Notas iniciais
Bom, pessoal estou muito feliz postando esse capítulo. Espero que desperte curiosiodade.
: P

HARTMANALLY
H. HIGH SCHOOL
SALA DE AULA
5 DE JULHO DE 2010
SEGUNDA-FEIRA
8:50 A.M.

Aaron Hoffmann

Em pé, diante a mesa do Senhor Ormond, eu fitava a sala e todos me olhavam. Cada um com uma expressão diferente, e eu tentava imaginar o que passava na cabeça de cada um deles. Fiquei ali, esperando que me dissessem o que eu deveria fazer. Até que virei para o professor e tomei a iniciativa de perguntá-lo:

- Aahm... Senhor... Onde eu me sento?

A sala tinha quatro fileiras. E, em cada fileira havia sete cadeiras. Havia um lugar na terceira fileira, como o terceiro da mesma. E, um outro lugar na segunda cadeira, na frente de uma garota branca, branca, branca...E dos olhos bem escuros. Acho que já a tinha visto. Me chamou a atenção nos seus lábios: secos e rosados. Suas pálpebras eram tão bem definidas e seu rosto liso e oval estavam em harmonia. Não sei bem porquê, mas queria sentar perto dela. Senti como se eu fosse uma criança. Eu queria sentar ali!

- Senhor Aaron! – A voz do Senhor Ormond me fez virar para olhá-lo. – Sente-se ali.

Pois é. Foi na terceira cadeira. Mas, na direção da garota, só separado por uma menina negra, com traços finos e bem simpática e extrovertida. Ela começou a puxar assunto comigo, enquanto o professor mexia na mala. Estávamos sussurrando. E ela sorria bastante.

- Oi... – Ela parou para olhar meu rosto, enquanto eu me virava e lhe mostrava meus dentes. – Sou Holly...

- Holly... É um belo nome. – Estendi minha mão para apertar a dela. – “Holly” é diminutivo de quê?

- Não... não. É só Holly. Meus pais quiseram economizar espaço no papel do cartório. – Ela sorriu novamente, levantando a mão que eu havia apertado e levou á uma caneta a escrever em seu caderno.

O senhor Ormond pegou um papel e todos se viraram para ele. Até eu.

A sósia da Branca de Neve estava olhando para frente o tempo todo em que eu havia visto, ou seja, desde que entrei na sala. Parecia que estava dormindo acordada. Ela nem piscava. Comecei a pensar que estava morta. Ela não piscava mesmo. Continuei a olhando por dois segundos... Aah, Sim! Piscou.

- Senhorita Linfstter... Senhorita Linfstter... – Era o Senhor Ormond chamando alguém. Eu olhava para um lado e pro outro para saber quem era. Até que reparei que ele estava olhando para a garota “morta”.

- Sophie! – Nesse momento, ouvi a voz de Holly e vi a sua mão bater num espaço vazio da mesa da menina.

Ela despertou tão depressa que quase caiu da cadeira. Todos estavam mudos e estagnados. O Senhor Ormond andou até a direção de sua fileira e começou a falar:

- Está tudo bem, Sophie?! – Ele falou com uma cara de dúvida e curiosidade. Sua fala era mansa e aparentava preocupação.

- Ah... – Ela abriu a boca e piscou os olhos várias vezes. – Sim! Sim! Estou bem. – Deu um sorriso meio torto com o canto da boca.

- Está bem. – O professor virou para a turma toda. – Bom, pessoal, eu entregaria os trabalhos do semestre passado, hoje. Mas, infelizmente não tive tempo. Então, entregarei depois de amanhã. Aah! Não... Deixem pra lá! Depois estarei passando as informações de algumas faculdades e provas que elas estão oferecendo á escola. Mas, ainda há bastante coisas para falar. E o Senhor Chesnic assumirá a próxima aula, depois de um intervalo de meia hora.

Quando o Senhor Ormond pronunciou a palavra “Chesnic”, a turma toda fez um “Aah... Não! Que droga...”. Imaginei que o cara era bem ‘amado’. Depois disso, o sinal tocou. O Senhor Ormond se virou para mim e para a garota que estava do lado de Holly.

- Aaron e Sophie, não saiam por favor... Quero falar com vocês dois.

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~


Sophie Linfstter

Os alunos estavam se retirando da sala, menos eu e Aaron, o menino novo. O Senhor Ormond pediu que ficássemos. Eu já sabia porque ele pediu pra mim ficar, ainda em sala de aula. E isso me estremecia. Fiquei nervosa e minha mão começou a tremer bem forte. Meus dentes mordiam a minha boca, cada vez mais forte, e por mais que eu quisesse parar, não conseguia. Eu estava pensando como ele falaria pra mim. Como diria que aquilo era errado. Só ele e meupai sabiam. Fiquei com medo de que ele avisasse meu pai do que acontecera hoje, em sua aula. Fiquei com medo que ele falasse da minha situação na frente dos alunos, mas não falaria. Só talvez de Aaron, já que estava lá. Eu estava bastante nervosa, olhando a cara do Senhor Ormond. Ele, de repente virou para Aaron e avisou:

- Senhor Hoffmann, se importaria de esperar no fundo da sala? A conversa que tenho com a Senhorita Linfstter é um pouco privada.

- AAah... Tá bom, então... O senhor não prefere que eu espere lá fora?

- Não, não... É privada, mas rápida! – Senhor Ormond sorriu. E Aaron pegou um grande fone de ouvido que envolveu sua cabeça toda.

- Assim é melhor?

- Não precisava... Mas... Obrigado!

Ele fez um sinal de agradecimento para o Sr. Ormond. E sentou na última cadeira, balançando a cabeça, ouvindo a música. Então, só nos restou: Eu e o professor. Ele olhou nos meus olhos e disse:

- Sophie... – Ele parou e olhou minha expressão. – Eu sei que depois do acidente, você está passando por momentos delicados, e meu irmão tem me dito o quê está acontecendo. Eu sei que está com problemas. E eu só quero ajudar.

- O seu irmão é um médico novo na cidade. Não me conhece e não sabe do que aconteceu. Agradeço sua compreensão, mas não preciso de nenhuma ajuda que venha da sua família. – Disse friamente, o encarando intensamente.

- Estamos fazendo o máximo que podemos para agradar você. Seu pai já confia em nós e você é uma excelente aluna. Só quero saber porque se desinteressou pelos estudos ultimamente. – Sua fala ainda era mansa.

- Esperei que como você e seu irmão são tão próximos, ele te diria. E, é melhor vocês pararem de conversar sobre os casos das pessoas doentes. As suas... São profissões totalmente diferentes, e posso processá-los por compartilharem informações sigilosas sobre o estado de um paciente.

- Tudo bem... Eu paro. Nós paramos. Vou avisá-lo, para que ele não me fale mais nada.

- Obrigada. – Eu estava me balançando impaciente.

- Mas, só quero que você saiba, caso o seu pai não tenha te contado. Aquele dia... pesou, e... ainda pesa muito na minha consciência. Eu perdi muito mais do que você pensa. – Ele estava quase chorando. Era visível sua imensa tristeza. – E, me arrependo constantemente sobre tudo que eu não fiz. Eu devia ter sido um pai melhor. Sabe, Sophie... Eu só estou começando a viver o quê, há 17 anos atrás... Você viveu.

Parei um pouco de atacá-lo com palavras grosseiras e rudes, e abaixei a cabeça. A levantei novamente e abri a boca para falar, com um olhar mais humilde. Eu também estava quase chorando.

– Senhor Ormond, eu o respeito muito, e desculpe a minha arrogância. Eu, realmente não sei da sua história, porque há muito tempo não convivo mais com o Senhor. Queria visitar vocês: você e sua esposa, a Tia Angela, mas estou, como o Senhor disse, passando por momentos difíceis. Eu queria mesmo que tudo isso acabasse. Que minha cabeça parasse de girar e que eu não me desconcentrasse mais nas coisas. Queria que tudo fosse como era antes. Hoje, na sua aula, eu só me surpreendi um pouco, e isso foi o bastante para que houvesse esse deslize que o Senhor percebeu. Sinto muito... E na verdade, seu irmão é uma ótima pessoa. Agradeça a ele porque está me ajudando. Só estou um pouco cansada e confusa. É desconfortante as pessoas perceberem que há algo de errado com você. Me desculpa, por favor. – Dei um sorriso, sentindo meus olhos cheios de lágrimas, perto de transbordarem, e o abracei. – Obrigado, Tio Orm!

- Você ainda se lembra de me chamar desse jeito?! – Ele sorriu, enquanto falava. E, se virou para Aaron no final da sala, e fez um sinal para que ele se aproximasse.

- Então, eu já vou indo. – Eu disse me virando para a porta.

- Não... Por favor. Leve Aaron para conhecer a escola. Você é a conselheira estudantil dos alunos novos esse ano, não?

- Bom, sou eu, Holly e Eric. Mas, tudo bem. – Eu disse e em seguida olhei para Aaron, que estava apertando o botão de “PAUSE” num aparelho branco.

- Mas, Aaron, eu te chamei para lhe dar esse papel. – Ele entregou um papel nas mãos de Aaron, que o olhou com uma expressão confusa. – A diretora me disse que chegaria um aluno novo na sala de aula, e me entregou esse papel para que eu lhe passasse. Você fará uma prova, semana que vem, para sabermos como está o nível do seu conteúdo. Se estivesse, pelo menos, no segundo ano, e se nesse caso, seus conhecimentos fossem avançados, você seria adiantado para o próximo ano. Mas, como já estamos no último período do terceiro ano, e vocês caminhando para a faculdade, serão tomadas outras medidas que o conselho ainda discutirá.

- Mas eu não quero ser transferido. Acabei de chegar! – Aaron estava quase gritando, e seu desespero era visível por nós três.

- Bom, eu sei. Mas essa é a política da escola. Depois conversaremos melhor, mas agora vocês só têm 20 minutos de intervalo. – Ele disse olhando para o relógio. – Desculpe atrasá-los! Sophie, por favor, passe na secretaria e pegue a licença para adaptar o novo aluno com seu novo “habitat”. E então estará livre do tempo do Senhor Chesnic.

- Tudo bem. – Balancei a cabeça, em resposta de “Sim”.

Olhei para Aaron e vi que sua expressão estava mais calma. Ele abriu a porta e me deixou passar. Balancei a cabeça de novo, e agradeci sua gentileza. Á essa altura, o Senhor Ormond já tinha saído e só havíamos nós dois calados, ali no corredor. Ele ficou encarando meu rosto com mistério e confusão em sua face. De repente, ele levantou sua mão direita lentamente e com carinho tocou a parte de trás de seus dedos na minha bochecha. E, então percebi que ele estava enxugando, com sua mão, uma lágrima que rolava pelo meu rosto. Depois ficou com a mão em minha bochecha, enquanto olhava diretamente nos meus olhos.

Ele abriu a boca, pronto para falar e eu prestava imensa atenção em seus movimentos e em seu rosto. Quando ele começou a apertar os olhos, parecia que tentava buscar qualquer coisa em sua memória. E, então sorriu. Com um sorriso bonito, no canto dos lábios. Eu acho que ele usava Colgate. Mais precisamente, Colgate Plax Ice. Eu me perguntava porque ele estava fazendo aquilo. Além de ser inapropriado á situação. Primeiro: Ele nem me conhecia. E segundo: Não lhe dei nenhuma liberdade. A minha expressão ainda era séria. Pelo menos, eu achava que era. Ele abriu a boca e disse, ainda afagando meu rosto:

- Porque está chorando? — Depois de uma pausa, ele continou com a mão na minha bochecha. — Me lembra TANTO uma pessoa.

- O quê? — Eu disse mansamente, com os olhos arregalados.

- Você é tão linda.

Notas finais
Bom, gostaram?! Pessoal, acho que desapontei um pouco vocês, porque esse capítulo era para mostrar mais a relação das duas personagens principais. Mas, como estava perdendo o foco da história, tive que adicionar, de última hora, a conversa de Sophie com o professor. OBS:. Final dedicado á Alyson! Ela que adora essas coisinhas melosas e românticas. ^.^ Beijão! : D