KOURIN
12 Amigos, amigos... Esclarecimentos a parte
Notas iniciais
Ouvir o despertador quase me fez chorar.
Não dormi quase nada noite passada. Estava agitada devido a tudo que estava acontecendo em minha vida nos últimos dias, principalmente o incidente envolvendo Kyo, Asuma e Anne. Mas quem realmente me deixou com a cabeça a mil durante toda a madrugada foi Haruka.
A ligação noturna para Mary Anne serviu para clarear situações que antes havia passado despercebidas por mim:
Por que Mary Anne estava no carro, para início de conversa? Ela permaneceu no banco de carona e a outra nem se incomodou em chamar para ajudar com as caixas, o que é muito estranho se considerarmos que é empregada de Haruka.
A única hipótese seria de que Anne ajudou tanto na loja que a chefe pensou em compensá-la levando para casa. Andar sozinha à noite é realmente perigoso.
Mesmo assim, ela não sabia que a loira estava dormindo pois fui eu quem avisei. Ou seja, ela teria de chamar Anne para ajudar com o carregamento do estoque de qualquer maneira. Por que não fez isso?
Outra coisa suspeita foi sua fala durante o jantar: "Anne é uma pessoa muito importante para mim e não quero que peça transferência ou demissão". Seria tão difícil assim substituir uma funcionária? Ou é a pessoa em si que Haruka não quer deixar ir?
Não importa a direção que eu tomava, todos os meus pensamentos levavam a apenas uma resposta e eu desejava o tempo todo que não fosse verdade.
Sentei na cama coçando os olhos e sentindo que esse seria um longo dia. Não acho que terei energia para as macaquices de Yui ou o gênio de Sakuya. Talvez eu devesse passar um tempo com os Hakeshi...
Mas a Presidente está sempre muito ocupada... E nem sei como estará hoje depois de tudo o que aconteceu. E se não quiser falar comigo? E se nem mesmo vier as aulas? Desse modo, vou acabar ficando sozinha com Asuma outra vez e não quero isso.
Por que não?
A pergunta veio não intencionalmente, e tive de me concentrar para respondê-la.
Porque vou ficar tentada a saber tudo sobre o passado de seu irmão mais novo, porque as chances de ele tentar fotografar minha calcinha são grandes e porque não gosto tanto dele quando estamos sozinhos pois sempre encontra um jeito de me irritar.
Fui ao banheiro e constatei que as olheiras não estavam tão fundas e uma maquiagem leve resolveria. Depois de pronta, desci para tomar café e encontrei as duas sentadas conversando normalmente.
– Bom dia, Kourin-chan! — Nanami parecia bem alegre, como sempre.
– E aí? — Haruka nem tirou os olhos de sua xícara para me cumprimentar.
Ao vê-las ali, senti um enorme peso no peito e quase não consegui responder a minha irmã. Olhei para a outra e engoli em seco. E se minha hipótese estivesse correta?
– Kourin-chan? — olhei de volta para Nanami — Está tudo bem?
– S-sim. Só dormi mal esta noite. — sentei-me ao seu lado tentando espantar meus pensamentos.
– Não ficou acordada até tarde não é? — ela lançou uma expressão desconfiada.
– Não, juro que não. Só me atrasei um pouco por causa daquilo né.
Vi Haruka se ajeitar na cadeira e, por um milésimo de segundo, voltar seus olhos para mim.
– Por causa do que?
– Da confusão de ontem a noite, ora. — me virei para a de olhos azuis que parecia desconfortável. — Ela não te contou?
– Tivemos problemas no estoque da loja. — ela finalmente disse algo. — Tive de pedir ajuda à Kourin e seus amigos que estavam aqui para carregar as caixas que trouxe de carro. Estão todas no quarto de dispensa.
Não foi essa a confusão a qual me referia. E tenho certeza de que ela sabe muito bem disso.
– Oh não! Que tipo de problema? Precisa de ajuda? Posso ir com você até lá hoje. Vou tomar um banho rápido e...
– Não é necessário, Nami. — Haruka cortou sua fala e aquilo me deixou extremamente irritada.
– Por que não? Tem certeza? — ela parecia realmente preocupada. Minha irmã é muito ingênua...
– Sim, já está tudo sob controle e já telefonei para alguém que pode ser bem útil.
Alguém útil? Por que ela estava sendo tão não específica? Que ódio!
A outra assentiu e parecia convencida de que nada ali estava errado. E por que não estaria? Ela não viu ou ouviu o que eu testemunhei. Não tinha motivos para estar desconfiada.
– Já está pronta? — Haruka perguntou levantando da mesa.
– Ela nem comeu, Rukia. — minha irmã riu e eu quase lhe dei um soco. Como podia estar sorrindo num momento de tensão como esse!?
– Não estou com fome. — declarei.
– Então vamos logo. Tenho muito o que fazer. — ela foi até a bancada e baixou a cabeça. Só quando se virou de volta para nós é que entendi que estava pondo as lentes de contato.
– Você e suas funcionárias vão levar as caixas de volta?
Ela parou por um momento e lançou um olhar gélido que me fez recuar no ataque. Que medo!
– Sim, mas não hoje. Ainda temos que arrumar tudo por lá.
Concordei com a cabeça e me despedi de Nanami.
– Não se esforce demais, minha linda. Não quer ficar o fim de semana com dor nas costas não é? — ela abraçou a namorada e depois a mim — Boa aula, lindinha.
– Valeu. — agradeci sem olhar em seus olhos.
– Te amo, Haruka. Bom trabalho.
A outra que já estava na porta, se virou e riu.
– Eu também. — disse e saiu para a rua.
Fomos em silêncio até o veículo e diferentemente dos outros dias, abri a porta do carona para sentar-me ao lado da anglo-japonesa. Ela não pareceu se importar e foi dando a partida.
Estávamos a apenas um quarteirão de distância de casa quando ela parou bruscamente e puxou o freio de mão.
– O que é isso? — perguntei.
– Olha aqui, Kourin. — virou-se e olhou bem fundo nos meus olhos — Eu não vou te dizer o motivo, mas Nanami não pode saber sobre ontem a noite. Nadinha.
– Você só pode estar louca se acha que vou guardar segredo da minha irmã!
– Ela guarda segredos de você. Por que não poderia fazer o mesmo?
Aquilo me acertou em cheio. Eu não sabia que ela estava vivendo com uma mulher até o momento em que cheguei aqui e ela também não me contou sobre a loucura que é a Academia Y. Yatobi mesmo sabendo que eu teria que me formar por lá.
– Não importa. Isso é totalmente diferente! — repliquei.
– Por que está sendo teimosa? Não é da sua conta e não tem nada a ver com você.
– Tem tudo a ver comigo. É a vida da Nanami e eu também moro com vocês.
– Do que você está falando? Isso não afeta em nada a Nanami. — não acredito que ela estava usando esse argumento. Que cara de pau!
– Só porque ela não sabe, não quer dizer que não a afetará um dia!
– Estou protegendo os sentimentos de alguém. Será que pode me ajudar com isso e parar de ser uma pentelha encrenqueira?
– Que bela maneira de se proteger os sentimentos de uma pessoa! — ironizei super irritada.
– Quer saber, vou te levar logo para a escola. Eu realmente tenho muito o que fazer. — dito isso, desativou o freio manual e acelerou o carro. A velocidade estava acima da permitida, mas não protestei. Queria me livrar logo de sua presença.
Assim que chegamos na entrada da Academia, desatei o cinto e saí sem me despedir.
X
– Aconteceu alguma coisa, Kourin? — Sakuya estava sorrindo até ver que eu estava me aproximando de cara feia.
– Problemas em casa. — joguei a bolsa em cima da carteira e me sentei.
– Que droga... Quer falar sobre isso?
– Não.
– Nossa, ok. Não precisa ser grossa assim. — e voltou a mexer em seu celular.
Suspirei.
– Desculpe. Acho que não sei lidar com as pessoas. Todos dizem que sou esquentadinha e antipática e... Acho que sou mesmo. Só tive uma amiga na vida e não sei me comportar com pessoas novas.
– O primeiro passo é não ser grosseira. — respondeu sem se dar ao trabalho de virar cara mim.
– Eu fui super simpática agora! Abri meu coração falando de uma fraqueza minha e pedi desculpas por ser mau educada! — eu estava indignada. Que gênio do cão essa menina tem!
– Tudo bem, eu te perdoo. — ela sorriu por fim — Agora me conte o que aconteceu.
Abri a boca, mas fui interrompida pelo sinal.
– No intervalo entre aulas? — sugeriu.
– Ok.
Não estava ansiosa para contar à Sakuya sobre minha vida pessoal, mas tenho certeza de que ficará do meu lado contra Haruka e isso já era incentivo o bastante. Por isso, assim que Sumi-sensei deixou a sala para tomar seu sagrado cafezinho, cutuquei a menina de cabelos longos que cochilava.
Relatei sobre minhas suspeitas e comprovei todos os argumentos com as pequenas provas que consegui, incluindo o diálogo dentro do carro que, para mim, deixou mais do que óbvio que a traição era real.
– Então você acha que ela está tendo um caso com essa Mary Anne?
– Tenho quase certeza. E o pior é a tentativa de me fazer mentir junto com ela!
– Hm... — ela começou a enrolar os cabelos para fazer um coque — Não acho uma boa ideia você irritar essa mulher. Deixe que ela tenha uma amante.
O quê!?
– Sakuya! Como pode dizer isso?
– Pense bem, se você contar a sua irmã sobre a traição, elas vão brigar e provavelmente haverá uma separação. Com isso, fica a dúvida de quem fica com a casa. Nanami ainda está estudando, quem mantem a renda é a Haruka, o que lhe dá o direito sobre os pertences. Você disse que sua irmã é muito boazinha e ingênua. Isso só me leva a creditar que ela vai deixar que Haruka fique com tudo e vai embora com você. E é aí que eu quero chegar: onde acha que vocês duas vão parar?
– Meus pais mandam dinheiro para nós todos os meses.
– Quanto?
– Mil e quinhentos reais*.
– Kourin, isso não é o bastante nem para dar entrada em um apartamento. Que dirá pagar água, luz, gás e condomínio.
Talvez tenha sido uma boa ideia me abrir com ela. Havia esquecido o quanto Sakuya entende dessas coisas. Despesas e problemas familiares eram sua especialidade devido a morte de seus pais.
– O que eu faço então? — choraminguei. — Não quero enganar minha irmã.
– Tente impedir tudo isso. Faça com que essa Mary Anne suma da vida de Haruka. Sabote encontros, cause mal entendidos, dê o seu melhor.
– Que gênio do mal você é. — ri pensando nas possibilidades. Era uma grande proposta!
– Desejo toda a sorte para você. Sei que não costuma ter muita... — e sorriu — Conte comigo sempre que precisar, amiga.
O sinal tocou novamente e observei enquanto todos voltavam aos seus lugares. Momo e Chichi foram as primeiras a arrumar as carteiras para a próxima aula.
– Obrigada... Amiga. — sussurrei para que ninguém mais ouvisse.
X
Era hora do almoço e também o momento de procurar pelos Hakeshi.
– Aquela menininha vai aparecer para fazer show de novo? — minha companheira de almoço parecia tensa.
– Yui? Não sei. Dê uma chance a ela... Vocês duas passaram pela mesma coisa ao chegar na escola: foram mal interpretadas. Talvez se deem bem.
– Acontece que ela é quem não quer me dar uma chance. Esqueceu de como fui tratada ontem?
– Não esqueci... Mas você também implicou com ela. Chamando-a de criança e coisas assim.
Ela bufou.
– Concordo em não atacá-la se ela também se comportar.
– Vamos esperar e ver se ela aparece. De qualquer maneira, tenho muito o que fazer agora e pretendo começar logo que acabar de comer.
– Tudo bem, eu vou com você.
– Não precisa, sério. — a verdade é que ela não podia vir comigo. Não contei sobre nada do ocorrido de ontem. Apenas pequenos trechos que fossem relevantes ao meu problema com Haruka. Ela não sabia sobre a participação de Kyo e Asuma e eu preferiria que continuasse assim. Pelo menos até eu entender melhor o que tudo aquilo significava.
Ela não pareceu muito contente por ser descartada, mas também não protestou, então, assim que terminamos o almoço eu me despedi.
Minha ideia era ir direto à sala do conselho e procurar por Kyo. Entrei no prédio novamente e segui o corredor até a porta indicando o grêmio estudantil. Estava entreaberta (como sempre) e tentei espiar antes de bater, mas não vi ninguém.
– Com licença. — disse já entrando. Esperei que alguém aparecesse, mas não havia nem de onde sair uma pessoa. A sala era espaçosa, mas mesmo assim pequena e não possuía portas levando a outros cômodos.
Resolvi dar ré e sair de lá antes que a secretária chefe ou outra pessoa me flagrasse ali e estava tudo indo bem até eu sentir minhas costas baterem em algo.
Alguém.
– E-eu não estava invadindo, eu juro! Estou procurando alguém! — e virei com as mãos para cima para a pessoa que entrava: um garoto que eu não tinha visto na escola ainda, mas tinha um rosto muito meigo. Era alto, mas nada comparado a Asuma.
– Ah, oi. Estava me procurando? — ele perguntou.
– Não... — ri da pergunta estranha. Nós nem nos conhecíamos. Por que eu estaria procurando por ele? Garotos... — Você viu a Presidente em algum lugar?
Ele uniu as sobrancelhas e coçou a nuca antes de me responder.
– Naruma-san... Sou eu.
– Kyo? — não seu bem se eu cheguei a pronunciar seu nome, pois senti que nenhum som saía de minha garganta. Ele não estava transvestido! — Por quê?
– Eu cansei, Naruma-san. Cansei de fingir ser o que não sou nem nunca serei.
– Uma mulher? — não acredito que realmente deixei essa pergunta escapar, mas agora já era tarde e eu aguardava sua reação.
– Não. Um crossdresser. Nunca foi do meu interesse e agora sei que aquilo não fazia o menor sentido.
– Do que você está falando?
– Eu tenho que trabalhar, desculpe. O que queria comigo? — seu tom de voz era sem vida.
– Eu... Queria saber como estavam as coisas.
– Agradeço muito a preocupação. Eu estou bem.
– Bom, se precisar de alguma coisa eu...
– Claro, eu te aviso se algo me ocorrer. Agora você tem que sair da sala ou terá problemas. — ele deu a volta por mim.
– Até mais... Er... Presidente.
– Até mais, Naruma-san. — e então fechou a porta.
Eu ainda estava bastante perturbada. Parecia que a cada segundo um detalhe incoeso era acrescentado àquela história super sem sentido.
– Kourin-chan. — a voz masculina e familiar soou a alguns metros de distância.
– Asuma, precisamos conversar.
– Agora não, baixinha. — disse chegando mais perto e pondo a mão na maçaneta. — Tenho coisas a resolver com meu irmão.
– Mas é exatamente sobre ele que quero falar.
– Assim você parte meu coração, sabia? Sempre quer falar do Kyo, nunca de mim...
– Asuma, não enche! O assunto é sério!
– O meu assunto com ele também é. Mais tarde eu te ligo e a gente conversa, ok? — e entrou na sala sem nenhuma cerimônia.
– Mas será que alguém vai desfazer esse nó de informações confusas!? — gritei para ninguém em particular e alguns dos alunos viraram suas cabeças para mim.
Peguei o celular para verificar as horas. Faltavam menos de 5 minutos para o fim do intervalo e eu não havia conseguido nada. O meu pequeno raio de esperança veio a tona quando vi, no canto superior da tela, o símbolo de nova mensagem. Nem perdi tempo e já cliquei para ler.
"Kou-chan, acho que meu telefone está com algum problema de sinal. Não consigo me comunicar com você. Se esta mensagem chegar, avise. Beijos, Yuka."
– Yuka-chan não me abandonou! — gritei novamente e dessa vez todos a minha volta começaram a rir, mas nem me importei. Olhei o horário de recebimento e constatei que era de um minuto atrás.
"Yu-chan! Eu estava tão preocupada sem uma resposta sua! Que bom que resolveu o problema. Agora podemos nos falar todos os dias!"
A resposta veio logo em seguida:
"Todos os dias? Mas e quanto aos estudos? Estamos no ensino médio agora."
"Yu-chan, você é inteligente. Não precisa estudar muito hahaha!"
"Preciso sim, Kourin."
Ai. Por algum motivo senti muita frieza nesta última mensagem.
"Tudo bem... Não precisamos nos falar o tempo todo. Apenas uma vez ao dia. Sinto sua falta aqui. Tenho novos amigos, mas não são como você."
"Acontece que as coisas mudaram, Kou-chan. Com o incidente do seu armário e a expulsão, não acredito que seja possível mantermos a mesma relação de antes. Você entende não é?"
"Não. Não entendo. O que quer dizer com isso? É claro que podemos. Basta querer! Amizades não são destruídas pela distância. Ps: incidente? Chama-se sabotagem e eu ainda vou me vingar disso."
O sinal tocou e todos começaram a lotar os corredores e o som alto de vozes me desconcentrava. Comecei a andar em direção as escadas, mas ainda mantinha os olhos bem fixos no aparelho. A resposta dela demorou alguns segundos a mais do que as anteriores e quando abri, vi o motivo. Era um texto de quase 10 linhas:
"Não disse que não seremos amigas, pare de ser tão dramática. Mas, como falei antes, as coisas mudaram. Eu mudei. Você também devia amadurecer mais e aproveitar essa enorme chance na sua vida. Sinceramente, Kourin, não era minha intenção com isso tudo, mas já que você quer tanto uma vingança, vou esclarecer algumas coisas."
Engoli em seco. Todo o clima daquela conversa estava me deixando tensa e tive de respirar fundo antes de baixar a tela e ter acesso ao resto.
Assim que li a primeira palavra "Eu", fui atingida por algo duro que acertou meu rosto em cheio. Por instinto, larguei o celular e envolvi o nariz com as mãos.
– Ai... — murmurei.
– Ai meu deus, desculpe! — quando olhei para frente, havia um rapaz de óculos e cabelo bem curto com cara de criança.
– Tudo bem. — disse por fim. — Fui eu quem esbarrou em você.
– Ai cacete! O seu telefone! — ele gritou apontando para o chão.
Quando olhei, vi que estava com a tela virada para baixo e prendi a respiração.
– Quer que eu olhe primeiro? — ele se voluntariou.
Assenti sem coragem para testemunhar o possível desastre. O rapaz esperou um grupo grande de pessoas passar por nós e então pôs-se de joelhos para apanhar o objeto.
– E então? — perguntei receosa e nem tive de ouvir a resposta, pois o menino fez a cara de choro mais triste que já vi em toda a minha vida.
– Sinto muito... Rachou... — disse num sussurro ao me entregar o pobre aparelho.
– Não! — gritei e então tentei clicar nos botões laterais para ver se pelo menos estava funcionando. Não estava!
Ao ver meu desespero, o garoto me abraçou e eu deixei que ele ficasse ali comigo.
– Eu nunca mais vou saber o resto da mensagem... — declarei soltando o peso de meu corpo nos braços daquele desconhecido e fechando os olhos. No instante em que os abri novamente, vi Asuma passando por nós com passos largos e pesados. Achei que não tinha me notado, mas tenho a impressão de tê-lo visto olhando em minha direção por um segundo antes de sumir numa curva que levava as escadarias.
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