Just You and I
3 Party all night
Notas iniciais
POV Rachel
Depois do que pra mim, foram 10 horas esperando, Quinn apareceu na sala vestida com um vestido preto com decote em V, seus seios praticamente pulavam para mim, era inacreditável. Em algum momento, talvez, eu possa ter erguido minhas mãos para tocá-los, estava hipnotizada, mas graças ao bom Deus, a campainha tocou e eu fui salva de um momento extremamente constrangedor.
R: Hey, chegaram cedo. – cumprimentei.
F: Não, não chegamos. – sorriu de lado.
R: Não importa, Quinn vai com a gente, tudo bem? – apontei para Quinn ao meu lado.
M: Quinn Fabray? A líder de torcida que inferniza nossas vidas no McKinley? – perguntou com desdém.
Q: Eu! – seu sorriso morreu nos lábios quando ouviu o resto.
Todos a olharam estranho e eu senti que ela ficou envergonhada.
F: Ahm, Rach... acho melhor não, as pessoas não se dão muito bem com ela e... – sussurrou para que Quinn não ouvisse, falhou.
R: Sério isso? – perguntei incrédula – É sou uma festa!
Q: Rachel, esquece, vai e eu fico aqui. – sorriu de forma encorajadora.
R: Não Quinn, isso não é legal. – rebati indignada.
Quinn abaixou o rosto e suspirou, eu não iria deixá-la para ir com eles, nem se eu quisesse e bem, eu não queria.
R: Ahm, quer saber?! Eu perdi totalmente a vontade de ir nessa boate. – menti.
M: Você apostou Rach. – rebateu indignada.
F: Mercedes está certa, e o Kurt já deve estar impaciente no carro, vamos logo Rach, cumpra sua palavra. – tentou me encorajar.
R: Ok, eu prometi beijar o máximo de meninas possível essa noite, certo?!
F/M: Certo. – falaram em uníssono.
Mordi o lábio inferior e me aproximei de Mercedes, dei um selinho no canto de sua boca, pra quem via a cena, estávamos nos beijando, pra quem sentia – como eu e Mercedes — estávamos apenas nos tocando. Tanto faz! Depois de um tempo me afastei e fui em direção a Quinn, peguei seu rosto em minhas mãos e a beijei, não houve língua, movimentos, nada disso. Simplesmente encostamos os lábios e o fato de Quinn não ter me afastado, foi suficiente para eu me sentir completa. Quem saberia explicar o que essa menina fez comigo? Eu não. Depois de alguns segundos – que pareceram horas – nos afastamos e eu sorri, ela sorriu de volta.
R: Bem, aposta cumprida. – sorri convencida.
F: Não vale. – franziu a testa.
R: Claro que vale. O acordo foi “o máximo de meninas possível”, só tem as duas aqui, e eu as beijei. Agora tchau, até amanhã. – sorri empurrando-os até a porta.
POV Quinn
QUE PORRA FOI ESSA? ESTOU EXPLODINDO POR DENTRO, EU BEIJEI UMA MENINA! DEUS!
Bem, ela me beijou e eu deixei, foi bom. Não teve nada na verdade, só nos encostamos e nos mantivemos firmes uma à outra. Eu quero mais disso. Só que com língua, e mãos e ela em cima de mim, ou em cima dela. Pera, que merda é essa?
Eu acho que fiquei nesse transe por um bom tempo, por que quando percebi estava sentada no sofá e Rachel estava na poltrona ao lado.
R: Quinn? – murmurou incerta.
Arqueei a sobrancelha, como sinal de que estava atenta ao que ela diria.
R: Sinto muito, eu só...
Q: Tá tudo bem. – respondi simplesmente. — Você não precisa ter ficado, Rachel.
R:Eu queria. – Abaixei o olhar. – Quinn? Tá tudo bem?
Q: Eu nunca... sabe, eu nunca tinha beijado uma garota...
R: Eu fui sua primeira então? – sorriu irônica
Que sorriso lindo!
Q: De certa forma. – sorri tímida.
R: Sabe o que dizem, né? O primeiro beijo a gente nunca esquece. – Sorri divertida.
Q: Não foi bem um beijo, você... Você não... Não se mexeu. – conclui e revirei os olhos.
R: Quer tentar de novo? –sentou ao meu lado no sofá.
Eu não respondi, apenas pisquei os olhos, assentindo o próximo passo. Rachel se aproximou e eu me sentia uma retardada, não sabia o que fazer, onde pegar, me sentia uma nerd beijando pela primeira vez. Rachel se afastou antes que nossos lábios se tocassem novamente. Senti falta do calor que o corpo dela emanava.
R: Você está nervosa. – abri os olhos.
Q: Dá pra perceber?! – perguntei insegura.
R: Dá. — colocou uma mecha de meu cabelo atrás da orelha. – Fica calma Quinn, o que eu posso fazer pra você se sentir melhor? Se você não quiser...
Q: Eu quero! – soei desesperada. — Eu quero, eu só não sei o que fazer, eu não estou confortável. – interrompi e corei.
Rachel sorriu e me deu a mão, eu aceitei e ela me puxou, me colocando em seu colo, minhas pernas rodeavam seu tronco.
R: Tá melhor assim, não tá? – tocou a base de minhas costas.
Q: Tá. – passei as mãos por seu pescoço.
R: Eu sei.
Q: Convencida. – mordi meu lábio inferior
E não houve resposta, eu sentia a respiração dela em meu rosto, mas novamente antes que nossos lábios pudessem se tocar, ouvi gritos de minha mãe chamando por nós.
Rapidamente levantei do colo de Rachel e tentei me recompor, Rachel fez o mesmo.
J: Quinnnie? Rach? – sua voz soava distante.
Q: Aqui mamãe. Na sala. – respondi com a respiração falha.
J: Ah, oi! – entrou na sala sorrindo.
R: O que você está fazendo aqui, não ia sair? – soou grossa.
Minha mãe suspirou magoada.
J: Saímos, mas como vocês não se dão bem resolvemos voltar hoje mesmo, afinal não queríamos encontrar o corpo morto de uma das duas quando chegássemos pela manhã.
Nós mesmas estragamos nosso momento. Ótimo.
Q: Estamos bem. – garanti.
J: Percebi, por que estão vestidas assim? – perguntou desconfiada.
R: Assim como? – perguntou debochada.
Rachel perguntou como se não fosse nada, segunda à noite, duas adolescentes vestidas com roupa de festa e maquiadas, não é nada! Eu quis rir da cara de pau dela.
J: Como se fossem sair. – explica intercalando o olhar entre Rachel e eu.
Q: Ahm, não, não íamos sair... – dou uma risada nervosa.
Leroy apareceu na sala e por sorte levou minha mãe com ele para guiá-lo na garagem.
R: Quinn, eu... – começa a falar nervosa.
Q: Tá tudo bem, a gente tenta de novo depois. – falo em seu ouvido antes de subir para trocar de roupa.
POV Rachel
Sabe quando você tá fazendo uma prova de múltiplas escolhas e escolhe a certa, mas fica na dúvida e resolve mudar, daí marca a errada?! Bem, me senti assim quando Judy chegou.
Que porra, se eu não tivesse interrompido dá primeira vez por que ela estava tensa teríamos nos beijado. FODA-SE SE ELA ESTAVA TENSA. Eu não estava, poderia ter o gosto dos lábios dela em mim agora, péssima escolha Berry, péssima escolha zelar pelo conforto dela.
Bateram na minha porta e meu coração disparou imaginando que fosse Quinn e que o “a gente tenta de novo depois” já havia chegado, mas ele falhou quando dei de cara com Judy.
J: Hey, temos pizza lá embaixo, desça, vamos comer. – sorriu docemente.
Por mais carinhosa, encantadora e tudo mais que Judy Fabray fosse, eu não conseguia gostar dela, ela roubou meu pai de minha mãe, acabou com minha infância. Nos dias dos pais eu não tinha um pai para ir à festa na escola, enquanto Quinn tinha o meu pai.
R: Eu não estou com fome, Judy. – respondi seca.
J: Rach, você pode contar comigo para o que precisar, eu vou estar...
R: Você não é minha mãe e eu não quero que você esteja aqui pra mim. Ok? – rebati irritada.
J: Eu sei que eu não sou sua mãe, querida. Mas você só tem a mim e a seu pai agora, você tem a Quinn que vai ser uma ótima irmã pra você, você só precisa se abrir conosco. – disse olhando em meus olhos.
R: Quinn não é minha irmã. – senti o peso das palavras delas.
Se ela fosse minha irmã, o que fizemos – e faríamos — seria incesto.
J: Ela pode ser, só se abra, ok? – perguntou carinhosa.
R: Ok Judy. – forcei um sorriso.
Querendo ou não, Judy estava querendo me ajudar e por mais que me doa dizer isso, eu preciso de uma figura materna e minha mãe não está aqui para mim.
POV Quinn
Tinha comido uns dois pedaços de pizza e estava subindo as escadas quando pensei em Rachel e meus pés me levaram para a porta de seu quarto, conforme ia me aproximando pude ouvir uma parte da conversa:
J: Eu sei que eu não sou sua mãe, querida. Mas você só tem a mim e a seu pai agora, você tem a Quinn que vai ser uma ótima irmã pra você, você só precisa se abrir conosco.
R: Quinn não é minha irmã...
J: Ela pode ser, só se abra, ok?
R: Ok Judy.
Não pude evitar me sentir culpada, Rachel e eu não crescemos juntas, nem nos conhecíamos uma semana atrás, mas mesmo assim, seu pai era casado com minha mãe e não sei, devíamos respeito à relação deles?!
Quando escutei minha mãe se despedindo entrei no armário e fiquei lá o tempo necessário para que minha mãe descesse as escadas, quando eu sai logo entrei no quarto de Rachel que estava sentada na cama com o celular em mãos.
R: Hey. – sorriu largando o celular.
Q: Isso não é certo Rachel, nós somos irmãs. – disse culpada.
Rachel piscou algumas vezes até que, finalmente, entendeu sobre o que eu falava, ela atravessou a cama e me abraçou, me senti extremamente mais forte. Ela afagou meus cabelos e disse.
R: Não somos irmãs, não temos parentesco algum. – falo delicadamente.
Q: Somos todos filhos de Deus, temos isso em comum. – respondi manhosa.
Rachel mordeu os lábios antes de dizer:
R: Eu sou judia. – responde divertida.
Q: Você sabe que isso não faz diferença né? Judeus não creem em Jesus Cristo, mas creem em Deus, Rach. Você também é filha dele. – explico agarrada a seu corpo.
R: Você é nerd. Outro clichê, Fabray. – aperta minha barriga fazendo cócegas.
Q: Isso é clichê? – perguntei confusa quando consigo me desvencilhar dela.
R: Extremamente. A garota linda é a líder de torcida perfeita e extremamente genial, super clichê. – revira os olhos antes de sorrir.
Q: Você me acha linda e uma líder de torcida perfeita? – pergunto me aproximando dela.
R: Com certeza, sem falar no quão sexy você fica naquele uniforme. – morde os lábios maliciosa.
Quando percebo, já estamos novamente na mesma posição que estávamos no sofá e a essa altura não lembro mais de que entrei no quarto para dizer que éramos irmãs. Foda-se. Não somos irmãs.
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