Kaos - A Filha de Simbad

17 Mais uma vez na droga de Port Royal


Notas iniciais
Kaos estava finalmente livre e era Capitã do Pérola, mas ela não se sentia Capitã do Pérola e então percebeu que precisava de Jack para conseguir seu navio que ele prometera e então, mais uma vez ela vai para Port Royal resgatar o Capitão Jack Sparrow.

Eu fiquei olhando o horizonte enquanto navegávamos, devo confessar que de tanto ficar apoiada na proa eu já estava acompanhando o balanço do mar. Fiquei ali apoiada sobre meus braços até o sol nascer. Eu não conseguia dormir, minha cabeça estava voando no que eles fariam com Jack em Port Royal. Depois achei que Elizabeth usaria seus dons femininos para salvá-lo, mas da última vez não deu certo, ele foi para a prisão e eu o tirei de lá.

Levantei meu rosto da proa e fiquei olhando para a madeira do navio, esse navio não era meu, eu não conseguia me conectar a ele, tudo nele me fazia pensar em Jack e me lembrava de que o navio era dele. Olhei para o horizonte novamente, o vento jogava meus cabelos com suavidade.

– Eu preciso salvá-lo — eu disse.

Droga, não acredito que vou pisar em Port Royal mais uma vez.

– Marujos! Vamos voltar para buscar Jack Sparrow — gritei indo em direção ao timão.

– A Senhorita tem certeza? — disse o Sr. Gibbs.

– Tenho. Esse é o navio dele — e cheguei ao timão, preparando para fazer uma curva rápida a estibordo, os marujos trabalharam depressa para que minha curva fosse possível.

Navegamos com o vento a nosso favor, além do Pérola ser realmente rápido, chegamos antes do meio dia e eu fiquei super determinada com o meu plano, ele tinha absolutamente tudo para dar certo.

– Se disfarcem, vão para o local de execução e me deem cobertura quando as coisas começarem — eu ordenei para a maioria dos marujos e Kyle. — Rato e os outros fiquem aqui e vigiem o navio. Kyle, tente realmente se disfarçar, por mais difícil que seja — afinal ele era enorme, tinha muitos músculos.

Ele cruzou os braços e deu uma risadinha.

– Simbad se foi mas a piada fica até com a filha — ele disse rindo e se preparando para sair do navio.

Eu sorri, gostei de ser parecida com o meu pai, isso sim me deixava muito feliz. Saímos em um bote e nos separamos. Peguei um pano abandonado e fiz ele como uma capa com capuz. Fui andando e vi uma cesta que devia ser de alguma mulher fazendo compras, estava com alguns pães, passei perto e peguei a cesta como se não fosse nada. Como eu era ótima em saquear — já saqueei até mesmo meu pai sem ele nunca notar — ninguém notou que a cesta havia desaparecido. Fui até a casa dos Bench e bati à porta, eu sabia que Capitão Bench não estaria lá e sim na execução de Jack Sparrow.

Genevieve, uma empregada da casa, abriu a porta, ela gostava de mim e eu suspirei aliviada, mas será que Bench não havia dito a ela que eu era uma pirata? Talvez, teria que arriscar.

– Oi Genevieve — eu disse sem tirar o capuz, mas deixando que ela visse meu rosto.

– Senhorita Kay! — ela disse animada. Graças aos deuses ela não me odiava. — Que bom ter a Senhorita de volta! Você está bem? — ela abriu a porta para que eu entrasse.

– Sim, estou. Constance está em casa? — eu perguntei.

– Sim, vou chamá-la. Ela ficará tão feliz! — ela sorriu, deu um pulinho e subiu as escadas para chamar Constance.

Eu fui atrás dela devagar, subindo as escadas ainda de capuz e com a cesta na mão.

– O quê? — ouvi Constance perguntar.

– Sim Senhora, é ela — Genevieve ainda estava frenética.

– Mas...

Apareci na porta do quarto de Constance, apoiei na beirada e tirei o capuz.

– Oi Constance — sorri.

Constance ficou sem reação, depois de alguns segundos ela se levantou e levou a mão à boca, eu podia jurar que seus olhos começaram a lacrimejar.

– Kay — ela disse com a voz embargada.

Eu corri e a abracei. Caramba, eu gostava muito da Constance e não sabia que vê-la faria meu coração disparar tanto de alegria.

– Oh minha menina — ela disse me abraçando forte e Genevieve pediu licença fechando a porta. — Pensei que tivesse morrido quando vi só o pirata voltando com Bench — ela se afastou e pegou em meu rosto. — Ele disse que você entrou com ele num lugar cheio de piratas imortais e não voltou mais. Ele se alegrou ao me dar a notícia de que você havia morrido — Constance chorou mais e olhou cada detalhe do meu rosto.

– Desculpe por desejar que ele morresse nesse combate também — eu disse meio sem jeito.

– Oh meu amor, tudo bem, eu entendo, as vezes tenho vontade de matar o Alex também — ela disse rindo e chorando e eu ri com ela.

– Constance — comecei a dizer. — Preciso da sua ajuda, eu preciso salvar o meu amigo da forca, ele não é mal como os outros do Pérola, aqueles que nos atacaram, ele é como eu.

– Claro querida, o que eu posso fazer para te ajudar?

– Preciso de um dos meus vestidos, você ainda os tem?

– Claro. Alex queria queimá-los, mas não deixei ele tocar em nada. Você é a minha garotinha e ninguém vai tirar sua lembrança de mim, nem outra criança — ela disse determinada indo até o meu antigo quarto e pegando um vestido. Que mulher incrível você é Constance, pensei.

– Obrigada — eu disse sorrindo e coloquei o vestido por cima da minha roupa de pirata e escondendo o meu colar dentro dele.

– Ainda não entendo porquê esconde esse colar.

– Tenho mania de escondê-lo desde sempre — eu ri.

– Ele é roubado?

– De certa forma sim — eu disse sorrindo e olhando para a pedrinha brilhante e clarinha com um leve toque turquesa. Respirei fundo e o escondi novamente.

– Ainda não vai me contar, não é?

– Desculpe Constance — eu sorri de lado, ela nunca ouviria a história do meu colar, porque eu provavelmente nunca voltaria à Port Royal.

Eu abracei forte, agradeci pelo vestido, peguei um leque e saí.

– Kay — Constance me chamou e eu me virei. — Onde conseguiu essa cesta?

Dei uma risadinha e Constance balançou a cabeça negativamente. Saí correndo e fui para a cerimônia de enforcamento. Uma multidão estava lá e os tambores começaram a tocar. Jack estava lá, com as mãos amarradas para frente e de frente para a forca, olhando para ela como se ela não fosse nada importante. Olhei para os lados e reconheci Kyle facilmente, dei uma risadinha e balancei a cabeça, ainda bem que ninguém mais conhecia Kyle e ele passaria por uma pessoa qualquer. Procurei então por mais uma pessoa que poderia me ajudar e fui até lá.

– Will — sussurrei ainda com o leque na minha cara.

Will estava vestido bem, como um cavalheiro, com um chapéu com uma pena enorme. Como podia gostar de toda essa bobagem?

Will engasgou quando percebeu que estava falando comigo.

– O que está fazendo aqui? Se eles te pegam você é quem vai pra lá, junto com Jack — ele sussurrava preocupado.

– Eu sei. Eu não consegui deixar ele pra trás — eu disse revirando os olhos.

– Entendi — disse Will sorrindo e me olhando com olhares melosos.

– O que foi? — ele me olhou com a cara que eu fazia quando ele negava que estava olhando para Elizabeth com olhares apaixonados e então lhe dei um soco no ombro. — Deixa de ser idiota Will, eu não gosto do Jack.

– Pode falar Kay.

– Não. Eu não gosto dele. Eu prometi que não ia sair do pé dele enquanto ele não me desse um navio.

– Você tem o Pérola, por que buscá-lo?

– Porque eu quero o meu navio. Aquele navio não é meu e ele me prometeu um poderoso, mais que o Pérola e se eu não o tiver, não terei meu navio.

– Você é muito estranha.

– Você que é muito romântico. Vai me ajudar a tirar Jack de lá?

– Não sei...

– Ele já te ajudou várias vezes Will, você sabe que ele não merece morrer, não enforcado aqui em Port Royal pelo menos.

Will parou um tempo para pensar. Respirou fundo, olhou para Elizabeth, não sei porquê, coisa de românticos e então me deu a resposta.

– Tudo bem, vou te ajudar.

Sorri, estava tudo indo muito bem. Nos misturamos no meio da multidão, mas me afastei de Will para que Bench não me notasse.

– Que Deus tenha piedade de sua alma — finalizava o cara que falava todos os crimes pelos quais Jack estava sendo enforcado.

Que Deus tenha piedade da alma de vocês seus assassinos, pensei.

Então o tambor disparou e eles colocaram a corda no pescoço de Jack. Meu coração tamborilou junto com os tambores, o que eu faço? O que eu faço? Eu não podia tirar a espada de debaixo do vestido naquele momento. As pessoas começaram a ficar agitadas, Will tirou a espada e começou a afastar a multidão. Elizabeth desmaiou, o que chamou atenção do Senhor Swan e do Comodoro. Aproveitando a bagunça, comecei a me aproximar do local onde Jack estava pronto para ser enforcado. Então os tambores pararam de tocar, era agora. Não!

O capanga abriu a portinhola do chão para que Jack caísse e fosse enforcado e Will jogou a espada, onde Jack conseguiu apoiar seus pés, mas ainda assim ele poderia morrer. Larguei o leque para o lado, subi minha saia e tirei a espada que passara para minha perna. O capanga tentou me impedir, mas eu enfiei minha espada em seu estômago, pois alguém que mata piratas com essa facilidade merece morrer. Cheguei perto do Jack enforcado.

– Kaos, você é louca? — ele disse meio enforcado.

– Cala a boca — eu disse quando cortei a corda que o prendia e ele caiu no buraco. — Agora! — gritei e os marujos começaram a nos defender dos tiros que toda a guarda começou a disparar.

Pulei lá de cima, ajudei Jack a se levantar e cortei a corda que prendia suas mãos. Will veio nos ajudar a escapar também. Encostei em meu queixo e apontei para o navio, era o sinal para Kyle e os outros recuarem assim que pudessem. Kyle era o único que entendia o sinal, então ele foi falando para os outros. Will e Jack correram segurando a corda que Jack tirara do pescoço e eu fui atrás arrancando meu vestido para voltar à minha roupa de pirata.

Então eles usaram a corda para virar três soldados, passei por cima do do meio, depois fizeram com os três seguintes, o do meio tentou lutar comigo, afastei sua arma com minha espada e lhe dei um soco na cara, fazendo ele desmaiar. Em seguida vieram dois, Will e Jack foram cada um para um lado da pilastra e amassaram os soldados contra ela. Passei por eles e os dois que vieram eu abaixei a espada de um e o soquei, Jack e Will socaram o outro enquanto ainda corríamos. Outros dois tentaram e ambos deram uma cambalhota e Jack me empurrou antes de dar a dele. Fui de cara com um soldado, girei e afastei sua arma com minha espada. Nos três nos encontramos em outra pilastra e ficamos encurralados com um monte de armas. Giramos com as costas encostadas umas nas outras e Will bateu sua espada em cada lâmina da arma dos soldados.

Comodoro apareceu colocando sua espada no pescoço de Will.

– Eu até achei que poderíamos enfrentar uma tentativa inconcebível de fuga — ele disse sério e eu e Jack nos viramos para olhá-lo. — Mas não de você.

– Quando retornamos à Port Royal, lhe concedi clemência e é assim que me agradece? Dando ajuda a esse homem? — disse o Senhor Swan. — E quanto a você, acreditamos que tinha morrido — ele disse para mim.

– Ainda não — eu disse como se fosse algo do meu dia a dia e dando de ombros.

Elizabeth apareceu toda pomposa como ela sempre ficava em cerimônias.

– Eles são piratas! — disse o Senhor Swan.

– E boas pessoas — disse Will, finalmente, que orgulho. Ele soltou a espada dele e eu guardei a minha. — Se tudo o que eu consegui foi que o carrasco ganhasse mais dois pares de bota, que seja — só que não querido Will, pensei. — Minha consciência está tranquila — A minha não, eu quero sair daqui, pensei.

– Você esqueceu o seu lugar Turner — disse Comodoro. — Você e a piratinha do Bench.

– Eu não sou do Bench — eu disse e Jack pediu para que eu ficasse com quieta com suas expressões.

– É este o meu lugar — disse Will encarando-o. — Entre você, Jack e Kay.

– O meu também — disse Elizabeth se aproximando de Will e pegando a mão dele.

– Elizabeth — disse o Senhor Swan indignado. — Abaixem suas armas — gostei disso. — Pelo amor de Deus, abaixem! — como todo bom pai faz por suas filhas, pensei.

– Então Elizabeth, é aí que está seu coração? — disse Comodoro chateado.

Eu e Jack nos olhamos, era muito drama e muita melosidade, pelos deuses.

– É sim — ela disse.

– Então, está tudo muito lindo, muito romântico — comecei a dizer entre os dois -, muita decepção, não é mesmo Comodoro? Mas então... acho que está na hora de eu e meu amigo aqui partirmos, não é mesmo Jack? — eu disse começando a andar para trás.

– Sim — disse Jack. — Acho que todos chegamos a um lugar muito especial, não acham? — disse Jack falando bem perto do Senhor Swan e ele fazendo cara de nojo. — Quero que saiba que eu estava torcendo por você, amigo — ele disse para o Comodoro. Eu já estava no meio do caminho assistindo àquele discurso. — Elizabeth — ele a olhou com pena. — Nunca daria certo entre nós querida. Eu sinto muito.

Comecei a rir e eles olharam para Jack com uma cara estranha. Vi que ele estava vindo e subi na ribanceira de onde Elizabeth despencara da última vez.

– Will! — Will olhou para ele. — Belo chapéu.

Will sorriu e olhou para mim. Sussurrei um obrigado para ele e finalmente estava pronta para pular dali e ir embora novamente de Port Royal. Jack chegou do meu lado.

– Amigos! Este é o dia que vocês sempre irão lembrar como...

Eu o empurrei pelo peito e todos ficaram surpresos.

– Pelos deuses, não aguentava mais — subi na beirada, coloquei dois dedos na testa e me despedi deles dessa forma. — Mande lembranças à Alex Bench — eu disse com um sorriso e me jogando de costas do penhasco.

Caímos na água e voltamos para a superfície.

– Navio à vista! — um dos soldados gritou.

Jack olhou para trás e sorriu.

– Por nada — eu disse ao lado dele batendo meus pés para não afundar.

– Por que você voltou?

– Você me prometeu um navio poderoso Capitão Jack Sparrow e eu o quero muito. Terei sempre que ficar repetindo isso pra você?

– Estou esperando você dizer que foi pelo meu charme.

Eu gargalhei.

– Nunca me ouvirá dizer isso.

– Será? — ele deu uma piscadinha.

Eu balancei a cabeça negativamente ainda rindo e nadei de volta para o Pérola. Olhei para trás e ele não me seguia.

– Você não vem? — perguntei.

– Vou sim — ele sorriu e começou a nadar.