Notas iniciais
Kaos e Jack estão no porão do Pérola Negra, que entrará numa batalha contra o Interceptor para conseguir pegar Will e o medalhão. Não parece o melhor lugar para os Capitães estarem no meio de uma batalha, não é mesmo?

– Ótimo — reclamei — Agora estamos presos aqui.

– Calma, tudo vai dar certo — disse Jack como se realmente tivesse um plano para nos tirar do porão do Pérola Negra que era sujo, muito sujo, parecia, de certa forma, muito podre e ainda estava com muita água pelo chão. — Aliás, eu tenho uma perguntinha: por que me salvou? — ele me olhou com um sorriso desconfiado.

– Porque era mais vantagem ir com você do que com o Wiil — eu disse estranhando a cara dele e como se a minha resposta fosse óbvia.

Jack se aproximou de mim com um sorriso.

– É mesmo? — ele disse e eu fui me afastando.

– Lógico — respondi. — Se eu fosse com Will eles voltariam para Port Royal para levar Elizabeth pra casa. Não quero correr o risco de chegar perto de Port Royal de novo. E, aliás, você disse que iria me dar um navio — o encarei com os olhos semicerrados.

– E eu vou.

– Bom mesmo Capitão, por isso não vou largar do seu pé tão cedo — ele deu um sorriso e olhou para meus lábios. Lhe dei um empurrão no peito. — Pode parar com isso, vou ficar no seu pé pra você me dar o navio.

– E o que te leva a acreditar tanto assim que não vou manter você e seus dois marujos no meu navio, ou te enganar?

– Por que você quer que eu me torne dona desse navio. Não sei o motivo ainda, mas sei que você tem alguma coisa o Capitão desse navio.

– Você até que é bem espertinha, jovem Kaos. E isso não te dá medo?

– Se o navio será meu no final, não vejo mal algum — sorri e ele sorriu de volta, ambos com sorrisos ambiciosos.

– Olha... já tinha visto isso aqui? — Jack me mostrou um buraco no navio.

– Ah! Vamos morrer aqui! — gritei em pânico. Jack me olhou com estranhamento. — Desculpe. Fiquei nervosa, afinal... é um buraco!

– Calma Kaos — ele fez com a mão como se não fosse nada e olhou pelo buraco. — Parece que o pessoal do Interceptor está esvaziando o navio para fugir do Pérola — ele deu uma risada de desdém. — Não vão conseguir, o Pérola é mais veloz, sempre foi.

De repente um rebuliço acima de nossas cabeças começou a acontecer, eu me lembrava desses barulhos, eram os barulhos dos canhões sendo apontados. Jack e eu olhamos para o outro ao mesmo tempo.

– Acho que ferrei meu melhor amigo — eu disse.

– Calma, eles não querem Will morto, pelo menos não agora — Jack voltou a olhar o buraco. — Nooossa... estão usando os remos para ir mais rápido.

– Eles terão que atacar de volta, ou não terão a menor chance — eu disse.

– Espere, você quer que eles vençam?

– Kyle e Rato estão lá e também queria que Will conseguisse fugir, confesso, queria que ele e Elizabeth voltassem para Port Royal viver a vidinha entediante deles na terra firme.

– Achei que vendia os amigos para conseguir o que quer — Jack se divertiu.

– Não é bem assim... eu só uso as palavras nesse caso — eu disse como se fosse algo comum e ele riu.

De repente meu corpo foi jogado para a direita, fazendo com que eu me segurasse na barra da cela e Jack veio caindo em cima de mim, mas ele segurou a barra com os dois braços passando próximos ao meu rosto e ficamos colados de frente para o outro.

– Acho que a guerra vai começar — ele disse.

Pela força que fomos jogados, o navio fez uma curva rápida à esquerda. Jack saiu de perto de mim e foi olhar o buraco, fui olhar com ele e vi o Interceptor com seus canhões apontados para o Pérola. Os piratas começaram a se agitar e então ouvimos gritos de "Fogo!". Jack e eu nos afastamos do buraco, mas não tínhamos muito para onde correr e então me encolhi no canto da cela e ele se encolheu tentando me proteger e nós ficamos no meio daquela água e o buraco que olhávamos antes se tornou um enorme buraco, com pedaços de madeira boiando pra lá e pra cá.

– Pare de fazer buracos no meu navio! — Jack gritou nervoso em direção ao buraco.

E então ouvimos mais e mais disparos de canhão. O pior de tudo era não poder sair daquele porão maldito, não teríamos chance de sobreviver se o navio afundasse e eu prezo muito pela minha sobrevivência.

– Hora de colocar seu plano em prática, Jack — eu gritei pra ele tentando me manter de pé.

– Que plano? — ele ainda estava nervoso por estarem destruindo o navio dele.

– Você disse que tinha um plano!

– O quê? — ele disse como se o que eu tivesse dito fosse um absurdo. — Olha só! ele disse olhando para o chão.

Jack abaixou e pegou um cantil de rum, revirei os olhos, sério mesmo isso? Ele abriu e tentou beber, mas estava vazio. Bati no cantil, tirando das mãos dele, agora eu estava nervosa.

– Jack Sparrow! Não é hora de beber! Estão fazendo buracos no seu navio! — eu disse para despertá-lo.

– Você tem razão — ele disse de olhos arregalados, se levantou, foi até a porta da cela e a abriu.

Nós ficamos um momento boquiabertos pela fechadura estar destruída e por ter sido tão fácil, rimos por alguns segundos e então saímos daquele porão horroroso. Nós saímos e nos mantivemos em um canto escondidos, até que de repente vimos o mastil do Interceptor caindo sobre o Pérola, o que formou uma espécie de ponte entre os navios. Barbosa estava observando toda aquela guerra com seu macaco no ombro.

– Tragam-me o medalhão! — ele gritou.

O macaco pulou dos ombros dele e atravessou a ponte feita pelo mastil.

– Okay, é o seguinte — ele disse pra mim. — Preciso daquele medalhão para barganhar pelo meu navio, você me ajuda a pegá-lo.

– Ajudo — disse.

Jack então subiu na beirada do navio e se apoiou na escale, eu o segui e então um homem veio em nossa direção por uma corda. Jack pegou a corda com simplicidade no meio daquela bagunça, ofereceu a mão para mim, eu lhe dei a minha, ele me pegou pela cintura e nos penduramos em direção ao Interceptor. Assim que ficamos em cima dele, eu me soltei de Jack e caí rolando no chão do navio. Jack voltou pela corda gritando, ele não havia conseguido se soltar. balancei a cabeça negativamente e peguei a minha espada para lutar com os marujos do Pérola, mesmo sabendo que eram imortais.

De repente escuto e sinto umas batidas no chão do navio. Segui o barulho e vi a entrada que levava aos suprimentos ou à estalagem dos marujos.

– Kay? Kay!

Olhei para baixo e lá estava meu melhor amigo Will, preso lá embaixo por causa do mastil, a água subia, ele iria morrer afogado se ficasse ali. Então de repente eu vi o macaco de Barbosa sair correndo com o medalhão.

– Kay, me ajude! — Will gritava.

Eu ia responder quando Elizabeth apareceu desesperada, gritando por ele.

– Will!

– Elizabeth!

– Jack! — gritei me virando para trás e ele me olhou.

Apontei para o macaco que passava por cima do mastil para entregar o medalhão para Barbosa. Jack acenou positivamente com a cabeça e saiu correndo atrás do macaco.

Voltei minha atenção para ajudar Elizabeth a tirar Will dali.

– Kay? Achei que fosse atrás do Jack — ele disse empurrando um pedaço de madeira lá embaixo.

– Eu posso querer o meu navio Will — eu disse empurrando pedaços de madeira com Elizabeth -, mas você é o meu melhor amigo, o meu amigo encontrado no mar, assim como eu. Não posso te deixar morrer, seu idiota — eu disse cansada dando uma risadinha.