Just medicine - Izuru Kamukura e Chiaki Nanami
1 Capitulo Unico
Notas iniciais
Notem, que eu escrevi dia 178, antes de o episódio oficial lançar, e eu não sei se os eventos que descrevi vão acontecer ou não.
Desejo-vos boa leitura, e para melhorar a experiência, aconselho-vos a ler com a musica.
"Você ainda pode ser o que você quiser, o que você disse que era quando nos conhecemos. Você tem um coração quente, e um cérebro bonito, mas está desintegrando de todos os medicamentos" — Daughter, Medicine.
Ela sabia. Mesmo com aquelas mudanças todas, ela ainda tinha certeza que era ele. O cabelo, os olhos e a atitude estavam diferentes, mas mesmo assim... Mesmo assim ela sabia.
Ela conseguia reconhece-lo de qualquer forma, mas não tinha provas concretas. Não havia nenhum sinal nele que pudesse comprovar que aquela pessoa era de fato Hajime Hinata, o seu querido amigo. Mas ainda assim, o seu coração batia forte e nele estava a prova que precisava. Chisa dizia que era só uma coincidência, mas ela sabia.
Chiaki sabia que por alguma razão Hinata e Izuru eram a mesma pessoa. Ela não tinha ideia de como, ou porque, mas sentia que estava relacionado com o seu desaparecimento repentino e com a ultima conversa que tiveram na escola. Lembrava-se das horas que ficava esperando por ele, depois das aulas, junto da fonte. Esperou dias, semanas e esperou meses por qualquer sinal, até que desistiu. Ele nunca veio, mas ainda tinha esperança, tinha esperança de o rever um dia.
E então aquele rapaz apareceu. Não tinha uma classe própria e usualmente apenas caminhava por aí, suspirando entediado. Regularmente sentava-se naquele sitio, no sitio em que se encontrava com o Hajime no passado, parecendo esperar alguém chegar. Mas essa pessoa também nunca veio. Nem ele sabia porque estava ali, ele não sabia quem ele esperava. Mas ela sabia que ele esperava por ela.
Mesmo quando Kamukura negou que a conhecia, e a olhou com indiferença, ela sabia. Ela podia ver um pouco do antigo Hajime ainda.
Mesmo quando Kamukura pediu lhe rudemente para se afastar do seu caminho, ela sabia.
Mesmo quando Kamukura a encostou contra a parede e a ameaçou, fazendo cair todos os cadernos no chão e rasgando a foto dela com Hajime, ela sabia.
Ela sabia que no fundo ele ainda era o Hinata. Ela sabia e acreditava nisso.
Quando estavam confinados naquela maldita sala de aula, ela sabia. Mesmo que ele olhasse para todos com desprezo por ser mais talentoso que qualquer um.
Mesmo quando ele não esboçou qualquer reação quando o primeiro estudante foi assassinado ao tentar protege-los. Ela sabia.
E então, quando estavam apenas três pessoas vivas e ele se aproximou dela, ela ainda acreditava. Quando ele colocou as duas mãos no seu pescoço e apertou lentamente, ela ainda sabia. Ela ainda tinha esperança, enquanto sentia a vida a acabar lentamente. Estrangulamento é a forma mais intima de matar alguém, não é mesmo?
Quando estava quase a perder os sentidos, ela viu-o, a sorrir para ela, a acenar-lhe no fundo da luz branca, Hajime Hinata, Relembrou todos os momentos com ele, com a turma, com os seus amigos, com a Chisa. Ia sentir falta deles, mas confiava que eram fortes e que não iam cair em desespero.
Cenas corriam na sua mente como num filme, viu o momento em que estava demasiado distraída a jogar e chocou contra Hajime, viu o começo da sua amizade, a sua entrada na turma, quando os uniu com as saídas que faziam regularmente e então reviu a sua ultima conversa com Hajime "está criando memórias? Cria várias. Não és só a Super High School Level Gamer, tens outras qualidades também.". Então uma lágrima escorreu-lhe do olho, enquanto sussurrava um "Adoro-te" entre os lábios. Talvez uma dessas qualidades seja ter esperança.
Ela sabia. Ela sabia e acreditou nele até ao ultimo segundo, até ao ultimo suspiro.
E quando ela morreu, Izuru sentiu algo que nunca sentira antes. Seria isso... Compaixão? Pena? Remorso? Ele então soube. Mas era tarde demais. E apenas deixou escapar num sussurro "que aborrecido", enquanto dava com a cadeira na cabeça de Shoshum, fazendo-o ficar desacordado, mas não o matando.
Caiu no chão, e esperou, sentado junto do corpo da garota. Ele sabia.
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