Cassie não sabia muito bem como agir naquele momento. Seus pais parados ao seu lado, em uma ultima tentativa de fazê-la mudar de ideia. Os três estavam sentados no sofá da sala esperando Jonathan, o irmão mais velho de Cassie chegar para busca-la.

— Por favor, não se esqueça de ligar todos os dias – pediu seu pai.

- Você sabe que eu vou esquecer pai. Se eu lembrar de ligar duas vezes por semana, vai ser um grande feito. – Cassie respondeu e seu pai riu.

— Ainda acho isso errado – disse sua mãe. – Seu psicólogo disse que você precisa ficar com sua família para se recuperar mais rápido.

— E o que Jonathan é? Filho da vizinha? – Cassie rebateu, mas logo se retratou ao ver olhar ofendido no rosto de sua mãe. – Mãe, eu realmente acho que isso vai me fazer muito bem. Além disso, eu já melhorei muito nesses últimos dois meses. Eu tomo meus remédios regularmente, abro a janela do meu quarto, converso com outras pessoas....

— ... você conversa comigo, com seu pai e com o gato Cassie – disse sua mãe.

- Antes eu só conversava com o gato. Eu acho que isso é uma evolução. E meu psicólogo também. E se vocês não se lembram, ele apoiou minha decisão. Vão ser apenas alguns meses, e vocês sabem que eu sempre vou voltar para casa.

— Ainda não vejo como isso vai te ajudar! Você vai para um lugar distante da sua casa, dos seus pais, da sua escola, dos seus amigos, onde você não conhece ninguém e ninguém te conhece, como isso te faria bem.

— Mãe, isso vai fazer todo bem o do mundo para mim. Acredite.

Cassie ouviu a campainha tocar e pulou do sofá, saindo da sala indo em direção a porta. Foi apenas segundos antes de abrir a porta que percebeu que quem quer que estivesse do outro lado, não era seu irmão. Jonathan jamais tocaria a campainha para entrar em casa.

Do outro lado da porta estava Sebastian. O primeiro impulso de Cassie foi fechar a porta, mas seus pais estavam logo atrás dela e ela não saberia como explicar para eles porque fechou a porta na cara de uma pessoa que costumava ser um bom amigo.

Sebastian devia ter feito todo o caminho de sua casa até a casa de Cassie a pé, pois seu cabelo e jaqueta estavam molhados com a leve garoa que caia naquela hora.

— ... oi... – ele respondeu.

Cassie sabia que deveria responder “Oi” de volta, mas era como todas as palavras fosse apenas letras jogadas em sua mente, sem sentido.

— Cassie, convide o menino para entrar! – disse seu pai da sala. – Você não pode deixa-lo na garoa desse jeito.

Ainda sem dizer nada, Cassie deu passo para trás, dando espaço para Sebastian entrar. Depois que ele entrou ela fechou a porta, segurou o braço dele e o puxou direto para seu quarto, antes mesmo que ele pudesse parar para conversar com seus pais.

Cassie pegou uma toalha e a jogou para Sebastian, e depois se sentou na cama. Sebastian secou seu cabelo e sentou-se ao lado de Cassie. Houve um momento de silêncio no qual Cassie olhava fixamente para a parede e Sebastian ao redor do quarto de Cassie.

— O que aconteceu com as suas coisas? – ele perguntou, percebendo que muitos objetos não estavam no lugar de sempre.

— Vou morar com meu irmão por algum tempo – Cassie disse.

Ela finalmente disse. Deus, ela rezou tanto para ter fazer isso. Para que esse momento não chegasse. De todas as pessoas de que ela não queria ter que se despedir, Sebastian estava no topo da lista.

Cassie ainda tinha sentimentos confusos por Sebastian, esse era um dos motivos do qual ela precisava sair daquela cidade.

Afinal de contas, Sebastian era namorado de Bliss. Ex-namorado? Namorado? Viúvo? Ela não sabia qual usar.

— Quando?

— Hoje. Meu irmão já está vindo.

— Oh... Hum.. legal... eu acho... – Sebastian disse. – Quando você vai voltar?

— Eu não sei.

Outro momento de silêncio.

— O que você venha fazer aqui? – Cassie perguntou.

- Vim te ver. Saber como você estava.

— Você veio da sua casa até a minha, na chuva, para ver como eu estou? — Cassie que aquilo era mentira.

— Você ficar... quer dizer... não ir para a casa do seu irmão – Sugeriu Sebastian, ignorando a pergunta de Cassie.

— Eu quero ir. Eu preciso. Eu preciso sair dessa cidade, preciso sair de perto dessas pessoas, eu preciso começar de novo.

— Eu preciso de você.

— Não, você não precisa.

— Primeiro Bliss me deixa, e agora você...

— Chega Sebastian! – Cassie disse alto. – Dessa vez eu não vou cair no seu drama. Essa é a primeira vez em anos que eu decido fazer algo por mim mesma. É a primeira vez em anos eu que escolho me colocar em primeiro lugar. Eu sempre me importei mais com Bliss, com você e com os outros do que comigo mesma. Eu tenho direito de ser egoísta pelo menos uma vez na vida.

— Você tem razão – Sebastian disse. – Você está sendo egoísta – então se levantou.

— Em algumas horas eu vou sair dessa casa e não vou voltar por meses. Tem certeza que você quer que essas sejam suas ultimas palavras para mim?

Sebastian parou na porta com Cassie atrás dele. Por isso ela não queria se despedir, ela sabia que eles iriam discutir e ela não queria que sua ultima lembrança com Sebastian antes de se mudar fosse uma briga.

Sebastian se virou e a abraçou.

— Não faça nada estupido enquanto estiver fora. – ele pediu.

— Não faça nada estupido enquanto eu estiver fora – ela rebateu.

Minutos após a partida de Sebastian, Jonathan chegou.

— Encontrei Sebastian na rua – Jonathan disse.

— Ele acabou de sair daqui.

— Sabe, eu sempre achei que vocês dois iriam namorar um dia – comentou Jonathan pegando uma das caixas de Cassie.

Cassie também achava. Afinal de conta, ela e Sebastian sempre tiveram uma queda um pelo outro.

Eles teriam namorado.

Se Bliss não tivesse apaixonado por ele.