mal tem tempo de reagir. Belhito pula sobre ele, agarrando seu pescoço, só não o beijando porque o ruivo teve tempo de colocar a mão entre as bocas. Ele tenta forçar a aproximação, mas Kasanoda luta ferrenhamente contra perder seu BV. Em um instante, ambos caem no chão e, fora de sua guarda, Kasanoda vira um alvo fácil para seu atacante, que agora esta sentado encima dele.
- Agora você não me escapa! Você é meu, Kasanoda-kun! — ele se abaixa para beijá-lo, se aproximando até ficar quase nariz com nariz e...
- PARADO AI! — a voz ecoa da porta, onde três figuras vestidas de preto encaram a cena. A mulher a frente puxa o braço para trás e em seguida para frente, arremeçando uma bexiga de água fria que atinge tanto Belhito quanto o ruivo.
Belhito para por um instante, olhando ao redor sem entender onde estava. Nem 3 segundos depois ele olha a quantia de luz ao redor, se jogando debaixo da mesa mais próxima. Kasanoda se levanta, ensopado da cabeça aos pés.
- Será que alguém pode me explicar que diabo que ta acontecendo aqui? HÃÃÃÃÃÃN? — diz ele, olhando para os agora reconhecíveis membros do clube de magia negra. A vice presidente se aproxima da mesa, estendendo um manto para a pessoa que estava de baixo da mesma.
-É bem simples... Esse idiota estava tentando criar uma poção do amor com alguns ingredientes vencidos... E ela funcionou... Como o nome dizia, era amor a primeira vista. O problema é que...
- Que a primeira pessoa que eu vi quando tomei a poção estúpida foi você, quando estava saindo do Host Club... Ou seja, me apaixonei por você como um homossexual por causa da poção... — o agora reconhecível Umehito Nekozawa olhava para Kasanoda, encabulado.
- Entendo... — disse Tamaki, se aproximando do grupo e entregando o Belzenef que antes estava no chão para seu dono original. — Tudo não passou de um mal entendido então?
- Sim, não passou de um erro nosso... — os integrantes do clube de magia negra disseram em uníssono.
- Que bom... Tudo esta bem quando acaba b... Bossanova-kun, porque essa cara?
- Não é nada... — ele passava a mão nos cabelos ruivos, entristecido.
- Me diga, o que aconteceu? — insistia Suou. Podia não parecer, mas ele era bom nisso.
- Ah, é que fiquei chateado, sabe?
- Com o que? — disseram os irmãos Hitachiin, em uníssono.
- É Bossanova-kun, pode contar pra gente... — Tamaki estava acionando o modo irritante novamente.
- Como é que vocês se sentiriam se a primeira pessoa que diz que ama vocês fosse um HOMEM e ainda tivesse dito isso só por causa de uma poção do amor?
- Bem, acho que igual a você... — disse Suou, segurando o riso. Os gêmeos, com menor noção de trato social, começaram a rir desenfreadamente.
- HÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃN? QUEREM MORRER É? — Kasanoda começa a correr atrás dos dois, enquanto o resto dos alunos riem, aproveitando os últimos segundos do café da manhã antes de voltar às aulas...
FIM
- HÃÃÃÃÃÃÃN?
Fale com o autor