Juste Attendre-II
10 Excuses
Notas iniciais
Os dois homens andavam de modo apressado pela mata, o pirata um pouco atrás do Senhor das Trevas estava tomando um maior cuidado com as plantas, ele lembrava e temia o veneno que matara seu irmão, não iria cometer o erro de morrer na frente de seu inimigo, não quando ainda precisava salvar Baelfire.
Rumpelstiltiskin não possuía uma ideia sequer de onde era o acampamento de Pan, ele precisava de uma ajuda, não de Gancho, ele ainda se perguntava porque aceitara a presença do pirata, afinal, de nada acrescentava a sua busca. Ambos queriam salvar Bae, entretanto as semelhanças acabavam neste fato. Há cada passo dado, ficava mais complicado suportar o capitão. Rumple esperava encontrar logo o filho e ir para casa o mais depressa possível, sem precisar enfrentar o pai, o que parecia ser um sonho demasiado bom.
Após um longo tempo de caminhada, os dois decidiram que precisavam descansar para que tivessem forças para derrotar Pan. Em frente a fogueira, o Senhor das Trevas pensava em Belle. Queria poder estar com ela, tocá-la, senti-la, beijá-la. Tudo que ela e Bae queriam, era que ele se tornasse um homem melhor, sendo que tudo o ele queria, era ser um homem digno do amor de ambos. Sua mulher sempre via o bem nas outras pessoas e ele se esforçava para fazer o mesmo, contudo isso não era algo fácil para o Senhor das Trevas.
– Eu te perdôo, pirata. — Rumple disse baixinho, um sussurro fraco e hesitante.
– Como é? Você está me perdoando? — Ele parecia realmente incrédulo.
– Você cuidou do meu filho por um longo tempo. Se você faz tanta questão de salvar Baelfire, acredito que seja melhor pararmos de brigar por qualquer coisa e nos concentrarmos somente nele.
– Não foi isto que eu quis dizer. — Gancho levantou-se e começou a aumentar o tom da voz. — Você realmente acha que eu lhe devo perdão? Quando tudo o que eu fiz foi apenas viver o meu amor?
– Apenas?– Seguindo a mesma atitude do pirata, Rumpelstiltiskin ficou de pé e começou a falar mais alto.- Você fez com que o meu filho crescesse sem uma mãe, como um órfão.
– E você tranformou isso em verdade! Você o deixou órfão, você matou a mulher que eu amava, que eu ainda amo.
Então, os dois pararam. Ambos sentiram o peso que as palavras e os atos tomados anteriormente possuíam. Calados, voltaram-se para a fogueira novamente e ficaram em silêncio. Ponderando a situação que se encontravam e o significado da palavra "perdão", Killian tomou uma sábia decisão. Ele não precisava se tornar amigo deste homem, ele apenas precisava seguir a sua vida em frente e, para isso, um grande passo tinha que ser dado.
– Eu também te perdôo, crocodilo.
Gancho tomou um gole de rum e deitou-se. Esperava conseguir descansar ao menos algumas horas antes de elaborarem um plano. Alguns minutos depois, quando ele já dormia, Rumple teve a certeza de que ele não era livre de erros, mas que ao menos estava se esforçando para ser alguém melhor.
Antes de poder pegar no sono, entretanto, o Senhor das Trevas protegeu com magia o local onde estavam dormindo. Isolou-se de Killian, contudo o protegeu também. Ele tinha dois objetos preciosos consigo e não poderia correr o risco de alguém os roubar. O primeiro, era o feijão mágico, que iria tirá-los da Terra do Nunca e, o segundo, era a adaga, que o controlava. Dois importantes objetos que ele não podia correr o risco que saíssem do seu campo de visão.
Após algum tempo dormindo, feiticeiro e pirata encontravam-se elaborando uma espécie de plano. Gancho bebericava rum, enquanto Rumple esforçava-se para encontrar uma maneira de recuperar Bae sem morrer no meio do processo.
– Você sabe, eu sou melhor com improviso. Pare de queimar seus miolos pensando em um plano estúpido.
– E invadir o acampamento sem preparação? Desculpe-me decepcioná-lo, mas eu pretendo sair vivo da Terra do Nunca. Qualquer coisa que nós pensarmos fazer, Pan fará primeiro. Você não o conhece como eu. Nós precisamos pará-lo, dar um jeito dele ficar, ao menos, sem seus poderes.
– A questão toda é essa, então? — O homem levantou-se, olhou ao redor tentando se localizar e sorriu. — Vamos, em cinco minutos chegamos lá. A casa dela não é muito longe.
– A casa de quem? Do que você está falando?
– Oh, sim. Existe uma fada aqui.
– Existem muitas fadas aqui, pirata. — Gancho apenas revirou os olhos e continuou.
– Não como a Sininho. Ela perdeu as asas há muito tempo, tudo o que ela faz aqui é manter objetos mágicos ou qualquer coisa que pode lhe ser útil. Ela só quer ir embora da Terra do Nunca, talvez se nós...
– Entendi. Uma alma enfraquecida, podemos fazer um acordo com ela. — Eles pareciam estar perdendo muito tempo, sendo este o motivo das palavras ásperas de Rumple. — Por onde seguimos?
Killian seguiu um passo a frente e não demorou muito para que chegassem em uma árvore que, aparentemente, servia de casa para a fada. Rumple andou ao redor do lugar para observá-la, porém parecia não haver ninguém ali. Quando voltou para a frente do local, entretanto, avistou uma moça loira e de estrutura pequena, segurando Gancho com uma faca direcionada diretamente a jugular dele.
– Para trás, caso contrário eu mato o pirata. — Ela deixou a coluna ereta e tentou parecer o mais valente possível.
– Você faria um enorme favor a mim, acredite. — Rumpelstiltiskin disse se aproximando aos poucos, tentado invadir os pensamentos da ex fada. — Infelizmente, eu prometi ao meu filho que tiraria esse homem da Terra do Nunca e acredito que nas entrelinhas isso signifique que ele precisa estar vivo para isso. Entretanto, nós podemos chegar a um acordo.
– Um acordo? Eu não farei um acordo com o Capitão Gancho.
– Então, vocês já se conhecem? Ótimo! — Cada palavra precisava sair com cautela, um erro e o coração do pirata pararia de bater. Este era um dos muitos motivos pelos quais o Senhor das Trevas não gostava de companhia em suas missões, sempre tinha um modo de pará-lo. — Faça um acordo comigo, não com ele.
– Qual é a sua proposta?
– Eu quero apenas uma coisa, tudo bem? — Ele deu um passo a frente e gesticulou. — Me entregue o pirata e podemos conversar.
Sininho jogou Killian no chão e seguiu para dentro da árvore com Rumple. Ele observou o local, percebendo instantaneamente uma certa semelhança da casa da fada com o seu cofre. Havia uma quantidade considerável de relíquias ali, umas ele conheceu facilmente, outras, no entanto, eram diferentes de tudo já visto por ele. Após explicar tudo para a moça, ela concordou em ajudá-los.
Tudo era bem simples. Ela forneceria tudo o que os dois precisassem de objetos mágicos e em troca ela iria para Floresta Encantada junto deles. Sininho pegou um pequeno frasco e disse que a substância dentro dele era uma espécie de veneno. A tinta de lula paralisaria qualquer criatura durante alguns minutos, tempo que todos julgaram o suficiente para resgatar Baelfire.
– Bem, loirinha, você pode ir para o Jolly Roger e levar seus pertences para lá. Eu e o crocodilo estaremos de volta em breve. — Gancho disse enquanto guardava a bússola que os guiaria até o acampamento no bolso.
– Jolly Roger? — Rumple indagou com desprezo.
– Você achou que eu deixaria meu navio para trás? — Após receber um olhar repreendedor, o moreno explicou. — Não se preocupe, ele está há pouquíssimos metros daqui e, além do mais, quero chegar na Floresta Encantada com estilo.
– Agradeça se você chegar com vida, pirata. Mas podemos ver isso depois, o que importa é que será mais seguro para a dama ficar lá. Tudo bem para você, Sininho?
– Claro, eu terei que fazer algumas viagens para levar tudo, espero que seja tempo o suficiente para vocês salvarem o seu filho. — Ela sorriu e começou a arrumar os objetos mais preciosos.
Ambos partiram rumo ao acampamento, pirata e crocodilo com um único objetivo em comum, um objeto mais do que especial, eles precisavam salvar a vida do futuro pai da criança que teria o coração do verdadeiro crédulo. Eles precisavam se redimir com um pequeno garoto que os amava, um menino que apesar de todas as suas falhas, ainda confiava neles e os estava aguardando.
– Então, vamos repassar o plano mais uma vez.
– Não precisa, crocodilo. Já sei o que devo fazer, não se preocupe.
– É apenas precaussão, pirata.
– Por que não me chama pelo meu nome? É, eu tenho um, caso não saibas.
– Ah, claro. Acontece que eu não gosto muito de Gancho, soa ameaçador demais para você.
– Muito engraçado. — Ele fingiu uma risada. — Mas eu quis dizer o meu verdadeiro nome, Killian.
– Te chamar pelo seu nome não mudará quem você é, pirata. Não lhe deixa melhor do que ninguém. Agora, vamos repassar o plano.
Cada passo que dariam precisava ser memorizado, nada poderia dar errado. Baelfire não se decepcionaria com o pai desta vez. Neste momento, Rumple faria a coisa certa, ele seria corajoso e, talvez, ele seria um herói.
– Vamos salvar o meu filho!
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