Just Yours

1 Capítulo único


Notas iniciais
Olá, pessoal, esta fic é dedicada, em especial à minha amiga de rpg e chefa duas vezes Mayah Virgo como presente de amigo oculto no fórum Santuário!
Confesso que me deu um pouco de trabalho, principalmente por eu nunca ter escrito nada a respeito do casal Hades x Poseidon, mas espero realmente que a leitura agrade, principalmente a você, May!! ♥

Caminhou só pelas ruas frias daquela cidade, observando aquela explosão de cores e luzes que cegavam seus olhos, desacostumados com tanta claridade. “Mil vezes estar no Meikai....” — era o que pensava, ao observar aquelas crianças correndo pela neve branca, gritando e desejando a todos os que transitavam por ali “um Feliz Natal” e perguntando-se quando seria a chegada do famoso bom velhinho.... “Crenças inúteis....por isso quando crescem, se tornam humanos tão desprezíveis....” — repetia em pensamento, ainda tentando compreender por que estava ali. Sua mente vagava para algumas horas antes, naquele escritório onde costumava analisar todos os relatórios de seu reino.

Estava ficando irritado com a quantia de papéis para analisar, contando até dez para não mandar tudo aquilo para os ares, quando uma voz o interrompeu.

_ Senhor Hades...? — era Pandora, aquela maldita puxa-saco que não o deixava em paz um minuto sequer. — Vim saber se está tudo bem com o senhor....não sai daí há dias....e....bem....os gêmeos e os espectros cessaram os trabalhos e saíram para o mundo humano, afinal....hoje é feriado.... — comentou, encarando Hades. — E....bem....passei para avisar que irei jantar com Radamanthys.

_Ótimo....ande logo então e não me atrapalhe.... — respondeu friamente, sem tirar os olhos dos papéis. Bando de inúteis....o que tinha de tão importante naquela data...? “Unir os amigos e a família...”, como ouvira uma vez em uma propaganda ridícula no mundo dos humanos....como se cada um ali já não estivesse morto há tempos e sequer tivesse algo assim....

Continuou por um tempo ainda analisando aqueles papéis, mas seus pensamentos não estavam ali. Aos poucos, sentiu algo estranho lhe bater....era como se lhe faltasse algo....um vazio que não sabia explicar. Olhou pela janela do escritório, observando o quão silencioso estava o palácio....e, por mais estranho que pareça, estava chateado por ninguém, principalmente Poseidon (que adorava o irritar naquela época) ter aparecido ali, pelo menos para se lembrar que ele existia. Tudo bem que....ok....ele tinha afastado todos e, da última vez que ele e Poseidon se encontraram, tinha deixado claro ao deus dos mares que não o queria por perto, apesar daquela noite ter sido deveras....quente....

Andou em círculos pelo escritório, sem saber o que fazer. Queria sair dali, daquele sufoco, e daqueles pensamentos estranhos. Não....definitivamente, não iria se parecer como um humano medíocre. Aqueles sentimentos não eram seus.....ele era o deus do submundo.....não deveria se deixar abater por idiotices, muito menos sentir afeto por outro deus que o subjulgara no passado... Foi então que teve a ideia de visitar o mundo humano para se distrair....ou talvez.....era o que imaginava.

Ficou algum tempo encarando grupos de pessoas que sorriam umas às outras e se abraçavam, revirando os olhos com aquela cena. “Patético.....eu não deveria ter vindo aqui.....” — era o que pensava, mas, apesar de não querer admitir, começava a sentir inveja daquelas pessoas....Sentou-se em um dos bancos, achando estranho se sentir tão deprimido.

Sabia que nunca seria alguém muito cortejado, afinal....quem se aproximaria de um ser “insensível”, imperador do submundo....temido e odiado por todos à sua volta, inclusive os deuses....Ele não pedira para ser quem era....foi apenas enganado pelos dois irmãos mais velhos que reservaram para si a melhor parte, deixando com ele a fama de “monstro”. Não que quisesse toda a atenção do mundo para si, mas....Droga....ficar naquele mundo humano o trazia muitos pensamentos ruins....talvez devesse ir logo embora dali.

Quando levantou-se, uma cena chamou sua atenção mais que devia: via Poseidon ali, aos gracejos com uma mulher, beijando-lhe a mão. Não conseguia entender por que aquilo o deixava tão irritado....mas agora podia entender o porquê o azulado não tinha aparecido aquele ano para irritá-lo e tentar seduzi-lo de novo....Apertou os punhos, caminhando a passos duros para um lugar mais deserto para que pudesse abrir um portal de volta para casa. Ouviu que Poseidon o chamava, mas não parou para ouvi-lo, desaparecendo em meio ás sombras.

Definitivamente....tinha sido uma péssima ideia ir à terra.....Seu lugar era no submundo.....longe de todo aquele sentimentalismo nojento e longe daqueles deuses como Poseidon.... Francamente....por que estava tão irritado por ver aquela cena? Sabia que o irmão era um mulherengo de primeira....e o que houve aquele dia entre eles não passava de mero passatempo. Mas porque não conseguia esquecê-lo...? Jogou-se em seu trono, frustrado, esfregando o rosto com as mãos, para ver se conseguia voltar a ser o deus frio de antes, sem sentimentos, e o qual não se abalava por nada.....nada.

Mas...Poseidon não teria se aproximado aquele dia de si por qualquer coisa....teria? Não....não devia ter se entregado daquele jeito ao irmão....sabia que fim aquilo iria ter....Cobriu o rosto, irritado consigo mesmo, suspirando cansado.

Ouviu passos atrás de si, imaginando ser Pandora ou um dos gêmeos para iniciarem seus trabalhos, mas foi surpreendido por uma mão sobre seus cabelos, bagunçando-os levemente, levantando a cabeça para repreender quem quer que fosse, mas foi pego de surpresa ao ver Poseidon ali, com seu costumeiro sorriso convencido.

_ O que quer aqui? — o encarou, mantendo sua postura fria. Não iria demonstrar a ele o quanto aquilo tudo o abalou, afinal, possuía seu orgulho.

_ E é assim que me recebe, querido irmão....? — Poseidon riu, divertido, sentando ao lado do deus dos mortos, passando o braço por cima de seu ombro, o que fez com que Hades se afastasse um pouco e enrijecesse a postura. — Eu vim aqui, com toda a boa vontade lhe desejar um Feliz Natal e é assim que me trata...? Francamente.... — fingiu-se de chateado, acariciando o ombro do deus de cabelos escuros.

_ Pelo visto, estava se divertindo bastante na terra....deveria ter ficado lá.... — Hades retrucou, secamente, afastando-se do toque do irmão e se levantando. — Está perdendo seu tempo aqui....não vai conseguir me fazer de idiota de novo, Poseidon.

_ … — Poseidon encarou Hades de maneira confusa por uns instantes, mas logo acabou por rir do jeito arisco do mais novo. — Ora essa, Hades....não me diga que ainda está guardando ressentimentos daquele dia... Tsc, logo você que vivia com aquela ideia de que jamais se apegaria a ninguém....é realmente irônico, não acha?

Hades cerrou os punhos de raiva, puxando Poseidon com força pelo colarinho. Não iria mais aguentar desaforos daquele idiota. Elevou seu cosmo, o encarando friamente.

_ Por acaso está desejando dar uma voltinha no Tártaro, caro irmão....? — aproximou seu rosto do do irmão, perigosamente, enquanto o encarava com raiva. Por que ele ainda vinha provocá-lo...? Já não bastava ter lhe dado esperanças aquele dia? Definitivamente, ele merecia ser destroçado no Tártaro, assim como seu pai, Cronos. Seu cosmo se elevava de maneira preocupante, e sabia que não teria mais volta após fazer aquilo.

Foi quando, neste momento, Poseidon o puxou para mais perto, roçando seus lábios contra os do deus do submundo, dando um leve sorrisinho a Hades.

_ Hades, Hades....sempre agindo por impulso e acreditando que esta sua armadura de frieza o irá proteger de tudo e de todos.... — o deus dos mares riu, acariciando o rosto do irmão com carinho. — Mas....eu posso perceber que ela possui várias rachaduras.... — Poseidon desceu as mãos pela cintura do deus dos mortos, o encarando, divertido. — Pensou mesmo que eu estava aos gracejos com aquela mulher...? — riu-se. — Era apenas uma vendedora que me foi muito simpática....

O deus dos mortos encarou Poseidon, tentando manter a mesma postura fria de antes, mas aqueles toques o faziam se sentir confuso, e quebravam suas defesas, mesmo que não quisesse. Mordeu os lábios, empurrando Poseidon contra a parede, deixando-se levar pelos seus instintos. Não seria mais fácil, simplesmente, mandá-lo ao Tártaro? Teria seus problemas resolvidos e não mais sofreria por conta daquele imbecil....mas, infelizmente seus instintos apitavam e faziam com que prensasse o deus dos mares contra a parede, colando seus lábios aos dele, em um beijo mais profundo. Queria poder descontar todo aquele ódio e ressentimento, destruí-lo, mas no fim, deslizou as mãos por aquele corpo bem definido, puxando os fios azuis com força, explorando a boca alheia. Quando se separaram, Poseidon riu, divertido, o encarando daquele jeito irritante, enquanto acariciava o rosto pálido de Hades.

_ Wow.....pelo visto continua um homem de poucas palavras, meus irmão.... — Poseidon riu, levando a mão ao bolso do terno, depositando uma pequena caixa aveludada nas mãos do deus do submundo, acariciando-as antes de soltá-las. — Demorei a pensar em algo que me lembrasse você....peço desculpas por não ter aparecido por todo esse tempo desde aquele dia, mas eu não sabia como explicar a você o que sentia, e temia que fosse mais uma vez rechaçado... — ele fez uma pausa, ainda encarando os olhos do irmão, que eram considerados frios para a maioria das pessoas, mas, para si, eles eram mais quentes que o próprio sol. — Vamos....abra.....quero saber se realmente serei jogado ao Tártaro hoje.. — ele riu, enquanto afagava levemente os fios escuros de Hades – Feliz Natal, morceguinho.... — gracejou, lembrando o quanto Hades odiava aquele apelido que inventara para ele.

_ Marina idiota..... — Hades resmungou, encarando o outro com raiva por conta daquele apelido, mas a cena que desenrolou em seus olhos ao abrir aquela caixinha o fez ficar nitidamente surpreso e, talvez até um pouco envergonhado: dentro, havia um pingente de ouro, com os símbolos de ambos os deuses unidos, cravados com diamantes, e, ao seu lado, um pequeno bilhete, com a caligrafia perfeita escrita a tinta prateada: “Serei para sempre teu, Hades, por toda a eternidade. Poseidon.”

Era incrível como algo tão simples fazia com que o coração frio de Hades batesse mais forte e o deixasse tão feliz a ponto de conseguir abrir um leve sorriso. Virou-se de costas ao outro para que ele não o visse naquele estado, afinal, jamais iria dar o braço a torcer e confessar o quanto amava aquele marina idiota.....Fechou a caixinha, caminhando, ainda de costas ao outro, indo em direção ao seu quarto.

_ Não vai me dizer nada....? — Poseidon arqueou a sobrancelha, confuso, cruzando os braços e recostando-se na parede. Conhecia o jeito frio de Hades se portar, mas ainda continuava ansioso por alguma resposta, por menor que fosse.

Hades voltou o olhar ao deus dos mares, com um sorriso de canto estampado em seu rosto.

_ Espero que não demore a me seguir, idiota, ou acabará perdendo a chance de receber o seu presente de Natal..... aproveite enquanto estou de bom humor..... — pegou o pingente nas mãos com cuidado, colocando-o em torno do pescoço enquanto voltava a caminhar ao seu quarto, desabotoando levemente a camisa que usava.

Não demorou muito para que Poseidon abrisse seu costumeiro sorriso safado e o seguisse para o quarto. Aquele Natal, por mais que não quisesse admitir, tinha sido o melhor dentre todas as eras que o deus dos mortos viveu e, sabia ele, que seus próximos milênios seriam bem mais interessantes após a chegada daquele marina.

_ Eu também quero ser para sempre teu..... — confessou baixinho no ouvido do deus dos mares, enquanto juntava o corpo dele ao seu, sentindo aquele calor que por muito tempo não mais sentira. — Mas continuará sendo um idiota para mim.... — Hades sorriu de canto, enquanto entrelaçava seus dedos aos dele, puxando-o pela nuca para mais um beijo.

Talvez passariam toda a eternidade naquele quarto, pois, para deuses, o tempo corria de maneira distinta aos mortais, mas o que aquilo importava...? A papelada e os afazeres do submundo podiam esperar.

Notas finais
Obrigada pela leitura e espero realmente ter agradado!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!