Just a lost star
2 Capítulo 2
Cassie estava animada em ir para uma nova escola. Na cidade natal ela estudou na mesma escola a vida inteira e todos a conheciam. Todo mundo conhecia todo mundo. Todo mundo sabia da vida de todo mundo.
Naquele novo lugar, ela podia começar do zero. Ficar nas sombras onde ninguém a conhecia. Cassie tinha planos para aquele ano. Seu histórico escolar ficou um pouco bagunçado no ano anterior com a morte de Bliss e depois com seu colapso emocional seguido de depressão.... digamos que a escola acabou ficando em segundo plano. Terceiro plano talvez...
Cassie conseguiu passar de ano obtendo as mínimas notas necessárias, e juntando isso com as notas de 2 anos atrás, quando ela era muito nova e preguiçosa para entender a importância de suas notas no sua futuro acadêmico, ela não conseguiria entrar em uma boa universidade.
Mas...!
Se naquele ano, ela tirasse notas boas (muito boas) e entrasse em alguns clubes, ainda havia possibilidade de ela conseguir uma vaga em uma boa universidade. Ela já tinha começado a escola q quase duas semanas e por enquanto tudo estava dando certo. Ela não tinha feito nenhum grande amigo, mas estava tudo bem. Ela só queria se concentrar em sua notas e tudo sairia bem.
Ela estava terminando de tomar café da manhã com Jonathan. Ele lia o jornal e ela escrevia em seu caderno. Era um caderno pequeno, de capa dura de cor azul-celeste.
Para Bliss:
Se pudesse ser qualquer pessoa do mundo, viva vou não, quem você seria?
– George logo vai chegar – comentou Jonathan.
George era o namorado de Jonathan. Ele e Cassie não se conheciam muito bem, mas isso estava mudando já que George era o professor de química da nova escola de Cassie.
– George não precisa me levar para escola todo dia – Cassie comentou. — Eu posso ir sozinha...
– Não é nenhum incomodo para George te levar, além disso, vocês vão para o mesmo lugar de qualquer jeito – Jonathan respondeu.
– Eu sei, mas...
– Cassie, vamos ver como você se adapta nessa escola e depois conversamos sobre isso, okay?
– Eu estou me adaptando bem! – Cassie disse em sua defesa. – Já faz duas semanas, e eu não causei nenhum problema...
– George me disse que você não tem amigos.
– O que? Como assim? Eu tenho amigos!
Jonathan lançou um olhar questionador para Cassie.
– Ok... talvez eu não tenha “amigos”, mas eu falo com algumas pessoas. E essa semana, eu já estava planejando entrar em alguns clubes. Sabe, atividades extracurriculares...
– Clubes? Quais?
– Hum... tem o clube de literatura, o clube de francês, o clube de marcenaria, o clube de robótica...
– Você só vai tentar entrar no clube de robótica, não é? – Jonathan disse cético.
– Odeio que você conheça tanto – Cassie respondeu.
– Você... poderia... voltar.... a.... correr... – Jonathan disse lentamente, como se fosse mais fácil abordar o assunto desse modo.
– Quero ser engenheira, não atleta – Cassie respondeu.
– Mas você é tão boa! Tão rápida! Devia investir nisso.
– Vou pensar... – Cassie disse.
– Não vai tentar o clube de teatro? Na outra escola você fazia parte do clube de teatro...
– Eu só fazia parte do clube de teatro porque Bliss me arrastou. – Cassie disse.
Jonathan não falou mais nada. Cassie conhecia aquela reação. Todos tinham aquela reação quando o nome de Bliss era mencionado. Eles agiam como se tivessem cometido o pior pecado do mundo ou talvez como se a qualquer momento Cassie fosse ter outro colapso e dessa vez tentar se matar cortando os pulsos com o objeto mais próximo ( no caso, uma faca de plástico, sem cerdas, completamente inútil)
Cassie riu ao se imaginar tentando cometer suicídio com a faquinha do requeijão.
– Não precisa ficar assim. Pode falar o nome dela. Eu falo. – Cassie disse calmamente. – Todos sempre pensam que evitar falar sobre Bliss vai fazer com as coisas fiquem bem, mas eles estão errados. Eu não quero evitar Bliss. Eu quero poder falar sobre ela sem parecer que estou tentando convencer que Hitler era um cara legal, entende?
– Sim, claro – Jonathan disse.
Mas Cassie sabia que era mentira. Era aquela mentira que todos sempre falavam. “ Eu entendo você”. Se eles não entendiam a si mesmos como poderiam entendê-la?
A campainha tocou anunciando a chegada de George. Ele e Jonathan tiveram seu breve momento romântico, sentados lado a lado na mesa, se abraçando e rindo e Cassie achou aquela cena tão... bonitinha.
Ela estava feliz que seu irmão estava com alguém que gostasse dele. George era um pouco mais baixo do que Jonathan... Na verdade, quase todo mundo era mais baixo do que Jonatha, porque ele era muito alto. O professor de educação física da antiga escola dele quase entrou em depressão quando Jonathan se recusou a entrar no time de basquete.
De quem estavamos falando? Ah sim, George! Ou como Cassie gostava de chama-lo, Marie Curie. Ele tinha os olhos castanho-escuros e o cabelo loiro natural. Ele era um cara bonito. Jonathan tinha bom gosto. E Cassie já tinha percebido que algumas meninas tinham uma queda por ele.
– Cassie vai tentar entrar para alguns clubes hoje – Jonathan disse para George.
– Que incrível! Clubes são um ótimo modo de fazer amigos – George disse animados.
– Aparentemente não ter amigos é um tipo de crime federal – Cassie comentou olhando diretamente para George.
– Cassie, esse é o seu ultimo ano e ele deve ser incrível. Você deve fazer amigos e aproveitar o máximo possível. Criar o máximo de memorias possíveis. Ir a festas, shows, sei lá, até fazer algo ilegal...
– Fazer algo ilegal?! Que conselho incrível vindo de um professor – Cassie disse com sarcasmo. – Você realmente sabe como ajudar um jovem.
– Você sabe o que eu quis dizer – George disse tentando se explicar.
– Já não esta na nossa hora de ir? – Cassie disse pegando sua o mochila.
Nos filmes sempre existia aquela pressão sobre ser o “aluno novo” em uma escola, mas nada daquilo aconteceu. Foi completamente normal. Quase desapontador. Ela não precisou se apresentar na frente na da sala ou foi o centro das atenções nos primeiros dias. Nada disso aconteceu. Cassie se sentiu um pouco traída pelos livros e filmes que assistiu a vida inteira, mas se sentiu bem por não ser notada. Por não sentir a necessidade de interagir com as outras pessoas. Sua própria companhia já bastava.
Como todos os dias ela ia com George, ela acabava chegando muito cedo, o que era algo bom, já que ela poderia ir em todos os clubes antes das aulas começarem.
– Você toca algum instrumento? Poderia participar da banda da escola – George sugeriu enquanto estacionava o carro.
– Sim, eu toco violino, e não, eu quero fazer parte da banda da escola – Cassie respondeu.
Quando Cassie e Jonathan era pequenos seus pais os fizeram cada um escolher um esporte e um instrumento musical para se dedicarem. Jonathan escolheu piano e judô, e Cassie escolheu violino e futebol. Depois percebeu que não gostava muito de jogar futebol. Ela gostava de correr, mas não com outras pessoas no meio e nem atrás de uma bola. Ela foi tentando uma série de outros esportes, até que na oitava série, ela entrou para o time de atlestimo. E ela amou aquilo. Ela amava correr e era boa nisso. E participou de alguns campeonatos e chegou a ganhar o primeiro lugar em alguns deles.
Mas Cassie não se sentia mais assim. Ela não se sentia mais apaixonada pela corrida.
George e ela seguiram caminhos diferentes a partir do estacionamento. George foi para a sala dos professores e Cassie foi para sua primeira parada: o clube de robótica.
O clube de robótica ficava em uma espécie de galpão, um pouco longe do prédio principal. Ao se aproximar, Cassie ouviu diversos sons vindos do galpão e até uma leve... explosão?
Tinha bastante fumaça cercando o lugar mais nenhum fogo, o que era bom.
– Você fez a fiação errada! – gritou alguém.
– Não foi minha culpa! – disse outro alguém.
– Foi culpa de alguém! – disse um terceiro.
– Eugene, sai daqui com esse extintor, não vamos precisar – disse mais outra pessoa.
Cassie entrou no galpão e encontrou 4 garotos de pé envolta de uma maquina, que era a fonte da fumaça. Os 4 estavam discutindo sobre o problema da maquina, mas nenhum deles estava fazendo nada para de fato arrumar o problema, seja qual ele fosse.
– Com licença? – Cassie chamou.
Os 4 se viraram ao mesmo tempo para ela.
– Pois não? – disse um deles. Ele tinha o cabelo escuro e cacheado, usava óculos, que estava com as lentes sujas devido a fumaça.
O que Cassie foi a camisa que ele usava. “May the mass times acceleration be with you” nas letras classicas do Star Wars.
Clube de robótica, certo? – ela perguntou.
Não, nós não podemos arrumar seu celular – disse outro garoto. Esse era mais baixo, e asiático.
Meu celular vai muito bem, obrigada – Cassie respondeu para ele. – Eu queria saber como faço para participar. Do clube.
Houve um momento de silêncio enquanto os 4 garotos digeriam o que ela acabara de dizer. Cassie não sabia como reagir já que eles a olhavam como se ela fosse uma forma de vida estranha que falava uma língua distante e complicada.
– Você quer participar do clube robótica? – repetiu o primeiro garoto.
– Sim – Cassie disse.
Os 4 se reuniram em um circulo fechado, de costas para Cassie começaram a cochichar. De vez em quando um deles levanta a cabeça e olhava para Cassie.
– Por que você quer participar? – perguntou um dos garotos. Ele era loiro, alto e parecia ser meio atrapalhado.
– Porque eu gosto de robótica, e eu quero ser engenheira e participar desse clube seria bom para meu curriculo acadêmico. – Cassie respondeu.
– Então, só para deixar claro, você não quer entrar no clube só se aproveitar de nós? – p perguntou o garoto asiático.
– Me aproveitar de vocês? – Cassie repetiu rindo. Que ideia ridícula. Como se eles conseguissem fazer algo que ela não conseguisse.
– Você é uma aluna nova aqui, certo? – perguntou o garoto loiro.
– Sim. Essa entrevista toda é necessária? Eu só quero participar do clube, construir alguma coisa, explodir outras. Não como se eu estivesse planejando construir uma Estrela da Morte. E não façam essa cara de surpresa, sim eu sou uma garota, eu sim eu gosto de robótica e sim eu assistir Star Wars. Mais de uma vez. E como toda pessoa com consciência, eu odeio o Jar Jar Bink.
Apesar da parte “... não façam essa cara de surpresa...” todos os 4 estavam de certo modo surpresos. É clichê e triste, mas eles sempre eram reconhecidos como os nerds da robotica. (Mas eles não eram os únicos nerds. Tinham os nerds do xadrez, os nerds do clube de debate e por ai vai).
– Qual é o seu nome? – perguntou um deles.
– Cassie.
– Bem vinda ao clube de robotica Cassie – disse o garoto de óculos. – Meu nome é Vinny. Esse mal-humorado aqui é o Mako – ele apontou para o garoto asiático.
– Não o culpo por ser mau-humorado, existe muita pressão sócio-cultural em cima dele – Cassie comentou.
– Viu?! – Mako disse para os outros. – Ela entende. Obrigado.
Cassie gostaria de dizer que não, que não entendia. Mas deixou quieto.
– Temos Spencer – Vinny continuou apontando para o garoto loiro. – E por ultimo, mas não menos importante, Dan.
Dan foi a única pessoa que em momento algum falou com Cassie. Ele parecia estar ocupado ouvindo musica e jogando no celular. Era o mais alto de todos, com cabelo castanho claro e olhos verdes.
– Agora na próxima vez que fomos na Comic Con, você pode ser.. – Spencer disse.
– Eu não vou ser Leia em um biquíni dourado. – Cassie interrompeu.
– Oh... Pelo menos eu tentei. – Spencer disse e Mako deu dois tapinhas no ombro do amigo.
– Eu ainda tenho que passar em outros lugares, então, até logo. – Cassie disse se virando para ir embora. – Ah, mais uma coisa, se um dia eu fosse na Comic Con com vocês, eu com certeza seria uma versão feminina do Han Solo.
Imediatamente todos os garotos olharam para Vinny.
– Eu sou o Han Solo dessa Millenium Falcon. – Vinny disse.
– Sim, claro — Cassie disse rindo sarcasticamente e saiu.
Ela tinha se esquecido de como era legal andar com outros nerds. Todos eles tinham um certo nível de esquisitice, mas pareciam ser legais.
Para Bliss:
Obrigada por me obrigar a assistir Star Wars na primeira vez em que fui dormir na sua casa.
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