Karakuri Burst
17 Adorável vizinho.
Notas iniciais

RIN POV’S ON
Abri os olhos lentamente pela mudança de luz, os raios solares invadiam o quarto de Len, me acordando aos poucos. Olhei em volta e percebi onde estava: No quarto dele. Instantaneamente corei. Me enrolei ainda mais no lençol ao lembrar dos acontecimentos de ontem, eu realmente amo aquele garoto, e tenho certeza que não amarei mais ninguém a não ser ele. Tão inteligente, tão bonito, tão charmoso, tão habilidoso, gentil, educado, perfeito, tão... Len.
Dei um longo bocejo. Não quero sair daqui tão cedo. A cama de Len é muito macia e confortável, é como deitar em uma nuvem de algodão fofinho. Não consigo imaginar que vou dormir aqui todos os dias, já que aqui é minha nova casa.
Bem, eu nunca tive uma casa para chamar de minha. Eu sempre dormi nos dormitórios internos da minha organização. Por falar nisso, eu não posso simplesmente sair assim, sem mais nem menos. Se bem que eu completei a ultima missão que me deram, e não pedi pagamento algum. Espero que não tenha problema eu não fazer nada. Eu preciso falar com eles, mas realmente não quero.
Droga, ainda são 12:45 e já acordo com problemas a essa hora da manhã?!
Olhei mais uma vez para o criado mudo¹ ao meu lado para fitar o relógio eletrônico novamente. COMO ASSIM JÁ SÃO 12:45?! Estiquei meu braço e tateei a cama a procura de Len, que não estava ali. Esfreguei meus olhos com as costas das minhas mãos tentando espantar a preguiça, sentei na cama empurrando os lençóis até minha cintura. Estiquei meus braços o mais alto que pude alcançar para me espreguiçar, assim que terminei, levei minhas mãos a boca para abafar o barulho de outro bocejo. Eu estava com muito sono mesmo.
Olhei para o meu corpo e percebi que estava vestida com uma blusa azul escura, era grande e larga, mas servia como um vestido curto para mim. Puxei o colarinho da blusa até meu nariz. Tinha o perfume do Len.
Finalmente tomei coragem para levantar. Meus pés descalços sentiram o impacto do piso gelado do quarto de Len. Fui até uma porta que estava entreaberta. Era um banheiro lindo ( N. A : Sim, o Len tem uma suíte, problem? Link dos cômodos nas notas finais. ) com uma banheira de hidromassagem com luzes internas e externas. Tinha uma linda vista lateral do prédio onde ele morava. Também havia dois balcões onde duas pias eram integradas, talvez para eu colocar minhas tralhas de um lado e ele as dele de outro. No lado que estava ocupado, tinham perfumes importados, escova de dente, creme dental, pentes, escovas de cabelo, espuma de barbear e gilete.
O Len tem barba? Hahaha, nunca imaginei ele com barba! Parando para pensar, ele precisa ter alguma barba para ter espuma de barbear e gilete em casa. Imagino ele com uma barba de Papai Noel, ou quem sabe um cavanhaque? Ou um bigodinho! Hahaha, um dia vou pedir para ele deixar a barba crescer e vou chama-lo de Len-Barbado. Não, mentira, eu prefiro o Len exatamente do jeito que ele é, sem tirar nem por.
Finalmente parei para me olhar no espelho. Estava com uma juba enorme! Peguei um dos pentes e comecei a lutar com meu cabelo. Não ficou bom, mas ficou apresentável a ponto das pessoas não saírem correndo com medo do leão que fugiu do zoológico. Agora vou fazer a mesma coisa quando ninguém tá com paciência de arrumar o cabelo ou já desistiu mesmo. Um rabo de cavalo. Meu cabelo é meio curto, então fazer rabos de cavalo é outro sufoco. Mas dessa vez consegui. Prendi ele bem baixo com uma de minhas fitas que estava no outro lado do banheiro. Arrumei minha franja e saí de lá.
Saí do banheiro e empurrei a porta do quarto que ia para sala que conheci ontem. A partir daí era território desconhecido por mim. Na porta de entrada tinha um papel branco preso na porta com fita adesiva. Nele tinha o meu nome. O peguei e o virei para ver o que estava escrito.
‘’Rin,
Houve um imprevisto na organização, parece que um maníaco fugiu da prisão ou algo assim, e ele é considerado altamente perigoso, e por isso me tiraram de casa num sábado.
Queria me despedir de você, mas como sempre, estava tão linda que não tive coragem de te acordar. Não sei que horas acordou, tenho certeza que mais de meio-dia, mas mesmo assim deixei café da manhã na cozinha pra você.
Deixei 5 mil yens² para você sair e almoçar. Deixei uma roupa para você usar no quarto. Tente agir como uma pessoa normal. QUE NÃO ANDA ARMADA.
Volto provavelmente as 18 hrs, com Luka, Meiko, Kaito e Gakupo. Eles querem fazer alguma coisa hoje, não sei, não me deram muitos detalhes.
Len.
Ps.: As chaves de casa estão em cima da mesa da cozinha.
Ps².: Te amo, Laranjinha.’’
Ok, ele pensou em todos os detalhes, mas esqueceu de uma coisa muito importante: ONDE FICA ESSA MALDITA COZINHA?! Bem, o jeito é explorar o apartamento dele.
Depois de longos 15 minutos de procura, achei a cozinha. Nesse tempo que procurei, achei um quarto de hospedes, uma sala de jantar, uma verdadeira sala de estar, já que eu descobri que na verdade a ‘’sala’’ que entrei era um hall de entrada, mais dois banheiros, quarto da bagunça, um mini bar numa sala social, escritório, uma varanda, um pequeno armazém de alimentos e FINALMENTE A COZINHA. Daqui a pouco acharia até passagens secretas... Se é que não tem.
O café da manha era um croissant de peito de peru e ricota, com suco de laranja natural. E para dar um gostinho doce na boca, cupcake de chocolate. Será que... Foi o Len que cozinhou isso? Ah, não. Não é possível. Depois vou ter que perguntar. Comi a comida, que por sinal estava muito gostosa. Olhei no relógio da parede e vi que já eram 13:10. Lavei a louça e deixei no escorredor.
Reparei que tem um shopping aqui por perto quando vim no carro de Len. Como tenho que comprar milhares de coisas, vou aproveitar e conhecer esse shopping. Vou tomar uma ducha e me arrumar, só preciso voltar pro quarto e... COMO EU FAÇO PRA VOLTAR?!
Depois de mais 10 minutos procurando o quarto, eu finalmente o achei. Len tinha deixado um vestido branco de alça, que vai até meus joelhos em cima de seu travesseiro. Ducha que nada! Temos uma BANHEIRA a minha disposição! Esperei a água encher e logo entrei na água. Depois de muita relutância, saí. Coloquei minhas roupas intimas, o vestido, e calcei meus habituais sapatos. Arrumei meu cabelo em um novo rabo de cavalo, só que dessa vez mias bem feito.
Deixei o dinheiro de Len na cozinha. Len poder ser 3 vezes mais rico que um milionário, mas eu não sou completamente pobre. Eu roubo, e meu dinheiro não fica em algum banco, ele sempre está comigo, no meu bolso interno do kimono. Minhas roupas estavam perto do criado mudo, todas dobradas. Procurei por meu kimono e peguei dinheiro o suficiente para o que eu queria fazer. Guardei-o em uma bolsinha clara de alça longa que achei no quarto da bagunça.
Fui até a porta de entrada e destranquei. Assim que pus o pé pra fora um calafrio percorreu meu corpo por estar saindo de casa desarmada. Uma voz na minha cabeça falava que não era uma boa ideia sair, mas ignorei esse mau presságio. Afinal, tenho que me acostumar a ser uma pessoa normal!
Tranquei a porta e segui até o elevador, apertei o botão para chama-lo ao meu andar e fiquei o esperando. Espiei a outra direção que o corredor que leva aos apartamentos seguia, e nessa hora uma das portas abriu e um garoto loiro de olhos dourados saiu de lá. Assim que me notou deu um sorriso e acenou. Corei por ser ter sido pega no flagra, acenei de volta, e percebi que o elevador havia chegado. Entrei e fiquei procurando pelo botão que levava ao térreo. ‘’T’’, enquanto as portas do elevador se fechavam. Quando as portas estavam prestes a se fechar, uma mão segurou a porta, e o sensor fez as portas se abrirem novamente. Continuava na minha procura pelo ‘’T’’ e já estava me irritando com essa bobagem, então uma mão pousou sob a minha e me guiou até o botão.
–É sempre difícil para os novatos. — Olhei para a pessoa que fez esse movimento desnecessário comigo, e percebi que era o garoto loiro. — Meu nome é Nero, e o seu?
–Rin.
–E aí, Rin. Posso te pedir um favor?
–Depende.
–Ah, eu sou um cara legal, não viu que eu te ajudei a encontrar o ‘’T’’? – Olhei pra ele arqueando a sobrancelha – Eu preciso comprar um presente para minha irmã, estou indo no shopping fazer isso, você podia me dar alguma idéia de presente?
–Não sei... Estou indo para o shopping também e...
–Ótimo! – Me interrompeu – Quer dizer, se não se importar... Ouvi dizer que um maníaco fugiu, então seria útil ter alguém por perto para te proteger.
Fitei a pequena tela para ver em que andar estávamos. 13. É uma proposta tentadora, estou desarmada, e a pessoa que me protege está protegendo outros civis e não pode ficar cuidando de mim o tempo todo.
–Ok, pode vir comigo, mas eu tenho que ir na farmácia e vou fazer coisas de menininha.
–Vou com você mesmo assim. Eu te ajudo, você me ajuda, todo mundo sai ganhando desse jeito. Não se incomoda de vir comigo no meu carro, né? Assim carregamos as suas compras.
–Hm... Tudo bem.
Ele apertou o G2 dessa vez e fomos até seu carro. Ele abriu a porta do carona para eu entrar, e assim que me sentei fechou a porta. Ele deu a volta no carro e sentou no banco do motorista. Estou um pouco preocupada, mas deve ser porque não estou acostumada a fazer amizades masculinas sem o Len por perto. Mas ele saiu de uma das portas do mesmo andar do que o de Len, então é seu vizinho, com certeza devem ser conhecidos... Né?
Chegamos no shopping e logo fomos ao andar das lojas. O shopping era gigante, devia ter vários andares. Começamos a andar por muitas vitrines, até que um conjunto me chamou atenção, depois uma saia, depois uma jaqueta, sapatos, bolsas, vestidos, pijamas, calças, shorts, blusas, até maquiagens. Nero dava comentários, fazia brincadeiras engraçadas para me fazer rir, e tinha uma incrível paciência de me acompanhar em cada loja, além de fazer questão de carregar minhas bolsas de compras. O impedi de me seguir para dentro da loja de lingeries, e ele brincava dizendo que ia entrar. Depois de várias broncas, ele disse que ia sentar no banco em frente a loja e só fez aquilo tudo para gastar meu tempo. Dei um tapa leve no seu braço. Nero era divertido e brincalhão. Depois de fazer minhas compras, saí da loja.
–Acabou, Nero. – Umas pessoas que passavam por ali gritaram para eu não acabar com meu ‘’namorado’’ porque ele era muito lindo. – Não é isso que estão pensando! Ele não é meu...
–Você ia dizendo... – Nero me cortou.
–Acabou as compras Nero. – As pessoas pareceram suspirar e comentarem ‘’ Como o amor é lindo’’. Idiotas. — Foi muito gentil você me ‘’aguentar’’ até agora.
–Acho que essa fala é minha, desculpa, geralmente sou muito chato.
–Nada disso! Achei você divertido!
–Vamos guardar as sacolas no carro então?
–Claro.
Fomos até o G2 guardar minhas compras e voltamos para o andar das lojas.
–Então, como se chama a sua irmã?
–Neru.
–Passamos por várias lojas de roupas, não viu nada que a agrade?
–Na verdade, não.
–Podíamos ver alguns eletrônicos... Que tal um celular?
–Acho que ela iria gostar! Caramba, como não pensei nisso antes? Valeu, Rin! – Me abraçou.
Fiquei surpresa, e dei uns tapinhas nas suas costas, mostrando para me soltar.
–Estamos no quarto andar, acho que os eletrônicos são no primeiro.
–Então vamos lá.
Descemos as escadas rolantes até o primeiro andar e Nero comprou um Iphone 6 para Neru. ( N.A.: Não pode dar um pra mim não? ) Tinha um stand de sorvetes italianos e Nero quis me pagar um sorvete. Escolhi um sorvete de Laranja e Nero pediu um de Flocos. Sentamos em umas das mesinhas e começamos a tomar sorvete. Nero já tinha terminado e eu dei minha ultima mordida na minha casquinha quando um alarme alto começou a tocar por todo o shopping. As pessoas começaram a correr por todas as saídas possíveis, as lojas se fecharam rapidamente. Nero suspirou com um olhar de tédio.
–O que é isso?
–Não sabe o que é isso? – Começou a sorrir estranhamente.
–Não... Digamos que eu não saio muito.
Olhei em volta e percebi que até as entradas principais do shopping estavam fechadas com aquela proteção de metal. O grande relógio que tinha no centro do shopping indicavam 17:23. Eu tinha que voltar logo pra casa.
–Vem, vou te mostrar o que é isso. – Disse Nero sem tirar o sorriso da cara.
–Tem algo errado, Nero? – Perguntei enquanto caminhávamos no shopping deserto.
Ele me parou quando estávamos em frente as portas principais bloqueadas. Ele sorriu três vezes pior do que estava antes, enquanto não tirava os olhos de mim.
–Isso é um alarme para evacuar lugares, Rin. – Tentou acariciar meu rosto, mas eu segurei sua mão. – Acontece quando alguma ameaça é detectada pela policia ou... Agentes. – Arregalei os olhos e soltei sua mão. Só que ele segurou e apertou pulso. – Assassinos, psicopatas, ou até mesmo...
Maníacos.
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