Notas iniciais
Pensamentos de Kaito sobre o amor.

Amor....O que é o amor?

Desde que eu me conheço por gente, essa palavra é muito engraçada para mim: Amor. Existem tantos tipos de amor: Amor de pai, de mãe, de filho, de irmão, de amigo... Existe um amor certo? Um amor pode ser mais importante que outro? Mas todos não são amores? Quem pode julgar qual amor é maior ou qual amor é o certo? E como nós podemos saber se é mesmo amor?

Quando eu conheci o Len, estava passando pela pior fase da minha vida. Eu me perguntava todos os dias: “Porque eu nasci?”, “Porque eu tenho que ficar sozinho?”, “Porque ninguém percebe que eu estou sofrendo?”.

Cada vez que alguém me dizia que morar sozinho deveria ser muito legal, eu pensava: “Ótimo, troque a sua vida comigo. Deixe para mim o amor dos seus pais e volte você para uma casa vazia e sem esperanças.”

Quando conheci o Len, eu estava no fundo do poço. Já tinha me conformado que as perspectivas a curto prazo para a minha vida não seriam as melhores. Ninguém conseguia penetrar na escuridão que envolvia a minha alma. Mas o Len... Ele foi se aproximando devagar e aos poucos conquistando um espaço que seria dele até o fim dos meus dias.

Eu não me arrependo de ter amado o Len. Acho que na situação em que eu me encontrava a minha resposta emocional foi mais do que esperada. Como não amar a pessoa que te faz ter esperanças na vida mais uma vez? Também não me arrependo de ter aberto mão dele pela nossa própria segurança. Arrependo-me só de não ter ido atrás e desmascarado as garotas que estavam fazendo isso. Talvez se eu tivesse tido mais coragem e mais persistência, a Rin não teria passado por tudo que passou.

Não... Hoje, vendo o amor deles, eu realmente não me arrependo de ter aberto mão de um amor romântico para viver um amor fraternal com o Len. Ele é muito importante para mim. É parte da minha família e nada me deixa mais feliz do que vê-lo feliz. Nesse quesito, o meu coração está em paz. Hoje eu compreendo que o Len só poderia amar a Rin, e vice versa. Um esperou pelo outro a vida toda e eu fico feliz de sinceramente desejar que eles sejam felizes.

O que eu sinto pelo Len acabou se estendendo para a Rin também. Eu amo eles demais. Como não amar ela se é ela que faz o Len feliz. Eu amo os dois e quero ser uma pessoa forte o suficiente para que no futuro, caso eles precisem de mim, eu possa ajudá-los. Assim como o Len me ajudou.

Um dia, futuramente, eu quero poder me lembrar de tudo isso e sentir o meu coração preenchido por todas as lembranças boas que nós três passamos juntos. Um dia, quero encontrar um amor tão forte quanto o deles. Amar e ser amado.

O meu coração já cicatrizou, eu sei. Na verdade, acho que uma ferida nunca se formou. O meu amor era efêmero. Mas agora, não é mais. Ele se transformou em uma rosa de cristal que nunca perece. Um amor incondicional que é capaz de tudo para ver o outro feliz. Talvez nós três já tenhamos sido uma família em uma vida passada. Só assim para conseguir explicar logicamente o que eu sinto pelos dois.

Quero que sejam felizes. Quero que sejam muito, muito felizes. E eu quero ser feliz! Quero amar. Quero sentir esse amor que te faz chegar as ultimas conseqüências. Não precisa ser tão difícil quanto o deles. Basta que seja verdadeiro. Basta que seja eterno.