Karmin
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Karmin
~*S2*~
Pain estava prostrado no chão do quarto frio e escuro como sua alma, o cabelo cobreado desgrenhado. À sua volta o caos imperava. Cama revirada, os farrapos do que antes fora uma camisa, espuma do travesseiro espalhada por toda parte, o celular quebrado próximo a porta junto com estilhaços de uma garrafa de whisky vagabundo e na cômoda os vestígios de sua última carreira.
O estômago revirava-se, seu sangue podre era bombeado com ferocidade e a pele pinicava como se milhões de vermes sepulcrais o devorassem de dentro para fora em vida... Vida?! Que vida?
Desde cedo entrara em guerra com ela. Era um pária, uma criatura deprimente que, em sua sede por poder e riqueza fácil, mergulhara no submundo e deixara sua única luz ser apagada com violência.
Fechou os olhos para tentar conter a tempestade de lembranças amargas e as dores dilacerantes na cabeça e no peito, e ouviu, acima do zumbido em seus ouvidos, uma voz suave.
– Solitário, pequeno verme?
Ouvir o apelido, que ganhara de seus pais na infância, não o surpreendeu tanto quanto ver à sua frente Hinata, a namorada cuja vida fora ceifada por seus inimigos.
Balançou a cabeça para apagar o delírio fermentado pelo veneno em suas veias, porém sua amada de olhos de neve e pele de alabastro permanecia envolta por névoa e sombras.
Não conseguiu levantar, então se limitou a admirá-la. Trajava somente um vestido transparente que não ocultava sua feminilidade e os seios fartos, o longo cabelo azulado caía liso até a cintura e a espessa franja quase cobria o olhar sereno e amoroso que prometia resgatá-lo da podridão e solidão em que afundara.
– Desculpe-me...
A boca pintada de carmim curvou-se com doçura, então ela sentou sobre sua pélvis, inclinando-se, os cabelos formando uma cortina perfumada, isolando-os de tudo e todos. As mãos pequenas e gélidas pousaram sobre seu ventre, deslizando vagarosamente até o tórax, repousando do lado esquerdo. As unhas tamborilaram numa imitação das batidas do coração e quando pararam o coração dele também parou, voltando a bater frenético quando ela aproximou seus rostos, fazendo-o notar que o vermelho vibrante era fruto da irrigação maciça de sangue na boca carnuda.
– Fique comigo. – Sussurrou em sua orelha, erguendo a face pálida à espera da resposta.
Aquiesceu, abraçando-a com força pela cintura, unindo os lábios ressequidos aos estranhamente quentes dela. Suas línguas se entrelaçavam, roçavam e sugavam em um beijo apaixonado e desesperado com sabor acre e metálico de sangue.
Gemeu quando o coração se apertou e retorceu, sua respiração ficou difícil, escassa, e o corpo febril foi acometido por espasmos. Ignorou todo o desconforto, não a deixaria partir novamente sem levá-lo junto.
A revolta contra o mundo, toda perversão e devastação de que fora vítima e vitimara, desapareceram e a linha tênue entre a vida e a morte se esvaiu naquele beijo.
~*S2*~
Sua carcaça foi encontrada no dia seguinte e poucos lamentaram sua morte; somente estranharam a expressão de paz e felicidade que carregava na face.
Notas finais
Kelen-mei, tentei escrever uma darkfic como pediu, e descobri que sou melhor no melodrama e com fics mais longas, rs, apesar disso espero que goste pelo menos um pouquinho. ^-^
Recomendo que leiam a fic Childhood da Kelen Yoru que ganhou o 2º lugar no concurso Mutirão ItaHina, é super fofa. *-*
Pra quem leu, se ficou boa ou ruim gostaria de saber, amo elogios, mas aceito críticas construtivas numa boa.
Big bjs.
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