Just a lost star
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Era hora do almoço e mais uma vez Cassie estava na biblioteca. Ela gostava de ficar revisar algumas matérias para tentar compensar a deficiência do ano anterior. Ela estava no corredor de Literatura Estrangeira procurando um livro, quando sem querer encontrou Anna Karenina.
Bliss adorava Anna Karenina.
– Vronsky! — disse Bliss se jogando na cama de Cassie, abraçada ao livro. – Cas, um dia eu vou ter um romance como o de Anna e Vronsky!
– Até aquela parte na qual Anna fica louca de ciúmes e se mata? – Cassie perguntou.
– Não. Meu romance jamais chegará nessa parte do livro.
– Não entendo como você gosta tanto desse livro – Cassie disse, sentando-se na cama ao lado dela.
– Cassie, você é previsível. Você ama Orgulho e Preconceito. Você prefere um Mr. Darcy chato e inexpressível...
– Eu prefiro um romance estável do que uma paixão insana.
– Esse é o problema Cassie. Você é Lizzie, eu sou Anna. Somos livros diferentes.
Nem a própria Bliss sabia o quão verdadeiras aquelas palavras eram. Ela era Anna. Ela era a garota que tinha tudo e deixou para trás por causa de uma “paixão proibida”. De certo modo, Bliss era quem era previsível.
– Com licença, você vai usar esse livro? – perguntou um garoto.
– Hum? Oh, não. Desculpe. Pode pegar – disse Cassie entregando o livro para o garoto. – Ótima escolha.
– Você é nova aqui? Eu.. eu acho que eu nunca te vi – disse o garoto. – Quer dizer, eu acho que eu tenho alguma aula com você mas...
No momento em que Cassie o viu, ela já sabia que ele era algum atleta. Não por usar a clássica jaquetas dos atletas, mas pelo porte físico. Ele era alto e forte, com olhos verdes e cabelo castanho-claro. Devia jogar no time de futebol ou basquete.
– Temos física e literatura juntos – Cassie respondeu apontando para o livro. – E educação física eu acho.
– Wow, três aulas juntos e eu nunca reparei em você?! – disse o garoto.
– Ok, eu sou do tipo discreta.
– Sou Adam.
– Cassie – ela respondeu enquanto voltava a procurar pelo livro que precisava.
– Obrigado pelo livro – Adam disse se afastando. – Tchau.
– Tchau.
Aquilo sim era uma evolução. Em um dia ela falou com 5 com pessoas. Tecnicamente 4, mas ainda assim, foi o maior número de pessoas do que ela já tinha falado desde que chegou.
Saindo da biblioteca, ela foi para sua próxima aula. No caminho passou na frente da sala onde aconteciam as reuniões do clube de teatro. Era verdade que Bliss a obrigou a entrar no clube de teatro, mas Cassie só continuou lá porque gostava. Era divertido. Ela não era uma boa atriz, mas adorava montar os cenários e os figurinos.
Sua penúltima aula era educação física e aconteceria na quadra aberta. O que era bom já que fazia sol.
Ao sair do vestiário Cassie deu de cara com a professora.
– Cassandra Kranistain – chamou a professora.
– É Karnstein, na verdade – Cassie corrigiu.
– Tanto faz. – disse a professora. – Eu sabia que já tinha te visto antes.
– Como assim?
– Eu te vi competindo no Campeonato Estatual de Atletismo ano passado. Você estava nas semi-finais. Garota você corre como se não houvesse amanhã! – a professora disse animada.
– Sim, eu participei ano passado – Cassie disse sem se importar muito. Ela realmente não queria tocar nesse assunto.
– Fiquei sabendo que você desistiu. Cupcake, você tinha uma vaga na final do campeonato. O que aconteceu?
– Eu... hã... eu não queria mais. – Cassie disse.
As pessoas ao redor estavam começando a prestar atenção na conversa e aquilo só fazia Cassie se sentir mais desconfortável.
– Não queria mais? — a professora repetiu incrédula. – Cupcake, você tem talento!
– Eu apenas sou boa em correr, não é grande coisa – Cassie disse olhando para chão. Não para parece humilde, mas sim para disfarçar como estava desconfortável.
– Vou direto ao assunto: quero você no time de atletismo. Você nem precisa fazer o teste. Se você é tão boa quanto era no ano passado, não preciso me preocupar.
– Obrigada professora, mas não estou interessada – disse Cassie.
– O que?
– Eu não quero participar do time de atletismo. Eu realmente agradeço a oferta, mas... não.
– Cupcake, eu tenho o time praticamente completo, com pessoas competentes e esforçadas. Mas ainda falta alguma coisa. Falta você! Se você participar da corrida de revezamento, não vai ter para ninguém. Você pode ganhar o campeonato esse ano.
– Eu não quero ganhar o campeonato. Ninguém nunca conseguiu uma vaga na MIT por ser bom em um esporte.
– MIT?
– Instituto de Tecnologia de Massachusetts – Cassie disse. – Quero estudar engenharia lá. E participar do time de corrida não vai me ajudar a conseguir uma bolsa.
– Então não pode fazer simplesmente porque gosta? – disse a professora como ultimo recurso.
– Eu não.. eu... – Cassie soltou um suspiro. – Minha resposta continua a mesma.
Sem dizer mais nada, a professora se afastou e começou a aula. Ela estava visivelmente irritada, mas Cassie não podia fazer nada.
– Você é a primeira pessoa a falar assim com professora – disse Adam se aproximando enquanto Cassie estava se aquecendo.
– O que quer dizer? – Cassie perguntou.
– Nossa professora não é acostumada a ouvir não.
– Sempre tem uma primeira vez para tudo. – Cassie respondeu.
– Tem certeza de que não quer participar do time de atletismo? – Adam perguntou.
– Yep. Certeza absoluta.
– Dizem que eles são legais. – Adam comentou.
– Como você pode garantir? – Cassie perguntou ao mesmo tempo que ou garoto chamou Adam.
– Porque eu faço parte dele – Adam respondeu, dando uma piscadela para Cassie e se afastando.
A professora não tirou os olhos de Cassie a aula inteira, mas se aquilo era um técnica de intimidação, não estava funcionando.
Quando a aula acabou, Cassie não se sentia bem para ir para sua próxima aula. Ela não queria ficar sentada em uma sala de aula sem prestar atenção. Ela já tinha feito isso ano passado.
“Então não pode fazer simplesmente porque gosta?” a frase ficava se repetindo em sua cabeça. Alguma coisa tinha se iluminado dentro de Cassie.
Cassie estava indo muito bem no Campeonato Estatual de Atlestismo. Ela tinha certeza que dessa vez, ela conseguiria primeiro lugar.
Ela tinha treinado tanto. E ela queria tanto ganhar.
Então no dia da semi-finais, tudo deu errado.
No dia das semi-finais, Bliss morreu.
Para Bliss:
Dizem que o luto possui 5 estagios:
1)Negação
2)Raiva
3)Barganha
4)Depressão
5)Aceitação.
A negação e raiva aconteceram ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo que eu não conseguia entender que você não estava mais viva, eu sentia raiva. Raiva de você, de mim, do Sebastian, de Deus e do mundo. Não me chame de egoísta por ter raiva de você ao saber que você se foi. Eu perdi minha melhor amiga, tinha direito de ser o quão egoista eu quisesse e precisasse.
Barganha foi uma estagio interessante por assim dizer. Normalmente pessoas fazem promessas ao deus de sua religião. Eu não tenho religião, então apelei para ciência. A quantidade de artigos que eu li sobre mortos-vivo foi ridícula.
P.S.: Ainda guardo uma amostra do seu DNA, só por via das duvidas. Quem sabe um dia eu consigo te clonar.
Então chegamos á depressão. A depressão me atingiu como um trem bala no meu momento mais vulnerável. A verdade é que eu ainda estou nesse estagio. Eu tento convencer a todos e a mim mesma que estou melhor.
Eu não perdi apenas você. Eu me perdi também. Quando você... quando você... morreu levou um pouco de mim junto. E esse pedaço me faz falta.
Acho que entre a depressão e a aceitação, existe um sub-estagio: a melancolia. Porque é assim que agora. É assim que me sinto.
Acho que ainda vou levar um tempo para eu entrar no estagio de aceitação. Por que?
Eu tenho tantas perguntas. E só você pode me dar as respostas. E quando eu não tiver as respostas, eu não posso simplesmente aceitar que você se foi.
Fale com o autor