Notas iniciais
Sejam bem-vindos ao Capítulo 2! Aqui a história começa a ganhar corpo na Nova Konoha. Vamos conhecer a Akemi e ver como o Kakashi, agora como Sexto Hokage aposentado, lida com uma anomalia que desafia a lógica ninja atual. Preparem-se para um clima de investigação e mistério. Boa leitura!

A luz da manhã em Konoha possuía uma tonalidade diferente. Para Kakashi Hatake, o sol não era mais um aliado que aquecia a pele, mas uma claridade clínica que expunha as ranhuras do mundo.

— Apresentação dos novos alunos — murmurou para o vazio. — Com a ausência de Naruto, o Oitavo solicitou a presença dos antigos Hokages para disfarçar a lacuna. Então, vamos às formalidades.

Kakashi caminhou sem pressa. Do topo da torre da Academia, observava o discurso firme da Quinta Hokage, Tsunade. Dali, monitorava o pátio com uma agudeza sensorial que desafiava a biologia. Oficialmente, era o Sexto Hokage aposentado; na prática, operava sob uma vitalidade que nem mesmo sua juventude conhecera.

Lembrou-se de quando, minutos antes, ao ajustar o protetor de testa diante do espelho, parou por um segundo encarando a cicatriz no olho esquerdo. A percepção continuava lá, vibrando em uma frequência que não pertencia mais a este plano. Após a Quarta Guerra, perdera o Sharingan físico, mas sua capacidade de processamento e leitura de energia não diminuíram; expandiram-se. Recordou-se das palavras de Ayana: "A natureza retribui o amor por quem ela ama de verdade".

— Pela lei da conservação de energia, esses reflexos deveriam ter morrido com Obito — pensou ele, encarando um ponto fixo, sentindo o peso da anomalia. — Se eles ainda vibram em mim, quem está pagando a conta desse chakra?

Ele sabia que a resposta não estava nos livros, mas na própria "Edição da Realidade" que Ayana mencionara. Com um suspiro, cobriu a cicatriz. O sol de Konoha aguardava mais momentos de reflexão


O Vínculo da Criação


Enquanto observava o pátio, Kakashi sentiu a brisa mudar. O cheiro de concreto aquecido e poeira de Konoha foi subitamente atropelado por um rastro de glicínias — um perfume que não vinha do jardim da Academia, mas que parecia emanar de seus próprios poros, como uma memória química. Fechou os olhos e, por um instante, o som das crianças desapareceu, substituído pelo ruído metálico da água batendo nas pedras da cachoeira onde, anos atrás, Ayana o observava com olhos de águia

Ayana fora escolhida para ser sua protetora, ela não apenas o amara; ela o reescrevera. Kakashi se lembrou de quando a via como uma figura fraterna, cuidando dele após a morte de Sakumo, e da vergonha juvenil ao desejá-la enquanto a observava em segredo nos banhos de cachoeira.

Em um treino antigo, ele questionara se ela e Sakumo tiveram um envolvimento romântico. Ao confirmar que o vínculo entre eles fora apenas fraternal, Kakashi aceitou a herança de seus sentimentos. Ayana era uma mulher de pele terrosa, cabelos castanhos com mechas douradas e fios de prata, exibindo olhos cor de ocre, semelhantes aos de uma águia. Em um treino antes de uma missão, a curiosidade e o afeto transbordaram. Ao se entregarem àquele amor, Kakashi deixou de ser apenas o filho de Sakumo para se tornar o parceiro da própria vida.


O Ponto de Ruptura


O estalo seco do sino da Academia rompeu a visão, trazendo-o de volta à claridade clínica do presente. No pátio, Iruka Umino organizava a fila:

— ...e por fim, transferida sob meus cuidados a pedido de um antigo amigo: Akemi.

Akemi avançou. Não havia a postura rígida dos Hyuuga ou a ferocidade dos Inuzuka; ela era uma mancha rosa e preta que parecia deslocada no pátio. No entanto, Kakashi estreitou os olhos. Ao redor da garota, a poeira suspensa no ar não seguia o vento; os grãos de terra orbitavam-na levemente, como se o espaço ao seu redor tivesse uma gravidade própria e faminta.. O "Ponto de Ruptura" veio no duelo contra Shikadai Nara. Quando as sombras avançaram, Akemi não fez selos. Apenas pronunciou uma sílaba inaudível, que Kakashi compreendeu perfeitamente:

— Parar.

A sombra de Shikadai tornou-se sólida. O nitrogênio condensou-se em um gelo negro absoluto. Não houve dissipação de calor, apenas a deleção da energia térmica.

"Ela está reescrevendo o código-fonte da matéria", pensou Kakashi. Abaixo, Shikadai disfarçava o choque em meio a tosses devido a um desequilíbrio, mas seu olhar denunciava o interesse pela beleza incomum da jovem. — A garota do subsolo... — sussurrou o Sexto ao vento.


A Investigação nos Bastidores


Após as formalidades das cerimônias, Kakashi desceu da torre e infiltrou-se na sala de registros, encontrando Iruka organizando prontuários digitais.

— Iruka. A garota, Akemi... as habilidades são impressionantes. Onde está o prontuário dela?

Iruka suspirou. — Habilidades? Tive a nítida impressão de que Shikadai optou por não se indispor. No entanto, respondendo à sua pergunta, foi uma matrícula atípica com o aval do Hokage interino. A enfermeira-chefe disse que a agulha mal penetrou na pele dela; o fluido era denso demais. O laboratório não conseguiu sequenciar o DNA. O código parece "protegido". Aqui está a amostra de reserva.

— Levarei comigo — afirmou Kakashi, estendendo a mão para o frasco. Iruka recuou a mão, fechando-a em volta da amostra.

— Não, Kakashi. Isso é ultrapassar todos os limites. Eu respondo ao Conselho e ao Oitavo. Se essa amostra sumir do meu registro, a minha assinatura estará no log de auditoria. Você está me pedindo para trair a confiança da vila por uma suspeita sua.

Kakashi deu um passo à frente, a sombra de seu protetor de testa obscurecendo o olhar sério.

— Iruka, eu vi o que ela fez no pátio. Ela não usou chakra; ela alterou a estrutura da matéria. Se ela for o que eu suspeito, o "sistema" que você tanto respeita não quer protegê-la, ele quer transformá-la em uma arma de contenção. Se você não me deixar entender quem ela é agora, não poderá protegê-la quando Amado vier buscá-la


O Veredito do Reator


A luz do dia em Konoha tinha uma tonalidade clínica, e Kakashi sabia que cada movimento seu era um dado processado pelos Drones Espelhados que zumbiam invisíveis acima das nuvens. Para evitar os olhos de Amado, o Sexto Hokage não usou rádio ou selos de mão chamativos. Ele apenas parou diante de uma vitrine, ajustando o protetor de testa; o reflexo metálico enviou um sinal codificado em Morse luminoso para uma das janelas da Divisão de Inteligência. Minutos depois, ele cruzava o limiar de um laboratório desativado da ANBU, onde o silêncio era quebrado apenas pelo zumbido eletrônico dos consoles antigos.

Sai já o esperava, posicionado diante de um holograma de DNA.

— Preciso que me ajude. Temos uma nova aluna na Academia e estou temeroso por Iruka.

Sai Yamanaka, o antigo membro da ANBU, não questionou o Sexto Hokage; apenas aceitou o pedido de ajuda. Suas mãos moviam-se com a precisão de quem outrora empunhava pincéis, mas agora manipulava segredos de Estado ligados aos experimentos de Orochimaru, protegidos por camadas de criptografia biológica.

— É fascinante, Kakashi-san — disse Sai, sem desviar o olhar pálido da tela. — Orochimaru não usou apenas bases nitrogenadas; ele usou chakra como um firewall. Os dedos de Sai tremiam sobre o console; cada vez que tentava quebrar a sequência de Akemi, o sistema respondia com uma pulsação de chakra que imitava um sistema imunológico consciente.

Kakashi se lembrou de uma conversa antiga com Mestre Jiraiya, onde o Sannin revelara que, durante uma luta entre ele, Tsunade e Orochimaru, escutara a grande cobra pedir sacrifícios e carne humana como gratificação pela ajuda. O "Inventário Oculto" revelava que Orochimaru utilizava Manda como ponte; a serpente devorava humanos para destilar o DNA puro, tentando separar a biologia original do que ele chamava de "parasita Chakra". Sem a chave correta, qualquer tentativa de leitura causaria morte celular imediata na amostra.

— Ele criou o predador perfeito com face de anjo — murmurou Kakashi, encarando os tubos de ensaio. — O que ele trama com Mitsuki e o que deseja criando essa garota?

Sai inclinou a cabeça, mantendo o tom neutro.

— Para decifrar o resto, preciso de uma assinatura compatível. A biologia dela está em modo de defesa, recusando qualquer entrada externa.

Kakashi não entendia o motivo pelo qual as diversas amostras de material genético inseridas não eram compatíveis.

— Vamos fazer um teste. — Kakashi estendeu a mão, depositando uma gota de seu próprio sangue no reator.

Instantaneamente, o equipamento emitiu um sinal agudo e uma luz furta-cor inundou a sala. As frequências de Akemi, antes caóticas, alinharam-se em uma harmonia matemática perfeita. O impacto da descoberta atingiu Kakashi como um golpe físico: o código dela não apenas aceitou seu sangue; ele o abraçou.

— As frequências estabilizaram. O "anticódigo" da garota reconheceu sua assinatura genética como um porto seguro — explicou Sai, embora seus olhos revelassem o peso da revelação. — Não precisamos apagar os logs. Já redirecionei os dados para um servidor fantasma da antiga Raiz, fora do alcance dos drones de Amado. Mas saiba... se o Oitavo souber que temos uma anomalia capaz de anular o chakra e que ela partilha o DNA Hatake, o senhor não conseguirá impedir que ela seja enviada para o Conselho.

— Não aconteceu nada aqui, Sai. Vamos embora.

Horas depois, Kakashi retornou à Academia. O pátio estava vazio, mergulhado em uma luz fria que alongava as sombras. Akemi estava lá, parada sob o balanço. Ela não parecia surpresa. Quando Kakashi se aproximou, ela sustentou o olhar do Sexto Hokage e sorriu — um sorriso que não era de uma criança, mas de alguém que finalmente reconhecia o porto seguro que sua biologia tanto buscava. Ele percebeu, com um aperto no peito, que o segredo mais perigoso de Konoha não estava nos arquivos de Amado, mas parado à sua frente, sorrindo para ele.




Notas finais
O que acharam desse primeiro contato com a Akemi? O 'Parar' dela não foi um jutsu comum, e o Kakashi percebeu isso na hora.