Just a lost star
4 Capítulo 4
Para Bliss:
Quando você parou de confiar em mim? Quando você parou de me contar as coisas? Quando foi que eu parei de importar? Por que você mentiu para mim? Por que você mentiu para o Sebastian?
Quando foi que nós paramos de tentar?
Cassie estava sentada em sua cama cercada de livros se preparando para a maior prova do semestre, mas não conseguia se concentrar. Bliss rodava sua mente constantemente. E ela não vinha sozinha. Ela trazia Sebastian junto com ela.
Sebastian tinha enviado algumas poucas mensagens e ligado duas vezes desde que Cassie se mudou, mas nada além disso. Às vezes Cassie sentia vontade de dizer “Você pode vir me visitar se quiser”. Mas ela sabia que não devia fazer isso.
Sebastian.
Sebastian.
– Meu Sebastian – Cassie sussurrou para si mesma.
Mas ela sabia que Sebastian tinham deixando de lhe pertencer a muito tempo. Ele era o Sebastian da Bliss. Mesmo que Bliss tenha errado, isso não muda nada.
E mesmo estando completamente ciente disso, Cassie sentia falta de Sebastian. E mais falta ainda de Bliss.
– Alo? – Cassie disse, ansiosa. No fundo, ela desejava que fosse Sebastian. Gostava de quando ele ligava, já que ela nunca tinha coragem de fazer isso. Nunca teve.
Cassie tinha que controlar seus impulsos. Tinha que tomar cuidado. Tinha que pensar duas vezes antes de fazer qualquer coisa. Porque ela tinha medo. Tinha medo de voltar para aquele lugar escuro que tomou conta da sua mente quando Bliss morreu.
Ela levou um susto quando ouviu seu celular tocar, quebrando sua linha de pensamentos.
– Cassie? Sou eu, Vinny – disse Vinny do outro lado da linha.
– Oh.. Vinny... Oi – ela disse, menos animada. Não era Sebastian. É claro que não era Sebastian. Por que seria?
– Nós vamos fazer uma reunião hoje. Na minha casa.
– E...
– E você faz parte do clube. Então tem que participar. Se você quiser, é claro.
– Ok. Que horas?
– As sete. Meu endereço é... – Vinny disse seu endereço e Cassie anotou na borda do seu caderno.
– Tudo bem. Na sua casa, as sete. Devo levar alguma coisa?
– Não precisa. Já providenciei tudo que vamos precisar. Apenas traga a sua criatividade e muita paciência. – disse Vinny desligando.
Cassie não sabia do que Vinny queria dizer com isso, mas resolveu esperar até chegar na reunião para descobrir.
Ela ainda estava se adaptando ao clube de robótica, mas tudo estava indo melhor do que ela esperava. Ao poucos ela estava começando a conhecer melhor cada um dos garotos e aprendendo a gostar de cada um deles. Ela não sentia que podia chama-los de amigos, mas se tudo continuasse daquele jeito, isso mudaria logo.
Ela não falava muito com eles fora das reuniões do clube, apesar de sempre encontrar algum deles nas aulas.
Cassie saiu de seu quarto e foi até de sala onde Jonathan estava com George assistindo um filme. Os dois estava sentados no sofá, abraçados.
– Vou sair – disse Cassie.
– Sério? – disse Jonathan, sem tentar esconder a surpresa.
– Tem uma reunião do clube de robótica hoje.
– Que ótimo! Podemos te dar uma carona. – disse George sorrindo.
– O clube de robótica? – disse Jonathan. – Aquele que só tem garotos?
– Sim, qual o problema?
– Sei lá, não me sinto segura deixando você sozinha com quatro garotos com os hormônios fervendo...
Cassie e George trocaram um olhar de depois começaram a rir.
– Jon, amor, eles são inofensivos, pode acreditar em mim – disse George se recuperando da crise de riso.
– Não sei se posso confiar naqueles nerds... – disse Jonathan.
– Ei! O que você tem contra os nerds? Eu era um nerd na escola. – disse George.
– Tecnicamente, você ainda é um nerd na escola – disse Cassie. E dessa vez, foi Jonathan quem riu.
Cassie não parou para pensar no que ia vestir, porque em sua mente, aquela não era uma ocasião na qual ela precisava se vestir bem. Ela só estava indo encontrar os garotos do clube de robótica, que ela sempre via praticamente todo dia. Ela não sentia a necessidade de parece bonita ou de tentar chamar a atenção deles. Por isso se vestiu como sempre, com uma calça jeans escura, um camisa simples e um cardigã azul-claro. Prendeu seu cabelo num rabo de cavalo alto, pegou seu celular e seu caderno e caneta e estava pronta para ir.
Ela estava um pouca ansiosa, já que aquela era a primeira vez que ela sair sem Jonathan ou George desde que mudou.
Ás 18:45h, Jonathan estacionou na frente da casa de Vinny. Era uma casa bonita, de dois andares com as paredes num tom de amarelo desbotado. A porta da garagem estava aberta, e Cassie viu Spencer e Dan sentados em um sofá jogando vídeo-game.
Algo dentro de Cassie começou a crescer. Era uma ansiedade grande demais para ser controlada. Ela não queria ficar ali. Ela queria voltar para casa. Não para a casa de Jonathan, para sua casa de verdade, voltar para seu quarto antigo e se trancar lá.
– Que horas eu posso vir te buscar? – Jonathan perguntou. Ele e George iam jantar em restaurante, aproveitando que não precisam ficar em casa, de olho em Cassie.
Cassie respirou fundo e limpou sua mente. Aquilo era só um leve recaída. Ela não queria voltar para sua casa. Ela estava bem. Ela não precisa da sua casa... e também não precisava de Sebastian. Se apegar a Sebastian, era um tipo de desculpa que seu cérebro ferrado tinha achado para permanecer ligado a Bliss. Isso tinha que parar.
– Hum... eu não sei... eu te ligo – ela disse.
– Tudo bem. – Jonathan disse.
– Divirta-se – disse George.
Cassie saiu do carro e andou até a garagem. Vinny e Dan estavam tão concentrados no jogo, que nem perceberam a presença de Cassie.
– ...oi... – disse Cassie acenando a mão para chamar a atenção deles.
– Oi Cassie – disse Spencer sem tirar os olhos da televisão e Dan apenas acena com a cabeça, também sem tirar os olhos da televisão.
Sem ter muita certeza do que fazer, apenas sentou-se na poltrona ao seu lado assistindo eles jogarem. Olhando ao redor, Cassie percebeu que aquela garagem devia ser algum tipo de quartel-general do clube. Vários rascunhos de projetos estavam colados nas paredes, no centro da garagem tinha uma grande mesa de madeira com mais rascunhos e diversas peças de metal e ferramentas
Cerca de 10 minutos depois Vinny apareceu na garagem com três caixas de pizza.
– Cassie, oi... Quando você chegou? – ele perguntou empurrando algumas as peças de metal para dar espaço para as pizzas.
– Uns dez minutos atrás – ela disse.
– Só estamos esperando o Mako para começar – Vinny disse.
– Mako não vem – disse Spencer pausando o jogo.
– Por que?
– Os pais dele não deixaram. Ele teve que ficar em casa estudando para o Provão.
– Hum... ok então.... – disse Vinny. – Eu já suspeitava que isso ia acontecer...
– Essa prova é tão importante assim? – perguntou Cassie. – Quer dizer, a prova é daqui a duas semanas ainda.
– É a prova mais importante do ano. – explicou Spencer — Todo ano os professores fazem uma lista com os 30 melhores alunos da escola inteira, e esses alunos ganham alguns privilégios. Mas apenas os 10 primeiros são importantes de verdade. São eles que acabem ganhando bolsas para as melhores universidades além de serem super respeitados pela escola inteira. Mako está na lista desde da 7ª serie. Mas ele ainda não conseguiu entrar nos 10 melhores. Ano passado ele ficou no decimo primeiro lugar. Os pais dele realmente acham que se trancarem ele dentro de casa ele vai conseguir entrar nos 10 melhores.
– Então os 10 melhores são um tipo de elite na escola? – Cassie perguntou.
– Mais ou menos. – disse Vinny. – Eles tem um líder. Henry Foster ficou em primeiro lugar por três anos seguidos.
Cassie sabia quem Henry Foster era. Tudo mundo sabia. Ele era o garoto mais popular da escola. Ela só não sabia que era por causa daquilo. Henry estava no time de atletismo e futebol, então Cassie apenas assumiu que ele apenas mais um atleta bonitão popular. Adam sempre estava andando com ele.
– Henry só anda com as pessoas que estão na lista? – Cassie perguntou.
– Na verdade não. Ele sempre andou com o mesmo grupinho desde sempre. – respondeu Spencer.
– Ok galera, Mako não vai vir, então vamos ao que importa – disse Vinny mexendo nos papeis que estavam na mesa, ele pegou uma folha preta com as letras em verde neon e apenas duas palavras se destacaram para Cassie.
“Batalha de rôbos”
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