Notas iniciais
O Kaleido Star não pertence à autora, mas já vai começar!
Quando lerem fics, tenham paciência com possíveis erros dela e não fiquem próximos da tela.
Sai daqui seu avoado. Só porque achei que você precisava de atenção, não precisa invadir minha nota da autora e me difamar perante os leitores.
Tá, desculpa, mas a história é minha. E é tudo culpa do Fool.

Esta é uma história como qualquer outra. Alguns diriam ser o destino; outros, que os homens deturpam o destino e escrevem sua própria história. Esta é uma história azul e vermelha, de liberdade e repressão, de amor e ódio, submissão e rebeldia.

Essa é a história daqueles chamados de tolos por lutarem por suas convicções, mesmo que isso lhes trouxesse severas conseqüências.

Essa é a história da águia que se firmou num ambiente hostil e do cisne que quebrou o gelo eterno para trilhar um caminho desconhecido.

Sou Fool, o espírito do palco. Permita-me guiá-lo nessa jornada através do tempo e do espaço.

Era uma vez...

Paris, 1980.

Neve. Muita neve. Estou correndo não sei do quê ou porquê. Meus braços estão pesados. Minhas pernas tornam-se dormentes. Estou entorpecido. Mas não paro. A neve me fere, mas não paro.

Por que não paro?

- Acorde, acorde príncipe encantado, está com sono?- Aquela voz de novo. Aquela criatura de novo. O Espírito do palco... Ninguém mandou minha mãe ler o Fantasma da Ópera para mim antes de dormir durante a minha infância, agora sofro as consequências. Virei-me na cama para deparar-me com aquele olho amarelo me fitando, o outro estava coberto pela máscara. — Vamos, levante-se dessa cama e vamos procurar umas garotas para eu espiar... E é claro, uma parceira de verdade para você...

- Você não tem algo mais útil para fazer não? Porquê você não as procura sozinho?- Respondi, ainda sonolento. Era a terceira noite seguida que eu passava com o mesmo sonho. Levantei-me lentamente e olhei o horário. E estou atrasado. É sempre assim. E justo no teste do siberiano mal encarado. Corri a vestir uma camisa e um paletó, estava ventando lá fora. Passei a mão em meus cabelos, não daria tempo de pentear. Peguei minhas coisas e corri.

- Para que tanta pressa, ele não morde. Ou você acredita nas histórias de que russos comem criancinhas americanas?- ele comentou, calmamente. Eu o estrangularia se pudesse nessas horas.

- Resposta dispensável, você não acha Fool? Tudo isso é culpa sua, não preciso nem dizer, não é?- Eu disse, ofegante. Ficáramos discutindo uma técnica sobre a qual ele não queria comentar no momento, mas insistia que eu precisava encontrar um parceiro para realizar.

Finalmente cheguei ao auditório designado. O personagem que eu deveria representar era, no mínimo, complicado. Seu nome era Alexei Ivanovitch, ou Veltchaninov, como o autor refere-se a ele durante a trama. Sua história era composta por dramas, uma doença que o acometia de vez em quando, levando o a crises que por pouco não tiravam-lhe a vida, e descobria que tivera uma filha com a esposa de um amigo, que voltara para infernizar sua vida. Tudo ótimo, muito fácil. Sabia cada fala de cabo a rabo. Até um sotaque russo meia-boca consegui aprender. Mas o que me esperava era digno de revolta.

- Cheguei! Posso subir ao palco? — Peguntei ao professor. Na realidade, nem o oficial ele era. O outro ficara doente e ele surgira como substituto. Foi expulso da URSS por razões que devem ser imperdoáveis. Aquela gente não faz essas coisas por menos.

- Não, senhor Brass. Não pode.- O eslavo comentou com sua voz soturna e calma.- Chamei-o pelo menos três vezes. O senhor não se manifestou. Onde está sua disciplina? Saiba que esse teste não se repetirá, e que o senhor está automaticamente reprovado. Alguma pergunta?

Eu não consegui dizer nada. Ele não podia fazer isso, podia? O que lhe custava deixar que eu fizesse a prova depois de todos? Apenas sentei-me numa das poltronas no fundo do auditório e fiquei a observar meus colegas a atuar. Claire tinha talento, e a personagem a favorecia. Ela era Belle, do famoso La Belle et la Bête. Sua atuação transparecia perfeitamente a jovem assustada pela Besta que encarcerara seu pai. E depois Cynthia, a Pequena Sereia, que se desfaz em espuma por não ter coragem de assasinar seu amado. Hércule amedrontaria a todos com sua interpretação de Drácula. E eu ficaria aqui... Reduzido ao cara que conversa com um espírito imaginário.

- Que cara é essa? Você não deveria estar ali na frente com todo mundo?- Jean me perguntou, com seu leve sotaque italiano. Escorreguei em minha poltrona e coloquei os pés sobre a da frente.

- Fui proibido de me apresentar.- Comentei, ajeitando-me novamente quando percebi que o russo me encarava com seus olhos cor de cascalho. Logo os testes terminariam e ele dispensaria a todos.- Você não deveria estar na sua aula?

- Sua mãe nos dispensou mais cedo. Ela acabou a teoria mais rápido do que previra. Não posso dizer que estou surpreso, pois todos ficam fascinados com sua explicação e não abrem as bocas. — Ele riu. Sim, minha mãe tinha essa habilidade, não poderia negar. — E agora, o que acontece?

- Para ser sincero amigo, nem eu mesmo sei...

Após o fim das aulas resolvemos sair todos juntos da academia. Hércule comentou que o meu carrasco teria ido conversar com a diretoria. Provavelmente era sobre mim, julgando pelo fato de ele também ter visto minha mãe na sala quando foi dizer ao pai que iríamos para a torre. Uma brisa boa soprava, alegrando meu fim de tarde. Subimos ao último andar, de onde se enxergava Paris em todo seu esplendor. Ninguém tocava no assunto, mas todos pensavam nele, o que tornava a atmosfera do nosso passeio, cujo propósito era esfriar a cabeça, tensa.

- O que... Vocês acham que vai acontecer agora? — Era Cynthia. Ela odiava esse clima, odiava o silêncio. Quando vim para Paris, devido à uma transferência do meu pai pelo consulado Americano, ela foi uma das primeiras a me ajudar, apresentando-me aos outros. Ela adorava o trampolim e vivia me apresentando técnicas novas. Sempre foi muito insistente, e foi quem me apresentou também ao trapézio.

- Foi bom? — A garotinha de cachos louros e olhos cor de mel perguntava, após realizar um lindo salto. — Você não estava prestando atenção né Aaron? Já cansou de me assistir, seu chato?- Ela reclamou, fazendo uma careta emburrada, que logo se dissipou ao perceber o que ele olhava. Um trapezista voava de uma barra a outra, sorrindo, como se fosse algo elementar. Ambos soltavam pequenas exclamações quando ele demorava a alcançar o outro trapézio.- Já entendi! Vou falar com ele, e ver se você pode aprender!- Ela exclamou, com os olhinhos brilhantes, arrastando-o para perto do jovem que descia.

- O quê? Você tá maluca, tá caducando? Eu nunca vou conseguir subir nsse troço direito! Eu não quero!- O menino replicou, ruborizado. Sim, ele tinha muita vontade, mas era inseguro demais para admitir.

- Vou te levar mesmo assim! E eu não tô caducando seu bobo, a gente só tem dez anos!- Ela mostrou-lhe a língua.- Senhor Alan, senhor Alan! Você pode ensinar o meu amigo? Por favooor?

Tudo o que ele queria fazer era ser um avestruz para enfiar a cabeça debaixo da terra.

- Quem? Ah, você? Não sei... Você acha que é capaz de aguentar? Não será um treinamento fácil.- O jovem francês respondeu, desafiando-o.

Eu a agradeço todos os dias por isso. O treinamento era duro, e não consigo contar quantas vezes me cortei ao cair de forma inadequada na rede de segurança da academia, mas não me arrependo. Pensando nisso que percebi a ausência do Fool... Onde teria ele ido? Claro que não tê-lo me atormentando era lucro, mas o fato dele não o estar fazendo era muito peculiar.

- Olha, eu não queria comentar nada, mas... Ouvi-los falando algo sobre sua indisciplina antes de entrar na sala para pegar as chaves de casa. Ele acha que você anda avoado, e não é o primeiro a dizer isso, pelo que eu entendi. Não gosto nem um pouco dessa situação. Se você quer saber... Eu me prepararia para o pior.- Hércule comentou, ajeitando seus cabelos cor de prata. Era filho do diretor da Academia, e um de meus melhores amigos. No começo, admito que não nos batíamos: ele era arrogante demais... e me assustava sempre quando pudesse. Quando ajudei ele com um problema certa vez, iniciou-se nossa amizade. Mas ele ainda gosta de me pregar peças de vez em quando.

- Isso é sério ou está brincando comigo, coelho Oswaldo? Porque...- Fui interrompido pela voz delicada de Claire, que continuou em tom ríspido.- Se for uma brincadeira, é de muito mau gosto, seu sem-graça.

- Se isso for uma peça, eu passo o dia inteiro vestido de palhaço amanhã. — Bom, com certeza não era. Ele se preocupava demais com sua imagem para fazer algo do gênero. Tinha de manter a fama de Drácula. Além do mais, não queria se complicar com Claire, por razões óbvias. Olhei a hora em meu relógio de pulso. Já bastava um atraso, não queria um outro.

- Pessoal, desculpe sair correndo assim, mas esqueci que tinha marcado outra aula com o Alan hoje. Tenho que atravessar a cidade em dez minutos. Dou notícias caso fique sabendo do veredicto.- Eu ri.- Boa Noite!

Perde-se a noção do tempo quando se está treinando. Cheguei em casa muito mais tarde do que esperava,já passara da meia noite, e encontrei minha mãe sentada no divã, me esperando.

- Mãe, o que a senhora ainda está fazendo acordada? Já falei para não se preocupar comigo... Eu estava treinando.- Ela me olhava de um jeito estranho, como se algo estivesse entalado em sua garganta. Ela apenas fez um sinal para que eu me sentasse no sofá defronte, como sempre o fazia quando tinha algo sério a dizer.- Dona Maryann, você está me assustando... O que aconteceu? Foi algo que aquele russo te disse não é? Eu não fiz nada, acredite em mim, por favor!

- Ninguém... lhe deu permissão para falar. Limite-se.- Ela me respondeu ríspidamente.- Tive uma conversa com Nikolay, Jacques, e com seu pai também. Foi difícil chegarmos a essa conclusão, mas percebi que você realmente passou a se comportar de um modo estranho de uns tempos para cá. Fizeram-me uma proposta, que eu repassei a seu pai, e concordamos que o único modo de te corrigir seria retirá-lo de sua zona de conforto.

Nesse ponto ela já não mais me encarava. Provavelmente eles tinham resolvido me colocar no exército. Meu pai nutria essa ideia há um tempo. E eu iria, mesmo que a contragosto. Não seria tão ruim assim, já havia me acostumado com a dor.

- Você vai viajar. Vai melhorar suas habilidades e vai ser disciplinado por alguns dos, talvez os melhores e mais exigentes profissionais do mundo. Filho.- Ela levantou-se e colocou as mãos sobre meus ombros.- Você vai ter de ser obediente, e forte, acima de tudo, muito forte. Seu avião parte daqui a algumas horas. Já arrumei suas coisas.

- Tá, para onde eu vou? — Estúpido. Sua cabeça serve para pensar. As seleções mais bem disciplinadas em todos os esportes, especialmente os rítmicos e principalmente, os melhores artistas circenses vinham de um só lugar.- Vocês não vão me mandar para a URSS, vão?

O silêncio dela e o abraço mais forte que já havia recebido na vida foram resposta suficiente para minha pergunta.

Notas finais
Nós agradeceremos se vocês puderem deixar reviews.
Ficou educado de repente Aaron?
Eu sou educado. Até a próxima amigos!