Kairi no País das Maravilhas
4 A Coragem dos Covardes
— Riku de Cheshire, você disse? Traga-o! E essa forasteira também! Uma das cartas-soldado adiantou-se e levou Riku. Kairi, ainda chocada com os acontecimentos, apenas deixou Sora gentilmente puxá-la para perto da torre da Rainha. — Ora, ora... Então finalmente o capturamos, Cheshire. — Pelo que vejo, Majestade, estou mesmo à sua mercê. — Kairi notou que Riku continuava a falar com toda a calma. Eles estavam em grande perigo, como podia manter a calma!? — O que vai fazer comigo? Irei para a guilhotina como os outros ou sofrerei um pouco antes? A face da Rainha enrubesceu pela insolência do garoto-gato, mas não perdeu a compostura. Kairi imaginou que talvez Sora, a Rainha e todos os outros presentes nesse tribunal fossem os verdadeiros mocinhos. Talvez Riku, Roxas e Naminé não fossem as boas pessoas que aparentavam... "Não", disse para si mesma, "não há bem ou mal aqui. É tudo um ponto de vista".
— Por que não interroga primeiro minha adorável companheira? Não seria justo com a pobre garota deixá-la esperando para saber qual é seu crime. Eu já conheço os meus muito bem. A Rainha olhou desconfiada para o garoto-gato, e diante da total serenidade dele, virou-se para Kairi. A garota desejou internamente ter novamente o pote com o líquido para diminuir. Assim poderia fugir daquele olhar assustador. — Quem é você? — Ka-kairi, Majestade... — e acrescentou com a única apresentação que era aceita pelos mais velhos — Eu estou no sétimo ano do... — Não perguntei o que é você, garota estúpida! Perguntei quem é você! — E-eu... — Kairi respirou fundo. Precisava manter-se calma. Não fizera nada de errado, até onde sabia aquela mulher horrível não teria argumentos para mandá-la para a guilhotina — Sou do Mundo de Fora, Vossa Majestade. Vi um de seus súditos em meu Mundo e minha curiosidade levou-me a seguir-lo até seu adorável Reino. — lembrou-se então da apresentação de Riku, e imediatamente emendou — Se precisar me chamar por um nome, os outros costumam chamar-me de Kairi. — Kairi, hein? — a Rainha encarou Kairi — E quem foi o estúpido que se deixou ser visto? A garota lançou um rápido olhar para Sora. O garoto-coelho estava em sua expressão de maior desespero. — E então? Quem foi? — A Raposa, Majestade. Aquela que disse que as uvas reais estavam verdes. Sora deu um suspiro de alívio. — Obrigado — sussurrou. — Me agradeça depois, mostrando onde é a saída. — ela sussurrou de volta, com um sorriso. Era tão óbvio que Riku estava falando de Sora! Como poderia estar naquele campo se não soubesse como sair de lá? "Só espero que não tenhamos de passar pela Maçaneta de novo. Prometi não perturbá-la nunca mais". A Rainha resmungou algo, e sentou-se novamente em sua cadeira. — De que serve uma guilhotina se não tem ninguém para cortar a cabeça? — Q-que tal a forasteira? — disse o Rei — Se ela sair daqui vai contar para todos e não irão haver g-guilhotinas o suficiente para acabar com todos os causadores de problemas. — Ótima idéia, Mickey! Finalmente você está mostrando alguma inteligência! — exclamou a Rainha, se levantando — Guardas! Levem Riku de Cheshire e a Forasteira Kairi para a guilhotina! Uma das cartas-soldado tomou de Sora a posse pelo braço de Kairi. — Odeio desagradá-la, Majestade — começou Riku. Quando Kairi olhou para o garoto-gato, apenas sua cabeça estava visível — Mas não será hoje que vai cortar minha cabeça. E poderia dizer para esse tolo aqui — e indicou a carta-soldado atrás de si, que tentava inutilmente encontrar o corpo de seu prisioneiro — para parar com isso? Não há como cortar a cabeça de alguém se só há a cabeça! De que corpo poderiam tirar-me? E um segundo após fechar sua boca, Riku sumiu completamente. — Maldito Cheshire! — exclamou a Rainha, virando-se para as outras cartas-soldado — O que estão esperando? Vão atrás dele! Todas as cartas-soldado marcharam para o portal onde outrora estava Riku e Kairi. A Rainha Minnie de Copas não percebera, mas aquela que segurava Kairi entendera estar incluída na ordem. Quando dera pela ausência da carta, a garota foi puxada para perto por Sora, que sussurrou-lhe: — É hora de sair de fininho, me siga! Mas antes que pudessem fazer qualquer coisa, a Rainha desceu de sua torre e preparou-se para chamar algumas cartas-soldado de volta. Em um movimento mais rápido do que Kairi pôde acompanhar, o Rei pulou de sua torre e caiu em cima da Rainha. Olhando para a garota e o garoto-coelho parados, ele disse: — O que estão esperando? Fujam enquanto podem! Kairi olhou para Sora, e ele estava com uma expressão de profundo respeito. — Meu Rei — e fez uma profunda reverência. A Rainha conseguiu soltar-se e gritou: — Peguem o Escrivão Sora e a Forasteira Kairi, seus imbecis! Riku de Cheshire não é nada, agora! As cartas-soldado viraram-se na direção de Sora e Kairi, mas logo todas estavam caindo uma em cima das outras. No topo do monte de cartas-soldado caídas, Roxas irrompeu. — Isso é para aprenderem a não mexer com a amiga de alguém que venceu o tempo! Atrás do rapaz de cartola, Naminé apareceu. Sorrindo, a garota-lebre olhou para Kairi. — Ainda quer ir embora? — a ruiva não conseguiu responder além de uma afirmativa com a cabeça — Vamos segurar esses aqui pra vocês.
Sora segurou a mão de Kairi e a puxou. Ao passarem pelo monte de cartas-soldado, ouviu Roxas dizer: — Desculpe por aquilo de antigamente, Escrivão Sora. — É Sora Branco agora, Chapeleiro Roxas. E não terá mais de se desculpar em alguns instantes. Mande o tempo se deslocar para as seis horas. Vamos tomar chá. — e apressou o passo. Kairi deixou-se ser levada. Não sabia dizer quanto tempo levou, mas chegaram na clareira onde ocorrera a festa de chá de Roxas e Naminé. Sora a puxou até a casa que ela vira antes. Quando entraram, Kairi se viu em cima de uma mesa com dois potes. Olhando em volta, reconheceu o cômodo onde estava a Maçaneta. Na parede oposta a em que estava sua conhecida que só vê um lado, havia uma grande porta (ou ela teria um tamanho normal?). Quando olhou novamente para os potes, Sora estava bebendo o desconhecido por Kairi. Logo estava do tamanho em que Kairi o conhecera, e apressou-se a virar o pote levemente para facilitar que a garota o bebesse também. A ruiva fechou os olhos enquanto crescia, e os abriu quando Sora a chamou. O garoto-coelho abrira a porta, e ela passou. Ouviu Sora passar e fechar a porta atrás de si. Voltara para o vasto e belo campo do real.
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