Notas iniciais
POV Yves - Aternative Ending For Lovers Only - Sofia e Yves

Eu olhava o dia ensolarado, observando aquele irritante céu azul que parecia rir da minha situação. Sim, havia todo aquele “preconceito” do ser casado, marido de uma só mulher, um verdadeiro pai exemplar, mas eu não a amava. Eu amava a Sofia, aquela a quem eu deixei partir... Mais uma vez. Como eu fui idiota! Novamente, um grande idiota!

Preferi viver despedaçado na “segurança” de um lar de vidro à me arriscar às possíveis feridas infringidas pelo assoalho de pedras do verdadeiro amor. Talvez eu devesse tentar outra profissão. Talvez eu devesse deixar de ser fotógrafo e virar poeta. Talvez médico, engenheiro, quem sabe poderia arriscar me tornar um atleta. Talvez, eu pudesse deixar de ser “casado” e ser somente... Dela.

Ah, Sofia, essas coisas que você faz comigo! É enigmática, é sedutora, é essencial. Se eu pudesse... Se eu apenas pudesse... Mas eu não posso, você sabe que não. Você sabe a quem pertence meu coração agora: minha filha, não sei viver sem ela. Nunca quis escolher, mas foi preciso. Sou um homem partido em dois, sou um homem reduzido à nada, um famoso fotógrafo resumido a fotografar coisas. Um homem idiota, que fotografa coisas idiotas... Belo exemplo que darei para minha filha!

Encostei minha cabeça contra aquele vidro embaçado, olhando inutilmente para aquele táxi parado em frente à entrada do prédio. Onde diabos eu estava com a cabeça? Deveria descer essas escadas o mais rápido possível e pegar aquele mesmo táxi, de onde o porteiro recebia uma encomenda, e ir ao encontro dela. Covarde! Yves, você é um verdadeiro covarde!

Fechei os olhos para o tempo que parecia não passar e então ouvi alguém batendo à porta do quarto onde eu tentava me esconder de toda a humanidade. Uma caixa, aquela caixa, aquele mesmo pacote que vi adentrar o edifício, através da minha janela de vidro. Abri curioso para saber o que aquilo significava e, quando vi, me senti perder a alma.

Era ela. Ou melhor, a camisola dela, mas era inevitável não vê-la dentro daquele tecido, ou mesmo, fora dele, enquanto ela gemia meu nome diversas e repetidas vezes acariciando meu tórax ou meus cabelos. O cheiro dela também estava lá impregnado nas linhas que entrelaçavam-se formando aquela textura fina e delicada como a seda. Como sua pele.

Aproximei o objeto do meu corpo, absorvendo aquele calor que parecia ainda brotar dele. Senti o aroma de Sofia. Seus cabelos, seu hálito, seu sexo. Ela sabia o quanto aquele presente me tentaria e eu posso ver o seu sorriso agora mesmo, bem como suas lágrimas. Só que agora eram as minhas que não paravam de rolar.

Subitamente eu me levantei, saí daquele quarto e então comecei a correr. Desesperado, desci as escadas e, logo que alcancei a rua, continuei correndo desvairado por entre os carros, passando pela praça onde famílias apreciavam seus piqueniques parando assustados de comer seus sanduíches para me observar.

Um carro quase me atropelou quando cruzei a segunda avenida. Meu Deus, era um táxi! Entrei nele com toda a pressa que eu tinha e, ofegante, dei o destino para o motorista sem nem ao menos lembrar se tinha ou não dinheiro na carteira. Precisava chegar até ela, precisava disso como nesse momento necessitava apenas conseguir respirar.

Entrei desesperado no aeroporto, variando entre ler nomes de vôos e olhar as pessoas ainda na fila de espera. Esbarrei em um casal, derrubei a sacola de uma senhora, mas pediria desculpas depois. Tudo agora poderia ficar para depois. Os preconceitos, as regras, os falatórios. A única coisa que não poderia ficar, mais uma vez, para depois, era ela.

— Sofia!

Minha voz saiu nervosa da minha garganta, mas ela não ouviu. Permanecia concentrada, guardando em sua bolsa os documentos que havia acabado de mostrar, enquanto alguns fios de cabelos caíam sobre seus inconfundíveis óculos escuros. Empurrei algumas pessoas, outras me praguejaram palavrões e quando finalmente cheguei a até ela, puxei-a pelo braço e grudei sua boca na minha.

Ela resistiu, claro, mas meus braços enrolaram-se ao corpo dela e cada curva dele me conhecia muito bem. Sofia abriu mais a boca, intensificou o beijo, e ali mesmo, diante de todos, ficamos naquele longo e profundo beijo. Algumas pessoas sussurravam coisas estranhas umas para as outras, e em minha mente eu dizia para mim mesmo “Não olhe para trás.”

— Você veio me dizer adeus? – ela perguntou baixinho, quando terminamos de nos beijar.

— Não... – eu respondi com aquela convicção única de que a paixão destrói mais preconceitos que a filosofia. – Eu vim pedir para você ficar.

— O quê? – riu ela, encarando-me ainda incrédula.

— Não me faça pedir de joelhos.

— Não, por Deus! Assim você vai me matar de vergonha. – resmungou ela.

— Não se preocupe, mas saiba que se ficar comigo, isso é apenas o começo.

— Eu tenho certeza que sim.

O sorriso dela se fechou sobre os meus lábios outra vez, só que agora as mesmas pessoas que antes nos condenavam, agora batiam palmas de pé. Era o fim de meu casamento, mas sim, era o reinício de minha verdadeira vida.

Notas finais
Rewiews????? :*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!