Just for you
5 Linda, inteligente e solteira
Notas iniciais
Clark não fazia ideia do tipo de filme que Samantha gostava e por isso, resolveu fazer uma mudança de planos. Fez uma reserva em um restaurante que era famoso por ser o melhor da cidade e decidiu aproveitar o jantar para conhecê-la. Sim, queria saber quais eram seus filmes preferidos, seus livros, suas músicas, seus hábitos.
E a mente dele também avaliava outra atividade para fazerem depois do jantar, e por mais que gostava da ideia de levá-la para cama, sabia que ainda não era hora. Ainda. O que ele tinha em mente era algo que nenhum dos dois poderia adiar.
Clark chegou primeiro no restaurante e a recepcionista o levou para a mesa para dois que tinha reservado. Ela se encontrava em um lugar mais reservado, diante de uma vista noturna e silenciosa de Metrópoles. A iluminação baixa do restaurante deixava tudo com um toque mais íntimo, mais aconchegante e a música que tocava ao fundo, era calma e em uma língua que não era inglês.
Tinha acabado de tirar o paletó preto, ficando somente com a camisa branca quando a viu entrar. Todos seus pensamentos desapareceram, junto com eles, as pessoas no restaurante também. Mal viu a recepcionista apontar na sua direção. Tudo que conseguia enxergar era ela.
Samantha Concannon, a irlandesa bilionária com os olhos verdes como esmeraldas, despertava um descontrole tão grande nele, que Clark se sentia como um adolescente cheio de hormônios. Mas, o que ele poderia fazer se ela era incrivelmente linda e sexy?
Viu como o vestido verde que ela usava, colado ao corpo, longo, marcava o modo gracioso que os quadris dela balançavam suavemente e sedutoramente enquanto andava, a cintura fina estava decorada com pequenos diamantes que subiam e enfeitavam toda a parte de cima do vestido. O decote fundo do vestido fazia com que ele imaginasse como seria deslizar os dedos por entre os seios e senti-la tremer sobre sua palma. No pescoço, uma gargantilha preta com um pequeno diamante pendurado acompanhava as argolas pratas das orelhas expostas, porque Samantha tinha prendido os fartos cabelos vermelhos em um coque elaborado no alto da cabeça, deixando somente uma mecha caindo ao lado do rosto. Clark sentiu a mão coçar querendo enrolar aquele cacho solto nos dedos e deslizar ele pelo pescoço alvo.
Ele se levantou quando ela se aproximou da mesa e lhe sorriu com os lábios pintados de vermelho.
— O restaurante é lindo Clark — ela falou e Clark puxou a cadeira a sua frente para ela se sentar.
— Não o chamaria de lindo — falou se sentando também. — Não com você aqui para comparar.
Eram os olhos dela, Clark sabia disso. Eram aqueles intensos olhos verdes que o descontrolava. Eram inteligentes, lindos, cheios de segredos e desejos. Ela era mais do que uma maravilhosa mulher, mais do que uma mulher krypitoniana. Ela era a única para ele.
— Se você continuar me olhando assim, Clark Kent — a ouviu dizer com um sorriso no rosto e brilho nos olhos. — Vou ter que te arrastar para o banheiro mais próximo, arrancar toda a sua roupa e fazer um sexo louco e selvagem.
— Faria isso? — Perguntou, imaginando a possibilidade e gostando ainda mais da ideia. — Conseguiria me arrastar?
— Sem dúvida. Você não é o único super por aqui — Samantha lhe disse e piscou sedutoramente. O garçom, alto, magrelo e de olhos castanhos encantados com Samantha se aproximou para entregar o vinho e anotar os pedidos.
— Então, pensei que iriamos ao cinema antes — Samantha voltou a falar depois que o garçom se retirou e Clark servia o vinho.
— Não sabia que tipo de filme você gosta — deu de ombros e entregou a taça a ela. — Então, fiz uma mudança de planos. Quero te levar para um outro lugar depois do jantar.
— Ah é? — Ela arqueou as sobrancelhas antes de experimentar o primeiro gole do vinho. — E para onde você vai me levar Clark?
Ele não sabia como deveria abordar o assunto e muito menos sabia se aquela era uma boa hora. Mas precisava contar sobre o que tinha descoberto, ela precisava saber a origem, a história por trás do seu outro nome.
— Para um lugar onde podemos conversar com tranquilidade — segurou a mão dela por cima da mesa e se sentiu incrivelmente feliz quando ela entrelaçou os dedos nos dele. — Preciso falar o que descobri sobre Sun-El.
Sustentou o olhar dela e viu, fascinado, tantas emoções refletirem naqueles olhos verdes que mal conseguiu acompanhar.
— Então, porque não cancelamos esse jantar e vamos para onde quer me levar? — Ela perguntou e Clark a sentiu arrepiar quando elevou as mãos que estava segurando para os próprios lábios, depositando um beijo na parte superior da mão feminina, que ele notou, tinha unhas grandes e pintadas de verde.
— Porque eu disse que sei sobre Sun-El — fitou-a com um sorriso. — Mas não conheço Samantha Concannon e é ela que quero conhecer.
— Poxa vida Clark — Samantha deu um sorriso que mais parecia um suspiro. — Acho que vou ter que te arrastar para o banheiro e nem vai dar tempo de tirar sua roupa.
Ele riu, encantado com o humor dela, encantado pelas reações que causava nela e acima de tudo, encantado por ela.
— Você sente isso, não sente Clark? — Ela o encarou. — Essa atração...esse desejo incontrolável, essa vontade de querer estar perto que existe entre nós dois.
Ele sentia e sabia do motivo dessas emoções intensas também. Como também sabia que ela não poderia curtir muito esses motivos quando descobrir sobre seu passado.
— Sim, eu sinto — respondeu e nesse momento, o garçom chegou com a comida e Clark aproveitou para mudar de assunto. — Então, Samantha, qual é o seu filme preferido?
— A sociedade dos poetas mortos — respondeu com um brilho nos olhos verdes. — Eu amo a poesia, a literatura, as artes e esse é um filme que acima de tudo, mostra o quanto o ser humano precisa dessas coisas para sobreviver.
— Sim, é realmente um filme maravilhoso e vivemos em um tempo que as pessoas esquecem o quanto precisamos da arte em nossas vidas — Clark falou e percebeu que nem tinha tocado na comida.
— Exatamente. Precisamos de médicos, de engenheiros, de advogados, mas também precisamos da poesia. O que nós saberíamos sobre o amor se não fossem os poetas? — Foi pelo modo que ela falou, apaixonada, que Clark soube que nunca encontraria outra mulher como ela, e bem, nem mesmo queria isso. — Eu viajei o mundo, conheci culturas diferentes, músicas de todos os tipos. Está ouvindo essa música que está tocando? — Falou referindo se a música baixa que tocava. Clark prestou atenção, era melodiosa e era um dueto, notou ao perceber que uma voz masculina intercalava com a feminina. E viu que não era inglês.
— Conhece a música? — Perguntou por fim.
— Sim — sorriu orgulhosa. — O nome da música é “ Águas de Março”, MPB, Música popular Brasileira. Composta por Tom Jobim e é ele cantando com a maior cantadora do Brasil, Elis Regina.
— É uma voz maravilhosa — Clark falou depois que a música se encerrou.
— Sim. Há muitas coisas no mundo que não conhecemos Clark — ela sorriu. — Não tem essa vontade de conhecer tudo?
— Eu tenho vontade de conhecer tudo sobre você — falou depois de alguns minutos. Os olhos verdes dela o encaravam divertidos e cheios de desejos. Viu que tinha alguns casais dançando na pista de dança e sorriu para ela. — Vamos dançar?
— Espero que não pise no meu pé Kent — Samantha brincou e aceitou sua mão.
Clark a levou para o meio das pessoas e a puxou para perto de si. Samantha jogou seus braços para cima dos ombros dele e Clark envolveu sua cintura com seus braços.
Enquanto dançavam, Clark conseguia sentir todos os formatos do corpo dela contra o seu, as mãos delicadas brincando com seus cabelos, o movimento sutil do quadril sob suas mãos, a palpitação nervosa do coração dela contra o seu. E os olhos dela.
Tão verdes, tão brilhantes, tão intensos o encaravam com o rosto tão perto do dele. E a boca, tão sensual, tão vermelha, tão convidativa e tão absurdamente perto para um beijo.
Sem pensar, segurou o queixo dela levemente com as pontas dos dedos e capturou a boca que já estava esperando por ele. O mais leve contato com os lábios macios de Samantha fez com que o mundo girasse e algo explodisse dentro de si. Desejo. Um desejo tão intenso que o fez apertá-la ainda mais em seus braços, aprofundar ainda mais o beijo, fazendo com que a língua descobrisse cada canto dela e se deliciando com os sabores.
— Clark — Samantha gemeu sob seus lábios. — Vamos cancelar os planos, vamos cancelar tudo e vamos para a minha casa.
Ele a sentiu tremer sob seus braços, sob seus lábios.
— Vamos.
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