Justice
2 Capítulo 02
CINCO ANOS DEPOIS
#AVA
Ouvi uma batida na minha porta e logo em seguida ela foi aberta. Não precisou eu olhar na sua direção para saber de quem se tratava.
— Senhora Sharpe, a minha substituta chegou. – Alice comenta.
Suspiro e a olho. Sabia que esse dia chegaria, mas ela era uma assistente tão boa que eu não queria que ela fosse embora. Alice estava se formando e, ao contrário do que eu pensei, ela resolveu aceitar um emprego do outro lado do país para ficar perto do seu noivo. Mesmo eu oferecendo um bom emprego ao meu lado.
Quem troca um emprego em um dos melhores escritórios do país só para ficar perto do noivo?
Eu não tive outra saída senão aceitar. Ofereci um cargo permanente e um salário maior do que o que tinha agora, mas ainda assim não foi o suficiente. Eu tinha que aceitar que suas prioridades eram outras no momento, e ela ainda seria uma brilhante advogada. Com certeza eu ainda ouviria muito dela.
Nem todo mundo coloca a carreira na frente de tudo, e eu deveria aprender a fazer isso. Bom, um dia eu vou. Quando eu encontrar alguém, ou algo, que realmente valha mais do que minha carreira.
Em pouco tempo de formada eu já estou começando a fazer a meu nome. E não só por ser uma Sharpe, mas por ir até as últimas consequências, investigar cada caso com detalhes e, claro, saber argumentar como ninguém em um julgamento. Não querendo me gabar, mas eu realmente sou boa em um tribunal. E meu nome estava começando a rodar pela cidade como uma das melhores. Pessoas vinham me procurar por indicações ou porque simplesmente querem a melhor. E eu sou uma das melhores da cidade.
— Não queria que você fosse, Alice. – faço uma carinha triste. – ainda dá tempo. Eu posso dispensar essa novata e seremos parceiras por muito tempo.
Ela ri. Alice era uma morena linda de olhos verdes. E seu sorriso encantava todos os nossos clientes.
— Eu adorei cada caso em que trabalhamos juntas, Senhora Sharpe. Mas eu tomei minha decisão.
— Não me chame assim. – repreendo. – você está indo embora, pode me chamar de Ava. Gosto de pensar que somos mais que chefe e sua assistente.
Levanto e a busco para um abraço.
— Eu também. – ela sorrir. – foi muito bom trabalhar com você, Ava. Eu aprendi muito. Acho que agora está na hora de outra pessoa aprender com você.
— Eu não quero outra. – resmungo e nós nos separamos.
— Posso garantir que essa nova estagiária é ótima. Ela tem as melhores notas na faculdade, ótimas indicações de professores e é bastante dedicada, exatamente como eu.
— Mas ela não é você. – Alice ri e me entrega sua ficha.
— Já informei tudo o que ela precisa saber sobre você. Ela está começando hoje.
— Se não tem mais nada que eu possa fazer para você ficar, eu aceito essa substituta. Mas ela nunca vai ser igual a você.
— Vou pedir para ela entrar. Seja boazinha.
Alice me abraça mais uma vez e sai da sala.
Eu tinha me acostumado com seu jeito há um ano, ela falava no momento certo, sabia o que eu gostava e o que me irritava. Alice sempre diminuía o estresse do meu dia cuidando de alguns assuntos sem que eu ao menos tivesse ciência disso. Ela apenas chegava com o problema resolvido.
Estamos juntas por um ano inteiro e agora eu tinha que me acostumar com outra estagiaria. Eu tinha que treina-la. Isso com certeza não iria ajudar no meu nível de estresse. Levantei e fui direto tomar um gole de Whisky. Eu tinha melhorado minha tolerância para álcool desde a faculdade, e uma dose pura e sem gelo me acalmava.
Mais uma vez a porta se abre e duas pessoas entram.
— Senhora Sharpe, essa aqui é Sara Lance, sua nova estagiária.
Seguro o copo no meio do caminho e me mantenho de costas para elas.
Não podia ser. Isso realmente não poderia estar acontecendo.
Com certeza eu ouvi errado. Ou poderiam ter duas Sara Lance na cidade. No país.
— É um prazer começar a trabalhar com a senhora. Alice já me passou todas as informações, eu serei bastante útil.
Não tinham duas Sara Lance. Eu jamais esqueceria essa voz, embora agora esteja um pouco mais madura.
Bato o copo na mesa e viro, vendo Alice ao lado loira com os olhos mais azuis do que eu me lembrava.
— Já tem a agenda de hoje? – ela confirma. Será que ela não lembra de mim?— ótimo. Temos uma reunião com um cliente, espero que esteja por dentro do caso.
— Já deixei todos os casos de hoje na mesa, o resto você pode pegar na sala de arquivo.
— Arquivo? Não é melhor deixar tudo no computador? – a loira olha confusa.
— Não. – Alice ia responder, mas eu interrompi. – eu prefiro ter os arquivos em mãos.
Ela assentiu.
— Nesse caso, eu vou começar a ler agora mesmo. – ela se retira, me deixando a sós com Alice.
— Eu sei que nós éramos boas juntas, mas isso foi frio. É o primeiro dia e...
— Tem certeza que ela era a melhor da turma? Você viu suas notas? Tem certeza que não era falso?
— Ava, eu pessoalmente liguei para os professores e pedi referência. Sem falar que eu conheci Sara na faculdade, era realmente é boa. – ela me observa um momento. – você tem algum problema com ela?
— Não. – respondo rápido. – ela só não parece que vai ser tão eficiente quanto a você.
Alice sorrir.
— Pode ficar tranquila, se você não gostar dela eu procuro outra para você.
— Não... não vai precisar. – suspiro. – eu só achei que ela não tem cara de quem é organizada. E eu detesto bagunça.
— Bom, acho que ela vai se sair bem. Agora eu tenho eu ir, é meu penúltimo dia aqui e tem muita coisa para comemorar. – ela para na porta e me olha. – o pessoal marcou uma despedida amanhã à noite na Waverider. Só uns drinks. Você poderia aparecer por lá, Gary da contabilidade vai estar lá.
Reviro os olhos e ela rir.
Mesmo tendo conversado sobre muitas coisas e considera-la como uma amiga, eu nunca falei para ela que gostava de mulheres. Aliás, apenas mina irmã Ana e Amaya sabiam disso. Então Alice continuava querendo me juntar com alguém. Gary da contabilidade era o novo pretendente, apesar dele ser um idiota, ela achou que nós formaríamos um belo casal.
De onde ela tirou essa ideia?
Sento na minha cadeira pensando em como esse mundo é pequeno. Sara Lance é minha nova assistente. Depois de anos ela finalmente estava finalmente na minha frente de novo. A última vez que eu a vi foi no meu quarto, depois de nos beijarmos. Ela recebeu um telefonema e saiu correndo. Tentei falar com ela depois, mas ela simplesmente desapareceu. Tentei falar com seus amigos, mas eles também não tinham notícias dela. Então eu desisti.
Eu não tinha ideia de que ela tinha feito faculdade de direito e que seria tão boa a ponto de se qualificar para um bom estágio. A Sara Lance que eu lembro não é a mesma que Alice me descreveu. Mas eu também não tenho grandes referencias dela. Conversamos uma noite, nos beijamos uma vez e ela sumiu.
Será que ela lembrou de mim?
Será que ela lembra de nós juntas?
Merda. Eu passei tento tempo preocupada com ela naquela época. Eu achei que ela estava morta, mas tive a notícia de que ela tinha abandonado a faculdade. Eu sei que não foi por minha causa, mas eu queria saber dela. Demorei tempo demais até perceber que não valia a pena. Que eu nunca a encontraria. E agora ela está aqui, agindo como se nunca tivéssemos nos vistos.
Ela não lembra de nada.
Talvez eu devesse me comportar assim também. Talvez eu não devesse lembrar dela. Aqui ela era apenas minha subordinada, e eu sua chefe. E é assim que nós nos trataríamos.
— Senhorita Lance por favor venha até minha sala.
Não demora muito para ela entrar na minha sala. Sara realmente parecia diferente do que eu me lembrava. Seu olhar era mais sério e mais focado, sua postura era outra. Talvez ela tivesse mudado. Talvez ela tivesse deixado aquela Sara destemida para trás.
— Traga os arquivos do caso do Sr. Michael. Nós revisaremos antes de encontra-lo.
Ela concorda e sai, voltando em seguida com os arquivos. Eu deixei que ela falasse o que tinha estudado do caso e o que achava. Ela tinha alguns pontos interessantes que eu anotei para que pudéssemos tirar dúvidas depois.
Meia hora depois o telefone toca avisando que o Sr. Michael já estava nos esperando na sala de reuniões. Juntamos os papéis e seguimos até o local.
— Esse é um cliente importante, é um caso grande, então precisamos ter cuidado com o que vamos falar. Se você tiver dúvidas anote que depois discutiremos. Se for muito importante escreva em um papel e passe para mim. Mas nunca fale com o cliente além da formalidade.
— Tudo bem.
— Ótimo, vamos lá. – puxo a porta de vidro e nós entramos na sala. – bom dia Sr. Michael, é bom vê-lo.
— Bom dia Doutora. E quem é essa bela mulher ao seu lado? – ele tinha uma olhar predador para Sara.
— Essa é minha assistente, Sara Lance. Agora é com ela que o senhor irá tratar quando eu não puder atender. – nos sentamos em frente a ele.
— Posso tratar de várias coisas com ela. – seu sorriso cafajeste me dava nojo.
Porque eu aceitei defender esse cara mesmo?
— Vamos começar? Nós discutimos o caso e acho que a única saída é se declarar culpado.
Fui direta, deixando Sara um pouco chocada. Não era isso que tínhamos discutido.
— O quê? Você é a melhor da cidade e tudo o que tem para dizer é que eu tenho que me declarar culpado? – ele se irrita e levanta.
— O Senhor é acusado de estupro, tem testemunhas que afirmam terem visto o Senhor entrar da casa da vítima, tem vídeo do senhor entrando e saindo fechando as calças. Tem presença de fluidos na vítima. A única razão pela qual o senhor está solto é porque o senhor pagou fiança.
— Sim, e eu contratei você para se livrar das acusações. Eu já disse que não foi estupro, ela queria! – ele ainda estava irritado.
— Tem certeza?
— Sim.
— Então vamos conversar sobre as nossas estratégias.
#
— Não acredito que irá defender esse cara! – Sara fala incrédula quando voltamos para minha sala.
Coloco as pastas sobre a minha mesa e continuo sem olhar para ela.
— Ele é um cliente.
— Ele é um estuprador! – sua voz sobe um pouco.
Respiro fundo e a encaro. Essa não é uma boa primeira impressão dela.
— Todos têm direito a defesa. Deveria ter aprendido isso na primeira semana.
— Eu li a ficha e o depoimento dele, eu achei que poderia ser duvidosa. Mas você viu aquele cara? As piadas machistas que ele solta para cima de mim durante toda a reunião? Ele não é inocente!
— É isso que precisamos descobrir e partir para um novo caminho.
— Eu escolhi trabalhar aqui porque você... – ela para, indecisa de continuava ou não.
— Por que...
— Por que você sempre lutou por justiça. Principalmente quando o caso parece perdido.
— Então andou acompanhando meu trabalho. – estreito meus olhos na sua direção. Como ela poderia não lembrar?
— Só me certificando de que eu trabalhe para alguém que lute pelos mesmos objetivos que os meus. Nada pessoal.
Ela vira e sai. Antes que bata a porta eu a chamo.
— Senhorita Lance. – ela me olha por cima do ombro. – faça as checagens que eu lhe pedi. Se preciso faça um pedido de quebra de sigilo. Quero estar bem preparada para amanhã.
Ela apenas acena com a cabeça e sai. Sei que não está nada feliz com essa situação, mas eu não posso me preocupar com isso agora. Aliás, eu não tenho porque me preocupar.
O resto do dia fiquei trancada no escritório pensando em um plano perfeito para fazer a defesa diante do juiz amanhã. Se eu conseguisse provar que meu cliente era inocente desse crime, eu poderia poupar tempo e apenas fazer um acordo.
Tirei os olhos do computador quando escutei uma batida na porta e logo ela foi aberta por Sara.
— Não queria interromper, mas acho que consegui.
Levantei rápido e peguei os papeis de suas mãos. As partes que importavam estavam grifadas em amarelo e algumas anotações em um post-it rosa. Ela não parecia organizada, sua letra era difícil de entender, mas ela tentou fazer o que Alice a ensinou.
— Então ele é realmente inocente?
Mesmo com a cara fechada, Sara confirma com a cabeça.
— Pelas trocas de mensagens realmente parece que sim.
— Bom, isso e os telefonemas é o bastante para um acordo.
Fui rápido até minha mesa e disquei o número do promotor. Sara estava pronta para sair, mas eu a interrompi.
— Não quer ficar e ver o show? – Ela me olha confusa.
— Vai ligar para o promotor agora? Já é noite.
Olho pela janela e vejo o céu escurecendo, mas antes que fale alguma coisa a voz soa no autofalante.
— Advogada. – a voz fria do promotor Bennett preenche a sala.
— Acho que chegou a hora do acordo.
— Seu cliente é culpado, Sharpe. Deveria saber que não faço acordos com culpados.
— Eu sei que ele é culpado. Mas de outras acusações, não essa. – Sara me encara mais confusa
— Como assim?
— Eu consegui provas que confirmam que tudo foi um plano da sua cliente. Ela trocou mensagens com uma amiga e já solicitei que essa amiga deponha a nosso favor. – minto. Ele não precisa saber a verdade.
— Isso não quer dizer que ele não a estuprou. Temos o DNA.
— Isso prova que houve sexo. E com a minha testemunha é apenas a palavra da sua cliente contra o meu.
Houve um silencio.
— O que você quer?
— Sua cliente retira a acusação e seguimos em frente.
Ouço seu suspiro e quando ele volta a falar, sua voz está mais macia.
— Ava, você sabe que esse cara é um bosta. Ele tem que ir para a cadeia.
— Eu sei, e por isso ainda não acabei. – sento na mesa com apenas uma perna apoiada, olhando os papeis que acabei de imprimir. – tenho estratos bancários do meu cliente que indicam pagamentos a todas a mulheres que já o acusaram de estupro. Isso é tudo que eu vou falar, o resto é com vocês e a polícia de Star City.
— Você está nos entregando seu cliente? – ele parecia duvidar.
— Ele não será mais meu cliente após assinarmos o acordo. – digo olhando diretamente para Sara, que parecia feliz com minha decisão.
Não sei explicar, mas seu sorriso discreto de alguma forma me aqueceu por dentro.
Quando o telefonema encerrou, Sara ainda estava na minha sala. Eu dei algumas instruções e pedi para ela marcar uma reunião com nosso cliente logo pela manhã.
— Isso é tudo? – a loira mais baixa pergunta.
— Não. – eu sento na minha cadeira e fico olhando para ela. – você não me conhece, não sabe como eu trabalho, então não pode simplesmente me dizer o que ou como fazer. Não importa se é um cliente importante ou um caso pro bono, sempre dou o meu melhor. Aquele cara é realmente um merda, mas ele era inocente nesse caso, não importa o que ele fez ou faz, ele era inocente no caso em que fomos contratadas para defendê-lo. Aceite você ou não, isso acontece. Você não gosta de todos os clientes, mas tem que defendê-los porque eles pagam o salário de outros membros da equipe. Você os defende porque eles merecem defesa. Você não escolhe todos os clientes, mas você faz o melhor por todos eles.
— Eu não quis...
— Isso é tudo. – a interrompo. – amanhã me encontre na promotoria às oito.
#
Cheguei em casa mais cedo que o normal hoje. Sempre sou a última a sair do escritório. Pelo menos no meu andar. Primeira a chegar e última a sair, foi assim que meu pai descreveu seus primeiros anos como advogado e chegou ao sucesso. Eu sempre o admirei em tudo, principalmente como profissional, e se eu quero ser igual ou melhor que ele, tenho que seguir seus passos.
Sento em meu sofá com um copo de whisky na mão. Hoje foi um longo dia e amanhã será pior. Perder um grande cliente não é fácil, mas também não podia ir contra meus princípios. Sara me lembrou disso quando eu quase esqueci. E foi por causa dela que eu tive a ideia de pesquisar mais fundo e então descobri que ele estuprava e depois pagava para as mulheres ficarem caladas. Pagava muito.
Suspiro e tomo um grande gole.
Sempre que Sara Lance aparece na minha vida eu tenho essa necessidade de beber. Foi assim quando nos encontramos naquela festa, foi assim hoje quando nos reencontramos.
Vê-la de novo foi difícil. Queria fazer perguntas e ter todas as respostas, mas provavelmente ela não lembre de mim. Provavelmente ela nem lembre daquele beijo, ou melhor, daquela noite. Tudo o que eu lembrava de sentir por ela no primeiro dia que nos conhecemos voltou quando eu a vi no meu escritório. Mas de alguma forma se foi no fim do dia. Sara tinha esse poder sobre mim. Eu sou capaz de sentir ódio e mesmo assim gostar dela. Tudo ao mesmo tempo.
Mas agora ela trabalha para mim. Comigo. Todos os dias juntas das 09:00h da manhã até as 17:00h da tarde. De segunda a sexta, sempre nos vendo e nos falando. E talvez até no fim de semana. Eu teria que aguentar Sara até o fim do semestre.
Será que eu aguentaria?
#SARA
— Olha só quem chegou. – Nate levanta a garrafa de cerveja pro alto e sorrir.
— Eu disse que viria. – sorrio e senti ao seu lado pegando sua cerveja e dando um grande gole. – e aí, sobre o que estão falando?
Zari e Jax começaram a falar sobre seu primeiro dia de estágio enquanto Nate foi pegar mais uma rodada de cervejas. Sim, hoje nem é sexta mas todos nós precisamos disso aqui. Estagiar e estudar é desafiador, e nós somos bons em beber e não sentir ressaca.
— Sara, como foi o seu primeiro dia? Você deve ter adorado, todos dizem que na Sharpe Advogados tem muita mulher bonita. – Jax disse brincalhão e Nate concordou.
— Principalmente Ava. Nossa, que mulher é aquela?
Eu sorri sem graça.
— Ela é normal. – pego uma cerveja das mãos de Nate e tomo um gole.
— Não diga que Sara Lance, a garota que mais pegou garotas na faculdade, não se impressionou com a beleza de Ava Sharpe. – Até me encara. – ela é linda nas revistas, imagina pessoalmente. Ela era assim na faculdade? Eu não lembro dela.
— Também não lembro. – me limito a dizer, quando um olhar questionável de Zari.
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