Just You and I
1 The beginning of my hell
Notas iniciais
Acordei às 10:30 de uma manhã de sábado, estranhei o fato de que minha mãe não tinha aparecido aos berros me mandando acordar.
Caminhei até o banheiro e lavei o rosto, fiz minha higiene matinal e desci, olhei em todos os cantos da casa chamando por minha mãe ou por Leroy, marido dela. Não achei e fui em direção à cozinha, em cima do balcão encontrei um bilhete:
"Quinnie, Leroy e eu tivemos uma emergência e saímos de madrugada, peça a Samanta para arrumar o quarto de hóspedes e deixá-lo o mais confortável possível, teremos visita. Por favor, se alimente, beijos mamãe."
Fiz o que minha mãe pediu achando tudo muito estranho, visita? Quem seria? Sentei no sofá e liguei a televisão, alguns minutos depois meu celular tocou.
S: Quinn?
Q: Eu. — respondi preguiçosamente.
S: Britt e eu estamos indo aí pra tomar banho de piscina. — se auto convidou.
Q: Eu não convidei vocês pra tomar banho de piscina.
S: Não importa Fabray, estamos indo. — desligou.
Fui até meu quarto e vesti meu biquíni, coloquei um short e um óculos e desci. A campainha tocou e eu me apressei para abrir imaginando ser Santana e Brittany, para minha surpresa, não eram.
Q: Pois não? — falei olhando por cima do óculos.
A garota, uma morena, consideravelmente menor que eu me olhou dos pés a cabeça e deu dois passos adentrando minha casa, tentando pelo menos, pois eu a impedi.
Q: Ei, ei. Como você chega entrando assim na casa dos outros? — perguntei incomodada.
Ela, finalmente, olhou em meus olhos e parecia abatida, deu um passo pra trás e disse:
R: Eu estou na casa de meu pai. — responde entrando.
Eu ainda estava digerindo tudo quando minha mãe e Leroy entraram em meu campo de visão, minha mãe afagou meu braço e me fez caminhar para dentro, Leroy estava igualmente abatido à garota.
Q: Mãe, o que houve? Quem é essa menina? — perguntei franzindo a testa.
Leroy continuou andando e minha mãe parou, olhou para mim e sorriu triste antes de dizer:
J: O nome dela é Rachel e ela vai morar conosco a partir de hoje. — voltou a andar.
Q: Oi? Como assim? — perguntei confusa.
Eu segui minha mãe e antes que pudesse perceber, estávamos todos na cozinha, Leroy e Rachel sentados no balcão, afagou a mão de sua — suposta — filha, que se afastou e disse:
L: Ela é minha filha e vai morar aqui, Quinn.
Q: Desde quando você tem outra filha?
Outra, sim. Eu me considerava filha de Leroy, meu pai morreu antes de eu fazer 1 ano e quando eu tinha 10, Leroy e minha mãe se casaram, ele foi minha única figura paterna desde sempre.
R: Outra? — perguntou irônica.
Arqueei a sobrancelha e senti meu corpo ferver, que garota debochada!
L: Sim Rach, Quinn é como uma filha mim.
Não pude evitar sorrir.
R: Aparentemente só eu não sou uma filha pra você. — concluiu debochada.
Antes que alguém respondesse, Santana e Britt entraram na cozinha.
S: Bom dia Q, tio Leroy, tia Judy. — quem vê pensa até que é santa.
J: Bom dia San, Britt. — sorriu
Q: Oi meninas.
Leroy e mamãe sairam da cozinha deixando nós 4 sozinhas.
S: Seus pais adotaram uma anã? — perguntou maliciosa.
Não evitei gargalhar com Santana, Britt não riu. Lancei um olhar incisivo à Rachel, ela nos olhava com desdém e isso, realmente me irritou.
Q: Ela é filha de Leroy, aparentemente nem a mãe dela a quis. — disse maldosa.
Notei que ao falar "mãe", Rachel enrijeceu e lágrimas chegaram a seus olhos.
J: QUINN! – gritou.
Ela se aproximou de Rachel que se afastou correndo, e chorando. Achei tudo muito dramático.
Q: Que garota dramát...- fui interrompida
J: A mãe dela morreu por isso ela veio morar aqui. — disse severa
Abri a boca 1001 vezes, e, 1001 vezes as palavras morreram antes de chegar a minha boca. Eu sei o que é perder um pai, bom, não conheci Russel, mas não muda o fato de eu não ter alguém. Amaldiçoei-me internamente e senti a culpa chegar a meu peito.
–x-
Santana e Britt tinham ido embora, depois de tudo o que houve não estava "no clima" para farra. Estava me sentindo culpada pelo que disse.
J: Você vai ficar aí o dia todo? — perguntou entrando na cozinha.
Q: Eu não sei o que dizer, mamãe.
J: Você já disse demais, ham.
Q: Eu não sabia...
J: Eu sei, eu sei. — me abraçou.
Q: Por que eu não sabia da existência dela?
J: Ela morava com a mãe na Europa e não queria contato conosco.
Q: Por quê?
J: Acho que ela nunca superou o divórcio...
Q: Eu sinto muito, pela mãe dela...
J: Por que você não vai dizer isso a ela? Ela tá na piscina.
Eu me desvencilhei de minha mãe e caminhando pouco a pouco cheguei à área da piscina, ela estava sentada com os pés dentro d'água e um olhar distante. Sentei-me ao seu lado e ficamos em silêncio até que as palavras fossem necessárias.
Q: Eu sinto muito. — sussurrei
R: Qual parte? — perguntou irônica
Q: A parte que você perde sua mãe e eu faço piada, mesmo sem saber. Sinto muito por isso.
Senti Rachel se afastando e a segurei pelo braço antes de falar:
Q: De verdade Rachel, você não pode me culpar por algo que eu não sabia... Você quer conversar?
R: Com você? – gargalhou.
Eu sabia que não era uma gargalhada verdadeira, podia conhecê-la há menos de 2 horas, mas inexplicavelmente me sentia como se a conhecesse durante toda a vida, ela fingia que não se importava. Mesmo assim não pude deixar de perceber o quão lindo era o sorriso de Rachel. Fiz uma nota mental: preciso desse sorriso mais vezes. Aos poucos a gargalhada debochada dela foi se calando e ela abaixou o olhar, envergonhada.
R: Desculpe. — murmurou.
Q: Tudo bem. Podemos tentar de novo, o que me diz?
R: Digo que você não precisa ter pena de mim.
Q: Eu não tenho pena. Nós podemos ser amigas, talvez até irmãs? — perguntei esperançosa
R: Nós não vamos ser amigas, tampouco irmãs. — seu tom era gélido.
Ela se levantou e saiu, e eu continuei na piscina imaginando o por que de que não seríamos amigas, tampouco irmãs.
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