Justice for All - As Noites da Justiça
4 4. Oliver
"Oliver"
O dia começava a raiar, o antes céu negro começava a se tornar azul claro enquanto o beco começava a clarear. Oliver retirava o capuz roxo e o guardava na mochila preta que deixava escondida dentro de uma lata de lixo, havia colocado uma roupa normal para se misturar com as pessoas normais, não podia correr o risco de ser descoberto, sempre foi cuidadoso com sua identidade secreta. Ele respirava fundo e arrumava o cabelo loiro, andando pelas calçadas do Distrito 4 de cabeça baixa, pensativo, a noite havia sido boa, conseguiu prender 8 dos garotos que faziam arrastões nas filas das boates, foi parabenizado pelo segurança da festa e pelo dono, que agradeceu o trabalho que ele fazia pela área, ele e Scott eram os encarregados de cuidar daquela parte da cidade e após fazerem um acordo com os policiais a criminalidade baixou bastante, eram tempos bons. Oliver era um bom líder, todos seguiam suas ordens concordassem ou não, no fim, ele sempre se mostrava certo.
As ruas da cidade começavam a ficar movimentadas, desde cedo as pessoas saíam de suas casas para atravessarem metade da cidade para chegarem em seus trabalhos, Oliver fazia aquele percurso todos os dias, chegava as sete da noite no Distrito 4, onde se trocava no mesmo beco há 5 anos junto de Scott, que desta vez não apareceu, provavelmente foi a alguma festa, sua desculpa de sempre. Os rostos que o acompanhavam até o ônibus já eram conhecidos, todo o dia o viam e chegavam a pensar que ele residia ali, mas na verdade sua casa ficava longe, morava em uma parte considerada segura, com policiamento e quase nenhuma criminalidade, vivia com Quinn, sua esposa, em uma casa de dois andares que ficava no centro da cidade, no Distrito 2.
Enquanto caminhava até a parada de ônibus, viu um pai com seus dois filhos esperando o ônibus para a escola, era um casal de criancinhas, pareciam ter uns 7 ou 8 anos de idade, com os agasalhos que os aqueciam do frio da manhã e as mochilas de rodinha que faziam barulhos enquanto batiam nas pedras e nas rachaduras da calçada, o pai era um homem careca e gordinho, parecia um pouco cansado, mas feliz por estar levando seus filhos para a escola. Por um minuto, Oliver se imaginava naquela situação, logo seria pai e toda sua vida mudaria, talvez fosse se aposentar como Mary e John fizeram, poderia tentar alguma coisa na polícia, já era conhecido por lá e ganharia bem, mas não seria a mesma coisa, não teria a mesma adrenalina e a confiança que a máscara dava, sendo assim, ele olhava para o chão e lamentava o dia em que recebeu a grande notícia, porém não adiantava ficar daquele jeito, logo Clarice nasceria, era questão de tempo para tudo mudar.
Oliver sentava em uma das ultimas cadeiras, perto da saída, olhava pela janela o percurso que o ônibus fazia e as pessoas que entravam e saíam a cada parada que passavam. Sentava só, sem ninguém ao seu lado, olhava seriamente para as pessoas, a maioria ouvindo suas músicas pelos fones de ouvido e alguns poucos adolescentes conversavam sobre suas vidas sociais, garotos e garotas pelas quais se interessavam, as reclamações que faziam dos pais e o que queriam fazer da vida. Ele observava a rua pela janela, o ônibus andava em uma boa velocidade, os carros começavam a surgir nas ruas, bicicletas e motos, os motoristas pareciam cansados, alguns dos que seguiam para o trabalho tomavam o café enquanto dirigiam, outros discutiam no carro com quem quer que fosse que estivesse ali.
Ele se debruçava na mochila, os olhos fechados estavam pesados, o sono tomava conta enquanto cada local em que foi atingido começava a doer, lutava bem, é claro, mas isso não evitava os socos e chutes repetidamente no mesmo lugar. A rotina era cansativa, mas no fim valia a pena, queria limpar a cidade, ou pelo meno uma parte dela, sabia que os políticos só se importavam com o próprio nariz. Enquanto tentava não cair no sono, com um sorriso no rosto se lembrava de quando decidiu seguir esse rumo.
Oliver tinha 17 anos quando a febre dos mascarados surgiu, todos queriam combater o crime com as próprias mãos, na verdade, alguns aproveitavam aquilo para extravasar. Naquela época ele não via interesse em fazer esse tipo de coisa, achava algo um pouco arriscado, agir sem proteção nenhuma contra criminosos armados era suícidio, mas logo viu a necessidade daquilo. Aos 17 anos era uma estrela do futebol americano escolar, tinha todos os olheiros em cima e bolsas de estudo garantidas, mas não era para ser. No meio da temporada um garoto quebrou seu braço em um ataque de raiva durante um jogo e nunca mais ele jogou como antes. Foi uma queda difícil de se recuperar, não tinha rumo e não sabia o que fazer, só tinha raiva do garoto que nem sequer sabia o nome e foi quando ele decidiu sair nas noites impedindo assaltos e batendo nos criminosos. De começo não tinha um nome, nem uniforme, apenas usava um capuz e um moletom cinza, mas mesmo assim era cuidadoso com a identidade secreta e decidiu agir dia sim dia não nas ruas de Griffith City, não escolhia o local nem tinha estratégia prévia, agia pelo calor do momento e isso lhe rendeu algumas cicatrizes. Cinco anos depois já tinha um certo reconhecimento, as pessoas conheciam quem ele era e tinha alguns cartazes espalhados pelos lugares que dominava junto de outros mascarados aleatórios, enquanto trabalhava de manhã entregando jornais, a noite defendia os lugares que já conhecia, dessa vez mais maduro e inteligente e foi quando ele conheceu Frank.
Oliver já tinha um nome nas ruas, Saltador, afinal, adorava pular dos apartamentos pequenos em cima dos assaltantes, gostava daquela sensação poderosa ao desarmar alguém facilmente, mesmo que nem sempre isso seja verdade, muitos já o levaram para a quase morte. Ele tinha conhecimento do grupo que trabalhava nas ruas, um grupo que não tinha problema com a polícia e tinha respeito da grande maioria, mas nunca pensou em trabalhar com eles, não sabia nem como encontrá-los, sempre ocupados. Era quase de manhã quando uma figura com vestes azuis e um bigode digno de um prêmio apareceu, o famoso Noite, ele disse ter observado o rapaz e o via como um possível sucessor para a liderança do grupo, que na época havia perdido Solar e o agressivo e temeroso Capitão Estrela Vermelha, o antigo líder. Oliver não imaginava conseguir liderar um grupo que já tinha sua própria sintonia, mas aceitou o desafio e foi quando ganhou um melhor amigo. Foi com facilidade que ele entrou no grupo, de cara ganhou a aprovação de Silêncio, mas a inveja que Ajudante, que havia recentemente mudado seu nome para Punho de Ferro, possuía era visível. Depois de um tempo ele fez um acordo com os policiais, tinham a liberdade para usar armas de fogo e tinham o direito de prender os meliantes, isso fez com que alguns dos outros mascarados decidisse sair do ramo, já que o preço disso era ter de revelar seus verdadeiros nomes.
Logo após Oliver se tornar o líder, Frank decidiu sair também, mas colocou um outro jovem em seu lugar, com o mesmo codinome, mas com uma personalidade diferente. Depois de um tempo outros ingressaram, Guy, Laurel e Rose. Guy era o mais novo, 17 anos, era um pouco infantil e exibido, mas tinha um senso heróico muito grande, sempre ajudando os outros e recusando a ver injustiças, lutava bem, era muito ágil, mas perdia um pouco do crédito por causa das piadas intermináveis e a teimosia que o castigava. Laurel era um pouco mais velha, 21 anos, inteligente, estratégica, fria, corajosa, mas também muito temperamental, irascível e agressiva, mas também uma líder nata, se deu com Oliver no primeiro dia em que se conheceram, poderia ser sua alma gêmea se não tivesse conhecido Quinn antes. Por último havia Rose, também tinha 17 anos, exibida, egoísta, possessiva e acreditava ser a dona da razão, talvez não tivesse a melhor das personalidades, mas dentro de campo era uma das melhores.
Oliver pensaria mais no passado se não fosse a parada brusca do ônibus que o acordara, olhava para o lado e para o outro, desnorteado, havia cochilado durante a viagem para casa. As pessoas no ônibus se levantavam, pareciam assustadas, algumas se abaixavam, não eram mais os adolescentes ou os trabalhadores, eram pessoas completamente diferentes. Ele esfregava os olhos que ardiam, bocejava levemente enquanto tentava entender o que estava acontecendo, até que se levantava do seu lugar e ia até a frente do ônibus, onde todos estavam para tentar ver o que acontecia. O trânsito estava parado, ninguém conseguia se mover por conta do assalto que estava acontecendo em uma loja, os carros da polícia faziam uma barreira, ninguém conseguia passar, tentavam convencer os assaltantes a desistir. Enquanto assistia aquela cena o seu coração começava a ter os batimentos acelerados, não podia ficar ali esperando que alguma coisa acontecesse, mas não era o seu horário de ação, era perigoso fazer alguma coisa, mas também era errado fingir que não via aquilo.
Iria fazer alguma coisa, corria um risco grande, mas não fecharia os olhos para o que acontecia. O motorista abriu a porta para que as pessoas pudessem sair se quisessem, algumas ficaram, mas ele foi junto. Ao sair do ônibus reconhecia lugar, não era sua área de ação, mas já conhecia aquela parte da cidade como a palma da sua mão. Era uma loja de eletrônicos que já fora assaltada algumas vezes, ficava em uma parte residencial, tendo uma casa no andar de cima, esta que tinha a escada de entrada pela lateral. Poucos sabiam é que pela casa poderia se descer até a parte de empacotamento de encomendas da loja.
Andando calmamente até a rua do lado, não chamava atenção, todos estavam com os olhos vidrados nos acontecimentos dentro da loja, assaltantes gritando e a polícia tentando acalmá-los, era um jogo de estratégia, davam o que eles queriam e no fim do dia os prenderiam, ou os matariam, dependendo do tempo que levasse, a polícia da cidade não era tão paciente assim. Ele ia até a entrada da casa, um portão amarelo separava a escada do resto, tinha um cadeado que o trancava, se fosse de noite, poderia retirar com seu alicate, mas como era de manhã não haveria como fazer isso de maneira furtiva. Após olhar para os dois lados e ver que as pessoas estavam ocupadas demais com os seus próprios narizes, Oliver não pensou duas vezes e escalou o portão, descendo na escada e a subindo até a casa.
No andar de cima tinha uma porta e uma janela fechada, ele batia duas vezes na porta de madeira e ninguém o respondia, quem morasse ali já tinha saído. Ele girou a maçaneta da porta que se mostrava trancada, se Guy estivesse ali poderia destranca-la, mas Oliver não tinha essa habilidade e com um pouco de culpa chutou a porta até que essa abrisse revelando a casa organizada. Os móveis limpos e uma decoração bonita, o sofá vermelho tinha algumas revistas em cima e a mesa de centro uma xícara de café pela metade, provavelmente deixada ás pressas. Enquanto andava cautelosamente, via os retratos em cima de uma das mesas, ali morava uma mulher, Rebeca era o seu nome, parecia ter uma vida boa, algumas fotos mostravam viagens para fora do país. Ele parava um pouco para ver, mas logo voltava ao seu objetivo. No final do corredor tinha uma porta com um papel escrito "Não entre, faz parte da loja do Sr. Pharratt". Se sentindo um pouco mal de invadir uma propriedade, ele abriu a porta, esta que não estava trancada mostrava mais uma escada, essa que era em formato de espiral e tinha algumas caixas espalhadas embaixo. Ao descer, abria a mochila e pegava o bastão de beisebol que tinha, ensaiava um golpe e respirava fundo.
Ele colocava a mão esquerda na maçaneta e a abria lentamente, vendo por uma fresta os assaltantes da loja com alguns reféns na parte do balconista. O líder usava um boné e tinha a pistola na cabeça de uma atendente, outro ficava atrás de uma das prateleiras e intimidava os reféns, enquanto outro se escondia no fundo, atrás também de uma prateleira. A loja era grande, poderia atacá-los separadamente e com cuidado não seria visto. Após respirar fundo, deixou a mochila no chão e pegou o bastão, abriu a porta lentamente e andou em passos curtos e silenciosos até o bandido escondido que por sorte estava de costas. Oliver colocou o bastão no pescoço deste e o enforcou, fazendo com que se debatesse, mas na gritaria imensa, o som do pedido de socorro era cortado.
Restavam mais dois, os mais difíceis, os dois tinham na mira os reféns e ele não poderia falhar. No lado de fora a polícia gritava e conversavam para negociar as exigências, já estava se tornando algo cansativo. A atendente se mostrava nervosa, pedia para o rapaz de boné solta-la, mas não tinha sucesso. Oliver se levantou de trás da prateleira, os policiais tinham a surpresa no olhar, ficavam estáticos com o que estava acontecendo, um homem com um bastão de beisebol que andava para cima do rapaz de boné. Após dar alguns passos já correndo, jogava o bastão na cabeça do que ficava atrás de uma prateleira, enquanto corria até o líder e o atingia com um soco na nuca, o impacto era tão forte que ele largava a arma e soltava a mulher, enquanto o outro havia caído no chão, assim como ele, inconsciente.
Os policiais entravam na loja e algemavam os assaltantes, alguns falavam com os reféns e os outros impediam as pessoas de entrarem. Um dos policiais, o mais baixo, se aproximava de Oliver com uma feição nada amigável.
– Você deve saber que não pode interferir no trabalho da polícia não é? Por sua culpa poderíamos ter botado tudo a perder. — Ele segurava o colete enquanto olhava para Oliver, parecia um touro pela maneira que bufava. Na identificação estava escrito "Sgt. Ellis", era um dos conhecidos pela maneira agressiva e impiedosa que combatia o crime, aplaudido por uns e crucificado por outros, e a opinião do mascarado se encaixava no último grupo.
– Me desculpe senhor, eu apenas achei que poderia ajudar, eu sabia como impedi-los de matar os civis e arrastar mais essa negociação, isso não vai mais se repetir. — Falava um pouco nervoso, olhando para o policial baixinho, por mais que tivesse uma parceria com eles, sabia bem do que eram capazes.
– Tudo bem, garoto, como vai querer ser chamado nas notícias? — Ele balançava a cabeça em direção as câmeras do lado de fora.
– Eu prefiro não ser identificado, na verdade, não quero causar mais problemas, fale o que for necessário para eles.
– Tudo bem, agora pegue as suas coisas e saia daqui o mais rápido possível, não quero ver sua cara se não for atrás das grades. — Mesmo pela pouca altura conseguia ser ameaçador para o rapaz que logo dava as costas para o policial e ia até o seu bastão de beisebol, enquanto os civis o encaravam, agradecidos, logo após isso ele tomou o caminho até a casa de Rebeca por onde voltou até a rua, mas antes deixou 100 doláres pelo prejuízo que poderia ter causado.
A viagem dessa vez foi melhor, o cochilo o ajudou a ficar mais acordado e os barulhos das buzinas eram tão irritantes que ele mal conseguia fechar os olhos. No caminho viu um dos hotéis pertencentes á Lewis, sempre bem movimentado por pessoas que crucificavam os mascarados, por sorte o acordo com a polícia só dava a transparência das identidades para eles, caso vazasse, seriam os primeiros a pagar. A cidade era sempre movimetada, naquela época alguns protestos começavam a surgir, grupos corajosos que iam contra os políticos que eram um câncer para a sociedade. A opinião que tinha era bem parecida, sempre que podia falava sua opinião, mesmo que isso significasse ganhar maus olhares e ser visto como alguém ingênuo, mas nunca deixava de se expressar, causava brigas, mas não deixava de falar o que pensava, isso irritava alguns dos seus amigos, em principal Frank, que evitava falar o que pensava para evitar discussões, na maioria das vezes fechava os olhos para as injustiças que aconteciam, mas quando confrontado preferia permanecer quieto.
A parada de ônibus era perto de sua casa, ele saltava e fazia o percurso sob o sol de 38 graus, mas que era um pouco amenizado pelas árvores que faziam um teto na calçada da vizinhança, era um bairro calmo onde quase não havia preocupação, lugar perfeito para se morar. Sua casa era grande, branca e de madeira, as janelas grandes mostravam a sala organizada onde sua esposa estava sentada assistindo televisão, na parte da frente ficava um balanço que fez para sua filha, estava incompleto, mas pretendia acabar logo. Ele andava calmamente, o sorriso de chegar em casa acabava logo, havia esquecido do tempo difícil que passava em casa, Quinn acreditava que ele deveria parar de ser um vigilante, dizia que ele deveria achar um emprego normal, talvez estivesse certa. Os pensamentos eram parados bruscamente após ele abrir a porta, Quinn tinha os cabelos loiros soltos enquanto assistia a televisão, um programa de culinária, cozinhar era uma de suas atividades favoritas, antes dizia que iria fazer uma loja, mas acabou por desistir do sonho e se tornou professora.
– Parece que você sobreviveu mais um dia, quando você morrer quem será que vai me avisar? — Ela falava um pouco rouca, a voz levemente chorosa enquanto diminuía o som, mas ainda assim não olhava para ele, os olhos verdes fixos na tela que mostrava uma mulher fazendo alguma torta.
– Ninguém vai te avisar, eu não pretendo morrer por um bom tempo. — Andando calmamente até o sofá, abandonava a mochila com o uniforme em cima da mesa, olhava para o programa e logo depois voltava os olhares para Quinn, mesmo com o clima ruim não deixava de sorrir quando via seu rosto. — A gente devia parar de discutir sobre isso, você sabe que eu não vou mudar e discutir só vai abalar a nossa relação, eu não quero que o bebê sofra as consequências disso.
– Sabe, eu tinha esperanças de que você criasse alguma coisa nessa cabeça e percebesse que tudo isso é inútil, mas parece que quanto mais eu falo mais você insiste. — Ela suspirava fundo enquanto olhava para Oliver um pouco triste, queria que ele seguisse uma carreira normal, mas sabia que não adiantava, ele e as ruas combinam muito bem.
– Não fica assim Q, eu sei que os tempos estão difíceis, mas você precisa confiar em mim, eu sei o que eu faço, acredite em mim, ok? — Oliver se aproximava dela no sofá e a abraçava, por um momento ela se rendia aos braços dele, mas logo se desvencilhava e desviava o olhar. — O que aconteceu?
– O Scott, o Scott tem família? — Quinn olhava para o chão, parecia segurar o choro, falava com a voz triste e rouca.
– Eu não sei, ele nunca foi de falar muito sobre a vida pessoal pra mim, Guy é o melhor amigo dele. — Enquanto Oliver mais se aproximava ela se afastava, se virava de costas e abaixava a cabeça, o choro começava a ser escutado. — Q, o que aconteceu com ele?
– Ele está morto.
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