Justiça Jovem: Aniquilação
4 Andando em Círculos
Notas iniciais
Happy Harbour
4:50
Ainda era madrugada quando Megan acordou.
"Sempre faço isso." Pensou ela.
Acordava preocupada todas as vezes que Connor saía em missão sem ela.
“É só uma leitura de dados.” Repetia pra si mesma enquanto se levantava e ia em direção ao banheiro. Mais tarde naquele dia teria uma reunião com Kaldur para tratar sobre onde a equipe que ela comandava iria atuar a partir de agora.
Algumas horas se passam entre tarefas diárias e a hora da reunião se aproximava, então, pegando tudo que levaria consigo, ela calmamente saiu de casa em direção ao local que eles tinham combinado se encontrar.
Depois de alguns minutos chegou em um pequeno café no centro. Pouco frequentado de fato, ao entrar notou somente uma figura sentada na mesa do fundo, quando reconheceu como seu amigo foi ao encontro.
-Por que escolheu esse lugar?- Perguntou ela.
-Bom dia pra você também!-Disse Kaldur rindo, uma expressão calma de sempre no rosto.- Eu precisava sair um pouco da torre de vigilância. Toda essa história de invasão tá deixando o clima muito pesado lá e aqui a gente pode até colocar o papo em dia.- completou.
-É eu entendo. Connor também anda muito preocupado com toda essa situação.- Ela disse esperando uma garçonete passar ao lado deles para fazer seu pedido.-Então... Você está "preocupado", hein ? Pelo o que eu sei sobre a Terra, "pessoas preocupadas" não ficam tão calmas assim e nem vão à um café com um amigo.- Disse e os dois riram.
-Não vá se acostumando,-Ele disse entre risos.- tenho um posto importante como "sério" e "adulto" para exercer.- Ele disse e os dois riram.
Os dois conversaram por mais um tempo, até que uma garçonete passou e os dois fizeram seus pedidos.
-Enfim, vamos finalmente ter a reunião que viemos ter?- Perguntou Kaldur, ainda entre risos.
Quando Megan iria responder seu celular toca. Vendo que era Bárbara quem ligava, teve que atender. Afinal ela sabia que a Oráculo estava ajudando na missão em que Connor estava. Preocupada a jovem atende.
-Alô? Bárbara? Aconteceu algo?- Ela diz com preocupação na voz.
-Aconteceu !- Bárbara tentava explicar.- Alguma coisa aconteceu no Monte, não sei dizer o que.
Megan rapidamente desliga o telefone e olha em direção a Kaldur bastante séria.
-Aconteceu algo com eles Kaldur.-Ela disse colocando o dinheiro do café na mesa e se levantando às pressas.- A reunião vai ter que ficar pra depois.
Sem parar para discutir os dois se levantam rapidamente indo em direção a saída.
Monte da Justiça
13:15
Depois de um longo tempo pensando, Dick se vira para os colegas.
-Acho que não temos escolha, vamos ter que entrar no centro do Monte e procurar outra forma de sair por lá.- Disse sério.
-Concordo-Ártemis falou.- Não tem razão para ficarmos parados aqui esperando isso tudo desmoronar nas nossas cabeças.
-E como vamos entrar lá?- Perguntou Superboy apontando para porta de metal que dá acesso ao interior do Monte da Justiça. Estava praticamente soterrada.
-Não tem muitas outras formas de fazer isso, Connor. Essa você pode socar. A parte eletrônica foi danificada, é o único jeito de passar. Você a derruba e nós passamos rápido.- Dick mandou sem inspirar muita confiança e já se preparando para correr.
-É nesses momentos que odeio estar sem uniforme.- Falou Ártemis irritada.- Mas nãããooo, " a missão é só para coletar dados.", "não vamos precisar deles."- A jovem imitava enquanto apontava para Dick.
-Isso. Me culpe por não prever o futuro e adivinhar que um raio iria cair nas nossas cabeças ! — Disse ele debochando da loira. — Connor, vamos logo com isso!
-Fiquem preparados para passar.- Disse o Superboy pronto para socar a porta.
BAM! a porta voa com o impacto.
Ártemis e Dick não perdem tempo e com agilidade se jogam para dentro da abertura sendo seguidos por Connor que passa a tempo de não ficar preso. Atrás deles pedras caem fechando a saída.
-Vamos nos afastar. Foram dois desses impactos nessa área, não ficaria surpreso se aquela sala toda não foi soterrada desta vez.- Falou Dick começando a andar na direção oposta da sala.- Vamos ir para o porto, talvez a gente consiga sair daqui pelo mar.
Com acenos de concordância, o trio começa a caminhar pelo familiar Monte da Justiça que, mesmo em obras, mantinha algumas partes idênticas ao que eles lembravam.
Alguns minutos de caminhada se passam e eles chegam a sala de treinamento, essa que diferente dos demais cômodos, estava bastante destruída.
-É, não vamos conseguir ir pelo caminho normal até o porto. -Falou Connor apontando para um monte de pedras onde devia haver uma abertura na sala destruída.
-Vamos ter que dar a volta.- Disse Dick se virando para Ártemis.- Olha, eu esperei a gente ter a situação sobre controle para poder te perguntar: o que você precisa falar pra gente? Antes disso tudo acontecer, você começou a dizer que precisava nos contar algo, acho que vamos ter bastante tempo. Se quiser nos contar, fica a vontade.
Seu coração disparou, ela foi pega de surpresa! Com tudo o que aconteceu havia esquecido dos pesadelos por um tempo, mas não tinha alternativa. Precisava de ajuda. Mesmo que odiasse pedir.
-Bom, sim. E-eu preciso falar com vocês, tem algo de estranho acontecendo comigo e isso me assusta. Não sei como começar a explicar, eu...- Parou um pouco e respirou fundo, numa tentativa de se acalmar.
-Sabe que pode contar com a gente pra qualquer coisa né? -Disse Connor apoiando a mão no ombro tá amiga.
-Sei. Sei sim.-Falou ela se preparando.- Eu tô tendo alguns pesadelos recentemente. Sempre os mesmos, com… com o W-Wally. Desde de que pedi ajuda para Zatanna eu venh-
-Ajuda com o que exatamente?- Dick a cortou.
-Eu… eu pedi pra ela me ajudar a falar com a alma dele.- Ela disse franzindo o cenho.
Por um momento Dick parou encarando a loira sério. Depois de algum tempo foi em sua direção a abraçando, gesto que foi imitado por Connor:
-Mas você conseguiu o que queria? Digo, realmente falou com ele?- Ele perguntou sério, mas com um leve entusiasmo na voz, soltando a amiga.
-Sim, eu falei. Eu precisava daquilo. Me despedir. Achei que tudo ficaria tranquilo depois disso, mas aí os pesadelos vieram e eu não sei mais o que fazer...- Falou ela com lágrimas nos olhos.- É uma sensação estranha, como se ele ainda estivesse tentando falar comigo…
-O choque de emoções que você sentiu foi demais, deve ter sido a maneira que seu corpo encontrou para poder lidar com a dor. Não se preocupa, vai passar com o tempo.- Connor soltou a amiga.- Nós estamos aqui por você, pra tudo que precisar.
-Isso… Deve ter sido isso mesmo...- Falou Dick muito baixo, como se estivesse falando consigo mesmo.
-Eu precisava falar sobre isso com vocês. Obrigada por escutarem, são ótimos amigos.- Falou Ártemis secando pequenas lágrimas que insistiam rolar pelo seu rosto.- Eu só precisava desabafar, vamos continuar indo para o porto, não quero ser soterrada depois de um momento constrangedor desses.
Perto do Monte, ainda na praia, duas figuras aparecem voando e aterrissam em frente a entrada principal do Monte da Justiça.
-Desculpa por já ir te levitando sem nem explicar. Queria chegar rápido aqui! -Falou Megan.
-Não precisa se desculpar, eu entendo. Também estou preocupado com eles.- Respondeu Kaldur.- Bárbara te disse algo importante?
-Não parei para perguntar. Ouvi ela dizer algo sobre uma explosão antes de desligar, e pelo visto...- Disse apontando para o local onde deveria estar a porta de entrada. Só se via um monte de pedras- A explosão os prendeu lá! A estrutura deve ter sido comprometida! Vou entrar, fico intangível e vejo o que aconteceu.-Disse séria já levitando alguns sentimentos do chão.
-Certo. Vou mergulhar e entrar pelo porto, se eles estiverem bem devem estar procurando outra saída. Te vejo lá dentro.- Kaldur se virou indo em direção ao mar.
Mas ao chegar perto da água notou algo estranho, um tipo de barreira quase invisível cercava toda a estrutura do monte até onde ele conseguia ver. Achou aquilo estranho, olhou para trás e não via barreira alguma, porém ao olhar novamente para água percebeu que o reflexo do sol na água a deixava visível.
Rapidamente se virando mais uma vez gritou antes que Megan pudesse chegar mais perto da parede.
-MEGAN! NÃO ENTRA, TEM ALGO DE ERRADO!
A garota se assustou e ainda sem entender foi se afastando indo voando em direção ao amigo.
-O que você achou?- Perguntou Megan preocupada pousando ao lado de Kaldur.
-Olha isso…- Ele falou se agachando e apontando para barreira agora visível na água.
-Parece um… campo de força, ou algo parecido.- Megan apontou. Procurava algo que explicasse a origem do que estava vendo.
-Por que não tenta sentir eles mentalmente daqui? Não acho que devíamos passar essa barreira sem saber o que aconteceu.- Ele se levantou ficando maior que a marciana.
-Certo…- Depois de um tempo se concentrando, a jovem faz uma cara de desapontamento e fala.- É como se fosse realmente um campo de força. Não consigo entrar...
-Acho difícil que conseguiria.- Ele disse colocando uma mão no queixo, parecendo pensar em alguma solução.
Os dois se viraram rapidamente com o susto. Parado ali na frente deles estava Barry Allen, o Flash.
-O que aconteceu aqui? Estava patrulhando Central City quando senti algo de errado com a força de aceleração e a fonte vinha daqui.- Ele apontou para o Monte.
-Você deve saber da missão que o Raio Negro passou para o Asa Noturna sobre aqueles picos de energia, então... aparentemente eles se encontraram aqui para coletar os dados mas pelo que a gente sabe algo deu errado. Uma explosão...-Kaldur respondeu o grande homem de vermelho em sua frente.
-Hum…- Suspirou Barry enquanto andava em direção a barreira visível na água. Estendeu sua mão que ao se aproximar soltou algumas faíscas.- Isso é um bolsão temporal.- Falou abruptamente.- Se eles estão lá dentro temos que fazer algo rápido. Não é bom ficar exposto muito tempo no centro de um evento desse nível assim.
-E como vamos tirar eles de lá?!- Perguntou Megan parecendo mais preocupada do que nunca.
-Sinceramente, eu ainda não sei...- Flash coçou forte atrás da nuca tentando pensar em alguma coisa.
Monte da Justiça
14:05
Depois de alguns minutos de conversa, os três continuaram seguindo em direção ao porto. Não demorou muito para notarem que algo estava errado. Como se estivessem andando em círculos.
-Nós já passamos por aqui.- Dick apontou para uma pilha de escombros, um tanto incomum. -Lembro de ter visto isso pelo menos 3 vezes enquanto andávamos.
-E também não me lembro do porto ser tão longe assim!- Artémis exclamou, estava um pouco irritada.
-Eu sei…- Dick a olhou com uma expressão estranha no rosto.- Vamos continuar. Não acho que ficar parado seja uma boa ideia, não sabemos o que está acontecendo.
Então se passaram minutos, talvez horas, até chegar em um ponto que não sabiam a quanto tempo estavam ali, só andando e andando sem chegar a lugar nenhum.
-Chega!- Connor parou de repente levando as mão a cabeça.- Eu vou ficar maluco assim! Isso não é normal!
-Ele tem razão, Dick. Meus pés estão me matando. Vamos descansar e tentar entender o que está acontecendo aqui.- Falou Ártemis se sentando no chão.
Os três se sentaram perto de uma parede. O silêncio predominou durante um tempo. Tudo que se ouvia eram gotas de água caindo em algum lugar no ambiente e as respirações dos três. Estavam exaustos e confusos com a situação. Com dificuldade, Ártemis tira seus sapatos e começa a massagear seus pés, enquanto Connor descansava escorado na parede. Dick por sua vez encarava o vazio, procurando respostas plausíveis para o que eles estavam passando.
Em poucos minutos eles estavam ali, dormindo. Alheios a qualquer coisa que acontecesse em sua volta. Foi quando aconteceu, um grande clarão branco invadiu o local e por um momento era tudo que se podia enxergar. Uma imensidão branca, seguido de um forte estrondo alto de algo cortando o ar e tudo foi lentamente voltado ao normal.
Os 3 acordam assustados com o barulho. Se entre olharam perguntando a si mesmos o que o teria causado o barulho, porém sem respostas aparentes, Dick se levanta e fala extremamente sério.
-Tem algo muito errado aqui. Eu acabei de ter um sonho muito estranho, eu…- Falou confuso.
-Eu também tive um sonho um tanto que… perturbador. -Disse Connor.
-Então todos sonhamos com algo. É isso que vocês estão falando?- Perguntou Ártemis preocupada.
Dick estava prestes a perguntar aos amigos mais sobre os seus respectivos sonhos quando vozes ao fundo começaram a ecoar pela interior do Monte.
-Connor! Dick! Ártemis! vocês estão aí?- Gritava Megan.
-Tem alguém escutando?- Kaldur vinha logo atrás da marciana.
-Estamos aqui!-Respondeu Connor.
Os grupos se encontram em meio aos escombros, Megan rapidamente corre em direção de Connor e pula em seu pescoço o abraçando. Kaldur seguido de Barry vai em direção aos outros. Depois de um tempo de explicações de ambos os lados Barry diz.
-Sinceramente não sei o que aconteceu. Nunca tinha visto um evento desse nível, não sabia como iríamos entrar no bolsão temporal para poder tirar vocês. Estávamos discutindo sobre quando um estrondo nos assustou e quando viramos a barreira simplesmente tinha sumido.
-Então é fácil assumir que a energia que nós estávamos estudando é energia temporal?-Perguntou Dick confuso com a situação.
-Sim. Poucas coisas conseguem criar fendas no espaço-tempo como nessa magnitude.- Barry disse depois suspirou e completou.- É muita energia temporal, nunca vi nada parecido. Bom, eu tenho que voltar para Central City, se quiserem ajuda para explicar ao Raio Negro a situação é só me chamar na torre.- Falou ao se virar e sumir em um piscar de olhos.
O grupo restante se reuniu na beira do mar antes de irem embora.
Conversaram mais um pouco sobre o ocorrido. Dick fez questão de alertar aos amigos para não falarem sobre os sonhos a ninguém antes deles mesmos discutirem sobre. Nem mesmo a Megan e Kaldur. Estavam todos prontos para ir embora, mas antes de entrar no carro Dick chama Megan para ajudá-lo com algo, assim que estavam um pouco afastados dos outros ele começou:
-Eu sei o que vocês fizeram para Ártemis. Não foi difícil presumir depois que ela nos contou a história na caverna.- Falou sério.
-O que fizemos exatamente?- perguntou ela nervosa.
-Ela me contou como a Zatanna a ajudou a se comunicar com o espírito do Wally. O que me surpreendeu na hora, por que eu sei que a Zee sabe que é impossível fazer isso e mesmo se fosse a magia dela é imprevisível, então não daria certo. Me pergunto como fizeram ela acreditar que foi real. Acho que talvez uma projeção na mente dela?- Falou de forma inquisidora para amiga.
-Bom.- Suspirou.- Não fizemos por mal, ela realmente precisava disso pra poder seguir em frente. Achamos que se ela conseguisse se despedir ela se sentiria melhor, então a ajudamos a pensar que conseguiu.
-Não julgo vocês Megan, eu teria concordado se me perguntassem na época. É que...- Ele parou por um instante pensativo.- ela anda tendo pesadelos, os mesmos sempre, com o Wally. Eu sei que tiveram boa intenção com tudo isso, mas e se desencadearam algo maior nela, eu só estou falando isso com você para pedir sua ajuda. Ela vai se abrir com você sobre isso em breve. Eu sei que vai. Você poderia ver o que há de errado com ela quando isso acontecer?
-Eu... eu posso sim, se ela quiser. Não tem por que não ajudar...- Ela soltou um sorriso frouxo.
Ao terminar de falar, Megan se afasta indo em direção ao carro. Dick não demora muito pra seguir os passos da amiga. Ele sabia que ela tinha tido bons motivos para fazer o que fez, mas não era isso que o incomodava no momento. Teria que esperar para poder saber o que seus amigos também sonharam e se eram tão estranhos quanto o seu.
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