Notas iniciais
Nesse capítulo, eu demonstro como é o verdadeiro e típico dia de manhã de Sophie. Até ela acordar e ir á escola. Só que esse é um dia diferente. Deixo vocês conhecerem um pouco da vida da personagem. Continuem lendo, por favor!

HARTMANALLY
RESIDÊNCIA LINFSTTER
QUARTO DE SOPHIE
5 DE JULHO DE 2010
SEGUNDA-FEIRA
6:00 A.M.

Sophie Linfstter

Os meus olhos se abriram, e logo ficaram direcionados ao teto. Estavam admirando uma cor amarelada, ao mesmo tempo, forte e fraca. Bati as pálpebras algumas vezes, tentando espantar o sono, e tirar algumas remelas dos olhos com a ajuda das mãos que já estavam em meu rosto. Sentei na cama já acordada, agora, com nenhuma esperança de que o sono voltasse. O despertador tocou.

- Está atrasado amiguinho.

E apertei o botão de desligar aquele barulhinho irritante e a soneca. Neste momento, a porta do quarto se abriu e Elya Mouzon entrou pela porta com alguns dos meus livros — á noite passada eu estava estudando — e os colocou em cima da mesa, ao lado do computador.

- Que bom que já está de pé!

- Na verdade, estou sentada. E não pretendia levantar tão cedo. – Fiz uma cara de coitada. Acho que dessa vez, funciona.

- Deve estar pensando que sua cara de coitada funcionará comigo.

- Tinha esperanças.

- Pois é! Abandone-as! – Ela já havia andado pelo quarto todo, puxando a minha bolsa, escolhendo a minha roupa, e também havia até posto comida dentro do vidro da iguana. – Levante-se e arrume-se! Estou esperando você lá embaixo com o café.

Depois ela fechou a porta. E eu estava ali, sozinha, esperando força de vontade para levantar da cama e me aprontar para o dia que nasceria.

Primeiro me dediquei á arrumação da bolsa.

RESUMINDO: Peguei os livros da escola e os coloquei dentro da bolsa. Canetas, lápis, borrachas, apontador e corretivo; estavam dentro de um estojo de madeira, revestido por dentro de uma seda macia. Celular, agenda, um pequeno livro romântico — que estava fazendo bastante sucesso ultimamente de uma autora, considerada revelação este ano: Alyson Milosc — , caixinha dos óculos... Ah! Óculos... E por aí vai...

- Acho que acabei com você. – Falei, olhando para a bolsa. – Acho que agora, sou eu!

RESUMINDO DE NOVO: Entrei no banheiro, e tomei um banho gelado. Escovei os dentes. Penteei os cabelos e vesti a roupa que Elya havia escolhido. Calcei o tênis e coloquei o Elástico da Alegria como uma pulseira, situado bem no ponto onde divide o osso da mão e do braço, fazendo possível a articulação.

- Agora, acabei mesmo. – Disse olhando pro espelho.

- Até mais, Lontra! – E cumprimentei a iguana.

Saí do quarto e fechei a porta. Desci as escadas e andando alguns passos consegui chegar á cozinha. Meu prato estava lá, com um pedaço de pão suíço. E Elya também estava lá, segurando meu copo com suco de abacaxi e menta. Mas, eu não havia visto alguém:

- Elya, onde está meu pai?

- Nem eu sei. E sabe, querida? Isso me entristece. Normalmente, ele fica no escritório, mas hoje não está lá. Outro dia ele achou umas coisas da sua mãe, e ficou um pouco pensativo. Mal falava comigo.

Ela me olhou para ver a minha expressão. Acho que não a surpreendi, mas mesmo assim ela foi tentar se explicar.

- Olha, eu não quero tomar o lugar da sua mãe, e...

- ... eu só quero que vocês sejam felizes. – Eu já a havia cortado, adivinhando o que ela falaria.

- Elya, isso passou na novela de ontem. Aah! E a Monica casou com o Robert?

- Não! Ela teve um derrame na hora do “Se alguém tiver alguma coisa contra esse casamento, fale agora ou cale-se para sempre!”

Eu já estava sorrindo, e ela também. Peguei minhas coisas e saí de casa com o pão suíço na mão. Voltei e fui até Elya tirando as coisas de cima da mesa, e peguei a mão dela.

- Eu não sinto muita falta da minha mãe porque não a conheci. Ela morreu quando eu tinha oito meses, e nem sei o que aconteceu. Tenho certeza que precisei de uma mãe, e você se aproximando do meu pai, se transformou na minha mãe. Tenho muito respeito por você e agradeço por estar com meu pai. Ele, ás vezes só sente falta dela, mas é uma pessoa super bondosa e alegre. Nunca esquecerá de sorrir quando estiver em sua presença.

Ela já estava com os olhos cheios de lágrimas, olhando em minha direção.

- Aah... Não... Você não vai chorar! Por favor...

Ela de repente me empurrou pro lado, e foi á direção de uma planta em cima da pia.

- Não é isso, garota! A minha plantinha morreu. Aahm... O que você estava dizendo, mesmo?

- Nada! Deixa pra lá – Fechei a cara, e deixei sair um ar bufado.

- Eu sei. Obrigada!

Dois segundos depois disso, entra um homem na cozinha de pijama, todo feliz!

- Vejo que só eu estou atrasado no café da manhã!!!

- Pois é! Eu já até vou indo. Aah! Pai! Dei uma chave para Elya fazer a cópia. Você estava demorando demais para fazer isso, e a coitada não agüenta mais pular o muro.

- Eu paguei uma fortuna por esse muro e ainda tem gente que consegue pular?!? – Todos estavam rindo. Ele sabia que não era verdade. Elya tem a chave do portão e as portas do fundo, então não precisaria pular sempre o muro para cair nas belas orquídeas que meu pai tinha o incrível prazer de regá-las todos os dias. – Então, temos de consertar esse muro.

Ele falou a última frase puxando Elya para seus braços e beijando-a nos lábios.

- Uau! É assim que você conserta muros?!? – Eu disse.

- Cala a boca que eu não falei contigo, guria!

Depois de me dar um fora, ele pegou Elya pela mão e a levou até o portão, me puxando também.

- Pronto, querida! Nós estamos te olhando indo para a escola. Quando chegar ao final da rua, acene ou ficará de castigo.

Eu ri e parti. Era bom sair de casa e ver todos felizes. O humor do meu pai alegrava toda a casa. E eu sentia isso. E gostava também. Fui andando e pensando até que já havia virado umas três esquinas e andado uns bons quilômetros.

- Vou ficar de castigo! – Falei gritando na rua, com os olhos arregalados e uma das mãos havia batido na testa.

- Que chato... Eu nunca fiquei de castigo. Bem que eu queria, mas foi só isso que me restou.

Essa voz me fez esquecer meus pensamentos e minha última repreensão. Virei para onde ela vinha, e avistei um pobre e velho mendigo do lado de um poste, e com uma placa pedindo dinheiro.

- Olá... – Eu lhe disse. Ele parecia ser simpático – Na verdade, eu não vou ficar de castigo, não... É uma brincadeira do meu pai.

Olhei em volta dele, e vi seu sorriso nos poucos dentes que lhe restavam. Imaginei que queria dinheiro. Então, fui mexer na bolsa.

- Olha, Senhor... Eu acabei de perceber que deixei minha carteira em casa.

- Iih... Caramba! Já até havia esquecido que sou mendigo. Eu lhe perguntaria se tem algum trocado, mas me desconcentrei com a conversa.

- Aah... É! Eu sei. Eu também. Vou lhe dar esse pão suíço. É muito bom! Eu só como dele. É meu pão preferido e então sinta-se honrado.

- Aah... claro! Obrigado, menina!

- Senhor! Da próxima vez que passar aqui lhe darei um dinheiro, está bem?! O senhor vem sempre aqui?!

- Menina! Na minha época isso era uma cantada.

- Ainda é hoje, mas eu acho que não funciona muito. Adeus, senhor! Já estou atrasada! Até mais!

Entreguei-lhe o pão, e sorri. Ele não era fedido á bebida e era visível que precisava de comida. As pessoas o evitavam e faziam caras feias. Ás vezes, nem olhavam. Mas, poxa... Ele ainda é uma pessoa.

Viajando novamente nos meus pensamentos, cheguei tão rápido ao colégio que nem percebi. Entrei pelo portão. E andei pelo pátio em direção á porta que dava nos corredores. Eu estava visualizando tudo que tinha em volta; queria ver o que mudara, o que havia de novo, o que tinha na cantina, como foram as férias de meus amigos e o que tinham em mente para esse novo semestre.

Holly Stiefvater, minha melhor amiga correu quando me viu, para nos falarmos. Chegou perto de mim, toda animada e feliz:

- Sophie, Sophie... Minha pequena. Senti tanto a sua falta... – Ela falava isso me puxando de um lado á outro, e sorrindo. Parecia que estava vendo as estrelas.

- Holly, nos falamos ontem. Você passou todas as férias na minha casa.

- Aah... É verdade. Mas, você pelo menos, não podia entrar no clima de “volta ás aulas”? – Ela fez aspas com os dedos, enquanto falava as últimas três palavras.

- Está bem, então... – Parei, bufei, e abri um grande sorriso para ela e pulei em sua direção, com os braços a apertá-la.

- Uau! Holly! Eu morri de saudades! Desde ontem... Não me abandona mais assim, por favor?! Não faz mais isso comigo. Eu pararei de respirar sem você, sequer um minuto longe de mim!

- Você é tão insensível! Como consegue viver assim?! — Ela falava isso, revirando os olhos. Eu achei bastante engraçado.

- O que espera para essa temporada?

- Conhecer alguém “especial”!

- Ué... Não entendi.

- Ás vezes eu te acho tão inteligente, mas você não sabe nada sobre o que deveria saber...

- E ás vezes eu não sei nada sobre o que você está falando.

Caminhamos pelos corredores até chegar á sala. Ela sentou ao meu lado, e estava falando sobre cabelos e unhas e algo relacionado. Não entendi nada.

Pensei que o resto do dia seria cansativo, chato e perturbadoramente irritante. Ainda mais, com Holly tentando me fazer entender a língua dos jovens. Mas, não foi exatamente assim. Não como eu tinha pensado. Algo me surpreendeu. Eu olhei mais intensamente, e me senti envergonhada. Não controlei isso. Eu só havia percebido que havia feito. Foi estranho. E inconfortável. Mas, era atraente. Estranho. Proporcionava calma e nervosismo. Palavra que definiu tudo: Estranho.

Notas finais
Bom, pessoal... Digam-me se estão gostando! E qualquer dúvida é só perguntar!
Beijão! : D