Kaos
3 Capítulo 3 - Um trio na vida e na escola
- Valeu Dante. Até amanhã – disse Roku descendo do carro
- Amanhã eu passo aqui na hora de ir pra escola, pra te pegar.
- Não precisa se preocupar não cara.
- Mas eu tenho que passar por aqui por essa rua mesmo. Não custa nada parar o carro pra te chamar.
- Então tá – disse Roku já entrando na casa
Dante começou a dirigir em direção a sua casa e Roku se jogou no sofá branco da sua.
- O que nos espera?! – disse Roku olhando para seu Shard – Vou começar logo a tentar te “adestrar”
Roku abriu sua mochila e pegou o Recon de dentro dela, colocando-o em seu antebraço esquerdo.
- Meu Deus! – disse Roku espantado – A professora esqueceu de explicar como faço pra fazer você sair do formato de Shard!
Roku sai correndo com o Shard e o Recon, indo em direção ao quintal da casa, que era amplo, porém não tinha nada além de varais com roupas, chegando lá ele coloca o Shard dentro do Recon.
- Bom... depois de colocar o Shard dentro do Recon, a professora falou uma frase e seu Shard virou aquela Águia – disse Roku pensativo – A frase que ela falou tinha relação com gelo, e sua Criatura é do elemento gelo, então basta eu criar uma frase em relação ao elemento terra e um nome para a Criatura.
Roku começou a coçar a cabeça.
- Ahhh... me esqueci que não sou nem um pouco criativo – falou Roku decepcionado e ficou refletindo sobre qual nome daria a sua criatura.
Enquanto isso, Dante estava descendo do carro que já estava estacionado na garagem, quando tropeçou e se cortou em sua adaga que estava no bolso.
- Aaaai. – gritou Dante – Pelo menos você corta, sua faca imprestável
Quando Dante falou isso, a adaga se transformou em uma linda mulher com um corpo em formato de violão, olhos azuis e cabelos loiros, que usava uma calça jeans e uma tomara-que-caia vermelha.
- Agora chega... Já escutei demais você me chamando de faca. Sou uma adaga e se você não me quiser é só me devolver ao Squirrel.
Dante ficou de boca aberta ao ver a beleza da sua “faquinha de cozinha”.
- Claro que eu quero ficar com você – disse Dante ainda de boca aberta
- Então acho bom a gente ter uma conversa
- Sim, sim. Vamos entrando, a gente conversa no sofá – falou Dante puxando-a pelo braço em direção a porta que dava da garagem para a sala.
A sala da casa de Dante tinha uma coisa estranha, ao invés do formato quadrangular, como é comum em salas de estar, ela tinha um formato triangular. Dentro da mesma havia apenas dois sofás laranja, uma televisão, uma mesinha e uma velha estante.
Dante e a adaga se sentaram no sofá e começaram a conversa.
- Meu nome é Dante e o seu?
- Me chamo Daniella, mas pode me chamar de Dani.
- Está bem, Dani. Aceita uma água?
- Não, estou muito bem, e não tente fugir da conversa não – disse Dani praticamente berrando
- Tá, ta. Ficarei quietinho aqui.
- Primeiro, pare de me chamar de faca de cozinha eu sou uma adaga. Segundo, eu sou uma arma muito forte, quando ao lado de um artesão experiente, portanto trate de treinar muito. Terceiro, se quiser que eu te obedeça, você terá que demonstrar que confia em mim.
- Tudo bem, mas como demonstrarei que confio em você?
- Vejamos... você mora sozinho?
- Não. Meus pais são separados e eu moro aqui com minha mãe.
- Ela está em casa?
- Está.
- Então quero que você me arremesse nela – disse Dani se transformando em adaga
- Você é louca?!
- Se você confia em mim me arremesse nela, garanto que ela não vai se cortar.
- T-T-tá — disse Dante gaguejando
Dante chegou por trás da mãe, uma mulher de cabelos castanhos na altura dos ombros e olhos também castanhos, puxou a adaga e quando estava quase arremessando-a, Dani se transformou e puxou Dante para o sofá.
- Agora sim, você me provou que confia em mim. Nunca tive a intenção de fazer você realmente me arremessar em sua mãe.
- Ufa... por um segundo eu pensei que você fosse louca.
- Vejo que vamos ser uma dupla e tanto – disse Dani abraçando Dante e o deixando envergonhado e sem reação
- Vamos mesmo – disse Dante assim que Dani o largou
- Ahhhhhhhhhhhhh – gritou alguém de dentro da cozinha
- Essa é a voz de minha mãe. Dani se transforme em adaga e vamos ver o que aconteceu – disse Dante preocupado
Dani se transformou em adaga e Dante a pegou.
Eles foram até a cozinha, que possuía uma grande área livre no centro, já que lá não tinha mesa de jantar, pois a mesma ficava na sala de jantar. Chegando lá Dante viu sua mãe no chão, toda ensaguentada.
- Mãe, Mãe! Acorda mãe! – disse Dante balançando o corpo da mãe
- Dante, atrás de você! – gritou Dani
Ao se virar Dante viu um homem alto, com um sobretudo e chapéu pretos, portando uma espada japonesa, cheia de sangue.
- Como é bom o cheiro de sangue não acha?
- Quem é você?
- Não está me reconhecendo – disse o homem tirando o chapéu – Filho.
- Pai? Por que fez isso com a mamãe?
- Por uma única razão, nunca gostei de vocês. E agora é a sua vez de morrer! – disse o homem se lançando pra cima de Dante
Dante começou a se tremer.
- Dante tenha calma, juntos nós podemos vencer – disse Dani
- Mas ele é meu pai, não posso machucá-lo.
- Ele não é seu pai! Aí é só o corpo de seu pai, o que há dentro dele é um espírito maligno. Infelizmente, seu pai já está morto.
- Como você sabe disso? – disse Dante desconfiando de Dani
- Nós, armas, conseguimos ver as almas das pessoas. E eu vejo que essa alma está possuída.
Ao saber disso, Dante se enraiveceu muito e quando o homem já estava pra acertar seu tórax com a espada, ele defendeu com a adaga.
- Você nunca me derrotará
A adaga de Dante estava impedindo o ataque da espada do homem, empurrando-a para o sentido contrário. Então, Dante deslizou a adaga pela espada com uma rapidez cuja qual não permitiu o homem desviar do ataque, decepando-lhe a mão.
- Ahhhhh – berrou o homem, com dor
- Desista, esse é o seu fim – disse Dante com a adaga no pescoço do homem
- Você pode ter ganhado a batalha dessa vez, mas a minha missão é impedir que o seu trio vá para missões, e isso eu conseguirei fazer – disse o homem dando uma risada maléfica.
- E quem lhe deu essa missão? – disse Dante, se segurando para não matar o homem naquele mesmo instante
- Você nunca vai saber!
Um espírito negro saiu de dentro do corpo do pai de Dante e foi embora da casa.
- O que farei agora Dani? Sem pai e sem mãe.
- Você ainda tem a mim – disse Dani virando uma mulher de novo – agora vamos para a casa dos outros dois membros do trio, eles estão em perigo.
Dante entendeu que o espírito havia ido para a casa de Cross ou de Roku e foi direto para a garagem pegar seu carro.
Dante entrou no carro, juntamente com Dani que ainda estava em forma de adaga e rumou para a casa de Roku.
Enquanto isso, o espírito negro entrou no corpo de um homem de cabelos pretos, olhos castanhos e físico de quem faz academia, que passava pela Rua de Roku.
- Já sei! O nome vai ser Amindas. Não, não, esse nome é horrível. Realmente tenho uma péssima criatividade! – disse Roku
A campainha da casa toca e Roku vai ver quem é.
- Quem é?
- Sou um colega da sua mãe. Ela está?
- Não, ela chega do trabalho daqui a uns 15 minutos. Quer esperar aqui dentro?
- Se possível, sim.
Roku abre a porta e é acertado por um soco na cara.
- Por que você fez isso? – disse Roku enxugando o sangue que descia do nariz
- Eu não sou amigo de sua mãe não! – disse o homem dando um chute na cara de Roku
- E quem é você?
- Meu nome é Ruck e vim aqui pra te destruir – disse o homem dando mais um chute na cara de Roku, mas que dessa vez foi defendido pelo mesmo
- Se você quer briga, é briga que você vai ter.
Roku acertou em cheio um soco na cara de Ruck, que fez ele cambalear para trás. Mas Ruck tinha mais experiência em lutas do que Roku e por isso conseguiu retomar a sua posição e dar um soco tão forte na cara de Roku que ele pendeu em direção ao chão e foi acertado por uma “pezada”, que o derrubou de maneira violenta.
- Você não é páreo para mim – disse Ruck montando no tórax de Roku e enchendo sua cara de socos
Nesse momento o centro do Recon de Roku começou a brilhar sem que ninguém percebesse, e então o Shard saiu de dentro do Recon e se transformou em um imenso Golem de Pedra.
O Golem era todo revestido por pedras, possuía olhos brancos e uma boca enorme, ele também tinha cabelos verdes que iam da cabeça aos pés, que mais pareciam a grama dos campos.
Por ser maior que a casa, o Golem destruiu a maior parte da mesma.
- Uma criatura?! Então você é um Shard Caster? – disse Ruck
- O que você acha? – disse Roku com ironia
Aproveitando o momento de distração de Ruck, e o fato de suas pernas não estarem presas, Roku deu um chute na nuca de Ruck, deixando-o tonto.
- Mestre eu irei te proteger – disse o Golem
O Golem agarrou Ruck, destruindo mais ainda a casa, e deu vários murros no mesmo, até que o espírito saiu de dentro do corpo do homem e o Golem o segurou.
- O que faço com isso mestre?
- Só um minuto!
Roku correu e pegou um pote de vidro.
- Coloque-o aqui dentro!
O Golem colocou o espírito dentro do pote de vidro.
- Ufa... Problema resolvido, mas e a casa? – disse Roku preocupado – E ainda precisamos dar um nome pra você. O que você sugere?
- Acho Prometeu um nome apropriado para mim – disse o Golem
- Então está decidido, seu nome vai ser Prometeu e sua frase de invocação será “Subjugue a Terra, Prometeu”.
- Obrigado, mestre – disse Prometeu sorrindo
- Agora volte à forma Shard, minha mãe não pode te encontrar assim!
Prometeu voltou à forma Shard e Roku o colocou dentro do Recon, mas a mãe dele já havia visto tudo.
- Roku, o que você fez com a casa? – disse a mãe, uma mulher com uns 53 anos, vestindo uma farda de atendente de escritório, ela tinha cabelos curtos e pretos, e estava com um óculos escuro.
- Mãe, eu posso explicar!
- Não tem explicação, quero que você e seu monstro vão embora dessa casa e não voltem mais nunca!
- Mas mãe... – disse Roku chorando
- Não tem nada de mas mãe. Adeus!
Roku pegou suas coisas em seu quarto, pegou o pote de vidro com o espírito e foi para a rua, onde encontrou com Dante parado olhando a cena.
- Cara muito irado seu Golem, deixa eu ver de novo! – disse Dante com sua hiperatividade comum
- Você não viu o que acabou de acontecer não?!Eu fui expulso de casa e tudo que você sabe dizer é para lhe mostrar o Golem? Tenha santa paciência – disse Roku já entrando no carro
- Você pode ficar lá em casa. Esse mesmo espírito atacou lá em casa e matou meu pai e minha mãe, agora sou apenas eu e a Dani – disse Dante entrando no carro e começando a dirigir
- Dani?! Quem é essa? – disse Dante
A adaga se transformou em mulher e pulou para o banco de trás.
- Eu sou Dani. Prazer!
- O prazer é todo meu – disse Roku de boca aberta
- Eu também fiquei assim cara – falou Dante sorrindo
- Agora eu só vou me abrir com o Prometeu e pronto! – falou Roku muito chateado com o que aconteceu – é nisso que dá tentar não ser mais tão fechado com os outros
- Cara pode se abrir com a gente. Estou indo ver como o Cross está e depois a gente vai pra casa e você arruma suas coisas.
Chegando na casa de Cross, Roku e Dani ficaram no carro, enquanto Dante estava tocando a campainha.
- Quem é?! – disse Cross
- É o Dante.
Cross abriu a porta e deixou Dante entrar.
- Você estava chorando cara?
- Infelizmente estava.
- Por quê?
- Não tenho dinheiro pra pagar o aluguel, e vou ser despejado hoje.
- Obaaaaa. Mais um, mais um! – disse Dante e saiu pulando pela casa de Cross
- Você fica feliz com isso?!
- É que meus pais morreram hoje e a mãe do Roku mandou ele embora de casa então ele vai morar lá, e agora você também vai.
- Seus pais morrem e você fica feliz?
- Eu aprendi que temos que olhar pro futuro e esquecer o passado. E além do mais tenho a Dani.
- Dani?!
- Eu te apresento no carro. Vai buscar suas coisas
Cross fez sua mala e entrou no carro, se sentando ao lado de Dani
- Uau! Você é a Dani? – perguntou Cross de boca aberta
- Sim, sou a arma do Dante
- MINHA arma – disse Dante rindo
- Roku tudo bem? – disse Cross e não obteve resposta
- Ele disse que agora só é ele e o Prometeu
- Quem é Prometeu?
- A Criatura dele. Um Golem de pedra
- Só eu que não tenho parceiros. Quero ver esse Golem – disse Cross
- Não sei se ele vai querer te mostrar, mas nós vamos tentar, assim que vocês arrumarem suas coisas lá em casa.
- Mas por que ele foi expulso de casa?
- Bom esse mesmo espírito que matou meus pais, atacou o Roku e aí o Prometeu apareceu e por ser gigante, ele destruiu a casa toda.
- Que pena!
Os quatro chegaram em casa. Cross e Roku foram para o quarto que era da mãe de Dante, e tinha uma cama de casal, um guarda-roupa imenso, estantes e cômodas com livros,computador e outros acessórios eletrônicos.
Já, Dante e Dani, foram lavar a cozinha que estava coberta de sangue.
Depois de tudo arrumado, eles se reuniram na sala de estar e todos começaram a conversar, menos Roku que ficou apenas olhando.
- Agora somos um trio na vida e na escola – disse Dante super empolgado
- É isso aí! – disse Cross
- E então Cross? Fez sua atividade? – perguntou Dante
- Tava esquecido, cara – disse Cross colocando a mão na testa – me ajuda a achar algo que tenha aqui para eu transformar em uma lança.
Dante foi até o fundo da casa e de lá trouxe a espada de metal que Ruck havia usado.
- Aqui – disse Dante entregando a espada a Cross
- Muito obrigado
Cross desenhou o círculo universal no chão e colocou a espada em cima do mesmo transmutando-a em uma magnífica lança.
- E o que faremos com o espírito – falou Dani
- Vocês não mataram o espírito?
- Você acha que eu sei como se mata um espírito? – disse Dante
- É verdade, mas onde ele está então?
Roku puxou um pote de vidro que estava dentro da sua jaqueta preta e o colocou na mesa.
- Aqui está ele – falou Roku pela primeira vez depois que eles tinham chegado
- Então guarde-o e amanhã a gente leva para algum professor – disse Cross
- Agora vamos dormir, que nessa agitação toda, já são 23 horas.
Todos foram para os seus aposentos e dormiram.
Dante na sua cama, com Dani em um colchão de ar ao seu lado. E Roku com Cross na cama de casal do antigo quarto da mãe de Dante.
- Isso tá uma bagunça! – disse Cross com sua mania de querer ser certinho
- Amanhã a gente arruma. Vamos dormir!
Os dois se deitaram e dormiram.
Notas finais
- O cara perde os pais e nem chora;
- Como o cara foi expulso de casa só por destruí-la?
Saibam que com o decorrer da história vocês saberão porque essas coisas aconteceram dessa maneira.
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