Notas iniciais
O Pérola Negra apareceu para invadir Port Royal e Kaos está preocupada em saber se Jack Sparrow fora embora sem ela. Kaos percebe que Jack Sparrow tivera um grande azar para escapar da prisão e que os tripulantes do Pérola Negra o odeiam, assim, ela tem Jack Sparrow em suas mãos.

Voltei para casa animada, deitei na cama e não consegui dormir. Olhei para a janela, pelo jeito que as estrelas estavam, notei que era um bom tempo para navegar e pude até sentir o cheiro da água do mar. Claro que tudo não se passavam de lembranças minhas, mas agora estava tudo cada vez mais perto de se realizar.

– Kay? — Constance entrou no quarto e se aproximou da minha cama.

– Olá Constance. Algum problema? — me sentei na cama e ela se sentou no canto, de frente para mim.

– Ficamos sabendo que você visitou a prisão dos piratas — ela me olhou preocupada.

– Fui. Desculpe, eu precisava ver o pirata.

– Kay...

– Constance, ele é a minha chance — eu falava baixo. — Ele é a minha chave para voltar ao mar.

– Mas querida, isso não será bom pra você, você pode se ferir, pode ser morta, você não andará conforme a lei.

– Eu sei, mas foi onde eu nasci, é onde eu devo estar.

Constance colocou a mão em meu rosto, fez carinho e começou a chorar. Coloquei minha mão em cima da dela e a olhei com ternura.

– Constance...

– Você é a minha garotinha Kay, não quero te perder.

Olhei bem nos olhos delas e sorri.

– Eu sempre serei sua garotinha Constance, mas a minha vida não é aqui, eu nasci no mar, eu sou uma pirata e é para lá que eu devo ir.

– Prometa que vai tomar cuidado.

– Eu prometo.

Sorrimos para a outra e nos abraçamos. Então de repente escutamos um barulho ao longe. Gritos eram ouvidos, gritos em pânico. Me levantei da cama e me aproximei da janela.

– Kay — Constance também se levantou e tentou me chamar para longe da janela.

Me aproximei, olhei para baixo e vi algumas pessoas correndo loucamente. Olhei adiante e percebi que piratas haviam invadido Port Royal.

– Piratas — sussurrei e dei um sorriso.

Saí de perto da janela com um sorriso enorme no rosto, meus olhos brilhavam intensamente e meu coração acelerou. Meu corpo começou a esquentar e tive vontade de sair correndo ao encontro deles. Até que de repente escutei um grito de morte. Sim, assim que eu identifiquei esse grito, era o grito que uma pessoa assustada dava quando era golpeada. Então comecei a ficar assustada e paralisada.

– Kaos! — Constance pegou em meu braço e me puxou para longe da janela.

Fui com ela até o corredor e percebi o enorme perigo que ela corria e também percebi que eles poderiam soltar Jack Sparrow e me deixar ali. Jack Sparrow não sabia onde eu morava e ele com certeza iria embora ao invés de ficar preso novamente, era o que qualquer pirata normal faria, a não ser que fosse família de sangue ou de tripulação.

Então eu peguei Constance pelos ombros.

– Constance, se esconda.

– Não Kaos, eu não vou deixar você.

– Eu vou ficar bem, eu prometo. Agora esconda-se, não quero que eles machuquem você.

– Kaos...

Constance relutou para ir, mas eu fiz um sinal com a cabeça de que estava tudo bem e ela poderia ir. Ela saiu correndo e eu fui na direção oposta. Peguei uma espada do Capitão Bench, coloquei minhas botas e corri para fora da casa. Eu queria chegar até onde Jack Sparrow estava, mas no meio do caminho, um pirata estava se aproximando de mim por trás, pude notar pelo reflexo de uma tocha. Me virei rapidamente e levantei minha espada, impedindo que ele me cortasse. Ele ficou nervoso e continuou a me golpear, mas eu era muito boa em lutas de espadas, aprendi com meu pai e treinava com Will. Ele era muito selvagem, não calculava passos ou possibilidades. Ele apenas enfiava a espada para matar. Consegui fazer com que a espada dele saísse da mão e então enfiei a minha em seu estômago. Empurrei ele por uma longa faixa de terra até que ele se transformou em um esqueleto cheio de trapos. Olhei para o lugar onde ficam os olhos e estavam terrivelmente medonhos.

– Não...

Olhei para ele assustada, não era possível.

– Pérola Negra? — perguntei.

– Então você nos conhece? — ele disse dando uma risada medonha.

Puxei minha espada e sai correndo muito rápido em direção à casa de Will. Eu não podia acreditar, eram os piratas do Pérola Negra, os que roubaram um tesouro que os amaldiçoou. Meu pai havia me contado histórias sobre eles, o quanto seria impossível lutar contra eles já que são praticamente imortais. Percebi o quanto estávamos ferrados. Cheguei na casa de Will e bati na porta freneticamente.

– Will!!

A porta se abriu e Will parecia assustado, entrei e ele fechou rapidamente, ele viu minha cara assustada.

– Você está bem? — ele perguntou preocupado enquanto eu olhava para o monte de ferro em um canto da oficina.

– Estamos ferrados — eu disse ainda olhando para o ferro.

– São piratas lá fora, eu sei que estamos ferrados.

– Não Will, você não entendeu, estamos ferrados — olhei nos olhos dele e ele me olhou como se eu fosse louca.

– Do que você está falando?

– Eles são do Pérola Negra.

– E... o que tem isso?

– Eles são amaldiçoados, são imortais!

– O quê? — Will ficou assustado.

– Jack... — olhei para o lado. — Temos que ir até lá, temos que avisá-lo.

– Kay, do que você está falando?

– O Capitão Jack Sparrow, ele está preso, ele precisa ser solto para me ajudar a ir embora daqui.

– Ninguém vai embora nessas condições Kay, eu não vou deixar você ir. E quem é esse Capitão Jack Sparrow?

– É o pirata que salvou Elizabeth.

– Espera... você conversou com ele?

– Claro, ele é a minha saída de Port Royal.

– Não acredito que depois de todos esses anos você quer sair daqui.

– Você também ia querer se se lembrasse de alguma coisa.

– Eu me lembro Kay, me lembro da explosão, da destruição, de morte e de ser salvo pelas pessoas de Port Royal.

– E eu também Will, eu também me lembro da explosão da destruição do meu navio, me lembro da morte do meu pai, me lembro exatamente dele se soltando das minhas mãos para que eu pudesse viver porque os soldados de Port Royal o aleijaram, me lembro muito bem que aqui não é o meu lugar.

Eles se encararam por um tempo. Era a única coisa que os dois discordavam completamente. Então alguém bateu na porta, querendo arrombá-la e os dois se assustaram e prepararam suas espadas.

– Não dá para lutar contra eles Will.

– Não, eu não posso ficar aqui.

Então eu saí correndo pela outra porta.

– Kay!

Ignorei o chamado de Will e saí correndo, usei minha espada para deter os piratas que entraram em meu caminho e depois comecei a me esconder pelos cantos para que não pudesse ser vista. Escorreguei em alguns cantos agilmente e assim que ninguém pudesse me ver saí correndo para a cadeia.

Entrei na cadeia e fui até o andar da prisão. O cachorro correu assustado quando cheguei. Corri atrás dele para impedi-lo de fugir e peguei a chave em sua boca, depois ele saiu correndo de novo. Olhei para as celas e havia um buraco enorme além de uma delas.

– Ainda bem que você chegou, Capitã.

Olhei para Jack Sparrow e ele estava apoiado na grade que dividia a cela dele com a que tinha o buraco. Comecei a rir.

– Que azar você tem — eu disse rindo.

– Pois é. Mas nem tanto, afinal, você veio para me salvar, não foi? — ele sorriu e colocou o rosto na grade.

– Onde está o seu navio? — perguntei.

Jack deu outro sorriso e muitas piscadas. Ele olhou para o chão e começou a dar umas risadinhas.

– Então... é uma história muito engraçada — eu o olhei desconfiada. — O Pérola Negra é o meu navio.

– Terá que mentir melhor se quiser sair daqui Capitão — coloquei a mão com a chave na cintura e fiquei olhando-o com divertimento.

– É verdade, aquele navio é meu, mas Barbosa o roubou de mim. Fizeram um montin.

– Então você é um péssimo Capitão — me aproximei da cela dele, com o rosto bem perto e com um sorriso de lado.

– Eu não sou um péssimo Capitão, minha querida. Barbosa que é terrível e manipulador.

– Se você fosse bom o suficiente eles não acreditariam nesse Barbosa.

Jack Sparrow olhou para minha boca e sorriu.

– Então quer dizer que você não tem um navio — disse.

– Errado. Eu tenho um navio, mas preciso tomá-lo de volta, para isso, tenho que pegar um outro navio. Você consegue me ajudar nisso?

– Claro que eu consigo. A pergunta é: porque eu deveria ir com você se posso fazer isso sozinha?

– Não. A pergunta é: se você consegue fazer isso sozinha, por que não fez antes?

Eu o olhei seriamente, agora ele havia me pegado. Dei uma risadinha.

– Boa jogada Capitão.

Então ouvi um barulho de alguém descendo. Saí correndo para procurar um lugar para me esconder. Jack Sparrow ia falar alguma coisa, olhei para ele, mostrei a chave e fiz sinal para que ele ficasse calado a meu respeito. Me escondi em um lugar escuro. Os piratas que entraram na cela conheciam Jack Sparrow e zombaram dele. Percebi naquele momento que ele era um péssimo Capitão, mas não ligava para isso, tudo o que ele queria mesmo era seu navio.

Assim que eles foram embora, Jack Sparrow estava os acompanhando com o olhar a se aproximou da porta da cela. Fui me aproximando dele silenciosamente. Assim que os piratas saíram, de maneira que não iriam mais voltar, Jack sparrow virou para minha direção parecendo que ia gritar e se assustou com minha presença.

– Você já está aqui — ele disse.

– Claro, eles já foram — era óbvio.

– Então, vamos, me solte e vamos roubar um navio para nós — ele sorriu.

– Não.

– O quê? Não era esse o combinado?

– É... mas não é uma boa ideia irmos hoje a noite.

– E por que não?

– Porque as pessoas que estão nos atacando são imortais e te odeiam, se virem você em um navio, vão tentar te destruir e aí eu acabo morrendo. Não quero que minha partida de Port Royal seja assim, não aguentei isso tudo para morrer em dois segundos.

– Isso significa que...

– Terá que aguentar mais uma noite. Amanhã venho te tirar daqui.

Olhei pelo enorme buraco da cela e percebi que os piratas voltavam para o Pérola Negra. Aproveitei para poder ir para a casa dos Bench.

– Não vai esquecer de mim, não é mesmo Capitã Kaos?

Peguei a pistola, a espada e o chapéu dele. Cheguei perto da cela e entreguei o chapéu.

– Obrigado — ele disse colocando o chapéu.

Sorri e comecei a me afastar.

– Espera, não vai me devolver minhas coisas?

– E facilitar sua saída da cela? Jamais querido Sparrow.

Dei uma risada, ele sorriu e fui embora. Voltei correndo para a casa dos Bench, antes que alguém me visse. Subi correndo até o meu quarto, por sorte o Capitão Bench não estava em casa. Entrei no quarto e escondi as coisas de Jack Sparrow num assoalho que eu soltei do chão. estava curiosa para analisar todas aquelas coisas, mas aquela não era a noite certa para saciar minha curiosidade.

– Kay? — Constance apareceu na porta do quarto.

Ela estava viva e aquilo foi um grande alívio para mim. Eu gostava de Constance, pois ela cuidou de mim com muito carinho sabendo exatamente quem eu era. Soltei a espada do Capitão e fui correndo abraçá-la.

– Oh minha querida, você está bem — ela me abraçou ainda mais forte e eu retribuí.