Notas iniciais
Oi gente. Fazendo continuar, nesse capítulo eu explorei a história da Marina e da Vanessa antes da novela. Acho que ele ficou devendo isso. Espero que gostem e não esqueçam de comentar.

“Era uma noite como tantas outras noites pra qual meu pai me arrastava. Uma festa chiquérrima de uma família tradicionalíssima da qual ele era amigo há muitos anos.

Bebedeira, gente chata falando de negócios o tempo inteiro e ele me apresentando pra pessoas como ‘a filha perfeita que só come, dorme e gasta seu dinheiro’. Não adiantava, meu pai não me reconheceria nunca no meu trabalho de fotógrafa.

Ainda dentro do carro, quando chegamos à festa tudo que ele se limitou a dizer foi:

– Sem escândalos.

Fiz um sim um tanto enfático com a cabeça e lá fomos nós posar de Família Perfeita e Tradicional.

Na festa, tudo que eu havia previsto. Aliás, mais. Enquanto meu pai conversava com amigos, eu peguei uma taça de champagne e de repente um homem que aparentava ter quarenta e poucos anos puxou conversa comigo e imagina só, perguntou onde eu morava, o que eu fazia e SE EU ESTAVA ACOMPANHADA? Dei uma risada meio estranha, quase um grito, porque sou dessas e já estava me preparando pra desiludir mais um homem na vida quando vi meu pai me chamar sutilmente. Tudo que eu consegui dizer para aquela pobre e solitária alma foi: – Com licença.

– Querida, quero te apresentar pra família de um amigo muito querido meu e responsáveis por essa festa maravilhosa.

‘Hora de fazer a filha perfeita, Marina. Pensei.’

–Olá, prazer. Marina.

‘Um homem de meia idade, acompanhado de sua esposa também de meia idade e uma filha, pelo visto única, que aparentava ser o tipo se socialite megera e entediada que eu estava tentando a todo custo não ser. Ruiva, magra, cara triste. Certamente nunca sentiu prazer em viver e algo me dizia que aquela noite estava ficando interessante.’

– Prazer, Vanessa. Apertou fracamente minha mão.

Devolvi-lhe o melhor dos meus olhares, comecei a encará-la, a sacá-la e ela ao perceber logo se afastou pra beber. Está aberta a temporada de caça, pensei comigo. Fui atrás dela.

– Entediada? Perguntei enquanto tirava uma taça de sua mão e bebia um longo gole.

– Quem ficaria entediado numa festa de gala como essa?

– Eu. E Você também. Sua cara não nega. Devolvi a taça.

– Humm, tudo bem, então você quer brincar de advinha? Parabéns, acertou. Estou entediada e gostaria muito de poder curtir meu tédio em paz, você pode me dar licença, por favor. Vou ao toillet.

Passou por mim como um trem desgovernado. E eu? Bem, eu estava começando a me divertir.

Felizmente o toillet estava vazio. Entrei logo após ela e tranquei a porta.

– O que você tá fazendo? Perguntou

– Não gosto de ser deixada falando sozinha. Respondi

– Dane-se eu mal conheço você, não tenho que ficar pagando de boa anfitriã. Ela tremia ao falar isso.

– Mas eu posso fazer com que você faça isso.

– Olha aqui garota, segunda vez hoje que você me afronta, eu vou ter que chamar o seg...

Antes que ela terminasse de falar eu a beijei.

Invadia sua boca com minha língua e encostei ela na borda da pia pra me apoiar melhor. Depois de algo que durou um minuto talvez, me desvencilhei dela e disse: – Vou te deixar em paz agora. Destranquei a porta e saí.

Depois de alguns minutos, ela veio até mim. Falou que eu não tinha o direito de fazer isso com ela, que ela tinha um nome a zelar e que seus pais jamais aprovariam esse tipo de ‘comportamento imoral.’

Terminamos a noite bêbadas no quarto dela e tudo que ela conseguia me dizer é que tinha sido incrível e que ela estava perdidamente apaixonada por mim.

Engatamos um namoro depois de muitas lutas contra a família dela que era muito preconceituosa, mas conseguimos aceitação e ela me fez focar um pouco no meu talento e não viver na sombra do meu pai. Comecei a expor e a ganhar prestígio em Londres, New York, Paris. Montamos um estúdio e depois de um tempo chamamos minha prima Giselle, filha do meu primo Ricardo e uma modelo em início de carreira, mas que queria ser fotógrafa que conhecemos quando estivemos no Caribe. Flávia, um espetáculo de mulher. Mas, infelizmente eu era comprometida e não gostava de trair. 3 longos anos de muitas loucuras e dinheiro jorrando se passaram. Van, cada vez mais uma amiga querida do que uma namorada, ela era especial, mas ainda não era o amor da minha vida. Terminamos em clima de amizade e a minha vida voltou a ser tediosa e lânguida. E assim estávamos até o dia em que eu conheci a Clarinha.”

– Marinaaaaa, Marina. Cadê você, vamo. A gente tá atrasada pra reunião que a gente vai ter com o Laerte e a Verônica pra sua próxima exposição. Vamo menina, levanta. Que carinha é essa? Clara perguntou ao ver minha cara contemplativa.

– Nada de mais Clarinha. Só a Van, pedindo mais uma vez pra eu voltar pra ela e eu tava aqui lembrando do dia em que eu a conheci e como ela era diferente e como a minha vida era fútil antes de você minha coisinha. Vamos logo pra essa reunião vai. Só espero que o Laerte esteja mais calmo depois desse ensaio dele. Tenho até medo do que ele pode me dizer.

– Não precisa se preocupar não. Eu te defendo se aquele monstro tentar alguma coisa. Vai, vamo...

Eu amo a Clara mais do que qualquer coisa. E já amei a Vanessa. Espero que ela seja muito feliz com a Flavinha. Só assim vou poder ser feliz por completo.

Notas finais
Avisando que no próximo capítulo Vai ter mais um capítulo da série: Clarativa Barraqueira. Episódio: Defendendo a mozão.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.