Aqui estou eu, cara a cara com Jack Sparrow, só nós dois no Tártaro, no baú de Davy Jones e meu coração está saltando pela boca, eu preciso dizer a ele uma coisa, apenas uma coisinha e tudo se resolve, mas porquê não é tão simples assim de se dizer?

– Jack... — eu fiquei olhando pra ele, eu não conseguia concentrar em minha respiração, meu coração parecia que ia pular tão forte que ia estourar meu peito. — Eu... — é agora, fala Kaos, fala, só... fala. — Eu vim salvar você — droga, não consigo!

– Me salvar? — ele me olhou estranho e eu balancei a cabeça. Eu estava nervosa, suando frio. Jack deu uma risada breve e apontou a pistola para mim.

– Wow! — coloquei minhas mãos à frente impedindo-o. — Jack, o que está fazendo?

– Você não é real.

– Sou sim, bem real, okay? — eu disse assustada.

– E por quê eu deveria acreditar que a Kaos veio me resgatar? Ela não tinha razões pra isso. Se tornou Capitã, com a capacidade dela ela conseguiu um navio, tem uma ótima tripulação, por que ela viria ao mundo dos mortos atrás de mim?

Aaaarg, não acredito que vou ter que dizer, pensei nervosa.

– Porque... — droga, droga, droga, droga. Olhei nos olhos dele com cara de sofrimento. — Porque eu te amo — eu disse balançando a cabeça em negativa, não acreditando que eu disse aquilo e até revirei os olhos e minhas mãos ficaram inquietas e quando olhei novamente para Jack, ele disparou um tiro contra mim que eu desviei rapidamente. — Jack! Você enlouqueceu? — gritei sem entender.

– Agora eu tenho certeza que você não é a Kaos.

– O quê? — eu estava histérica.

– A Kaos nunca diria que me ama.

– Eu sei! Eu não diria mesmo, isso é tão ridículo de dizer, mas... caramba Jack, eu amo você — eu revirava os olhos todas as vezes que dizia isso.

Ele ainda apontava a arma para mim e eu o olhava nos olhos, nervosa por dizer.

– Kaos, eu estou aqui, vendo milhares de versões de mim mesmo, tudo coisa da minha cabeça e o que me garante que você também não é uma criação minha? Porque eu não acharia nem um pouco ruim se você chegasse dizendo que me ama.

– Espera... você esperava por esse momento?

Ele revirou os olhos e abaixou a arma.

– É óbvio. Eu já sabia que você me amava, mas queria que dissesse.

– Por favor — comecei a rir, achando ridículo. — Nem eu mesma sabia que amava você, como você sabia? Isso é ridículo. Ridículo! Viu, por isso não queria dizer nada, olha que estúpido, agora você vai ficar se achando o tal. Blá, blá, blá, a Kaos me ama, blá, blá, blá...

– Kaos — ele me fez parar e eu olhei pra ele nervosa -, deixa de ser boba, eu amo você — ele disse com um sorrisinho e depois achou estranho. — Você tem razão, é meio idiota dizer isso.

– Viu... eu disse.

– Que tal mudar para: eu gosto de você pra caramba? — nada mal, eu pensei. — Kaos, eu gosto de você pra caramba. Olha, gostei — ele deu uma risadinha. — É isso, eu gosto de você pra caramba, de uma maneira estranha ter você do meu lado é muito divertido e agradável — ele disse e sorriu. Comecei a rir com vergonha e ele riu de mim. — Vem cá — ele me chamou com os braços abertos. Revirei os olhos do quanto aquilo era patético e como eu não parava de sorrir, comecei a andar em direção a ele e então de repente ele sumiu, tudo sumiu e voltei ao salão em ruínas e tudo o que eu ouvi foi a risada de Eris e o meu sorriso sumiu.

Ela pegou em minha bochecha e apertou.

– Que gracinha, não é mesmo? — ela gargalhou enquanto tirei as mãos dela do meu rosto. — Só achei chato a parte em que você desviou da bala, seria tão divertido se ele atirasse em você, não acha?

– Não — respondi séria e nervosa.

– Aah, cadê o seu senso de humor? — ela perguntou jogando seus cabelos flutuantes para o lado. — Bom, enfim, eu disse que ia liberar Jack do Tártaro e vou mesmo fazer isso, mas como vocês vão sair daqui, já é problema de vocês — ela riu. — E é claro, como eu gostei de você Kaos — ela disse meu nome com certo prazer -, te darei um quinto do meu poder, mas se você começar a usá-lo para o bem e toda essa ladainha ridícula, eu vou matar você.

– Não é mais fácil você só tirar os poderes de mim?

– Não posso tirar ele todo, você o puxou quando foi batizada com esse nome maravilhoso, então o único modo é matando você, porque assim até a nossa ligação acaba — ela sorriu como se fosse simples e eu concordei como se fizesse sentido. — Então, minha querida Kaos, minha miniatura de Simbad, boa sorte ao sair do Tártaro — ela tocou em meu nariz e de repente a água do mar me envolveu e ela foi desaparecendo, ela e todo o local foi trocado pelo fundo do oceano.

Olhei ao redor e meus movimentos estavam lentos e eu consegui respirar debaixo d'água, meu cabelo flutuava lentamente e eu sorri ao olhar para as minhas mãos. Pelos deuses, eu tinha um quinto do poder de Eris comigo! Eu tinha um quinto para trazer o caos ao mundo. Sorri, minha ganância era incrível e eu estava me sentindo ótima. Comecei então a nadar, não sabia quanto tempo poderia ficar com um quinto de poder e não queria testar agora. Comecei a nadar em direção a um pedaço de terra. Comecei a caminhar na praia com o corpo pesado de água e lá no final eu vi todos os marujos. Rato veio correndo e me abraçou pela cintura, como costumava fazer.

– Capitana! És tão bueno ver usted — ele disse emotivo como sempre e eu o abracei sorrindo.

Kyle chegou e abraçou nós dois, nos espremendo e nos levantando no ar. Andamos até os outros rindo e eu espremendo meus cabelos para sair o excesso de água.

– Por que estão todos aqui? Cadê o navio? — perguntei.

– Bom... — Kyle olhou para o lado e me mostrou os restos do navio.

– Barbosa, você é um péssimo Capitão — eu disse.

– Você que não é tão boa em pensar nas consequências dos planos — ele disse.

Eu ia começar a falar nervosa com ele, eu senti meu corpo arder em chamas quando comecei a ficar nervosa.

– Você está bem Kay? — Will perguntou, interrompendo a minha raiva, ele realmente parecia preocupado e eu senti uma presença estranha, mas ignorei.

– Estou — respondi com um sorriso.

– Você viu o Jack? — Elizabeth perguntou.

– Vi — respondi sem olhar para ela, me concentrando em meus cabelos.

– E onde ele está?

– Ele... — onde ele estava?, pensei. Então senti a presença dele se aproximando. — Ele está ali — apontei para um espaço vazio que foi rapidamente preenchido pelo Pérola Negra, sendo carregado por vários caranguejinhos de pedra, como se eles fossem água e então eles levaram o Pérola de encontro com a água do mar.

– Impossível — disse um chinês.

– Barco — disse o olho de vidro abobado.

– Me dê uma surra e me mande pra mamãe! É o Jack! — disse Gibbs animado indo em direção ao navio.

Elizabeth também queria acompanhar Gibbs, mas ela parou no meio do caminho. Eu nem me movi, fiquei parada ali no mesmo lugar, meu estômago começou a esfriar e minha cabeça a girar. Por Eris, eu ia encontrá-lo mesmo agora e meu coração disparou de novo.

Jack então chegou até nós por um bote e todos foram correndo ao seu encontro gritando vivas, até Dalma estava no meio de nossos homens. Barbosa, Will, eu, Kyle, Rato — que ficou animado de vê-lo vivo e comemorou ao meu lado — e todos os chineses, ficamos parados, observando ele chegar. Eu estava mais atrás de todos.

– Jack!

– Sr. Gibbs!

– Eu, Capitão.

– Eu espero que me dê conta de suas ações.

– Ações?

– Tem havido uma perpétua e violenta falta de disciplina em meu navio. Por que? Qual o motivo Senhor?

– O senhor está no baú de Davy Jones, Capitão.

Jack ficou um tempo em silêncio.

– Eu sei disso — respondeu por fim e eu dei uma risadinha discreta. — Eu sei onde eu estou, não pense que eu não sei!

– Jack Sparrow — disse Barbosa se aproximando.

– Hector! — ele disse animado. — Faz muito tempo, não faz?

– É... Isla de Muerta, se lembra? — Barbosa era tão irônico. — Me baleou.

– Nada disso — Jack sorriu. — Tia Dalma! — ele se aproximou dela. — Veio dar uma voltinha? Você dá um sabor macabro a qualquer navio — ele disse animado.

– Ele acha que somos alucinação — disse Will.

– William, diga-me uma coisa: você veio porque precisa de ajuda para salvar uma certa perigosa donzela, quero dizer, uma donzela em perigo, tanto faz.

– Não — Will respondeu sério.

– Então não estaria aqui, estaria? Não pode estar aqui, portanto não está aqui! — ele disse animado.

– Somos reais — disse Elizabeth. — Jack, estamos aqui.

Jack ficou estranho e então me viu. Ele espremeu os olhos e veio ao meu encontro.

– Kaos... — ele me encarava seriamente.

– Jack — eu disse olhando-o nos olhos em seguida e engolindo em seco.

– Eu sabia que era alucinação e estou tendo de novo, certo?

– Não.

– Então... aquilo aconteceu?

– Quando você disse que gostava de mim pra caramba? Sim, aconteceu.

Nos olhamos por um tempo e ele começou a observar os detalhes do meu rosto, ele pegou em minha nuca e se aproximou mais ainda de mim. Meu coração explodiu em batimentos e então ele me beijou. Eu puxei sua camisa e continuei o beijo. Pelos deuses, que beijo é esse? Como pode ser tão perfeito, como meu corpo pode ficar tão anestesiado e quente dessa forma, não me lembro de um beijo ser tão caloroso como esse. Então ele parou e olhou em meus olhos ainda segurando minha nuca e bem perto de mim.

– Eu realmente gosto de você pra caramba — ele deu uma risadinha e um sorriso que eu correspondi e nós voltamos a nos beijar, com os corpos mais próximos ainda.

– Caham — Will pigarreou e nós dois paramos de nos beijar, percebendo que tinha mais gente ao nosso redor. Fiquei com um pouco de vergonha, mas ela passou rapidamente. Jack envolveu seu braço em meu pescoço e me puxou para perto de Gibbs, fechando nós três em uma conversa privada.

– No baú de Davy? — ele perguntou.

– Sim — Gibbs respondeu.

– Viemos resgatar você! — gritou Elizabeth.

– Não me diga — ele virou ironicamente para Elizabeth e eu e Gibbs trocamos olhares e voltamos a olhar para os dois. Eu estava quase rindo do quanto Elizabeth estava ridícula naquele momento. — Quanta gentileza, mas parece que, como eu possuo um navio e vocês não, são vocês que precisam de um resgate e eu não sei se estou afim.

– Eu vejo o meu navio — Barbosa apontou para o Pérola. — Ali está.

– Eu não vejo. Talvez uma canoazinha escondida atrás do Pérola — disse Jack apertando os olhos para enxergar.

– Jack, Lorde Becket está com o coração de Davy Jones, ele controla o Holandês Voador — disse Will.

– Está dominando os mares — disse Elizabeth.

– A canção já foi cantada — disse Dalma. — A Corte da Irmandade foi convocada.

Eu tenho um quinto dos poderes de Eris, mas quem se importa, pensei.

– É só deixar vocês sozinhos por um minuto e tudo vai por água abaixo — disse Jack se afastando deles.

– Jack, o mundo precisa de você e bem depressa — disse Gibbs.

– E você precisa de uma tripulação — disse Will.

– Por que eu devo viajar com um de vocês? Quatro já tentaram me matar no passado, uma de vocês conseguiu. A única confiável para viagem é a Kaos, em quem eu acredito mesmo que veio me buscar porque ela gosta de mim pra caramba e... oh, ela não te contou William? Vão ter muito o que conversar enquanto estiverem aqui, não é mesmo Elizabeth? Quanto a você — ele se direcionou a Dalma.

– Ora, não me diga que não gostou naquele dia — ela disse mexendo na barba dele e eu comecei a prender o riso e Jack deu uma risada sem graça.

– Está bem, está contratada junto com a Kaos e os homens dela. Você não, me assusta — ele disse para o olho de vidro. — Gibbs pode vir, Martin — ele se direcionou ao anão e pulou o careca com certo nojo. — Cotton — ele disse animado para o mudo. — Papagaio do Cotton eu não sei, mas pelo menos vou ter com quem falar. E quem é você?

– Tai Huang — disse o chinês. — E meus homens.

– E você serve a quem?

– A quem pagar mais.

– Eu tenho um navio.

– Então agora eu sirvo a você.

– Muito bem. Levantar âncora todos vocês! Preparar para partir! — ele ordenou e todos foram em direção ao bote para retornar ao Pérola.

– Jack — Barbosa começou a dizer. — Para onde está indo, Jack? — Barbosa bateu no mapa e eu o fuzilei com o olhar, maldita hora que deixei o mapa com ele e Will.

Jack e eu nos olhamos com certa impaciência e suspiramos pesadamente.