Nem todas as histórias começam com “Era uma vez…” ou terminam com “…felizes para sempre.”, ao menos não para mim.

Digamos que o clímax da minha história começou em um Halloween nublado e tudo terminou em um dia de neve no final do ano, justamente quando eu achava que nada mais poderia dar errado em minha vida triste e miserável.

Foi assim: briguei com meus pais, terminei com meu namorado, perdi a maior amizade de toda minha vida por uma mentira, esqueci-me de verificar os freios do meu carro. Esse foi o último dia de minha vida e, juro, que foi o mais excitante de toda ela.

Minha inútil vida se baseava em discussões com os pais, detenções na escola, brigas com o namorado, bebidas, amigas me proibindo de ir a bares e acordar sem saber como fui parar em minha cama.

Várias vezes pensei em minha morte, várias vezes tentei acabar com minha vida, mas nenhuma deu certo, nem para me matar eu prestava, sempre que eu tentava eu acordava em uma cama de hospital e ficava meses fazendo terapia, até que um dia eu cansei de tentar conversar com um terapeuta que fingia querer me ajudar em troca do dinheiro que minha família pagava após cada sessão. Cansada dessa rotina parei de tentar suicídio.

Não tinha nada a perder, aliás, Deus ter me dado a vida foi uma total perda de tempo, a não ser que ele se divertisse em ver minha desgraça. Minha vida inteira se baseava em desgraças.

As pessoas não me entendiam, diziam que tudo que eu fazia era birra minha, que tudo o que acontecia comigo era para eu pagar pelas coisas que eu faço comigo e com os outros. Diziam que tudo era culpa das minhas escolhas. Sempre arranjavam um jeito de por a culpa em mim.

Começaram os dias de neve, tudo o que se via era a alegria das pessoas por não terem que ir à escola e adolescentes loucos dirigindo sem carteira. E, bom, eu fui um desses adolescentes.

Ao contrário do que muitos dizem, quando eu morri, eu não tive flashbacks, não senti dor e nem vi uma luz branca, eu simplesmente vi meu corpo sangrando estirado no meio da estrada e meu rosto ficando azul por culpa do frio, foi isso e nada mais, apenas uma morte.

Notas finais
Eu escrevi essa historia em algum momento entre 2011 e 2013 e reencontrei os arquivos, espero que tenham gostado tanto quanto eu gostei de reler ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!