Karakuri Burst
46 A melhor.
Notas iniciais

RIN POV’S ON
Tsc, ciumento pra cacete.
Mas, bem, se ele tem ciúme, é porque se importa.
Escutei passos vindos em direção ao banheiro, então tratei de descolar meu ouvido da porta.
Droga, preciso fazer algo que não me denuncie. Troquei de posição umas três vezes, comecei a brincar com as mãos, e daí eu pensei em assoviar. Mas tudo isso é típico de alguém querendo se inocentar.
Sei lá, melhor fazer cara de reflexão profunda.
Pelo canto do olho, vi a maçaneta girar. Beleza, reflexão profunda em 3...2...1...
–Ah, oi Len. – Dei aquele sorriso anormal. – O que você foi fazer lá fora?
Ele me olhou por um momento e depois esboçou um largo sorriso.
–É feio escutar a conversa dos outros, sabia?
–É feio acusar os outros sem fundamentos... – Pus as mãos na cintura. — Eu... Eu estava aqui numa reflexão profunda, sabia?
–Finjo que acredito. Anda, vamos voltar pra lá. – Ele começou a se movimentar afim de sair do banheiro.
–NÃO LEN. – Eu comecei a gritar. — Não me deixa aqui sozinha, me leva com você! – Tentei me agarrar no braço dele, porém, como eu estava sentada na bancada da pia, quando eu fui agarra-lo eu caí no chão. – Eu estou manca, me carregaaaa!
Len só virou a cabeça para me olhar jogada no chão atrás dele.
–Para de encenar, você só ralou o joelho, não amputou a perna.
Ele abriu a porta e começou a sair do banheiro.
–Eu não estou encenando! Eu estou manca! – Agora eu me agarrei no pé dele, fazendo com que ele, mesmo involuntariamente, me arrastasse pelo corredor. – Leeeeen, socorro...
–Ih Rin, acho que começaram a servir comida agora.
–Comida?! – Quase esqueci da minha nobre missão. Levantei rapidamente do chão e saí correndo até a piscina.
Quando cheguei na piscina, na verdade não tinha droga nenhuma. Aquele filho da mãe só tava com preguiça de me carregar. Porra, aquela era a hora dele libertar o poder da franga que tem dentro dele, mas não, ele ficou com preguiça de me carregar.
–Viram só, meu diagnóstico estava certo o tempo todo, eu falei que ela tava bem. – Gumi disse assim que me viu chegar correndo na área da piscina.
–É... Quase isso. -Respondi sem jeito. Senti meu rosto queimar, se os garotos estivessem aqui, eu acho que preferiria morrer na água a ter que encarar aqueles quatro depois daquele tombo.
–Afinal, onde estão eles? – Luka perguntou.
–A última vez que vi, eles estavam falando alguma coisa sobre bebidas... – Comentei.
–Devem estar enchendo o rabo de bebida. – Gumi deu de ombros.
–Gumi! – Luka gritou a advertindo.
–Gu... Tsc, pior que deve ser verdade. – Revirei os olhos.
–Porque eles não me chamaram? – Meiko gritou enraivecida. – É do tipo, papo de meninos, só para meninos?
–Será que... – Os olhos da Gumi brilharam. – Meninos também fazem festa do pijama?
Porra, acho que até dava pra escutar aquela música de mistério ao fundo.
–Sei lá. – Meiko balançou as mãos, num típico sinal de ‘’foda-se’’. – Só espero que sejam bêbados alegrinhos.
–Quem deve ser uma bêbada alegrinha deve ser a Gumi. — Luka comentou enquanto colocava uma esteira ao sol e se acomodava nela, pondo seus óculos de sol. – Quer dizer, mais alegrinha.
–Sou mesmo. – Gumi afirmou.
–E é mesmo. – Concordei.
–Ué, já aconteceu da Gumi ficar bêbada? – Meiko perguntou se sentando em uma cadeira e pegando um copo que parecia ter suco de morango dentro.
–E depois só deu merda... – Gumi murmurou.
–Conta pra gente o que quê... O que vocês estavam fazendo lá dentro? – Luka perguntou se referindo a Piko e Len, que chegaram agora.
–Eu estava só observando como o Gakupo é um bom anfitrião. – Piko olhou para Luka sorrindo, exibindo aqueles dentes branquinhos perfeitamente alinhados.
E eu aqui querendo dá um murro perfeito nesses dentes. Só não dou porque a Gumi iria começar a rosnar e, é, não estou afim disso.
Luka deu um sorriso meio torto e depois se endireitou na esteira.
Sentei numa cadeira em baixo do guarda-sol ao lado de Meiko. Bronzeados a parte, mas é quase certeza que eu vou ficar que nem um camarão se eu ficar embaixo do sol feito a Luka. Mas quem pode, pode, e quem não pode é a Rin.
Suspirei, pronta pra catar o suco da Meiko assim que ela não estivesse olhando. Se ela questionasse, eu mandava logo um ‘’Só provando pra ver se não está envenenado’’ ou um ‘’Esqueci o gosto que tem’’ ou talvez ‘’Deixa eu ver se está bom’’.
Na hora que Meiko olhou para outro lado, eu estiquei minha mão e fui em direção ao copo dela.
E agora, começa aí o som de ‘’Missão Impossível’’.
Quando eu estava prestes a tocar o copo, aquele copo lindo e seduzente, com aquela água escorrendo dele por culpa da condensação, a Gumi agarra a minha mão.
–Porra, Gumi! – Praguejei, vendo Meiko se virar e bebericar o suco... No copo... – O que foi?
Gumi começou a fazer uns barulhinhos suspeitos, parecia que ia dar um gritinho a qualquer momento.
Meiko se virou para a Gumi, e Luka até tirou os óculos de sol pra olhar melhor que droga que estava acontecendo com Gumi.
–Gumi...?
–A-as... – Ela disse mordendo o lábio. – E-eu preciso...
–Você precisa de quê? – Meiko perguntou intrigada e sem paciência para aturar o suspense da Gumi.
–EU PRECISO PASSAR PROTETOR SOLAR NAS COSTAS NUAS DO DOCINHO!
Gumi saiu correndo levando uma embalagem de Sundown com ela.
Eu, Luka e Meiko nos entreolhamos.
–Caralho... – Meiko murmurou pegando no copo.
Olhei para a piscina, e reparei que Len e Piko estavam nela. Len estava submerso e Piko agora estava sentado nas escadas da piscina, com um sorrisinho malicioso que não podia ser notado pela Gumi, visto que ela estava atrás dele, passando protetor com a mesma felicidade do que passar maionese num pão.
Voltei meu olhar pro copo da Meiko. Eu quero tanto esse suco...
Gumi voltou não muito tempo depois, ajeitando seu biquíni verde de babados, o que a deixava com o ar um tanto infantil, mas ainda sim, deixava ela bonitinha.
Len e Piko estavam nadando na piscina que nem umas piranhas, sabe, nadando rápido e quando se esbarravam faziam uma cara de ‘’Eu sou melhor que você’’. Só que as verdadeiras piranhas são assassinas e... Quer saber, vou me desviar desse pensamento.
Olhei em volta, comecei a escutar passos rápidos e pesados, que em conjunto faziam o copo da Meiko tremer.
Hipopótamos. Hipopótamos passaram por uma seca terrível, ficaram meses sem água, muitas vezes passaram fome, desidratação, sentiram a garganta seca sem uma única gota d’água, as lágrimas não rolaram, pois não havia água a ser expelida, os lábios ficaram secos, a pele ressecada e dura, e depois de muito orarem, houve a dádiva dos deuses, que concederam água a essas criaturas.
Kaito e Gakupo eram os hipopótamos desesperados pela porra da água, e saíram correndo em direção a piscina e se jogaram lá dentro, como se suas vidas dependessem disso.
Metade da água foi jogada pra fora.
Len e Piko praticamente foram arremessados pra fora, e eu já esperava que eles iriam se debater igual peixes fora d’água.
Já a gente, recebeu um banho. Luka que estava na esteira quase morreu afogada, e precisou se sentar e retirar seus óculos. Voou água na cara da Meiko, que fez cara de ‘’vocês vão morrer, seus filhos da puta’’, e logo depois abriu a boca, deixando escorrer a água da piscina que entrou lá. Eu só passei a mão pelo rosto, tentando me secar, mas não adiantou nada, já que Gumi sacudiu o cabelo igual a um cachorro se secando, o que fez a água parar no meu rosto.
Len e Piko fizeram cara de serial killers. Len pegou aquela porcaria que fica boiando na piscina, da onde saia o cloro para tratar a água, e arremessou na cara de Kaito. E quando eu digo arremessou, é arremessou mesmo, como uma bola de baseball. Já Piko deu um saque de vôlei com uma bola que boiava pela piscina, e acertou Gakupo.
Quando o trauma passou, Kaito e Gakupo fizeram cara de assassinato.
Puta merda, já vi que as menininhas vão brigar. Deuses, vão colocar as asinhas pra fora.
–NÃO NA MINHA CASA! – Luka gritou toda ensopada, e consequentemente puta. – EU SOU UMA BOA ANFITRIÃ, ESCUTARAM?
–H-hai. – Eles disseram.
De repente, o silencio preencheu o lugar.
–Erm... – Meiko começou. – Que tal vocês contarem aquela história da Gumi? – Ela perguntou olhando para mim e para Gumi.
–Que história, Jujubinha? – Piko perguntou.
–Ih, acho melhor não. – Gumi respondeu Meiko com um sorriso amarelo e ignorando Piko.
–Quê?! Vai me dizer que tem putaria nessa história?! – Luka perguntou com um sorriso de ‘’fudeu-pra-você’’.
–Não. – Respondi pela Gumi.
–Ué, você também ta envolvida, Rin? – Gakupo perguntou. Len o empurrou.
–Não sou eu que deveria fazer essa pergunta? – Len falou pra mim, porém encarando Gakupo, que levantou as mãos num sinal de paz.
–Ah, por favor, deve ter putaria sim, nenhum de nós é azeite. – Luka concluiu cruzando os braços.
–Azeite? – Kaito perguntou.
–Extra virgem. – Luka respondeu com cara de pervertida.
Se você se esforçasse, dava até pra ouvir um ‘’cri, cri’’ atrás.
–Agora eu quero saber dessa história. – Len falou com aquela cara.
–Eu não consigo me concentrar com você fazendo essa cara! – Gritei.
–Que cara? – Ele respondeu aprofundando ainda mais o uso da cara.
–Essa cara! – Apontei pra ele vermelha.
Ele tava fazendo...
Aquela...
Aquela cara. (N.A: Aquela cara ( ͡° ͜ʖ ͡°))
–Tudo bem... Vamos lá. – Gumi disse suspirando.
Flashback on
Após eu fugir daquele viado, Gumi cuidou de mim.
Ah, viado? Sim, o Voldemort.
Aquele que não deve ser pronunciado o nome.
Quer dizer, eu mandei a Gumi não falar sobre o Oliver a ninguém, então agora aquele viado é como o Voldemort.
Suspirei, acariciando minhas costas onde o curativo que Gumi havia feito repousava. Aquilo sem dúvida renderia uma bela cicatriz. Okay, talvez nem tão bem bela, mas que isso ficaria marcado, eu não tinha nenhum resquício de dúvida.
–Gumi, sua vaca, eu to com tédio. – Reclamei enquanto ficava esparramada no sofá dela.
–Rin, sua mimosa, quer fazer o quê então? – Ela perguntou jogada no chão.
–Mimosa?
–É um nome de vaca, sua besta. –Ela levantou do chão, com aquele cabelo bagunçado e cheio de poeira adquirida do chão. – Ah, toma esse bagulho aqui.
Ela me jogou uma sacola de papel, o que dispertou meu interesse. Vasculhei o que havia dentro. Quase dei um gritinho histérico.
–São as minhas coisas... – Comentei sem acreditar.
–Aham, veio um moreno sensual aqui e...
Flashback pause
–Como assim ‘’um moreno sensual’’?! – Piko gritou visivelmente furioso.
Gumi abaixou a cabeça e ficou vermelha.
–Vish, se ele tá reclamando dessa parte, imagina o resto... – Murmurei.
–Podemos continuar? – Luka perguntou mandando, pois devia estar interessada na história.
Flashback play
–Aham, veio um moreno sensual aqui e trouxe suas coisas. Pelo visto Oliver não quis guardar suas coisas como souvenir... – Iria abrir a boca para protestar. — OU, ele te ama tanto que heroicamente não conseguiu te imaginar sem sua preciosa arma, kimono e florzinha.
Mandei um olhar mortal pra Gumi, que deu de ombros e deu uma cambalhota no chão, alegando que cambalhotas acabam com dores musculares.
–QUER SABER, VAMOS A UM LUGAR DIVERTIDO, MULHER. – Gumi gritou.
–Onde? – Perguntei curiosa, já vestindo meu kimono e olhando meu reflexo por meio de uma colher, afim de ajeitar a flor no meu cabelo.
–Já está mais do que na hora de eu te levar para Underground. – Ela respondeu.
–Underground? – Perguntei. – O que é isso?
–O que seria de um bairro suspeito como a Bifurcação da Noite sem um mercado negro suspeito?
–Vai me levar a um mercado negro? – Perguntei mesmo sabendo a resposta.
–SIM! – Nossa, que surpresa, nem esperava por essa. – Mas esse é o melhor mercado negro que a senhorita já viu! Vem comigo!
Gumi levantou repentinamente do chão e sacudiu o cabelo como se estivesse numa propaganda de shampoo, em vez de parecer um cachorro. Levantei do sofá, curiosa e bastante intrigada a respeito desse mercado negro.
Saímos de casa, com Gumi trancando a porta logo após a cruzarmos.
Estava de noite, com as estrelas enfeitando o céu. Andamos por uma pequena distancia. Estava distraída admirando as casas, quando Gumi parou do nada e eu acidentalmente bati em suas costas. Ela olhou pros lados e eu olhei em volta. Gumi se agachou.
Espera, essa menina vai fazer xixi no meio da rua?!
–Gumi, o que quê... – Minha voz foi cessada.
Gumi puxou uma tampa de bueiro do meio da rua, revelando apenas um buraco escuro.
–Esgoto? – Perguntei já prevendo minha ânsia de vômito.
–Não se precipite, jovem padawan. – Ela sorriu olhando o buraco. – Pronta?
Dei um sorrisinho e estalei os dedos.
–Eu já nasci pronta.
Pulei naquele buraco escuro, que se revelou ainda mais escuro internamente. Aterrissei em um solo levemente escorregadio, mas ainda sim estável. Gumi desceu também, mas por uma escada que eu não havia percebido. Ela se apoiou com uma mão nos degraus da escada que era fixa a parede, do tipo que é necessário escala-la para subir. Logo após se apoiar, com a outra mão livre ela puxou a tampa do bueiro e o fechou.
–Tá escuro pra cacete aqui. – Reclamei.
Gumi pegou um isqueiro com o desenho da bandeira do Reino Unido, por um momento estranhei, mas depois conclui que devia ser roubado de um turista trouxa. Com essa pequena luz, ela começou a me guiar.
Falando sério, eu agarrei o braço da Gumi. Sentia que se me soltasse dela a escuridão logo atrás de mim iria me consumir.
–Nós nem chegamos na parte divertida. – Ela murmurou. – Ih, chegou.
Olhei para frente, me deparando com um buraco baixo, que seguia para mais baixo ainda, demonstrando uma leve inclinação.
–Isso é... – Apontei para o buraco.
–Um tobogã! – Ela exclamou animada. – Quer dizer, quase. – Ela me deu espaço. – Loiras primeiro.
Suspirei, me abaixando e me enfiando ali. Gumi me empurrou e eu deslizei pela aquela porcaria.
Dei um grito alto quando a inclinação ficou maior e absurda, e foi aí que eu percebi que eu estava descendo de ‘’tobogã’’ até o buraco do inferno.
Quando o tobogã escuro chegou ao fim, por eu estar naquela velocidade e impulso todo, eu fui arremessada pra frente, caindo de cara num colchão velho estrategicamente posicionado.
–Puta merda. — Murmurei. – Puta merda. — Repeti. Escutei uns gritos se aproximando e previ que Gumi estava chegando. Rolei pro lado no colchão e Gumi foi arremessada ao meu lado. –Puta merda, Gumi!
–É divertido... – Gumi disse se sentando no colchão.
–Quem que teve a mente doente de planejar tudo isso? – Perguntei bufando.
–Na verdade... – Gumi suspirou. – Isso aqui é uma rede de esgoto desativada... – Ela recuou um pouco.
–Então quer dizer que... – Comecei incrédula.
–Sim... – Gumi falava nervosa.
–Então quer dizer que... Onde eu escorreguei... No passado passava...
–Passava. – Gumi assentiu.
–QUE NOJO! – Gritei. – Gumi, olha a minha bunda! – Me levantei do colchão.
–Como assim?!
–Olha a minha bunda logo, caralho! – Inspira, expira. – Vê se ta suja! Eu não acredito que escorreguei num cano onde antes passava merda! Eu não quero ter que queimar o meu vestido, então vê se eu sujei!
–Ah... Não, tá tudo limpo. – Ela me assegurou.
–Graças aos deuses. — Suspirei.
–E a minha?
–Limpa também. – Cruzei os braços. – É bom que tudo isso valha a pena.
–Vai valer. – Ela olhou por trás de mim. – Estamos perto, olha lá.
Me virei de costas e vi um brilho vermelho, além de tudo, um calor começou a preencher o ar. Ela começou a andar em direção ao brilho e eu a segui. Andamos por uma espécie de corredor, se é que podemos chamar uma antiga galeria de esgoto de corredor, até avistarmos uma larga porta de aço com uma pequena abertura no meio, que fora bloqueada por uma espécie de chapa de metal. O que dava aspecto de uma pequena janela no meio da porta.
Gumi deu três batidas na porta que ecoaram por todo lugar.
A pequena janelinha se abriu, e eu só consegui ver uma boca.
–Qual a senha?
–Fala sério que clichê... – Murmurei.
–Não é clichê, é um ótimo método de segurança! – A voz se justificou.
–Ih, ela me ouviu. – Falei levemente surpresa.
–Vou repetir, qual a senha?
–É Friboi? – Falei.
–A senha é vai se foder porque não tem senha nenhuma. – Gumi respondeu.
Depois de alguns segundos, ouvimos um clique metálico, e a porta se abriu.
–Essa senha é de qualidade comprovada, hein. – Sussurrei para Gumi.
–E eu não sei disso? – Ela murmurou de volta.
Quando as portas se abriram completamente fiquei abismada.
–Rin, bem vinda a Underground, o mercado negro subterrâneo da Bifurcação da Noite! – Ela disse abrindo os braços como se fosse o Cristo Redentor.
Aquilo não era só um mercado negro, era uma cidade subterrânea!
Flashback pause
–Como assim eu fiquei encima de a porra de um tráfico inteiro e vocês duas não me avisaram nada?! – Len perguntou irritado.
–A gente não podia confiar em você. – Gumi rebateu.
–Sabem quantas prisões eu podia ter efetuado?! – Len ralhou.
–E como assim você sabe de tantas coisas desse tipo, Jujubinha?! – Piko se irritou. – Sabe o quanto você está envolvida?!
–EU JURO QUE CORTO FORA O PINTO DE QUEM ATRAPALHAR MAIS UMA VEZ A HISTÓRIA! – Luka gritou.
–Você faria isso com o Frangolino? – Gumi perguntou com os olhos marejados.
–Por insistência da Gumi, a gente tem uma galinha lá em casa. – Piko se explicou. – Ai nasceram uns pintinhos e...
–Esse não é o ponto! – Luka gritou.
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Aquilo era enorme. Era uma outra cidade. E eu não conseguia acreditar.
–Isso é uma miragem! – Falei olhando em volta. – Você me drogou e essa hora eu to chapadona lá no sofá com espuma saindo da boca!
–Na verdade... Não.
–Wow Gumi, sério, wow!
–Mas escuta, Rin. Essa área aqui é toda controlada pela família Kasane então tente não fazer merda.
–Família Kasane?
–Sim, Ted e Teto Kasane. Os irmãos Kasane. Desde que os pais foram presos por causa do tráfico de drogas, eles ficaram no comando de toda essa gente. – Ela me puxou pra perto, para ninguém ouvir nossas conversas. – Você tá vendo essa tatuagem no cara que está passando ali? É um pequeno ‘’K’’. Varia o tamanho de acordo com sua posição e importância na hierarquia Kasane. Esse ‘’K’’ te dá passagem a certos lugares, te poupa de brigas, pagamentos e até execuções com outras gangues. Por isso os Kasants, como são chamados os membros mais baixos, estão sempre estampando o ‘’K’’ por aí. É meio ridículo, tem gente que confecciona bandeiras e faixas, mas sempre tem um otário que compra. – Ela suspirou. – Esses manés chegam a pintar o cabelo de vermelho ou vinho na esperança de se parecer com os irmãos Kasane, ou sei lá, pra que sejam reconhecidos pelos dois como se fosse alguém importante.
–Tem otário pra tudo...
–O importante é nunca comprar briga com eles. Eles se juntam aos montes só pra atacar uma pessoa que fez algo para desgosto do Ted ou da Teto, então, já sabe. Nada de se meter com eles.
–Se não pode com eles... Junte-se a eles. – Murmurei.
–Exatamente. – Gumi concordou. – Vai na onda deles, segue o que eles disserem pra não dar merda.
–Então, pra onde vamos? – Perguntei admirando em volta. Eu finalmente entendi o brilho vermelho e o calor. Como o governo não faz ideia desse lugar, nenhuma energia elétrica é distribuída. Sim, está correto que fios de eletricidade que alimentam Tokyo passam no subsolo, porém fazer um ‘’gato’’ aqui seria arriscado demais. Então, pra iluminar, o fogo é usado. Tochas, velas, lamparinas absurdamente grandes iluminam toda essa cidade sem dar brecha pra sombra. Claro, o que normalmente lá encima é feito nas sombras, aqui é feito as claras. Só que isso resulta num calor do caralho.
–Vamos a uma festa, milady. – Gumi falou sorrindo. – Vem comigo, eu vou te levar a PaintStorm!
–PaintStorm? Que porra é essa?
–Vish, Rin. Você não tá por dentro.
–Quase certeza que não. Ah, espera. Certeza absoluta que não.
Gumi me arrastou até um lugar com uma música assustadoramente alta, e de início eu nem sabia como diabos estava saindo música sem eletricidade. Daí eu me toquei: Gerador. Mas, porra, se eles têm um gerador pra um clube-balada-puteiro, como eles não têm para o resto da cidade? Vá entender.
Eu e ela entramos naquele lugar que era quente, com música eletrônica no máximo, cheirando a bebida e uma fumaça suspeita.
Isso é, sem contar as pessoas se comendo pelos cantos.
Que delicia de lugar Gumi foi me arrastar.
–Gu... – Olhei pro lado. Aquele ser verde que me acompanhava havia sumido.
Ah, que merda.
Olhei em volta. PaintStorm tinha um nome apropriado. Literalmente, parecia que houve uma tempestade de cores ali. A porra da parede era colorida em outro nível. Havia uns grafites decentes até, mas sempre tem um merdeiro que só rabisca as paredes. Aquela pintura era praticamente latas de tinta arremessadas contra a parede, desenhos, coisas escritas sem nenhum tipo de nexo.
Já sei. A bandeira gay acasalou aqui.
Fui em direção ao bar daquele lugar, que com suas luzes leds quase queimavam minhas íris. As luzes do local piscavam incessantemente, e a merda mesmo era quando a luz negra era ligada, e as cores brilhavam em tom neon.
Encostei-me no balcão do barman e fiquei a fitar a multidão. Optei a ir no banheiro, mas com certeza iria ter gente se comendo nas cabines.
E eu aqui, com meu xixi simplório? Como é que fica?
Suspirei, passeando meus olhos na multidão vermelha atrás de uma cabeleira verde.
Achei. E nesse curto período de três minutos e vinte segundos, eu já sabia que minha amiga não estava mais sóbria.
Puta merda, ao infinito e ao além com BuzzLightear.
Gumi estava dançando, e graças aos deuses só dançando, porque podia estar se esfregando, e a cada vez que seu copo estava vazio, eu JURO, juro que vinha a porra dum gnomo encher o copo dela.
Eu não ingeri nada. Nem tequila, nem vodka, nem whisky, nem cerveja, e nem saquê. Mas aquela porra com certeza era um gnomo.
Fui andando até ela e a arrastei pelo braço até o espaço que considerei meu no balcão do barman.
–Gumi. – Falei gritando, até porque eu considero uma vitória eu ainda ter o sentido da audição com essa música. – Mas que droga, não desgruda de mim, mulher!
–Rin! – Gumi estava suada e com hálito de vodka, duas combinações nada boas. Sua franja estava colada na sua testa, e ela estava com um rubor assustador no rosto. – Eu vi um umpa-lumpa!
Mas que merda, cara. Foram só três minutos.
–Tenho certeza que aquela porra era um gnomo. – Olhei pra ela. – E eu tenho quase certeza que o correto é oompa-loompa.
–Tio Willy, eu quero ir na sua fábrica! – E ela começou a rir sozinha. – VOCÊS ESTÃO PRONTAS CRIANÇAS?
–O quê?
–ESTAMOS CAPITÃO. – Ela deu uma pausa. – EU NÃO OUVI DIREITO. ESTAMOS CAPITÃO! Oooooh, vive num abacaxi e mora no mar... Bob Esponja, Calça Quadrada!
Massageei as têmporas.
–Só um segundo. – Me virei pra trás. – Barman, uma dose de vodka, por favor.
Assim que o cara trouxe, eu imediatamente virei o copo.
Fiz uma careta ao sentir a queimação na minha garganta. Vodka só serve para algumas coisas, uma delas é te fazer feliz por um curto período de tempo, pode te fazer ficar triste ou depressivo, e fazer reflexões da vida, igualzinho no chuveiro. A segunda é que irá te fazer coisas que você normalmente não tem coragem de fazer, sendo elas boas ou ruins. E a terceira, é que te vai dar mais paciência.
Só que tem um porém.
Encha o rabo de cachaça, ganhe uma ressaca de graça.
E o jeito mais eficaz de combater essa merda que te fará ficar de mau humor pelo resto do dia e te fará usar óculos escuros mesmo que esteja chovendo, é se entupindo de água, o que consequentemente irá te fazer mijar eternamente.
Essa sou eu, Rin, uma flor delicada.
–É chato cuidar dessas bêbadas, né? – Escutei uma voz ao meu lado.
–Muito. – Estendi a mão e o cara apertou. – Meu nome é Rin, e o seu?
–Ted.
Espera.
Espera só mais um pouquinho.
TED?
E era naquele certo momento que eu percebi que isso só resultaria em merda.
Por impulso eu puxei minha mão do nosso aperto amigável.
–Eu fiz algo errado? – Ele perguntou educadamente.
O foda é que eu não sou educada. Mas eu sou sincera, tá valendo né?
–N-não. Nada, nadica de nada errado, que isso. – Dei aquele sorriso. Depois eu me virei pra Gumi, que estava morrendo encostada no meu ombro, cheguei perto do seu ouvido. – Gumi, a gente tem que vazar, a-g-o-r-a.
–Hum, porque Rin-Rin?
‘’Rin-Rin’’?
–Ah, Rin. – Senti Ted pondo a mão no meu ombro. Estremeci não só pelo fato do machucado estar se cicatrizando por ali, deixando aquela área sensível, mas também pelo fato que era o Ted que estava me tocando. – Eu também estou tendo que cuidar de uma bêbada inconsequente... – Ele remexeu o braço e eu vi uma criatura de maria chiquinhas enroladas levantar com cara de quem morreu. Era a Teto. – Daqui a pouco vai chegar o carro pra nos buscar, gostaria de uma carona?
Esse cara... Tão educado.
Mas sabem como é, os santinhos sempre são os piores.
Opa, isso me qualifica como ‘’Não tão ruim assim.’’ Haha, a vida é engraçada.
Só que tem umas coisas a analisar. A primeira é... Como é que tem carro aqui? A segunda é: Vou pegar carona com um estranho? Tá, eu sou estranha, mas isso não anula o fato de eu e Gumi sermos mulheres. A terceira e mais importante é:
Eu e Gumi não vivemos em Underground.
E eu acho que não somos tão badass a ponto de fazer o caminho inverso daquele tobogã nojento e inclinado. E além do mais, a Gumi tá a um ponto de dormir/morrer, o que, tragicamente, fode com tudo.
–Dizem que quem cala consente. – Ele sorriu. – Estou certo?
Não fode com o pagode, cidadão. EU TO NUMA DECISÃO CRUCIAL AQUI.
–Erm... É que...
–Oh, me perdoe, por acaso você não mora aqui em Underground? -Assenti. – Perdão, acho que não posso ajudar vocês então.
–Riiin, eu quero ir pra casa. – Gumi murmurou tão alto que acho que não pode ao menos ser considerado um murmúrio.
–Shhh, a gente vai arrumar um jeito.
–Mas eu quero agora! – Gumi bateu os pés no chão. Opa, agora ela incorporou uma criança birrenta?
–Mil perdões por não poder ajudar. – Ted deu um sorriso sem graça.
–Não, não é nada, não se preocupe. – Respondi acomodando Gumi no meu ombro, por mais que doesse, eu não podia deixar ela ali. Peguei seu outro braço e o envolvi por detrás da minha nuca, assim dando apoio a Gumi. – Tchau Ted. – Diga alguma coisa educada, peste. – Ah... E foi um prazer te conhecer.
–O prazer é todo meu. – Ele respondeu e colocou a mão no bolso. Retirou de lá um celular e observou a tela. – Ah, o veículo já chegou. Parece que irei te acompanhar até a saída.
–Nauuuuuuuum. – Gumi murmurou. – Eu quero ir pra casa!
–Se acalma criança. – Respondi já irritada.
Saímos eu e Gumi na frente de Ted e Teto, que estava com cara de quem iria se inscrever pra participar de The Walking Dead.
Assim que eu e Gumi saímos, morri de calor mais uma vez. Não havia nenhum tipo de brisa noturna, pois como aquilo era uma cidade subterrânea não havia luz solar ou lunar, ou até mesmo estelar.
Eu e ela nos deparamos com uma Ferrari vermelha modelo esportivo, aquelas do tipo que não há o ‘’teto’’ do carro, criando uma grande ventilação.
Havia um motorista no carro, que saiu do veiculo e nem se deu ao trabalho de retirar a chave da ignição, pois já conseguia ver Teto e Ted atrás de nós.
–EU QUERO IR PRA CASA AGORA!!! – Gumi num movimento ninja se soltou de mim, pulou no banco do motorista de um modo terrivelmente desengonçado, e durante o processo me agarrou pelo kimono me fazendo entrar no carro.
O fato é que ela pulou pra entrar na Ferrari, que mesmo não tendo o ‘’teto’’ tem as portas! Como fui arrastada pela Gumi, eu não tive tempo de reação. Minhas pernas simplesmente bateram na porta do carona, e eu cai lá dentro. Só que a merda está longe de acabar. Eu meti a cabeça no estofado do banco, e como a gravidade é super legal, e fui escorregando até bater a cabeça naqueles tapetinhos de carro, o que implicou em minhas pernas ficarem completamente pra cima.
Ah é. Estou de vestido.
Puxei meu vestido pra cima antes que eu tenha que usar violência para não ser violada.
Gumi deu partida no carro.
DEU PARTIDA NO CARRO!
E AFUNDOU O PÉ NO ACELERADOR.
Me levantei imediatamente e me endireitei. Virei pra trás e vi Ted e Teto nos encarando junto com uma galera que havia saindo do clube-balada-puteiro pra descobrir o motivo da gritaria da Teto. Se seus olhos fossem armas, eu e Gumi já seriamos carne de hambúrguer clandestino.
–Gumi, sua vadia loka! – Gritei morrendo de raiva. E medo é claro.
–Pam, pam, pam... Desejo todas inimigas vida longa... Pam, pam, pam... Pra que elas vejam cada dia mais a nossa vitória...
–GUMI! – Gritei.
–Bateu de frente é só tiro, porrada e bomba! Aqui dois papos não se cria e nem faz história. – Essa filha da mãe não me escutava.
Eu conseguia escutar os gritos da Teto a longe.
–Late mais alto que daqui eu não te escuto... – Ela começou a dançar, no que mais parecia um ataque epilético. E o que eu tenho a ver com isso?! Isso só pode ser uma punição pelas merdas que eu faço.
–Gumi, estamos num carro desgovernado, se concentra! – Gritei desesperada. – Eles vão querer nos matar!
–KEEP CALM E DEIXA DE RECAAAALQUE. – Ela pisava mais fundo no acelerador. – O meu sensor de piriguete explodiu! Pega a sua inveja e vai pra...
–PUTA QUE PARIU! – Gritei. – A GENTE VAI MORRER, MULHER!
E aí, mas só aí, ela pareceu acordar do transe.
–Eu não sei dirigir! TROCA DE LUGAR COMIGO!
–O quê? Não! – Meus cabelos voavam ao vento.
–Troca agora, Rin! – Nota mental: Gumi e vodkas, nunca mais.
–NÃO! – Me virei pra trás e vi algumas pessoas entrando em carros e dando inicio a uma perseguição. – PUTA MERDA GUMI, PISA NESSE ACELERADOR!
–NÃO! EU NÃO SEI DIRIGIR, TROCA AGORA!
–SÓ PISA NA DROGA DO ACELERADOR!
–Qual deles é o acelerador?! – Ela gritou desesperada. – O do meio, o da direita, ou o da esquerda?!
–Eu não sei, caralho! – Gritei de volta. Como a porra do carro pode estar a essa velocidade toda sem ela estar pisando no acelerador?!
Ela gritou e afundou o pé.
E o carro começou a dar ré.
–NÃO, NÃO, NÃO!!! – Gritamos.
Os carros que estavam atrás de nós não pararam e nem nós.
‘’BAM’’ Batida de carro.
Batemos a traseira do carro na dianteira de um Audi.
–A FERRARI DO PAPAI! – Teto gritou segurando com força na cintura de Ted, que vinham ao nosso encontro com uma moto.
–A gente pegou a Ferrari do pai deles?! – Gritei desesperada.
Gumi começou a surtar.
–TROCA RIN, TROCA!!!
Ela se jogou no meu lugar e eu fui obrigada a me jogar no lugar dela, e tudo na maneira mais desengonçada possível.
Coloquei o pé em qualquer porra, e o carro começou a acelerar, mas acelerar mesmo, passando de 200 km.
–Eu não sei dirigir, sua peste! – Gritei praticamente me cagando de medo. – Controla a marcha!
–Isso aqui não tem cambio automático?! – Gumi gritou.
–O que caralhos é cambio automático?! – Soltei um gritinho quando quase acertei um pombo.
Pombos são animais. Não maltrate os animais. Pelo menos é isso que dizia os adesivos que eu catei de uma banca.
–CUIDA DA MARCHA, DROGA! – Eu não tirava o pé do acelerador. Até agora eu estava indo bem. A rua continuava reta, então era só questão de não encostar nas beiradas.
–Entendido! – Gumi começou a mexer na marcha, e hora ou outro o carro dava solavancos, quase nos jogando pra fora dele.
Olhei pra Gumi, que mexia na marcha feito uma surtada, como se aquela merda fosse um joystick de maquinas de jogos antigos. Esqueci que ela estava bêbada.
–PARA COM ISSO! – Gritei.
–EU NÃO SEI O QUE FAZER! – Ela começou a apertar os botões do carro, ligando o ar condicionado, ativando o para brisas e o alarme do carro. – RIN, ELES ESTÃO VINDO!
Eu e ela automaticamente olhamos pra trás.
E a merda continua.
Olhamos novamente pra frente. Havíamos chegado no meio da cidade, e no inicio do mercado negro. Ele parecia uma feira, onde há barracas vendendo todo o tipo de coisa. E agora, como é que uma Ferrari vai passar no meio de um milhão de barracas e pessoas?!
Eu e ela gritamos.
–EU NÃO QUERO MAIS DIRIGIR! – Tirei as mãos do volante e levantei meus braços.
–O quê?! PEGA NESSE VOLANTE AGORA! – Gumi pedia desesperada.
–Não! – Olhei pra frente íamos colidir com a primeira barraca agora. – Eu vou tirar o pé do acelerador!
–NÃO! Eles vão nos pegar se pararmos!
Nos entreolhamos.
–SAÍ DA FRENTE, SAÍ DA FRENTE! – Começamos a gritar.
Então a Ferrari começou a atingir todas as barracas que entravam na frente. Os comerciantes se jogavam pra não morrerem. As coisas caiam no chão e quebravam, produtos eram estragados, armas caiam no chão e atiravam sozinhas, cartas saiam voando por aí, amuletos mágicos de sei-lá-o-quê caiam no chão e nos amaldiçoavam, mas caralho, não dava pra parar.
Começamos a gritar mais alto e nos abraçar. Eu com pé no acelerador e Gumi completamente louca, digo, mais louca.
Quando os gritos da população cessaram, eu e Gumi paramos de gritar e vimos que tínhamos acabado de destruir o mercado negro. Nos viramos pra trás e vimos que bloqueamos as passagens de nossos perseguidores.
Voltei a virar pra frente e colocar as mãos no volante.
–R-Rin... A gente... A gente... A GENTE ACABA DE DESTRUIR METADE DO COMÉRCIO DA FAMILIA KASANE, E ESTAMOS LEVANDO A FERRARI DO PAPIS!
–Como a gente vai sair daqui? – Perguntei tentando retomar o controle.
–Eu te guio... Tem uma entrada pra carros... E será a nossa saída... – Gumi murmurou. –Hahaha, beijinho no ombro, Teto!
–Porra Gumi... – Murmurei quase não acreditando. – A Teto ta muito puta com a gente.
–Eu sei... – Gumi suspirou.
–Argh! – Praguejei apalpando meu pescoço. – Eu acho que algum destroço do mercado negro me acertou... – Desviei o olhar do volante. – Ei, Gumi, eu estava pensando, nós somos amigas, certo?
–Não. – Ela balançou a cabeça. – Eu não quero ser sua amiga, Rin.
Eu quero ser a melhor.
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