Justiça: O Pergaminho de Haruki
11 10 - Quando valores se colidem
Arco 2 — A Odisseia de Ikaruga
Em algum lugar indefinido no País do Relâmpago…
— Dois dos quatro ninjas da ANBU da Pedra são do Esquadrão de Genjutsu, o que significa que não são tão capacitados em luta corpo-a-corpo – Ikaruga, em total silêncio, começa a ponderar sobre seus inimigos, fazendo uso apenas do seu olhar rápido. – Considerando o que sei sobre Funako Konjiki, ele colaborou com a aplicação combinada da Técnica do Lugar Falso, o que provavelmente significa que apenas um dos ninjas da Areia é do Esquadrão de Genjutsus. O que resulta em três da Areia e dois da Pedra especialistas em curta distância.
Além disso, Ikaruga observa que os mascarados, todos armados com espadas, alinharam-se de maneira que um da ANBU da Areia e dois da ANBU da Pedra se colocaram na linha de trás e o restante na linha de frente. Isso dá a ela o necessário para concluir quais são os especialistas em Genjutsu e quais são os especialistas em Taijutsu.
— Estilo Fogo: Técnica da Grande Chama! – pensa Lazuli, ao lado direito da rosada, ativando um selo manual.
Como a primeira a se mover, a mascarada do País da Tecnologia começa a correr na direção dos inimigos enquanto amassa chakra em seu estômago. De maneira veloz, ela expele da boca uma onda de fogo que se alarga como um lança-chamas na direção dos oponentes. Por outro lado, todos eles também realizam selos manuais de maneira acelerada para ativar uma mesma técnica: Técnica dos Clones das Sombras. Desse modo, os ANBUs criam clones idênticos aos originais, formando um exército de adversários para as duas mulheres que ultrapassam a base das três dezenas.
Todos eles, com movimentos rápidos, conseguem se desviar do lança-chamas da loira. Armados com espadas em uma mão e kunais na outra, os vários ninjas e suas duplicatas cercam as duas mulheres, avançando com notável rapidez. É nesse momento que Ikaruga sorri debaixo de sua máscara, ativando um único selo manual.
— Se acham que a força da quantidade os salvará, pensem de novo… – declara ela, fazendo o uso de uma variante superior daquela técnica: A Técnica dos Múltiplos Clones das Sombras.
Dessa forma, uma imensa quantidade de cópias da mulher com um losango na testa cerca a original e sua aliada Lazuli. Realizando movimentos alternados entre acrobacias e cortes com espadas, os clones começam a confrontar o pequeno batalhão ANBU inimigo. Em poucos instantes, a disputa se mostra injusta uma vez que várias unidades dos clones de Ikaruga se encarregam de cada um dos clones dos homens da Areia e da Pedra. Pouco a pouco, os clones da mulher golpeiam os alvos com ataques precisos de suas espadas, dissipando as cópias dos ANBUs um após o outro.
Perante a clara desvantagem, antes que todos os clones sejam derrotados, os corpos reais dos três especialistas em Genjutsus neste campo de batalha ativam um selo de mão de uma mesma técnica, cada um, de maneira sobreposta. A combinação tem como objetivo impedir que as inimigas se desvencilhem com facilidade do Genjutsu.
— Técnica da Escuridão Infinita – reflete Ikaruga, sendo cercada por uma imensa cortina de escuridão. – De fato, os homens que enviaram não são nada ruins. Porém…
Até mesmo os seus incontáveis clones perdem a capacidade de enxergar os alvos em um cenário que, rapidamente, é tomado por uma imensidão de sombras. No entanto, a rosada sabe que isto nada mais é do que uma técnica que exerce um efeito alucinatório sobre a visão e não uma escuridão real. Por ser meramente um Genjutsu…
— Vocês cometeram um erro – articula a voz de Lazuli enquanto os três usuários de Genjutsus urram de dor. – Eu sou um ciborgue de alto nível do País da Tecnologia. Nenhum tipo de Genjutsu me afeta.
A escuridão retrocede imediatamente. Devido a isso, Ikaruga é capaz de ver dois dos especialistas em ilusões com os pescoços quebrados mortos ao chão e o terceiro com um rombo em seu peito esquerdo. No local, está cravado o braço direito de Lazuli como uma espada poderosa. Sem esboçar qualquer compaixão, a loira rapidamente puxa o seu braço, fazendo o sangue da terceira vítima voar pelos ares enquanto o mesmo cai morto de bruços sobre o terreno rochoso.
Dessa maneira, restam apenas cinco corpos originais das ANBUs e algumas poucas unidades de clones de cada um deles. Suas máscaras escondem o óbvio: os sujeitos estão aterrorizados, cientes de que as adversárias possuem outra escala de poder. Retirando a sua própria máscara de porcelana com a mão direita, Ikaruga, ao longe e junto de todas as suas dezenas de duplicatas, sorri. Com isso, a Haruno atrai os olhares de seus inimigos para o seu belo rosto. É quando a mesma determina:
— Adeus, dias de paz…
…/–/–/…
Enquanto ocorre a batalha de Ikaruga e Lazuli contra a ANBU da Areia e da Pedra… Em um local próximo dali, País do Relâmpago…
Um velho homem oriundo da Aldeia da Areia está diante de um jovem também originário da Aldeia da Areia. Tudo o que os separa são pouquíssimos metros de distância. Embora nunca tenham se encontrado em um campo de batalha, os dois possuem um “assunto mal resolvido”. Ao menos, é assim da parte de Fugako Konjiki, pai de duas vítimas dos assassinatos cruéis de Marik Ishtar anos atrás.
— Por quê? – questiona o ancião, olhando bem profundamente nos olhos do Nukenin.
— Seja mais claro, velhote – sugere o outro, mantendo uma feição quase inexpressiva enquanto o contato visual permanece.
— Por que fez tudo aquilo? Por que matou pessoas inocentes como os meus filhos? – o ancião busca entender algo que o corrói por dentro há anos.
— Eles apenas estavam no meu caminho – garante o mais jovem, sorrindo em seguida. – Embora torturá-los tenha sido uma distração bem divertida.
— Você começou isso por acreditar que o clã Kujaku possui privilégios injustos em relação ao clã Ishtar ou tudo não passou de um pretexto para matar? – infere o velho homem do clã Konjiki.
O avô de Anaki Konjiki se refere a uma velha disputa entre os dois clãs mencionados. Embora a grande maioria dos ninjas da Aldeia da Areia da atualidade não se importem com antigas histórias de rivalidade, no passado alguns membros do clã Ishtar se rebelaram contra os Kujaku. Isso porque ambas as linhagens descendem da fundadora da Aldeia da Areia, mas o clã de Marik eventualmente foi colocado em uma posição servil em relação ao outro clã.
Para pessoas como ele, a servidão dos Ishtar era inadequada sob a ótica racial. Isso porque a maior parte da população do País do Vento, nação geograficamente caracterizada por grandes áreas desérticas e de clima severo, é de pretos, pardos e marrons. Os Ishtar sempre fizeram parte dessa maioria, enquanto os Kujaku são uma porção da minoria de pessoas brancas da nação à qual a Aldeia da Areia faz parte. Em outras palavras: para Marik e outros, aqueles com a maioria étnico-racial é que deveriam desfrutar do maior prestígio social.
— Velho, eu sinceramente não espero que você entenda, mas… – o membro do clã Ishtar começa a articular. – De fato, eu me aliei a opositores do sistema como o Narmer Akatsuki de forma genuína por algum tempo.
O homem por ele mencionado é outro Nukenin da Aldeia da Areia. Narmer e Marik agiram juntos por algum tempo, mas o membro do clã Akatsuki eventualmente se afastou do membro do clã Ishtar por discordar de seus métodos. Para além disso, ele compreendeu que a verdadeira motivação do irmão de “Ishizu, a Profetisa” não era a justiça social, mas meramente a vingança.
— Contudo, com o tempo, o meu ódio foi sendo alimentado por todas as injustiças que testemunhei. A minha mente, na época fragmentada por um transtorno dissociativo de personalidade, estava em conflito. De um lado, uma parte de mim buscava a justiça e a reparação histórica. Do outro, a outra parte que se fortalecia gradualmente desejava a morte, o horror e o desespero de todos aqueles que contribuíram com aquele sistema. A batalha interna durou, mas a conclusão era inevitável – ele explica pacientemente. – Advinha quem venceu?
É quando a expressão facial do sujeito é tomada por um sadismo inquestionável. Embora já tenha presenciado isso várias vezes, Fugako ainda se espanta com o que se desenha no rosto de Marik. Para o ancião, nada neste mundo, nem mesmo os Bestiamorfos, é uma definição mais perfeita e absoluta do mal do que essa face hedionda.
— O lado bonzinho que buscava a justiça nunca poderia vencer! – berra Marik, utilizando um tom de voz extremamente agressivo e, ao mesmo tempo, extasiado além dos limites do prazer particular do Ishtar. – Afinal, a justiça sempre foi uma ilusão! Neste mundo, todos sobrevivem através de mecanismos falhos que perpetuam uma desigualdade social imortal. Os fortes devoram os fracos e estabelecem regras falidas para que não tenham o seu trono usurpado! Os Kujaku nunca poderiam vencer os Ishtar em termos de habilidades e capacidades, mas usaram a sordidez para estabelecer uma hierarquia social sem sentido! Movidos por uma honra imbecil e patética, os meus antepassados permitiram que o nome dos Ishtar se tornasse referência de servidão. Como esse sistema poderia ser mudado se o mundo ninja inteiro é assim!?
— Então, por causa disso, você matou pessoas inocentes? – questiona o ancião, buscando compreender o raciocínio da “metade maligna”, e atualmente a única existente, de Marik Ishtar.
— Não! – nega, entre gargalhadas. – Eu mato porque os humanos são como porcos caminhando para o abate sem ter consciência do seu destino final. Kujakus, Ishtars, Konjikis, Akatsukis… Todos são e sempre serão marionetes manipuladas por aqueles que controlam o sistema! Eu decidi matar e consumir o meu lado justiceiro para me tornar poderoso o suficiente… O suficiente para ser alguém que controla e não alguém que é controlado!
— Você realmente é o puro mal – constata o veterano da Aldeia da Areia. – É sim um fato concreto que sociedades como a nossa vila se estabeleceram por meio de mecanismos de desigualdade e injustiça. Entretanto… Mesmo sendo vítimas do sistema, todas as pessoas lutam diariamente por seus sonhos, acreditando que tudo fará sentido no fim. Elas acreditam que o esforço vale a pena, mesmo que os resultados sejam colhidos somente por gerações futuras… Distantes no tempo – é quando a sua expressão facial é tomada por uma cólera surpreendente. – Mas você… Você se acha no direito de destruir vidas, arruinar sonhos de pessoas que não querem machucar ninguém. Pessoas que se esforçam para transformar esse mundo em algo melhor.
— Sonhos tolos! – declama o outro, entre risadas ainda mais altas e frenéticas, arregalando os seus olhos ao máximo. – Tudo o que importa é o poder!
O ancião não pretende mais utilizar palavras. Compreendendo que são duas visões de mundo muito distintas desde a base dos seus conceitos, considera que a única resolução possível é uma batalha de vida ou morte. Por isso, o idoso começa a correr na direção do seu alvo. Apesar da idade avançada, Fugako exibe a capacidade de se locomover tão rápido quanto um ninja padrão no auge da juventude. Enquanto o faz, ativa alguns selos manuais e é observado por um inimigo que não para de rir. Desse modo, ele cria um fluxo de chakra circular em seu estômago. Ao abrir sua boca, forma uma corrente de ar poderosa de fora para dentro de si mesmo.
— Enfrentar alguém com a Kekkei Genkai do Pulso dos Ossos Mortais em curta distância é perigoso, mas é a única solução… Não posso dar a ele abertura para usar aquilo… – pensa o ancião, se locomovendo enquanto puxa Marik para próximo de si com uma potente sucção da corrente de ar do Estilo Vento: Sucção Imediata.
Marik, apesar de ter interrompido suas gargalhadas, sorri ao ser puxado por essa poderosa corrente de ar. Levando a mão esquerda para trás das costas, ele consegue modificar e retirar sua própria coluna vertebral enquanto uma nova surge em seu interior para substituí-la. Com a coluna retirada, o sujeito a manipula como se fosse um chicote. Trata-se da Dança da Clematite: Vinha, uma das técnicas utilizadas por aqueles que possuem a Kekkei Genkai do Pulso Mortal dos Ossos.
Ao parar em determinado ponto do campo de batalha aberto, ainda sugando Marik para próximo de si, o veterano ativa outros selos manuais. Dessa forma, o seu corpo começa a sofrer uma transformação: em instantes, Fugako tem o seu exterior completamente convertido em um rígido aço negro. Dos pés à cabeça, o ancião agora parece ser um humanóide metálico por inteiro: com exceção dos seus olhos, mantendo-os normalmente para continuar enxergando. Isso ocorre somente em tempo suficiente para o fluxo de ar se interromper com um poderoso ataque de Marik: o Nukenin manuseia o seu “chicote de coluna” de forma maleável, aproveitando-se da ausência de cartilagens. Contudo, o mais experiente consegue se defender bloqueando com um movimento do braço direito.
— Você imagina que estou com pouco chakra por ter usado uma técnica para camuflar aquelas duas por tanto tempo… – articula o mais jovem, realizando consecutivos movimentos do seu chicote enquanto observa Fugako bloqueando todos com sequenciais atos defensivos dos seus braços metalizados. – Mas o que tenho de energia é mais do que suficiente para sepultar alguém que já está com os dois pés na cova!!
Após bloquear alguns dos ataques, o velho se abaixa rapidamente, realizando uma perfeita esquiva de uma chicotada. Cerrando o seu punho direito metalizado, Fugako tenta acertar um golpe na barriga do mais jovem. Contudo, com um rápido movimento, Marik joga no rosto dele a sua túnica cheia de rasgos – graças aos ossos que convocou contra as ANBUs anteriormente. Trajando uma camisa e calça de tons pastéis, o Ishtar aproveita essa pequena brecha para saltar contra o ancião, rindo sem parar enquanto manuseia seu chicote ósseo de cima para baixo.
Apesar de ter a túnica bloqueando seu campo de visão, Fugako consegue desviar para o lado no último segundo. O chicote ósseo atinge o solo, criando uma rachadura considerável com o impacto. Retirando o tecido de seu rosto com a mão esquerda, o ancião se prepara para atacá-lo com um soco do outro punho. Agachado, Marik é capaz de desviar enquanto concentra sua Kekkei Genkai no braço direito. Em instantes, cria uma espécie de broca montada por vários ossos combinados ao redor desse mesmo braço. Aprimorado com o mais alto grau de solidez máxima, devido à densa compressão, a arma de ossos da técnica Dança da Clematite: Flor é extremamente grande, temida por seu alto poder ofensivo em um combate corporal.
— Velho imbecil! – exclama o mais jovem, realizando um movimento em linha reta com a broca de ossos na direção da barriga do seu inimigo.
Fugako é atingido com tudo na barriga. Embora o seu corpo esteja “metalizado”, e portanto mais resistente, o ataque perfurante é suficiente para fazê-lo gemer de dor. O impacto cria rachaduras no metal em sua barriga e o atira para longe por alguns metros de distância. Aproveitando-se disso, Marik começa a correr e movimentar o chicote ósseo acima de si como uma corda.
— Ilusão Demoníaca: Nevoeiro… – pensa o ancião, ainda sendo atirado para longe, mas ativando um selo manual enquanto vê Marik se aproximando.
Desse modo, ele cria um clone ilusório idêntico à sua aparência atual que salta sobre Marik. Devido aos poucos metros de distância entre os dois, o Nukenin não consegue escapar a tempo e, ao ser atingido, o clone explode em uma densa nuvem de pétalas de flores. Embora seja uma ilusão, isso permite a Fugako um espaço de tempo suficiente para que retome o controle do próprio corpo, girando no ar e caindo de pé no solo. Em seguida, dez pequenas esferas de aço são criadas por ele a partir de cada ponta do seu dedo. De imediato, o veterano as atira como rápidos projéteis na direção de Marik.
Porém, já estando livre da distração do Genjutsu, o mais jovem rebate as esferas de aço todas de uma só vez com um único movimento do chicote ósseo. Apesar disso, manipulando as balas metálicas de maneira remota com o movimentar de sua mão direita, o ancião altera a trajetória de todas. Com isso, elas avançam outra vez na direção de Marik. O Nukenin, dessa vez, escapa através de um movimento de esquiva para trás.
— Apesar de estar capenga, você é realmente bom se comparado aos lixos do seu clã que matei naquela ocasião – articula Marik, entre risos. – O melhor entre eles conseguia controlar apenas cinco Esferas de Aço por vez. Mesmo assim…
Novamente, as esferas são manipuladas por Fugako à distância, rodeando o mais jovem com um círculo perfeito em alinhamento horizontal. Quando são disparadas em uma grande velocidade, aproximando-se de Marik em instantes, o Nukenin bloqueia todas: cinco de um lado com o movimento do chicote ósseo e cinco do outro com o movimento de sua broca.
— Isso nunca vai me derrotar! – ele completa os próprios dizeres.
Correndo novamente para se aproximar, o ancião repete uma vez mais o controle remoto sobre as esferas de aço: mas Marik desvia. E outra vez ataca desse modo: novamente, o alvo se esquiva. E de novo: o Ishtar desvia pela terceira vez. Porém, Fugako foi capaz de ganhar tempo suficiente para se aproximar.
Com isso, movimenta seu punho direito rumo a Marik enquanto o mais jovem também movimenta a sua broca óssea na mesma linha reta. Um choque estrondoso ocorre quando a broca e o punho metálico se encontram, mas é o braço do mais velho que sofre danos: rachaduras se espalham por todo o seu braço, fazendo-o gemer baixo enquanto pequenos fragmentos de metal voam pelos ares. Marik ri ao ver isso, mas percebe que seu inimigo está controlando as esferas de aço com movimentos sutis da outra mão. É quando todas elas atingem o Nukenin pelas costas, perfurando o seu corpo e cravando na carne do seu dorso. O sangue do ex-Jonin da Aldeia da Areia também se espalha no ar.
— Estilo Relâmpago… – pensa o ancião, ativando alguns selos manuais. — Esfera de Relâmpago!
Desse modo, ele cria sete esferas de eletricidade no campo de batalha ao usar o próprio corpo como um gerador. As sete esferas, do tamanho de um punho humano fechado, surgem ao seu redor. Enquanto as atira na direção de Marik com a força do pensamento, o veterano ativa mais um selo manual ao mentalizar:
— Estilo Vento: Pressão Nociva!
Com isso, ele comprime uma grande quantidade de Vento em seu interior. Em seguida, a libera em direção ao seu oponente como um poderoso turbilhão através da boca. O turbilhão, avançando ainda mais rápido do que as esferas elétricas, age como uma corrente de ar em linha reta que absorve as esferas. Dessa maneira, enquanto Fugako salta para longe, a corrente de ar de alta pressão dispersa a energia elétrica das esferas em sua extensão, adquirindo toda a propriedade energética das mesmas. Ao atingir Marik, a pressão do ataque de Vento gera uma explosão eletrificada que devasta tudo em uma grande área circular do campo de batalha. Por vários instantes, a pressão circular desses ventos varre o local, expandindo-se um pouco mais, obrigando o ancião a realizar outros dois saltos para longe.
— Ele não sobreviveria a isso… – pensa o veterano da Aldeia da Areia, posicionando-se em determinado ponto do cenário enquanto tenta normalizar a própria respiração.
Fugako, ofegante, sente o seu corpo relativamente pesado. Usar a transformação metálica do seu corpo em combinação com duas técnicas elementais em sequência são ações exigentes para um corpo marcado por uma idade tão avançada. A explosão de ventos começa a se dissipar, mas antes que isso se conclua, algo ocorre: a broca de Marik brota de um ponto do solo a centímetros dos pés de Fugako. Ele compreende o que está acontecendo: o inimigo usou a Técnica do Esconderijo da Toupeira, mas seu corpo está pesado demais para se esquivar rápido o suficiente. Não há nada mais para ser feito…
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