Me senti muito mal com tudo que aconteceu. Eu realmente considerava a Lily uma amiga. Mais tarde, naquele mesmo dia, Len me contou que ela falou coisas muito ruins de mim no “encontro” com ele. Fiquei muito, muito chateada. Ela era minha única amiga mulher (da presidente Mayu eu tenho medo...) e me ajudou em tantas coisas...

Mas uma das coisas que ela disse eu vou levar para o resto da vida: tenho que expandir o meu mundo. Não posso ficar dependendo do Len pra tudo. Tenho que conhecer mais pessoas e começar a fazer coisas novas.

No dia seguinte, Gaku veio me procurar.

– Eu soube o que aconteceu com a Lily. Sinto muito.

– ... – Me limitei a olhar para baixo. Estava realmente magoada.

– Ei, anime-se... O que ela fez foi terrível mas nem todas as pessoas do mundo são como ela.

– Eu sei. Mas agora me sinto meio sozinha. Lily era a única menina que falava comigo.

– Se eu colocar um vestido você vai se sentir melhor?

Sorri levemente e Gaku sorriu também.

– Bem melhor assim. Rin-chan, o mundo se ilumina quando você sorri. Não deixe que esses acontecimentos roubem o seu sorriso. E se precisar conversar com alguém, saiba que você tem em mim um amigo... Nem que pra isso eu tenha que colocar uma saia.

– Obrigada. E... Caso precise conversar, eu também posso te ouvir. Posso não ter nenhum conselho para dar, mas as vezes só falar já ajuda. – Eu disse, lembrando que ele também tinha suas feridas passadas.

Gaku acariciou minha cabeça e sorriu.

– Ei, porque você tem essa mania de acariciar a minha cabeça? – Perguntei intrigada.

– Ah, é que você é baixinha, tem o tamanho ideal para fazer isso. – Ele riu.

– Ahhh, eu vou te dar a baixinha. – Disse, desferindo alguns socos levinhos no tórax dele.

Gaku conseguiu me animar. Fiquei feliz de ele ter entrado no meu mundo, mesmo que por intermédio da Lily. Conhecer ela também não foi de todo mal...

Entramos então em um período de relativa calma. Nos intervalos, Piko e eu nos juntávamos à Kaito e Len e passávamos nosso tempo juntos. Eventualmente eu passava o tempo com Gaku e a presidente Mayu (que continua me dando medo). Gaku não chegou a se abrir comigo sobre o que aconteceu, mas isso não importa. Eu gosto dele mesmo assim (como amigo).

E o tempo passou. As marcas do que houve vão ficar pra sempre em mim, mas como lições de vida. Mesmo que as feridas tenham cicatrizado, vou levar como experiência tudo o que aconteceu.

Certo dia, estávamos Len e eu voltando para nossas salas após o intervalo da tarde. Não sei ao certo o que deu no Len, mas subitamente ele me colocou contra a escada e me beijou. Tudo estaria muito bem, mas alguém nos viu.

– Kyaaa!

Nos viramos e vimos uma menina de cabelos verdes nos olhando. Demorei um pouco para reconhecê-la como Megpoid Gumi, da minha sala. Ela usava uma roupa que não era o uniforme da escola, óculos de sol em cima da cabeça e estava com um saco de minhocas de gelatina na mão.

– Por favor, não se incomodem comigo, continuem de onde estão... – Ela disse, virando de costas e tentando ir embora.

Len aproximou-se dela rapidamente e agarrou-a pelos ombros.

– Ei!! Não conte pra ninguém. – Ele disse.

– Ta doido? Eu shippo vocês dois desde que a Rin entrou na escola e agora que o meu shipp é verdade não posso contar pra ninguém??

– Por favor, Gumi-chan...- Pedi. – Vamos estar em problemas se alguém descobrir.

– Mas... mas... mas.... –Ela disse, com lágrimas nos olhos.

– Olha... Se você não contar, vamos estar te devendo uma... O que acha? A gente faz qualquer coisa que você pedir. – Len disse.

– Qualquer coisa??

Olhei para ele apavorada, pensando em todas as possibilidades do que poderia acontecer mas antes que eu pudesse protestar, Gumi colocou uma minhoca de gelatina na boca, ajeitou os óculos de sol na cabeça e apertou a mão de Len.

– Feito! Olha que agora não tem mais volta eim?!

Len engoliu em seco e fez que sim com a cabeça.

– E então, o que você quer? – Len perguntou.

– Que vocês entrem para o meu clube – Gumi disse sem rodeios.

– Clube?? – Perguntei, me aproximando dos dois. – Que tipo de clube?

– O de musica, é claro. Estamos com falta de cantores masculinos e ter o Len de volta ia dar o gás que precisamos para ganhar o concurso do festival escolar.

– Não me diga que... – Len começou a dizer.

– Isso! A minha condição é que você volte para o Vocaloid! – Gumi disse, sorridente.

Olhei confusa para Len e depois para Gumi.

– Bem, é isso. Vejo vocês amanhã no clube! – Ela saiu correndo para a nossa sala, provavelmente esquecendo que tínhamos aulas juntas.

– Você vai me explicar isso mais tarde?

– Ugh... Pode ser...

Fomos cada um para sua sala. Restavam mais duas aulas para irmos embora. Passei o resto do tempo imaginando como seria esse clube de música, seus membros, suas atividades... Fiquei com vontade de conversar com a Gumi-chan sobre isso, mas ela sentava muito longe de mim (e, além disso, conversar na aula é errado).

Escrevi um bilhete para Piko, explicando resumidamente o que tinha acontecido. Eu realmente precisava conversar com alguém sobre aquilo e não ia aguentar até o fim das aulas.

“Pikooo!!

Aconteceu uma coisa no final do intervalo. Len e eu fomos descobertos pela Gumi e agora ela quer que a gente entre para o clube de música!! e^e

Ele leu rapidamente e respondeu:

“Você diz o Vocaloid? E como vocês foram descobertos? O___o Isso é perigoso, vocês podem até ser expulsos! Eu não quero que a Rin-chan seja expulsaaaa!!”

Rabisquei uma resposta quando a professora não estava olhando.

“Esse mesmo. Gumi disse que fica quieta contando que a gente entre.”

“Hm... Sabe, eu não estou em nenhum clube. Será que me deixam entrar também?”

“Não sei, Gumi disse que estão com falta de cantores masculinos. Talvez.”

Quando Piko ia responder, a professora nos viu.

– Os senhores gostariam de compartilhar com o resto da turma o que tanto estão trocando bilhetinhos?

Prontamente me levantei e olhei para ela.

– Desculpe por isso, professora, mas eu não consegui entender essa ultima parte que a senhora explicou e, como não queria interromper a sua aula, pedi que o Utatane-kun me explicasse.

Piko me olhou horrorizado. Tinha acabado de mentir descaradamente.

A professora replicar a minha justificativa, mas quando se deu conta de que era eu que falava ( e por isso, quero dizer: a aluna que nunca frequentou uma escola na vida e por isso devia mesmo ser lenta para aprender) apenas falou:

– Bem, ensinar é a minha função. Na próxima vez, interrompa. Pedindo ajuda ao seu colega só o distrai.

– Sim senhora.

Voltei a me sentar e suspirei aliviada.

Quando as aulas terminaram, nem esperei voltar para casa para perguntar sobre o clube para Len.

– E então?? Eu quero saber tudo! – Fui logo dizendo assim que saímos do prédio da escola.

– Tudo o que? – Kaito nos acompanhava de volta para casa.

– Sobre esse tal clube de musica! – Respondi.

Kaito de um guincho apavorado, se agachou no meio da rua e cobriu as mãos com a cabeça.

– Kaito, você está bem??? – Corri até ele, pensando que tinha se machucado.

– Tenha pensamentos felizes, tenha pensamentos felizes... – Ele repetia, balançando para frente e para trás.

– Deixa ele aí que daqui a pouco ele melhora. O clube de música foi uma experiência muito traumática para ele... – Len disse, me puxando pelo braço.

– Bem, então me conte o que aconteceu! – Pedi.

Len suspirou e começou sua narrativa:

– Quando Kaito e eu estávamos no ensino fundamental, precisávamos entrar em algum clube. Clubes esportivos estavam fora de cogitação, nenhum de nós tem muitas habilidades atléticas. Economia doméstica é coisa de menina e os outros clubes não nos chamavam a atenção, Foi quando decidimos entrar no clube de música. Não poderia ser tão difícil.

“No inicio, aprendíamos o básico sobre canto: Formas de respirar, Notas musicais... Esse tipo de coisa. Depois, tinha o debut. O debut é a primeira canção que um integrante novo apresenta para a escola. É quase como sua apresentação oficial como novo membro do grupo. Foi aí que o meu inferno começou. Talvez tenha sido aí, também que aquela história de “clube do Len” começou. Enfim... Eu recebia várias cartas, todos os dias. Várias meninas me abordavam nos corredores e pegavam as minhas coisas...

Pro Kaito foi pior. Depois do debut dele, a Hatsune Miku-san começou a trata-lo igual a um criado, e ele tinha que obedecer ou ela batia nele com um harisen. Era muito triste de ver. Por isso ele é assim, traumatizado.

Quando entramos no ensino médio (onde a participação em clubes não é obrigatória) entramos para o clube dos que voltam-para-casa-depois-da-escola.

E é isso...”

Kaito já tinha se recuperado e nos alcançado.

– Agora me diz, Len, porque diabos você quer voltar para aquele inferno? – Kaito perguntou.

Expliquei para ele resumidamente o ocorrido (Len estava envergonhado demais pelo próprio descuido).

– Bem... Isso deve ser um castigo divino para que você não fique de saliências na escola. Bem feito.

– Poxa Kaito... Você vai mesmo me abandonar nessa situação? – Len choramingou.

– Você quer que eu volte a ser escravo daquela megera?

– Nós estávamos no fundamental. Quem sabe ela tenha mudado... Ela nem implica com você durante as aulas.

– É... Nisso você está certo.

– Então? Vai participar com a gente pra nos dar apoio emocional?

– Vou pensar...

– Ah... entra, por favor. Vai ser divertido. – Supliquei com a minha melhor “cara de cachorrinho”.

– V-O-U-P-E-N-S-A-R! – ele respondeu, entre dentes.

Naquela noite, eu não conseguia dormir direito, só imaginando nas coisas que me aguardavam nesse novo clube.

Notas finais
Ta aí mais um capítulo pra vocês. Muitas coisas planejadas para esse novo arco. Espero que vocês gostem. E não se esqueçam de dar uma olhadinha no Kagamine Twins: Histórias Extras e na história fechada Noir. Beijos, Freaklicious. (^-^)/